segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Eu quero!

Quando eu crescer...

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Olhos na escuridão (reformulação)


"No momento por algum motivo não pude te atender. Por favor deixe seu recado após o sinal que retornarei assim que possível."

E após o sinal, silêncio e ao fundo uma respiração, logo o click do aparelho sendo desligado. Era a terceira ligação desse tipo durante a semana.
Hellen estava amedrontada e parecia saber quem era o autor daquelas ligações. O novo vizinho! Seu rosto era ameaçador, não menos que seu comportamento. Todas as noites, ele a observava do outro lado da rua, por entre a cortina, levemente, transparente. Seus olhos negros a invadiam.

Excluir
Dentro de seu apartamento, Harry não fazia a menor idéia de que estivessem desconfiando dele. Estava com fome. Aumentou o som e foi dançando para cozinha preparar algo para comer. Ao passar pelo corredor tentou uma ultima vez ligar para o numero que o zelador havia lhe dado, mas algo dava errado e a pessoa do outro lado da linha parecia não escuta-lo. Era a terceira vez que ligava esta semana mas sempre acontecia a mesma coisa. Depois de comer foi até a janela e ficou olhando o vazio da rua por trás das cortinas durante algum tempo como sempre fazia. Depois, apagou a luz da sala e foi escovar os dentes antes de ir dormir.

Excluir
Dormiu mal, um sonho estranho o fêz acordar antes do horáro habitual. Sentado na cama, intrigado, relembrou algumas imagens vagamente. Caminhava por uma rua escura, com um sanduiche nas mãos, ouvia passos atrás de si, virava-se bruscamente. E,assustado, via um relógio sem ponteiros e um imenso telefone. Um sonho que se repetiu várias noites, e o levou a pensar que alguma coisa estava errada, ou consigo mesmo, ou talvez isso fosse algum tipo de maldiçao. Harry era muito superticioso, mais sua duvida continuou.

Hellen do outro lado da rua que não pregou os olhos um minuto sequer, a noite toda espreitou sobre o beiral da janela o seu vizinho medonho, tomara umas 30 xícaras de café durante a madrugada e na tentativa de se manter acordada, o corpo todo dolorido, rezara freneticamente durante horas sobre a escuridão para aplacar seu medo, apelou a todos os santos e deuses que conhecia.

Então seu telefone tocou. Um susto à toa, era o zelador, Helen o conhecia há anos, e sabia o quanto era dado a uma intriga. Não teve dúvidas, à queima roupa, perguntou:

- O Sr. já ouviu falar que as noites foram feitas para dormir?

Sentiu com um certo prazer ao perceber uma pontinha de desconforto na voz do interlocutor. E proseguiu na esperaça de colher dele a resposta para o enigma.

Excluir
No entanto o zelador era astuto,feito uma raposa,e não se deixou abater. Com voz mansa dissimulou sua verdadeira intenção e retrucou:

- Ouvi sim, mas não sou muito dado a obedecer regras, não.

Foi mediante a negativa do zelador que Helen, rindo, se deu conta, os telefonemas, o  silêncio e ao fundo uma respiração, eram do novo vizinho.  Provavelmente um solitario e por trás de toda sua loucura e fixacão por Hellen escondia um romantico que sempre a observara, à espreita esperando o momento certo de se aproximar já que não sabia o que falar.

Pouco sabia sobre ele, porém algo dizia suas olheiras profundas. Porém, não sabia o qual era sua imagem perante ele. Hellen chegava quase sempre as sete e enquanto trancava rapidamente o portão em uma sexta-feira percebeu que seu vizinho não a sondava, em instantes percebe um buque de rosas e um envelope amarelo em frente a grande porta de madeira que dava acesso ao interior de sua casa. Se aproxima vagarosamente e abaixa-se até alcaçar o envelope que dizia: Conta de Luz.

Pegou a rosas e viu que não havia bilhete nenhum. Elevou o olhar para a janela do vizinho. Não estava lá. Somente as cortinas esvoaçavam para fora do quarto como se dançassem um ballet etéreo.

Harry nunca havia visto Hellen, tentou por três vezes durante a semana contato,  o zelador havia lhe dado o telefone pois necessitava de técnico em informática, ela poderia lhe ajudar. Não sabia era o que estava acontecendo no mundo pois vivia com a cara enfiada nos livros. Trabalhava como revisor de textos.

Certa manhã ao entrar no elevador Harry deparou-se com um homem que nunca havia visto antes. Deve ser o novo vizinho, pensou. O homem, muito grande, com olheiras profundas, estava mal barbeado, usava uma capa e sequer lhe deu Bom Dia. Quando desceu do elevador passou por Hellen que o olhou com o canto dos olhos. Meio constrangido pelo olhar de desconfiança ele lhe disse um Bom Dia meio tímido. Atrás de si vinha aquele homem. Ao passar por Hellen, o estranho lhe disse:

Excluir
- Bom dia Senhorita... - algo na forma de o dizer denunciava uma certa cumplicidade.

"Ele me viu escondida atrás das cortinas o observando... com certeza." - Hellen pasma olhava para o homem de capa que havia parado em seu caminho. De repente ele lhe lançou um olhar penetrante e lhe perguntou.

- Recebeu o buque de rosas que lhe mandei?
- Hã?... - a mulher ficou sem palavras.

Harry, no mesmo elevador, precisando aproveitar o momento em que encontrava a vizinha, ao mesmo tempo não podendo interromper como a única barreira entre os dois que se falavam sem ao menos notar sua presença. Quando se retirou para o fundo do elevador. O mundo era feito de oportunidades e essa com certeza não era uma.

Excluir
Hellen por sua vez, nunca havia ficado sem fala em toda sua vida, era uma falante incorrígivel. Porém, ultimamente acalentava um sonho. Nele, o homem de olhos negros por trás das cortinas, apagava a luz e descia as escadas com um buque de rosas nas mãos, sentavam no vazio da rua, e, ali, sozinhos falavam de ligações, silêncios, palavras exóticas, medo, dança, homens de capas, desconfianças, paixão, pequenas coisinhas da vida.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Olhos na escuridão



Então me diz qual é a graça
De já saber o fim da estrada,
Quando se parte rumo ao nada?
(Paulinho Moska)


"No momento por algum motivo não pude te atender. Por favor deixe seu recado após o sinal que retornarei assim que possível."

E após o sinal, silêncio e ao fundo uma respiração, logo o click do aparelho sendo desligado. Era a terceira ligação desse tipo durante a semana.

Hellen estava amedrontada e parecia saber quem era o autor daquelas ligações. O novo vizinho! Seu rosto era ameaçador, não menos que seu comportamento. Todas as noites, ele a observava do outro lado da rua, por entre a cortina, levemente, transparente. Seus olhos negros a invadiam.

Excluir
Dentro de seu apartamento, Harry não fazia a menor idéia de que estivessem desconfiando dele. Estava com fome. Aumentou o som e foi dançando para cozinha preparar algo para comer. Ao passar pelo corredor tentou uma ultima vez ligar para o numero que o zelador havia lhe dado, mas algo dava errado e a pessoa do outro lado da linha parecia não escuta-lo. Era a terceira vez que ligava esta semana mas sempre acontecia a mesma coisa. Depois de comer foi até a janela e ficou olhando o vazio da rua por trás das cortinas durante algum tempo como sempre fazia. Depois, apagou a luz da sala e foi escovar os dentes antes de ir dormir.

Excluir
Dormiu mal, um sonho estranho o fêz acordar antes do horáro habitual. Sentado na cama, intrigado, relembrou algumas imagens vagamente. Caminhava por uma rua escura, com um sanduiche nas mãos, ouvia passos atrás de si, virava-se bruscamente. E,assustado, via um relógio sem ponteiros e um imenso telefone. Um sonho que se repetiu várias noites, e o levou a pensar que alguma coisa estava errada, ou consigo mesmo, ou talvez isso fosse algum tipo de maldiçao. Harry era muito superticioso, mais sua duvida continuou.

Hellen do outro lado da rua que não pregou os olhos um minuto sequer, a noite toda espreitou sobre o beiral da janela o seu vizinho medonho, já tomara umas 30 xícaras de café durante a madrugada e na tentativa de se manter acordada, o corpo todo dolorido, rezara freneticamente durante horas sobre a escuridão para aplacar seu medo, apelou a todos os santos e deuses que conhecia.

Então seu telefone tocou. Um susto à toa, era o zelador, Helen o conhecia há anos, e sabia o quanto era dado a uma intriga. Não teve dúvidas, à queima roupa, perguntou:

- O Sr. já ouviu falar que as noites foram feitas para dormir?

Sentiu com um certo prazer ao perceber uma pontinha de desconforto na voz do interlocutor. E proseguiu na esperaça de colher dele a resposta para o enigma.

Excluir
No entanto o zelador era astuto, feito uma raposa, e não se deixou abater. Com voz mansa dissimulou sua verdadeira intenção e retrucou:

- Ouvi sim, mas não sou muito dado a obedecer regras, não.

Foi mediante a negativa do zelador que Helen, rindo, se deu conta, os telefonemas, o  silêncio e ao fundo uma respiração, eram do novo vizinho.  Provavelmente um solitario e por trás de toda sua loucura e fixacão por Hellen escondia um romantico que sempre a observara, à espreita esperando o momento certo de se aproximar já que não sabia o que falar.

Sabia que nas segundas ele ia ao supermercado onde comprava seu pão de aveia predileto e o comia sempre na grande sacada que circundava seu quarto no andar superior. Nas quartas alugava um filme na locadora à duas quadras dali e nas quintas trabalhava até tarde no escritório tanto que ele percebia suas olheiras profundas nas sextas feiras. Porém, não sabia o qual era sua imagem perante ele.

Hellen chegava quase sempre as sete e enquanto trancava rapidamente o portão em uma sexta-feira percebeu que seu vizinho não a sondava, em instantes percebe um buque de rosas e um envelope amarelo em frente a grande porta de madeira que dava acesso ao interior de sua casa. Se aproxima vagarosamente e abaixa-se até alcaçar o envelope que dizia: Conta de Luz.

Pegou a rosas e viu que não havia bilhete nenhum. Elevou o olhar para a janela do vizinho. Não estava lá. Somente as cortinas esvoaçavam para fora do quarto como se dançassem um ballet etéreo.

Harry nunca havia visto Hellen, mas como morador do prédio, era um suspeito. Ele sabia que alguém havia se mudado recentemente para o edifício, aquele zelador estranho havia contado a ele. O que não sabia era o que estava acontecendo no mundo pois vivia com a cara enfiada nos livros. Trabalhava como revisor de textos e encontrava coisas exóticas nos textos que lia.  Imaginava que aquilo era preguiça ou descuido dos autores, mas nada concluía.

Certa manhã ao entrar no elevador Harry deparou-se com um homem que nunca havia visto antes. Deve ser o novo vizinho, pensou. O homem, muito grande, com olheiras profundas, estava mal barbeado, usava uma capa e sequer lhe deu Bom Dia. Quando desceu do elevador passou por Hellen que o olhou com o canto dos olhos. Meio constrangido pelo olhar de desconfiança ele lhe disse um Bom Dia meio tímido. Atrás de si vinha aquele homem. Ao passar por Hellen, o estranho lhe disse:

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- É preguiça e descuido senhorita! Tambem é um acumulo de péssimas horas de ensino público e falta de esforço de si mesmo perante o glorioso uso de sua língua mãe, levando ao lugar de "da para ler então tá tudo bem" o resto é puritanismo ou perfeccinismo, o que interessa a eles é fazer, logicamente que com consciencia do enorme prejuízo que sofreram se forem julgados e comparados, mais mesmo assim esses alunos de hoje em dia do curso de portugues perderam as origens da boa escrita, é lastimavel, muito triste mesmo.

Hellen pasma olhava para o homem de capa que falava ao celular e a havia parado em seu caminho. De repente ele lhe lançou um olhar penetrante e lhe perguntou.

- Recebeu o buque de rosas que lhe mandei?
- Hã?... - a mulher ficou sem palavras.

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Coisa que nunca lhe acontecera. Era uma falante incorrígivel, é que ultimamente acalentava um sonho. Nele, o homem de olhos negros por trás das cortinas, apagava a luz e descia as escadas com um buque de rosas nas mãos, sentavam no vazio da rua, e, ali, sozinhos falavam de ligações, silêncios, palavras exóticas, medo, dança, homens de capas, desconfianças, paixão, pequenas coisinhas da vida.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Chamada perdida.




"No momento por algum motivo não pude te atender. Por favor deixe seu recado após o sinal que retornarei assim que possível."

E após o sinal, silêncio e ao fundo uma respiração, logo o click do aparelho sendo desligado. Era a terceira ligação desse tipo durante a semana.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Tempus Fugit

Saciada a sua ira e satisfeito o seu ódio Beatriz observava seus pés e a chuva mansa que caia. Os pingos na vidraça do quarto era o único som existente. A mudança de humor, a observância desses pés e os movimentos de seu corpo era tudo o que tinha.
.
Figura delicada, boca perfeita e usando um elegante chapéu, Camille a esperou de braços abertos. A lua iluminava-lhe o semblante e ela sorria. Um sorriso de boneca ou da boca que se alarga e toma conta do rosto inteiro. Beatriz nunca descobriu, e a bem da verdade, chegou a pensar que não era nenhum nem outro. Era só e unicamente o brilho que Camille possuía e que tanto lhe incomodava. Tornaram-se inimigas no mesmo instante em que seus olhos se cruzaram. Foi a beleza desse olhar que levou Beatriz à destruir sua própria vida, por ciúmes.
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Já havia 15 anos desde o acontecido, foi na época do colégio. Ninguém entendeu o fato e nada ficou esclarecido nem mesmo a polícia local, tão eficiente, conseguiu desvendar tamanho mistério.Apenas algumas suposições, hipotéses.
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Foi quando encontraram um retrato, antigo, desbotado com a força que o tempo exerceu sobre ele. Era o retrato de dua meninas abraçadas. No chão havia uma boneca sem cabeça e podia se ver tambem a sombra do fotografo. Atras da foto estava escrito:

Tempus Fugit.

Tal menção não é algo que se lê todos os dias. Intrigado o Detetive Parkinson procurou saber sobre o significado para ver se achava algo mais sólido do que apenas o significado das palavras em sí. Foi quando a porta se abriu e um padre apareceu trazendo amarrado a uma cordinha uma ovelha.

Ele olhou para o relogio e disse:

- O tempo passa.

Parkinson começou a tremer. O padre lhe perguntou:

- Posso ajudar detetive? Franzindo a testa, com os olhos cheios de raiva e tremendo ainda mais, Parkinson respondeu:

- Não dessa vez, padre. A intimidade dos dois não passou despercebida aos outros políciais presentes. Quanto a ovelha, que já se acostumara ao som das palavras, à benção do seu vigário, assustada correu, mas não antes de derrubar o retrato deixando a mostra uma caixa de porcelana, que segundo Beatriz guardava o segredo do encanto de Camille. O encanto que lhe roubara a felicidade. Mas nessa epoca, 15 anos atras, nada disso era conhecido e por um capricho do destino, talvez nunca venha a ser.

Derrepente o detetive Parkinson tremendo agora compulsivamente, perdeu as forças nas pernas e caiu sentado no chão. O padre prontamente se ajoelhou para ajuda-lo. Sussurrou em seu ouvido umas poucas palavras que ambos conheciam. Parkinson agarrou-se ao terço que o padre trazia junto as mãos e naquele momento tudo veio-lhe à mente; o retrato, a caixinha de porcelena, Camille e Beatriz com sua doce voz cantando uma velha ladainha que dizia coisas de um mundo passado. Lembrou-se de sua infancia abstrata sem amor, sem amigos. Começou a chorar

Neste instante o padre atonito por tal cena arranca-lhe o terço das mãos e lhe dá uma tremenda bofetada. A ovelha começa a balir. Os olhos de Parkinson rodam em suas orbitas enquanto as lembranças revoam inusitadas em sua mente. Quinze anos desembrulham-se então e esparraman-se pela sala. Tudo foi se juntando durante os anos para explodir naquele momento. Ainda agarrado a batina do padre, o detetive confessa:

- Sim padre, fui eu, fui eu, eu que as matei, eu insuflei todo o ciumes, eu fui o causador da tragedia! Ha anos carrego esta culpa, nada pude fazer, mas no fundo sou culpado.

- Não diga asneiras Parkinson, vc era apenas uma criança na epoca. Componha-se, sei que você as amava mas essa triste fatalidade nada tem a ver com vc. Vc nem existia para elas, não pode se sentir culpado por arrancar a cabeça de uma boneca. Bom, eu te absolvo.

Parkinson abaixou-se lentamente e pegou a foto do chão. Olhou o verso do retrato e finalmente entendeu. Incrivelmente o padre estava certo. O tempo havia passado.

Tempus Fugit.

written by Sueli Aduan, Tina, Katia Mota, Sergio Cajado, Leo Metallica, Youkai



segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

E ela sorria...



Saciada a sua ira e satisfeito o seu ódio Beatriz observava seus pés e a chuva mansa que caia. Os pingos na vidraça do quarto era o único som existente. A mudança de humor, a observância desses pés e os movimentos de seu corpo era tudo o que tinha.
Figura delicada, boca perfeita e usando um elegante chapéu, Camille a esperou de braços abertos. A lua iluminava-lhe o semblante e ela sorria. Um sorriso de boneca ou da boca que se alarga e toma conta do rosto inteiro. Beatriz nunca descobriu, e a bem da verdade, chegou a pensar que não era nenhum nem outro. Era só e unicamente o brilho que Camille possuía e que tanto lhe incomodava. Tornaram-se inimigas no mesmo instante em que seus olhos se cruzaram.

Foi a beleza desse olhar que levou Beatriz à....


domingo, 17 de janeiro de 2010

Teatro?

"-O combinado não era esse! A culpa é toda sua!
-Minha? Quem e deu o direito de me responsabilizar pelos nossos atos? Sabe muito bem que eu não estava sozinho naquela noite Ronney. Bem sabe que você observava tudo a distância e não teve peito para participar do desfecho daquele incidente. O que o comissário estaria pensando agora com o escândalo aparente? Hein? Hein? Prostre seu egocentrísmo de encontro ao chão e dê graças aos céus que conseguimos evitar que este caso viesse a público. Entenda Ronney era eles ou nós atolados até o fundo com essa situação toda. Nós poderiámos estar no banco do Júri agora. Pelos Deuses Ronney, pense homem...
- Você está distorcendo tudo, jonhy, eu não queria ir ao apartamento daqueles caras, você foi quem insistiu. Eu não gosto desse tipo de situação. Não gosto dessas orgias, que você procura. Faço pra não te perder e olha no que deu! Quase entramos na maior roubada! Chega pra mim!"

bom, muito bom pessoal,mas amanhã precisamos repassar essas falas, os diálogos, trabalhar o corpo soltarem-se mais. E não se esqueçam começamos mais cedo, a data da estreia já foi marcada e é preciso que tudo seja perfeito.
-O teatro municipal deve estar lotado.
Steven, o diretor, não queria assumir que todo esse sucesso estava previsto não graças à peça mas, ao seu ator principal.
Não aceitava que as pessoas ainda achassem que uma boa peça se fazia simplesmente com os atores famosos e da Globo.
Mas, por mais que negasse era inevitável que o peso das pessoas famosas existia, não adiantava se esconder atrás da ilusão de que o conteúdo da peça era o mais importante, infelizmente nesta peça esse fato era apenas secundário, a estrela brilhante era o centro das atenções.
saiu cansado do recinto de ensaio e trabalho, o teatro Boa Visague.
a porta parou e puxou um maço de cigarros do bolso, acendeu-o e tragou com profundidade, olhou para o céu e... um cano encostou nas suas costas, e uma voz encostou no seu ouvido.
-senhor não reaja, não pronuncie um som sequer, apenas ouça está bem, esta vendo aquele carro ali! caminhe comigo até ele, devagar sem chamar a atenção... assim lá vamos ter uma conversinha...
Parecia que o frio cano daquela arma fazia com que toda sua espinha gelasse.
Teve de se lembrar de como andar... E assim caminhou, lentamente, tentando disfarçar para que ninguém das pouquíssimas pessoas que passavam na rua percebesse o que acontecia.
Seguiu em silencio até o carro de vidro escuro, sem saber o que lhe aguardava.
-Steven... Steven... Quanto tempo!
-tempo demais para mim, meu caro, e chegou a hora de acertarmos as contas, não acha?
É justamente para isso que estou aqui, Steven.
-Hum! Sei.
-Sendo assim, que tal eu dispensar seu queridinho,já que nos dois sabermos ,um ator que depende de outro para fazer uma cena não é um ator.
Dito assim, o homem de terno escuro e arma de borracha fechou a porta de trás do grande Mercedes e se dirigiu ao volante.
-Steven!
-Jack! Sempre cheio de jogos e pegadinhas... Você não muda, seu imprestável!
Risos.
-Mas, afinal, eu mereço ou não uma chegada triunfal?

FIM

Texto escrito por: Tina, Léo Metallica, Ira Buscacio, sueli aduan e Youkai.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Passos no escuro.

-O combinado não era esse! A culpa é toda sua!
-Minha? Quem...

Uma razão, 2 comprimidos e uma dose de Whisky por favor.....




"Todo o inferno está contido nesta única palavra: solidão."
                                                                                                                                                (Victor Hugo)


À princípio era uma necessidade.
Já não dormia, já não comia ( o que preocupava muito, acabaria sumindo), já não queria ver ninguém.
1/2 comprimido ao dia, durante 15 dias, aumentar a dose para 1 comprimido ao dia após esse período. Essa era a prescrição médica.

- Uma dose de Whisky por favor....
- Tem certeza disso policial Catner, a sua gastrite. - Alertou o velho e conhecido Barman.
- Cale a boca e enche o copo Tonny! - Enquanto o líquido preenchia o recipiente de vidro o homem de farda animou-se. - Assim esta melhor!
retirou a pistola do coldre e a deitou sobre o balcao, pegando o copo cheio logo depois.
- Como está o pequeno Marty Senhor? - Perguntou o Barman intrometendo-se no deleite do velho homem.
- Marty, ele está, bem melhor agora, morando com a mãe. O juíz decidiu que seria melhor para ele.
- Então vocês se separaram mesmo? Achei que fossem só boatos. Mas, poderá vê-lo, não poderá?
- Sim, aos finais de semana. Se ele quiser me ver.
- E por que não iria querer?
- Por quê? Ora pois, até parece que não conhece o que vai no coração dos homens, depois de tantos anos atrás desse balcão, meu caro, é quase inevitável não ser dado a pequenos arroubos interpretativos, e além do mais, Mary é figura sempre presente por aqui, até onde sei, segredou com você que o pequeno Marty jamais voltaria àquela casa. Mesmo que eu o quisesse encontrar fora dela. Bem, talvez seja de mim que ele foge e não do passado.
- Não fique remoendo essa história, meu amigo, o que passou passou. Você não tem culpa de que a Mary não tenha suportado a vida com um homem que segue os antigos modos, ela é apenas uma romantica.
- É mesmo, mais quanto ela briga bate como um verdadeiro homem das antigas. Catner esbocou um sorriso de saudade e virou o copo que estava em sua mão.
- Bom hora de ir Tonny, o trabalho me chama.
- Bom, boa sorte com seu pequeno filho Senhor. - Despediu-se o homem dos copos.
- Obrigado Tonny, obrigado.

O velho Policial guardou sua arma em seu coldre e virou as costas para o bar, agora iria enfrentar o sol da tarde do céu laranja de Guenngray sua amada cidade. Abriu com um click o trinco da porta de sua viatura entrou, deu a partida e olhou mais uma vez para o bar na esperança de rever Mery, mas não passava de um sonho que vinha acalentado há muito tempo. Ainda que a mágoa estivesse sempre presente, ainda assim, sorria só em pensar na possibilidade de tê-la uma vez mais. Tal possibilidade, logicamente, é inexistente dado ao conflito existente.

Catner adentrou a noite com uma dose de Whisky, e olhou o céu estrelado daquela noite calorenta, parou o carro no mirante de Guenngray e com arma em punho e as luzes da cidade ao fundo, gritou horrores em nome de Mary e com as lágrimas nos olhos, balbuciou o nome de Marty.

"Ah meu pequeno Marty, viva a vida como um homem decente, seja o pai que eu nunca fui"

Um gatilho apertado e uma bala gasta, e só a lua viu o desespero daquela noite calorenta e os pensamentos insanos daquele que já não era mais um homem, mais apenas um retalho.

Fim.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Só por hoje




A princípio era uma necessidade.
Já não dormia, já não comia ( o que preocupava muito, acabaria sumindo), já não queria ver ninguém.
1/2 comprimido ao dia, durante 15 dias, aumentar a dose para 1 comprimido ao dia após esse período. Essa era a prescrição médica.

- Uma dose de Whisky por favor....

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Virá impávido...Virá que eu vi



Um índio preservado em pleno corpo físico Em todo sólido, todo gás e todo líquido.
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro. Em sombra, em luz, em som magnífico. Num ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico. Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio. E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer. Assim, de um modo explícito. E aquilo que nesse momento se revelará aos povos Surpreenderá a todos, não por ser exótico Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto. Quando terá sido o óbvio.

Caetano


Eu disse com a voz mais suave e delicada que consegui, mas mesmo assim não pude evitar os olhos de espanto dos que estavam a minha volta. Olhares de desconfiança de uns, de zombaria de outros, e de... Ah! Não importa. Eram muitos e muitos os que ali estavam reunidos. E a bem da verdade, eu não estava nem um pouco preocupada em poupá-los de nada, não. A voz suave foi só uma maneira que encontrei por conta da minha própria profissão e de conhecimentos específicos a ela pertencentes. Eu sabia, mais cedo ou mais tarde todos, sem exceção, perceberiam que não estamos falando a mesma língua.

Após dizer tudo que estava atravessado em minha garganta, feito um bolo enorme me sufocando, enfrentei os olhares que se entrecruzavam.Até que o impacto visto por esse ângulo de expectador era engraçado. Mas, não era mais eu ali, parado olhando o ser olhado de toda essa gente, embasbacada em sua babaquice moral, seus credos, mitos, tabus e toda essa porcariada que segura a gente num plano rastejante.

Olhei novamente para cima e depois disse novamente olhando no fundo de suas almas perdidas:

- Não estamos sós.

Poucas coisas me embrulhavam mais o estomago do que este jeitão arrogante de coletivo prepotente, esse aceitar valores impostos sem questionar méritos, coerências ou critérios, incorporar sua intolerância doutrinária, negar o desconhecido com a certeza dos justos e impor a rigidez da ignorância. Mas o fato não poderia mais ser ignorado. Alan a meu lado foi tirando seus óculos lentamente, uma estranha luminosidade que começava a emanar de seu corpo foi calando os comentários do publico um a um.

À medida que iam percebendo o aumento da luz iam também abrindo suas bocas quase babando, talvez para absorver com mais sentidos aquele fato incomum.

Depois de por os óculos no bolso começou a desabotoar sua camisa e em seu peito pode-se ver que Alan não pertencia a este mundo. Em seu tórax havia um espaço vazio onde deveriam estar o coração os pulmões e as costelas. Não era um furo, seria mais um buraco perfeitamente redondo, recoberto com bom tecido humano. Neste buraco haviam cordas parecidas com a de um instrumento musical fazendo lembrar a boca da caixa de um violão. As cinco cordas com diferentes colorações faziam parte de sua fisiologia. Quando começou a falar suas cores e sua luminosidade aumentaram. Ninguém ousava falar uma silaba sequer.

Alan disse então:
-Sei que nesse primeiro momento não podem compreender e o silêncio tomará conta de todos. Nenhuma palavra, nenhum som, gemido, nada. Mas em pouquíssimo tempo, uma alta freqüência de ressonância e pequenas oscilações no corpo físico permitirão somente o uso de palavras que representem uma idéia, que não seja apenas um código aleatório.

E, então, não mais na contramão do mundo, como num quadro poético tinta e verbo colorindo as ações dos homens. Todos nos percebíamos a existência um elo, pois tínhamos aquela mesma luminosidade interior, o mesmo bolo entalado na garganta, a mesma afinação. Vibrações dentro de um mesmo tom. Todavia, não sabíamos até aquele momento que tínhamos uma historia e um passado em comum.

Esquecido há muitos e muitos anos e com ele a percepção exata de quem realmente somos e do quanto podemos.

Alan estava ali, justamente, para nos mostrar como nos unir, como dar força ao nosso coletivo adormecido, aquilo que nos transforma em seres humanos, herdeiros da luz.
E foi ai que sentimos.

Somos apenas um, com múltiplas personalidades e infinitos quereres.

Kátia Mota, Cajadomatic, Sueli Aduan, Placco Araújo, Claudia

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Olhares


Eu disse com a voz mais suave e delicada que consegui, mas mesmo assim não pude evitar os olhos de espanto dos que estavam a minha volta. Olhares de desconfiança de uns, de zombaria de outros, e de... Ah! Não importa. Eram muitos e muitos os que ali estavam reunidos. E a bem da verdade, eu não estava nem um pouco preocupada em poupá-los de nada, não. A voz suave foi só uma maneira que encontrei por conta da minha própria profissão e de conhecimentos específicos a ela pertencentes. Eu sabia, mais cedo ou mais tarde todos, sem exceção, perceberiam que não estamos...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Meu lar, meu firmamento

Meu trapézio balançando lento, preso lá no firmamento e eu tentando me equilibrar.
Equilibrar-me e quem sabe, de tão próxima, esticar lentamente minhas mãos na possibilidade de uma estrela alcançar.
Mágico esse momento,esse lugar onde se podia de repente escutar:
- Ah os meus bigodes!
é tarde, é tarde,
tão tarde até que arde,
alô, adeus,
é tarde
é tarde
é tarde.
Estaria eu delirando ou teria mesmo ouvido o meu relógio de parede falar?
Ponteiro dos segundos a correr, desesperado, obcecado em manter o tempo a girar e o 1o de Janeiro marcar. Mas novo ano entrou e o ponteiro não descansou.
É tarde, é tarde, alô, adeus, hoje, ontem, amanhã, velho ano, ano novo, tudo igual, tudo igual, tudo igual ...
Era o cuco do relógio balançando lento, na dança do tempo, e eu tentando me equilibrar no fio do presente sem resvalar no passado ou no futuro.
Equilibrar-me no fio do presente e sentir, que mesmo sendo igual a tantos outros momentos do ontem, do velho ou do novo não é isso que importa.
Existir. Andar, correr, balançar e quando olho atentamente em baixo de meus pés percebo que posso observar todos e tudo o que fazem.
Brinco de vê-los;
Esses seres que correm sem ver que o tempo pode passar lento também
alô, adeus, é tarde
é tarde
é tarde!
é tarde... tarde? Não para mim que vivo a brincar, pra cá e pra lá, pra cá e pra lá.
Feito o mundo que não para de girar, quem sabe numa dessas voltas um amor trapezista arme seu palco no meu peito e eu lhe estenda minha pele como rede de proteção?
Quem sabe...
É.. Quem sabe?
Mas, por enquanto sigo eu.
Cantarolando no ritmo do meu trapézio, viajando sem sair do lugar;
Esperando esse meu amor, quem sabe um dia, chegar.

FIM

Texto escrito por: Tina, sueli aduan, CajadOmatic e dana paulinelli

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Meu trapézio...

...balançando lento, preso lá no firmamento e eu tentando me equilibrar.

Muito além das escadas.




Eram 23 pesarosos llances de escada até chegar à porta. O bolorento corredor era iluminado por uma única lâmpada que tremulava feito chama de vela. Não tinha muitas lembranças daquele lugar e simplesmente não entendia o que o levara ali novamente, poderia simplesmente ter ignorado o chamado.

Ao pisar as tábuas essas lamentavam sobre seu peso. Colocou a antiga chave na fechadura torcendo que ainda fosse a mesma combinação. Rodou lentamente, ouviu um leve estalido e pronto, a porta estava aberta.


Um grave cheiro de passado e de vento percorria a escuridão daqueles lugares com os quais o salão se vestia. Vozes pareciam dançar ao som de um leve assoviar ancestral que misturavam gritos e chamamentos. Livros observavam cada passo como o desfolhar de páginas que se debruçavam sobre os pés que caminhavam. E eis que subitamente pequenas lembranças se formam em sua mente, mas tudo são fragmentos difíceis de fazê-lo situar-se com exatidão. Um forte cheiro e a vertigem tomam conta de todo seu corpo.

Atraído pelo inesquecível aroma se dá conta de que não há uma só alma viva no apartamento. Tateia as paredes tentando encontrar o interruptor, pressiona-o e nada. Continua sozinho, num cômodo escuro e cheio de fantasmas.

Caminhei tanto sem nem mesmo saber qual o propósito disso tudo. Se é que há um. E o que me resta? Ficar no escuro e ainda por cima sozinho, gritou impaciente. E uma voz lhe respondeu....

- 23 degraus, você subiu nesta torre na esperança de encontrar o que não mais poderia ser encontrado. Apenas este apartamento vazio que contém suas lembranças, seus desejos. Seu grito me comove, mas não mais está aqui a quem buscas. Aqui só encontrarás a dor e a saudade.

Já sabia que esta era a voz de seu coração. Olhou pela janela e imaginou-se caindo, livre da angustia, das lágrimas diárias trazidas pelas doces lembranças, agora amargas. Debruçou-se no peitoril e não conseguia encontrar uma imagem que lembrasse o que apartamento um dia tinha sido, ou tido.

Excluir
Sem uma única imagem na memória seus olhos procuraram na vastidão do céu um alento. E ao olhar as longínquas estrelas se deu conta que nele também havia o mesmo brilho, o mesmo pó de que tudo é feito. Foi tomado por essa misteriosa impressão e resolveu que era hora de sair daquela janela, a tentação poderia se tornar insuportável. Voltou-se para o quarto, decidiu vasculhar o apartamento. Abriu uma gaveta e ali encontrou o que pensara ter se volatizado há muito nos vapores do tempo. Ali, onde o escuro tudo escondia um manuscrito. Com as mãos trêmulas e um olhar lacrimoso pude ler:

"O que é passado, presente?O que é a sensação de futuro, quando o espelho mais inusitado são as palavras que tecemos para nós mesmos? Eu sou você que sou eu lendo isso e encerrado neste apartamento que se chama vida, encerrado nessa carta, agora espelho, caminhamos ambos em busca do segredo maior. Deixei ao largo da memória tantas coisas e elas estão por aí... Como achar? Ouça as vozes..."

Excluir
Em meio a um turbilhão de sensações busca respostas. Só então se lembra de ter passado por um espelho enquanto percorria o cômodo, um espelho turvo de imagem distorcida.

Se observou, assustado constatou que a imagem projetada não era invertida como nos espelhos tradicionais. Ao longe ouviu um chamado, algo que parecia soar apenas em sua mente.

- Decifra-me... ou devoro-te..
- O chamado da Esfinge - reflete...

Tocou o vidro e assustado percebeu que a superfície não era sólida. O tato denunciou algo parecido com uma gelatina, gelada e fria.

Forçou o movimento e sentiu o braço atravessar a superfície, surpreso, decidiu ir além, ergueu a perna direita e seguiu para dentro do espelho.

Acordou assustado. O bolorento corredor era iluminado por uma única lâmpada que tremulava feito chama de vela. Não tinha muitas lembranças daquele lugar e simplesmente não entendia o que o levara ali novamente, poderia simplesmente ter ignorado o chamado.

Ao pisar as tábuas essas lamentavam sobre seu peso. Colocou a antiga chave na fechadura torcendo que ainda fosse a mesma combinação. Rodou lentamente, ouviu um leve estalido e pronto, a porta estava aberta.

E fim!

sábado, 12 de dezembro de 2009

Escuro



Eram 23 pesarosos lances de escada até chegar à porta. O bolorento corredor era iluminado por uma única lâmpada que tremulava feito chama de vela. Não tinha muitas lembranças daquele lugar e simplesmente não entendia o que o levara ali novamente, poderia simplesmente ter ignorado o chamado.

Ao pisar as tábuas essas lamentavam sobre seu peso. Colocou a antiga chave na fechadura torcendo que ainda fosse a mesma combinação. Rodou lentamente, ouviu um leve estalido e pronto, a porta estava aberta.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Então era para acontecer...


Só você e eu... Só eu e você, o cartaz até que não era grande,mas a imagem das mãos entrelaçadas,a areia entre os dedos, a bela fotografia, foram suficientes pra despertar em mim a vontade de assistir ao filme.
Não pensei duas vezes passei a mão ao telefone e liguei para ele. Afinal, se for mesmo o homem moderno que penso, não vai estranhar – pensei. Pego você às 20h – foi o que ele disse, sem disfarçar que estava feliz...
Feliz era pouco. Estava deslumbrado, pude observar em seus belos olhos azuis, numa combinação perfeita com os cabelos mechados de dourado. Não, não eram mexas. São luzes, meu bem, disse ele.
Pensei, nossa modernérrimo e um misto de galã. Lógico ele estava a minha porta olhando em meus olhos as 8 em ponto.
-Vamos então. Estendeu a mão em minha direção e me puxou para fora de minha casa.
-Ok. Respondi tentando enfiar a chave e trancar a porta com a mão livre.
Ele percebeu a minha dificuldade e gentilmente com sua outra mão sobrepôs e envolveu meus dedos firmando-os. Nesse instante com nossas duas mãos entrelaçadas meu coração disparou de um jeito que eu nunca tinha sentido antes.
Seria uma noite e tanto aquela.
Íamos em direção ao carro quando me lembrei: havia esquecido da minha bolsa, precisava dela! Subi para buscar, assim que entrei na minha sala percebi, seriam passos atrás de mim?
Era meu acompanhante, talvez ele quisesse algo além de um filme... E queria. Olhou-me fundo nos olhos e com uma voz suave, terna,doce transformou-se, para meu espanto, num menino frágil e cheio de ternura.
Com o pensamento longe recordei-me da canção: "Vem, meu menino,mas vem sem fantasia que da noite para o dia você não vai crescer".
Ele veio... E eu fui!
E de bocas dadas em um abraço forte, o senti intenso e flamejante.
Mais seu fogo se extinguiu repentinamente, eu que não estava preparada, livre de seu apoio material me precipitei de joelhos ao chão, completamente confusa.
Ele um pouco afastado percebeu de imediato seu erro e estendeu seu braço cavalheirescamente para eu poder me apoiar e levantar-me...
Momento singular. Uma ternura imensa nos envolveu. Feito meninos sem mascaras e com infinita fantasia nos deixamos levar.
Se era para ser, não seria agora.
Tínhamos uma seção de cinema à nossa espera!

Texto escrito por: Tina, Sueli Aduan, Clea Pinheiro e Youkai

domingo, 6 de dezembro de 2009

Suave veneno


Só eu e você...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Uma chave para um recomeço.



"Quem luta com monstros deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro. E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti." [ Friedrich Nietzsche ]

Janelas fechadas observo o quarto. Silêncio e som de pássaros Sobre a mesa um xícara com chá descansa. O bem-estar do chá, o pensamento longe , o prazer da escrita.

Começo ansiosamente e com as pontas dos dedos teclo os primeiros acordes.

Depois das mil noites de treinamento constante a recompensa de Sir Loyale, Mago do terceiro circulo da ordem de Balsam Phy, está em suas mãos, literalmente em suas mãos.
Então, atravessa a porta do templo de Sgardia e dirige sua atençao e palavra ao jovem Bardo à sua espera.
Obrigado por vir me buscar Grande companheiro mestre dos contos! Como estás meu bom amigo Herman?


Ótimo Loyale e você, meu bom, companheiro como estas? Conquistou a esfera do fogo celeste?


Sim. Estou ótimo como vê! Trago em minhas mãos a esfera sagrada criada por minha magia em mil noites a fio. O fogo celeste, a chave para a porta da gruta de Gissa e agora poderemos terminar nosso sonho meu bom amigo. Temos a chave. Alegria das alegrias, meu amigo, de posse da chave só nos resta seguirmos rumo à Gissa. E lá, meu grande companheiro, sem mais demora atravessarmos corajosamente os portais, enfrentarmos o que nos aguarda há milênios e só agora nos chega a possibilidade de vivermos todos não só das enfadonhas obrigações estipuladas por nossos medíocres governantes, mas deleitarmos das ocupações livres, dos pequenos prazeres cotidianos, das belas criações, das tarefas ditas sem importância.


Já pensou, meu amigo, que de posse dessa sabedoria somos chamados a um novo viver. Precisamos sair desse lugar, desse mundo mágico em que vivemos e sem demora irmos para outra dimensão para junto dos que nem sonham com esse lugar e tudo o que nele há. Ser livre do seu corpo individual. Viver sem jamais sentir dúvida. Ser coletivo. Uma alma, uma divindade. Ser livre de si mesmo e estar acolhido em uma mente coletiva sem diferenças. Todos sendo Uno, sem matéria, sem corpo físico, apenas energia. Voltar ao estado ancestral original do fluxo. Lá poderemos nos dissolver. Todos seremos Uno. Sem dor, sem vontades. Que maravilhoso será não? É a cura final de nossa natureza que desde o inicio esteve corrompida pelas peculiaridades do vazio, este, que jamais será preenchido sozinho. Temos que ser uma unidade novamente. Chame os outros estamos partindo rumo à terra de Voguilishrat. Os nossos companheiros guerreiros que tanto esperaram por este momento, nosso grupo de aventureiros que vagou por tanto tempo sobre as terras e o pó desta civilização.

Calma companheiros! É preciso cautela para não correr o risco de um eterno recomeçar. E apesar de tanto tempo sonhando com esse momento sinto desapontá-los. Não partirei, mas sigam mesmo sem mim. Usufruam da magia de Voguilishrat e sejam todos Uno. Sem matéria, sem diferenças, dissolvam-se e vivam sem dores e sem vontades. Eu necessito das minhas dores, minhas diferenças. Com as janelas fechadas e o som dos pássaros ansiosamente escrever a última carta explicando que o retorno é eterno e vivemos no eterno retorno. Gissa vivia em mim, eu vivia nela como um pensamento que atravessa o céu da boca. Retornar aqui, vendo as imagens de um passado presente como uma Samsara nos inquirindo do nosso caminho é ter a certeza do ir e vir, o devir.


Loyale sorria em algum lugar.


Todos os outros companheiros de luta e aprendizado compareciam naquela carta para relatar, por meio das minhas palavras, do sucesso do persistir. E o sucesso, companheiros, traz consigo um infinito de possibilidades.
Como num passe de mágica, a cada conquista nos sentimos mais fortes, determinados, senhores de si, mas que sabemos nós das coisas do mundo? E o que nos reservam caminhos nunca antes navegados. Longe de mim o medo. Já disse e repito é preciso cautela.
Portanto, senhores, minha decisão está tomada. Somos fortes, mas somos poucos. Que as ordens sejam dadas e que se juntem a nos, nessa empreitada, toda a legião das montanhas e das planícies. Chegaremos a Gissa ao amanhecer e de lá só voltaremos com o sopro de vida que renovará as forças do mundo.
E cobriremos o solo, o ar, a água e o fogo como o espírito sagrado da natureza. Um véu que ajudará o equilíbrio das coisas. Seremos enfim heróis, sem nomes, sem rostos, sem identidades.


Loyale, bom amigo, se esforçaste tanto para criar a chave! Compreendo-o, companheiro, forneça calor humano para o mundo por nos. Estaremos contigo em presença constante e a cada sopro de vento que sentires ao rosto será o mesmo que um sussurrar de saudades ao teu ouvido.


Vamos partir agora. Esta última jornada enfim começou...

FIM

Youkai, Tina, Alisson da Hora, sueliaduan


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Mande notícias



Janelas fechadas observo o quarto.Silêncio e som de pássaros Sobre a mesa um xícara com chá descansa. O bem-estar do chá, o pensamento longe , o prazer da escrita. 
Começo ansiosamente....

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Rumo ao meu Norte




Quando sou no extremo de mim; quanto sou longe de mim. Já não sei se sou eu, ou sou outro país. Então retorno, rumo ao meu Norte, ao norte de mim. Estou no meu Sul há tantos anos. Viagem antiga, longa, viagem silente. Inda lembro. Durmia no colo de minha mãe. Em breves momentos despertos lhe perguntava: _ "Inda tá longe, mainha?" _ "Só mais um pouco, fia, só mais um pouco..." Ela não retorna comigo, mas inda ouço sua voz. Sua voz é doce, a viagem é longa. Nem sempre doce, a viagem é louca. Descansava nas paradas, as mesmas que percorro hoje. Descanso na infância. Em cada parada, uma memória; em cada memória, um conselho de mãe.


Na primeira parada deixou claro, feito à lua que iluminava aquelas viagens sem fim, que só é gente aquele que não careça de nada, que a tudo agradece ao nosso senhor Jesus Cristo e na dor enxergue a bondade divina. Sua voz doce é um canto de ninar aos ouvidos da mulher em que hoje me transformei. E trago comigo, como num cofre, cada uma dessas paradas.


Da segunda guardo as imagens das pontes por sobre o Capibaribe, com seu cheiro acre, o calor arranhando meus ombros e meus olhos. Por um momento pensei em minha viagem terminando com esse cofre rompido, a canção de ninar gritando ruas afora, fazendo esse meu corpo adulto balançando de medo. Como se todas estas pontes desabassem, deixando tudo ilhado, todos atarantados, assim como eu. Olhei cada passo caminhado e, apesar de tudo, não me arrependi...caminhei. Lembrando de seus conselhos.


_ “Minha fia, não se fie em fio que não se parta, em chuva que não estie, pois não falta mesa farta àquele que em si confie! E ame sua prole! Como o Deus do céu e a virgem santa. Honestidade traga nas costas, sinceridade na garganta. Proteja o legado de seu homem. Cabra macho que é macho, no colo da mulher descansa.”


Essa sempre foi a palavra de mãe: descansar. Como se a gente pudesse tirar o cansaço do jeitinho que se tira um chinelo e deixa ao canto. Mãe acreditava nisso e dizia: _ “Ponhei meu zoio nu sem fim da mata e junto com o chero bão sinti um repio nu corpu. Não careçe de coisa mio, não.


Eu olhava tudo em volta sem entender que minha mãe era aquela terra. Sem entender que eu sou terra. Era pequena demais para entender de raízes. Quem tem poucos palmos de comprimento e anda suspenso do chão, no colo da mãe, não pode mesmo entender que sem raízes profundas, quando a ventania chega, a ventania leva, a ventania arrasta. Pequena demais para entender que erva do campo não resiste no asfalto. Que gente da cidade não gosta de bicho do mato. Que o cinza da capital é cor que não existe na roça. Alma de interiorano na cidade grande vai juntando fuligem, perdendo o viço.


Mas, aos poucos, a cada parada mais perto do meu destino, minh'alma vai perdendo o cinza e ganhando o verde novamente. A cada parada, escuto a voz de minha mãe dentro de mim. _ “Só mais um pouco, fia. Só mais um pouco”. Então sigo, prossigo, persisto, sorrio na janela do ônibus. Desfiando seus conselhos como contas de rosário. Seguindo seus conselhos, rumo ao meu Norte.



Desfiaram conselhos de mãe: dana paulinelli, sueli aduan, alisson da hora, chris novoa youkai.



quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Meu Norte




Quando sou no extremo de mim; quanto sou longe de mim. Já não sei se sou eu, ou sou outro país. Então retorno, rumo ao meu Norte, ao norte de mim. Estou no meu Sul há tantos anos. Viagem antiga, longa, viagem silente. Inda lembro. Durmia no colo de minha mãe. Em breves momentos despertos lhe perguntava: _ Inda tá longe, mainha? _ Só mais um pouco, fia, só mais um pouco... Ela não retorna comigo, mas inda ouço sua voz. Sua voz é doce, a viagem é longa. Nem sempre doce, a viagem é louca. Descansava nas paradas, as mesmas que percorro hoje. Descanso na infância. Cinco paradas. Em cada parada, uma memória; em cada memória, um conselho de mãe. Na primeira...


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Tim tim


Fitou-me por algum tempo em silêncio, antes que voltasse a falar. Derrepente, por mais absurdo que me parecesse, começou a gargalhar. Ria alto chamando a atenção de todos ao nosso redor. Eu por minha vez não resisti e esbocei um leve sorriso, com os olhos ávidos cravados nele conjeturava a possibilidade de uma simples faquinha em minha bolsa. Seria o suficiente para arrancar as risadas encarnadas na língua, picotar e destrubir esse ranço alegre. Ah, como eu destesto esses rompantes endemoniados do Assis. Se pelo menos dançasse bem um tango, mas não, so me fitava com aqueles olhos semicerrados de quem ja tomou meio litro de Jack Daniels, pensando bem, se eu tivesse a coragem. Iria assassina-lo.
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Bom, pelo menos me satisfaria. Porque o motivo do riso estava lá, no fundo do salão, exibindo um belo sorriso na face de boneca.
Sinuosa a boca que esboçava o sorriso, sinuosa a sombra projetada não somente nas paredes, mas nas minhas mãos que lhe empurrava as ancas aveludadas. Tinha ímpetos de cometer um desatino, tanto whiskey, tantas facas imaginadas correndo diante dos meus olhos. Desejo e morte. Morte e desejo.
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Não, não foi suficiente apenas olhar, devorar com palavras seus atos escusos. Nem imaginar um espancamento de pobres como imaginou Baudelaire.
Endemoniada seria nossa vida, nossa dança repleta de risos escorregadios pelo salão envernizado onde escorria o verniz dos nossos rostos.
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Pensei que tudo isso fosse o bastante. Mas ainda assim, não foi o suficiente porque havia em mim uma ânsia em compreender a verdade, aquela que meu avô falava ser verdadeiramente o que é; um copo como um copo; uma mesa como uma mesa. Essa me escapou como escapou sua gargalhada, seu desejo, seu olhar. Restava essa garrafa vazia sobre a mesa. Imensa embriaguez.
Discreta, abri a bolsa, peguei cuidadosamente a pequena faca e aliviada lancei-a longe. Um leve sorriso surgiu e aos poucos comecei a gargalhar também.
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A graça agora estava em mim, tola, preenchendo minha mente de idiotices sem fim, perdendo meu tão valioso tempo. Estava em um jantar maravilhoso, acompanhada do homem que tanto amava. Sem mais pensar me aproximei de Assis e fiz menção de beijá-lo. Mas deveria ter pensando um bocadinho mais. Ele percebendo minha tática, delicadamente afastou seu rosto da possibilidade desse encontro. E com seu sorriso singular me disse:


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- Não estava pensando em me matar estava?

- Claro que não, menti. Curiosa, ainda pensei, este homem lê pensamentos. Não era de se esperar que ele achasse que eu queria matá-lo, ainda mais depois do que ele me fez. Uma traição imperdoável. Traiu a mim, meus sentimentos mais profundos. Eu o amava e a dor foi muita. Vim a este bar determinada a dizer as últimas verdades. Em mim havia um desejo de fim, um desejo tão triste e angustiado. Mas aquele sorriso me encantou novamente, e ainda que me sentisse traída, caia nos braços de meu homem. Ah o amor, que coisa terrível. Peguei o copo de Jack Daniels e disse a mim mesma. De hoje em diante, não viverei uma existência social, mais serei uma meretriz desalmada.


Sueli Aduan, Anonimo, Sergio Cajado, Katia Mota, Alisson da Hora, Tina e Léo Metallica
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Seria o suficiente...



Fitou-me por algum tempo em silêncio, antes que voltasse a falar. Derrepente, por mais absurdo que me parecesse, começou a gargalhar. Ria e ria alto chamando a atenção de todos ao nosso redor. Eu por minha vez não resisti e esbocei um leve sorriso, com os olhos ávidos cravados nele conjeturava a possibilidade de uma simples faquinha em minha bolsa.
Seria o suficiente...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Um homem de fé


A fé pode mover montanhas mas não
abre tuneis pra encurtar o caminho. N.M.

.
Meu nome é Neurolho de Matos. Porque minha mãe fez esta maldade comigo so meu pai sabe. Vivo em pleno século dezoito ou seja, nada mais ha para ser inventado portanto hoje resolvi por fogo no meu laboratório ja que não descobri a pedra filosofal não transformei chumbo em ouro nem inventei o moto continuo.

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Hoje ao acordar e ao ver tudo em cinzas não pude deixar de exclamar, macacos me mordam e foi literalmente o que aconteceu. Um tipo de mico muito cabeludo entrou pela janela e me deu uma dentada no polegar direito, precisamente, indicador e polegar. Ainda perplexo com o inusitado da situação e mesmo sofrendo terríveis dores não pude deixar de pensar no poder que talvez exista nas palavras lançadas ao vento e de soslaio percebei que o fogo não tinha destruído totalmente aquele manuscrito.

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Foi o suficiente para despertar em mim uma sede de expressão. Peguei o que sobrou do texto e guardei-o no bolso de minha casaca. Não poderia escrever naquele momento com o dedo doendo como estava.
O mico saiu guinchando por onde entrou derrubando o pouco que havia sobrado do laboratorio. Raios gritei e foi neste instante que um raio arrancou o telhado que desmoronou sobre minha cabeça. Meio tonto levantei não ousando proferir uma so mais palavra. Algo muito insensato estava acontecendo, não parecia ser real, belisquei-me para ter certeza que estava acordado o que fez meu dedo doer mais ainda.
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- Com mil diabos exclamei! A porta se abriu e pra minha surpresa vi a minha frente:
Ele. O próprio em pessoa. Apenas com o levantar de um dedo e todos os outros se foram. Que legião, quanta obediência.Sorriu-me ao ler meu pensamento de inveja e me ofereceu cuidados especiais para com meu dedo.Trêmulo recusei. Persuasivo ele acabou me convencendo. Uma aliança nascia tirei do bolso o manuscrito onde guardada minhas ideias mais secretas. Mas para ele não eram assim tão secretas.
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Me disse que era o realizador de sonhos. Disse que seu nome não era satã, diabo ou coisa parecida. Lucifer era seu nome, do latim faça-se a luz. Contou como a igreja o tinha transformado no inimigo publico numero um só pra destruir sua popularidade. Contou que era o protetor das crianças e que não distinguia entre bem e mal, so realizava desejos. Lembrei ter lido um manuscrito de um tal de Goethe onde o personagem principal tinha que pagar seus desejos com a alma. Ele me esclareceu que não queria a alma de ninguem e que isso tambem fazia parte da estrategia da igreja.
Sentamos.
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Ele me contou a historia dos papas e sua arrogancia em dizer-se mensageiros exclusivos do Pai. Disse que era muito amigo de Deus pois fora uma de suas primeiras criações e como por todo o universo ajudara a criar seres sencientes. Então me disse:

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- Senhor Matos, eu lhe digo que não ha diferença entre o profano e o sagrado. Sois todos crianças a brincar nos jardins de meu Pai. Fiquei estupefato. Ainda trêmulo diante de tal criatura esqueci-me de tantos pensamentos materializados. Tentei demonstrar minhas certezas, mas minha voz me traiu. Arrogante perguntei:
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- Quem és tu? Quem és tu que atemoriza que desune que é caluniador que confunde e distorce os fatos? Ele desviando o olhar com um sorriso quase angelical respondeu-me:

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- Sou parte de uma parte que foi todo, uma parte das trevas, que geraram a altiva luz. Mas também sou o que fizeram de mim. Uma representação do mal. Muitos são os injustiçados mas o verdadeiro Pai a tudo vê e tudo compreende. Derrepente como se estivesse no alto de uma torre muito distante disse ainda:

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- E vc é o medo de tudo viver de tudo amar, mas ainda assim há de perecer diante de sua ignonímia.
Ainda mais estupefato pela loucura que estava vivenciando, perguntei:
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- De onde vens? Porque começas a desvanecer?

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- Pois assim é e deves acreditar. Desvanesço pois não sou aqui necessário. Falo agora de dentro de tua cabeça minha criança, enquanto divagas sobre existências divina, esquece-te de tua própria pessoa e estás enlouquecendo devido a teus fracassos em nome da ciência hermética.
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Neste momento pus minha cabeça em prostação certo agora de ter um propósito pela frente. Peguei minha pena, herança de meu pai, olhei-a contra a luz e algo em meu cérebro se acendeu e escreví como nunca havia escrito. Tal insanidade aplicada aos escritos foi tão extraordinária que não me dei conta de que agora estava livre dos demonios que outrora habitavam meus desejos.

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Sueli Aduan, Sergio Cajado, Youkai e Léo Metallica
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quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Um homem de fé


A fé pode mover montanhas mas não

abre tuneis pra encurtar o caminho. N.M.

Meu nome é Neurolho de Matos. Porque minha mãe fez esta maldade comigo so meu pai sabe. Vivo em pleno século dezoito ou seja, nada mais ha para ser inventado portanto hoje resolvi por fogo no meu laboratório ja que não descobri a pedra filosofal não transformei chumbo em ouro nem inventei o moto continuo.

Hoje ao acordar e ao ver tudo em cinzas não pude deixar de exclamar, macacos me mordam e foi literalmente o que aconteceu. Um tipo de mico muito cabeludo entrou pela janela e me deu uma dentada no

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Às voltas com o tempo




Panta rei, diz Heráclito, se é que disse. Tudo corre, tudo passa, tudo flui. Não posso entrar no mesmo rio duas vezes, porque não será mais o mesmo rio. Muda o rio, mudo eu? Mas, então, a minha nuca que recebeu hoje um beijo e sentiu hoje um arrepio, amanhã -tomara os receba e sinta- não será mais a mesma nuca? Ou não serão os mesmos pêlos a se eriçarem? Ou não a beijará a mesma boca, ainda que seja a mesma? E o caminho que percorro todos os dias até o trabalho, como posso sentir por isso tamanho tédio, se tudo já mudou? Cada árvore, cada passeio e passeante, cada carro e cada nuvem, cada som e cada cheiro e cada cor, cada eu que já passou. Se já não sou a mesma de ontem e não serei eu-hoje amanhã, então, quem sou?

Sim, quem sou? Ontem passei em frente à mesma farmácia na qual um cara fantasiado de pacote de fraldas descartáveis ganhava o seu trocado. Vá lá, honestamente, que era um papel ridículo, era. Mas amanhã ele deixará de ser essa coisa imposta pela necessidade. Eu não, serei eu mesma. Ou não. Talvez cada hora que eu olhe, por cima do parapeito da ponte, o rio que corta minha cidade - rio que já mudou de curso, teve o seu leito assoreado, já inundou a ilha sobre qual se funda nossas vidas- seja uma hora ridiculamente igual. Diferente só meu modo de olhar, minha invenção de viver assim, só olhando, pensando, deixando as coisas acontecerem e eu não mudar. Não mudar? Tudo muda! Eu, me olhando no espelho, meus resquícios de mesmice.

Penso que talvez eu não seja a sombra do tempo consumida pelas cinzas e tons que se desintegram. Nada mais é, o que nem sequer já foi, nem eu. Nas águas, ou em qualquer outro elemento, as marcas que não possuem significado algum determinam as eras, datam a insignificância e a beleza do estado do devir permanente, incluindo eu. Digo então: a compreensão tem de ser conquistada. Digo então: a arrogância tem de ser conquistada. Mas nada nem ninguém conquistará o incontestável estado de movimento indiferente da energia que repousa em todas as coisas. Panta Rei, pensou Heráclito, os olho fitos num rio em que não me banharei. Talvez por força do hábito. Eu periclito, mas rio do mar que outrora pensei.

Heráclito e seu rio. Eu, eu sou mar, eu sou maré. Sou ressaca lambendo as pedras na praia. Sou a chama de uma vela que queima sem cessar, transformando a cera em fogo, o fogo em fumaça e a fumaça em ar. E o dia se torna noite, o verão se torna outono, o novo fica velho. O quente esfria, o úmido seca.

E tudo nos oferece ofertas ocas na vida. Sou todo o nada nadando no vazio no cio do absoluto, perdendo-me no infinito do eco de minhas incertezas azedas. Idas, indas e vindas de uma lima que rola roliça em terreno plano quadrado torto inclinado sem certas ofertas. Sobe, e o que trouxe? Desce o trago da vida que suga convoca convida expira e inspira a (s)er, mais que nada, sendo. O tudo, os vazios dispersos sob os olhos dos cegos. Pulo dos que nada inspiram, desvio dos que nada ofegam, derrapo dos que vegetam, driblo os que esqueceram de morrer. Prossigo doando sobras de espaços vazios a serem preenchidos com palavras lineares desconexas convergentes complexas congruentes óbvias sóbrias. Começo-meio-fim, paro. A palavra sou eu.


A infinitude do passar, passar, passar, e vir a ser um raspão veloz, atordoada de vida, era de muitas eras. Eu era... finita e eterna. Como posso dizer como se fosse lógico este incompreensível fato finito sem fim. A cabeça não alcança a veloz idade do tempo e se desmancha daí, sem ser acaba sendo. A mancha do que passou e não há mais sem deixar de ser. O beijo impresso pela boca que não é, na nuca que jamais será. Eu fragmento me pondo inteira na ficção dos pedaços da vida. O tempo me expandiu em muito mais de muitas vidas. Tornei-me plural de mim tão singular.

E o tempo nos oferece a oportunidade de ser-de-novo, ser-continuamente; o medo de ser-em-partes, ser-fragmentado; a esperança de ser-pela-primeira vez, ser neo-nato. Pérpetuo primeiro de janeiro, ser novo ano a cada momento. Mas o que eu faço com isso que o tempo me faz?


Nada. Porque ele é o Deus/Tempo senhor absoluto. Aceito-o docemente, ouço sua voz sussurrando em meus ouvidos: _Memória e futuro juntos, talvez! Vivo, convivo na alegria de cada instante, na beleza de cada encontro em que me reecontro. Um eu feito de muitos outros e outros e tantos outros. Sou eu às voltas com o tempo.


Estiveram às voltas com o tempo: dana paulinelli, alisson da hora, youkai, christiana, sueli aduan, nanda lym e cristina siqueira.


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Panta rei



Panta rei, diz Heráclito, se é que disse. Tudo corre, tudo passa, tudo flui. Não posso entrar no mesmo rio duas vezes, porque não será mais o mesmo rio. Muda o rio, mudo eu? Mas, então, os dentes que eu escovarei amanhã - se é que os escovarei- não serão os dentes que escovei hoje? E a minha nuca que recebeu hoje um beijo e sentiu hoje um arrepio, amanhã -tomara os receba e sinta- não será mais a mesma nuca? Ou não serão os mesmos pêlos a se eriçarem? Ou não a beijará a mesma boca, ainda que seja a mesma? E o caminho que percorro todos os dias até o trabalho, como posso sentir por isso tamanho tédio, se tudo já mudou? Cada árvore, cada passeio e passeante, cada carro e cada nuvem, cada som e cada cheiro e cada cor, cada eu que já passou. Se já não sou a mesma de ontem e não serei eu-hoje amanhã, então, quem sou?

domingo, 15 de novembro de 2009

Meu passado, meu futuro.


Tem alguém lá fora, eu sei. Sempre tem, está à espreita, me esperando sair... Ele me quer e eu também o quero, mas e essa dúvida que não me abandona nunca, esse impasse sem fim entre o sonho e a realidade.
Por uns instantes meus pés vacilam, dou um passo a frente, sigo,toco a maçaneta. E num piscar de olhos vejo que todo desejo vem numa explosão lancinante. Tudo é presumido. Olhares e lembranças povoam o vagar lento de minhas ideias. Não não é o desejo que me atordoa, é a dúvida.

Tem alguém em algum lugar que não está a espreita mas tem o mesmo desejo, a mesma duvida mas seus olhos não me vêem, apenas sabem que me tem, de certa forma.
Talvez eu não saiba que ele está lá, só desejo tão fortemente que esteja que chego a acreditar nisso!
Passo a acreditar nele, passo a duvidar de mim. Para preservar minha sanidade busco rastros de realidade. Encontro. Foi real. Vestígios de uma história, cartas amareladas. Mas não quero viver de passado. Já nem quero ser sã. Quero simplesmente tornar tudo isso um presente, dar continuidade.. Fazer com que se transforme em uma vida inteira!
E há uma força, uma intromissão que quer roubar de mim o que construí. Qual o problema que o passado tome para si todo o presente?
É meu! Tanto quanto os sonhos, os desejos, os olhos à espreita, os que não espreitam, mas lá estão.
Sonho ou realidade por uns instantes ou pra vida toda. Não importa, ainda assim, são meus e tão somente.

O outro lado da porta me espera.

Mas para atravessá-la preciso primeiro transpor os umbrais da dúvida e do medo. Entrar nos vãos do desejo. Pular da sacada em um gesto alucinado de entrega.

Quando estar meu próprio olhar no espelho, teus olhos a me seguirem só me darão prazer. Então, só então, te atravessarei.

Talvez não esteja pronta para viver.


Tina, sueli aduan, CajadOmatic, dana paulinelli e Katia Mota.

sábado, 14 de novembro de 2009

Lá fora...

Tem alguém lá fora, eu sei. Sempre tem, está à espreita, me esperando sair... Ele me quer.
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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Segredo sob neve



“Perdera a conta de quantas voltas dera em torno do quarteirão. Em cada uma delas os olhos se dirigiam para a janela do terceiro andar na esperança de que as luzes se apagassem. Ansiava por um sinal de assentimento à sua fuga, de conivência com sua covardia. Mas aquele abajur opalinado que tantas vezes acendera, tateando no escuro, insistia em se manter aceso. O sinal era opaco, mas incontestável: a verdade precisava vir à luz.


Determinado,  parou o carro em frente à entrada do pequeno hotel de apartamentos e depressa se pôs a subir as escadas. Sentia-se cansado. Ofegava. Já não era aquele adolescente atlético e simpático que atraía a atenção das garotas. No segundo andar se deu conta de que apenas o cansaço não era causa suficiente para a taquicardia. Parou para descansar um pouco. As lâmpadas das escadas estavam apagadas e através da penumbra percebeu um corpo caído e que os seus sapatos estavam em uma poça de sangue. Com a visão de um possível cadáver, seus músculos aquecidos se contraíram repentinamente e junto com o susto veio a perda do equilíbrio, os braços dançaram no ar em busca de apoio, mas sua sorte já havia sido lançada. Tombou de costas contra um lance de degraus sólidos e sentiu uma dor aguda e excruciante nas costelas que se partiam com o choque. Mas o pior ainda não passara, com a inércia e a gravidade a seu favor, em sentido sarcástico, rolou escada abaixo em rotação desengonçada, partindo seus ossos do braço esquerdo, seu nariz, seu maxilar, abrindo o supercílio e, por fim, estirando-se de costas contra uma parede de canto qualquer, inconsciente pelas sucessivas pancadas na cabeça.


O barulho estrondoso da queda despertou os vizinhos. Portas se entreabiram. Pessoas assustadas olhavam pelas frestas. Aos poucos deixaram seus apartamentos, vinham de todos os andares e se amontoavam em volta do corpo caído na escada. Estavam prestes a socorrê-lo quando ouviram um grito de pavor ecoando do terceiro andar. Era mais uma vítima, não fora a primeira, nem seria a última daquela noite no Hotel Darbus. Um dos moradores resolveu descer e pedir ajuda na rua quando percebeu que todas as portas estavam trancadas. De repente todas as luzes se apagaram. Apenas a luz do terceiro andar continuava acesa, como um dedo em riste aponta um criminoso.”


Ele, misteriosamente, clareava aquele pequeno espaço na tentativa de que o segredo viesse à tona.  Parou de escrever e releu o texto. Havia escrito muitos romances policiais em sua vida mas deste dependia sua aceitação nesta editora.


Acendeu um cigarro e foi até a janela. Precisava dar continuidade, manter o suspense, despertar o interesse, ser inovador. Jogou-se na poltrona da sala olhando para o teto. Nada mais vinha à sua cabeça. Lembrou-se de antigos filmes com o Humphrey Bogart. Detestava Casablanca. Gostava de A rainha da África.


Resolveu voltar para o hotel. Sentia-se tão quebrado como seu personagem. Olhou o teclado com letrinhas sorridentes e apertou retorno. Nova linha, agora em branco. A luz do terceiro andar se apagara de repente.


Deitado, observando a neve cair por trás da janela, refletia sobre o título do romance abortado. Sobrou neve e faltou segredo. Restava-lhe apenas sono sob neve. Antes dormisse ele que seus leitores.


Tina, Fred Matos, Youkai, Sueli Aduan, Cajadomatic, Dana Paulinelli

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Segredo sob neve

Perdera a conta de quantas voltas dera em torno do quarteirão. Em cada uma delas seus olhos se dirigiam para a janela do terceiro andar na esperança de que as luzes se apagassem. Ansiava por um sinal de assentimento à sua fuga, de conivência com sua covardia. Mas aquele abajur opalinado que tantas vezes acendera, tateando no escuro, insistia em se manter aceso. O sinal era opaco, mas incontestável: a verdade precisava vir à luz.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

CONTA A LENDA...


Conta a lenda que dormia. Uma Princesa encantada A quem só despertariaUm Infante, que viria. De além do muro da estrada. Ele tinha que, tentado, Vencer o mal e o bem... ....Ele dela é ignorado, Ela para ele é ninguém....
...E, se bem que seja obscuro. Tudo pela estrada fora, E falso, ele vem seguro.E vencendo estrada e muro,Chega onde em sono ela mora, E, inda tonto do que houvera, À cabeça, em maresia, Ergue a mão, e encontra hera, E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Fernando Pessoa

Conta a lenda...

Que do colo branco e nu de Teresa nasciam flores multicoloridas. Alguns se perguntavam se seria magia, outro se seria reação espontânea de uma paixão escondida. A despeito da curiosidade, crescia o mistério. Inútil negar, ainda que de olhos bem fechados o aroma das flores. Dessa lenda, alguns se perguntavam também se isso não poderia ser uma espécie de maldição velada. Porque, por mais que seja inegável o perfume das flores, nada se compara ao colo nu de uma mulher.

Reza também a lenda que Tereza seria a própria flor, que o perfume exalava era dela. De olhos bem fechados escondia de si própria à paixão que dela fazia brotar as flores.

Deixou as flores na mesa. Onde estaria aquele vaso? Vasculhou portas, gavetas e armários como alguém que busca o mapa de secreto de um tesouro perdido, mas decididamente não haveria vasos para tantas flores. Não haveria colo para tantas flores. Não haveria Tereza para tantos amores.

E, de olhos bem fechados, com um quase sorriso, Tereza sonhava,com o dia em que o dono e merecedor de tantas flores chegasse.Ela não era a Teresa de tantos amores, era a Teresa do maior e mais belo amor!

Disparate, conclui apertando o caule do vegetal com tanta força, que estranha a si mesma. Era uma lágrima aquilo que descia na maçã do rosto? Riu. Desdenhou o barulho do grupo de crianças que corria com mochilas nas costa do lado de fora. Não, ela nunca foi uma criança, essas lembranças são tão distantes que parecem uma mentira rara. Mentira confortável como aquelas que inventava a noite, antes de dormir. As viagens que nunca fez e namoros acalorados que nunca teve. É hora de ir, ela sabe: mesmo que a vontade fosse evitar todas aquelas conveniências automáticas que dia lhe guardava a como um plano cartesiano.

Era hora de ser o que sempre foi sonho e pensamento, no entanto, em sua alma o ponto localizado, o chamamento da natureza impondo-lhe sua força, que sentida em todos os poros de seu corpo levava-a, mesmo com um leve sorrir, derramar uma lágrima.
Era preciso romper seus limites. De olhos bem fechados, exalando todo o perfume que lhe pertencia era inevitável viver seu maior desejo. O de ser flor.

Desejo que se apoderou de Teresa e tomou-lhe as pernas e fez delas raízes, e tomou-lhe os braços que se enrijeceram e se tornaram galhos. E de cada pêlo do corpo, uma folha nascia. E de cada saudade vivida, do colo branco e nu, uma flor destinada a murchar. E de cada ponto de seu corpo que já recebera um toque de amor, a pele se multiplicava e cobria um fruto. E seus cabelos se transformaram em ninhos de pássaros. Mas a face de Teresa não se transformara.

Desde então, Teresa é corpo de árvore e face de mulher. Para todo o sempre.

Fim!

Daniela Paulinelli, Leonardo Delarete Pimenta, Katia Mota, Anônimo, Tina, Sueli Aduan.


sábado, 7 de novembro de 2009

De olhos bem fechados

Conta a lenda...

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A grande solidão


Em momentos como este, retiro meus pensamentos e deixo o mundo divagar sobre o destino. Que se pode fazer? Quando olho, percebo. Percebo e concluo. Concluo e me calo. Ha de haver em algum angulo uma visão não percebida, da ótica a ação basta um momento para criar a solução, mas não me alento e caio no chão sem esperança de encontrar uma saída. A saída é vastidão. Mirar ao longe e só o horizonte. E cada homem é uma ilha.

La neste infinito talvez aconteçam os sonhos mas entregar-se aos sonhos seria egoismo. Proponho um arquipelago de sonhos conjuntos. Embora saiba que minha insignificancia é equivalente ao quanto a nego! Vou iludir-me com esperanças que cabem no vazio da materia, do atomo, no vazio de meu estomago e amago. Neste vazio imenso do mundo. Um mundo superlotado de corações de gelo.. Talvez eu seja um deles!

Mas também sou a percepção sensorial das coisas, sendo elas, as coisas como as percebemos a própria realidade, ainda que instável e caótica, sem nenhuma outra dimensão subjacente ou transcendente, por isso mesmo sigo, me debato, me reviro, me agito, mas talvez nossa labuta seja exatamente esta, permitir que as borbulhas se tornem espuma do mar.Esta vastidão onde me perco, não sei se sou este além do horizonte onde mergulho o olhar buscando vestígios da lua de ontem a noite que escorregou da luz solar. Com a sucessão dos dias enlouqueço do mal da espera...Contei muitas luas e êle não volta.Penso que vou me dissolver, sal em espuma...nevoeiro,bruma.

Então peço perdão por ter ousado imaginar as espumas flutuantes de castro alves, o avesso infinito de meu peso, do que me ata ao chão e me faz olhar para o céu. Alçar vôo, desprender-me da mãe terra que me sustenta com seu ar etéreo, sua agua diáfana que completa os vazios entre minhas moleculas de carbono.

Tenho aqui em meu estomago um nó que não se desfaz, que me lembra que a todo dia essa imensidão do vazio ajuda à reflexão e a encontrarmos a paz de espírito que a vida nos rouba a cada momnento. E como é necessário ter tanto tempo para nada fazer!

O centro escuro das sensações me imprimem ritmo, ilha em oceano de sentimentos. O que se destaca é a auto-piedade, a pena da dor que navega pela vastidao de meu eu.

O vazio me feriu e me aconchegou em seu peito de ebano. As lagrimas do desespero nao cessaram neste conflito, mais aqui terei todo tempo do mundo para me recompor, para achar o centro perdido de mim.

Sou em mim, a imagem do criador, alma imortal, espirito perene em evolução. Neste instante de vida, me pergunto... se vale a pena sentir.

By: Katia Mota, Sergio Cajado, Youkai, Tina, Sueli Aduan Cristina Siqueira, Manuel Afonso
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A grande solução


Em momentos como este, retiro meus pensamentos e deixo o mundo divagar sobre o destino. Que se pode fazer? Quando olho, percebo. Percebo e concluo. Concluo e me calo. Ha de haver em algum angulo uma visão não percebida, da ótica a ação basta um momento para criar a solução, mas não me alento e caio no chão sem esperança de encontrar uma saída.

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E QUER SABER...É PRECISO!



É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande articuladora da paz.
E para começar, queremos pregar o respeito ao corpo da mulher.
Respeito às suas pernas que têm varizes porque carregam latas d’água e trouxas de roupa.
Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus filhos ao longo dos anos.
Respeito ao seu dorso que engrossou, porque elas carregam o país nas costas.
São as mulheres que irão impor um adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer prevalecer à ternura de suas mentes e a doçura de seus corações.
Arnaldo Jabor


Eu não queria ser tão direta não. É que às vezes a gente fica sem escolha mesmo, e aí, não tem jeito, ou você fala ou você fala. Sempre fui de contemporizar, contornar mesmo a situação, essa coisa de ser dada à compreensão, empatia, o diabo, mas cansei dessa cordialidade toda. E quer saber, foi num rompante abri a porta e....

E quer saber? Eu sou egoísta, muito mais egoísta do que você pensa. Eu não faço nada por você, eu faço por mim. Eu venho aqui porque eu sinto vontade, e não porque você me chama. Eu gosto disso, assim, paixão solta e brusca, tesuda. Não me venha com síndrome de fidelidade, de ser só meu (ou só minha, tanto faz), pelo amor de Deus, não me responsabilize pela sua felicidade.
ufa!!!Consegui, mas tinha minhas dúvidas, não é pra menos, a vida toda me segurando, no começo titubiei um pouco, mas depois ganhei força, e a queima roupa saiu isso tudo.
Alma lavada! Os pingos nos "is”, agora sim poderíamos nos entender.

E, quando nossos olhares se cruzaram percebi a expressão de culpa, algo que eu disse teve algum efeito, ele abriu a boca, mais fechou de novo, abriu novamente e, mais uma vez o silencio, na terceira vez sussurrou inaldivelmente "eu não sou feliz". Fechou-a novamente.
É que eu disse tudo sem tropeçar, sem ensaio.
Fugi da inércia submissa e me revirei
em tons sem soluços.Sem pausa,eu?acredito que mudei de signo.
Claro que mudei de signo, nasci de novo.
Criei a força do tempero, acidez necessária para realçar a doçura.
Ele tornou-se espanto, acuado pelo específico, explícito dissabor.
-Quem sabe o que se passou no intervalo ínfimo da intempérie fresca das palavras regurgitadas? Nenhum homem suporta tanta independência. Eles não sabem o que fazer com o tesão, simples e objetivo de uma mulher. Sentiu-se oprimido e incompetente. Esperava uma lágrima, um destempero, mas tudo que teve foi à verdade.
Eu não te amo apenas te desejo.
E quer saber que tal um bom vinho? Esqueçamos tudo o espanto, o egoísmo, as dúvidas, a culpa, a minha, a sua, a do mundo, da nossa pequenez, das nossas misérias, o que queremos e o que não queremos o que podemos e, principalmente o que não podemos dar.
Que tal? Parece bom, começarmos assim do zero.

Vem cá! Vem! quer saber adoro sua companhia, estar perto de você me tira as pressões do mundo.Vamos beber! Sorver o álcool e depois transar, você gosta não é? Feliz ou não, não acho que vai negar, vai? Faça-me feliz, mesmo que seja pelos poucos segundos de meu orgasmo!
Assim bom menino, como todo homem, você é fraco pela carne, e eu como toda mulher temo a solidão, venha me aqueça em teus braços.

NDORETTO, Youkai, Cristinasiqueira, Ira Buscaio, Sueli Aduan.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

E QUER SABER...

Eu não queria ser tão direta não. É que às vezes a gente fica sem escolha mesmo, e aí, não tem jeito, ou você fala ou você fala. Sempre fui de contemporizar, contornar mesmo a situação, essa coisa de ser dada à compreensão, empatia, o diabo, mas cansei dessa cordialidade toda. E quer saber, foi num rompante abri a porta e....

domingo, 18 de outubro de 2009

DAS COISAS DO MUNDO"...saber ou não saber

- Se eu soubesse disso nada teria acontecido.
- Como assim se soubesse? Você não sabia?
- Mas é claro que não. Como poderia?
- Uai! Todo mundo sabe.
- E o que eu tenho a ver com todo mundo, posso saber?
- Saber o quê?
- O que todo mundo sabe, oras!
- Mas você não é todo mundo. Não quer saber, e ainda diz que se
soubesse nada teria acontecido.
- Então nada aconteceu, ou aconteceu? ...

-é lógico que aconteceu, por que não aconteceria?-
ué por que eu não sei!
-e isso muda alguma coisa?
-como que eu vou saber.
-viu é por isso que as coisas acontecem.
-por que, o quê?-por que você nunca sabe de nada.
-entao, eu tenho o poder de não deixar acontecer se eu souber.
-sim, você tem. E você o que sabe?
-eu sei que nada mais sou além da manifestação da sua consciência, agora continue operando o paciente a sua frente e esqueça seus problemas domésticos. -mais preciso dormir.
-agora não, concentre-se!
-eu não sabia juro que não sabia.
-eu sei, ta tudo bem...
Por exemplo, esta artéria aí que vc esta suturando não tem nada a ver com sua dor de barriga, ela é mera conseqüência dos seus excessos a mesa, e fora dela, wow, pinça, quase escapou!
– Mas o que todo mundo sabe? Ce falou que todo mundo sabe... o que todo mundo sabe?
– Cada um o que deveria saber.
– Bom! Isso me isenta de qualquer culpa!
– Tem mesmo que ser tudo uma questão de culpa? Culpa, pecado, castigo, mas que sisteminha mais falido , hein? Coisa do capeta!
– Olha o batimento, ta subindo. – Sob controle. Pressão normal.
– O que é que cada um deveria saber?
_ não me olhe assim.
-eu não sei de mim, cara! E vc vem com essa! Eu tenho uma tia e sei, vc ia gostar dela.

Ontem, antes da gente sair da boate, ela me ligou e, contou uma coisa, não te contei, não?-o que ela te contou?-ela me disse que sabia o que você fez!-ela sabia . Como? Pensei que só a gente sabia disso.
_o que eu faço agora?-agora? Você retira o tumor da parte superior do fígado e cuidado para não cortar a artéria!
_Entao, você sabe ela também é medica e essa é a coisa ninguém deveria saber, a outra que todo mundo sabe e que não é sua culpa, essa que você não sabia até poucas horas atrás, é culpa do seu pai por isso relaxa!-meu pai! Mas essa sua tia! Não entendi por que eu iria gostar dela?
-pelo simples fato de que ela descobriu e não vai se intrometer. Ela prometeu. -verdade?Fico aliviado,
-é o melhor mesmo, pois depois da operação temos que encobrir o que você fez para ninguém mais descobrir.Ou você quer arriscar perder sua licença?
-nao, minha licença nao...

- Mas...., vem cá... Pra quem não sabia de nada, você está sabendo bastante não?
- Ehhh, hum... eu? Não sei de nada não, só comentei o que minha tia falou... Aliás, alguém contou a ela e sabendo que te conheço...- Hã... e ela "sabe" quem contou? E... o que você sabe?
_não sei nada!!! E ela pensa que sabe, mas não sabe. Sabe essas coisas que a pessoa bota na cabeça, acredita e pronto. Não há Cristo que tire.E por falar em Cristo, se eu fosse vc, rezava.-se eu quisesse conselho teria pedido,mas não quero, nem sei o quero...
aff...se eu soubesse, nem passava por aqui...mó babel, cara! Olha lá neguinho com a barriga aberta....ichiii! O médico tá doidão...jésus!! E quem é aquela montada no modelito, fumando com piteiraaa!? Aquilo na mesa...é um cadáver,? É um cadáver....?-relaxa, mano,hum, tu quis entrá achando que era festa de bacana, que a gente ia sair com dólares e Dolores, blábláblá...véi, tem sangue pra todo lado...deve ser algum ritual macabro ou um bandode maluco...ad Tempus fugit não é uma boate, Lacraia...é...é...AAARRGHH!!!!
Lacraia, Lacraia, são os "coisa ruim", é zumbi, tudo zumbi, conheço pelo olho, alma penada querendo encarná...Socorroooo!!!
_Não grite. Acalme-se! Vamos: respire fundo, isso assim. Não fale agora.
-Eu vi! Vi sim, aquele cadáver, a moça com a piteira, sangue pra todo lado.
-HAHAHAHAHA, só rindo mesmo! Você é igualzinho minha tia, incrível, ela pensa que sabe e, vc que viu.
-Não, não penso. Vi sim!!

-Olhe, olhe bem ao redor, não há nada aqui, todos já foram só os do plantão da noite chegando, além daquele cãozinho ao longe, e vc nesse eterno dilema:
_saber ou não saber.!
_Sabe de uma coisa. Eu sei, você precisa...

Entender. Precisa entender... Você não sabe...
- O que está fazendo com essa faca?
- Fique longe... Fique longe... afaste-se de mim... Nãããããoooooooo....
Banhado em suor, respiração ofegante, sentou-se na cama, olhou no relógio... Já estava atrasado.

Youkai, Cajadomatic, Kátia Mota, Neuza Pinheiro, Sueli Aduan,

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Das coisas do mundo


- Se eu soubesse disso nada teria acontecido.
- Como assim se soubesse? Você não sabia?
- Mas é claro que não. Como poderia?
- Uai! Todo mundo sabe.
- E o que eu tenho a ver com todo mundo, posso saber?
- Saber o quê?
- O que todo mundo sabe, oras!
- Mas você não é todo mundo. Não quer saber, e ainda diz que se soubesse nada teria
acontecido.
- Então nada aconteceu, ou aconteceu? ...

Renitencia estrutural


Nas noites de frio é melhor nem nascer
Nas de calor, se escolhe: é matar ou morrer
E assim nos tornamos brasileiros
Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro
Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
Cazuza/Arnaldo Brandão
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Passando na frente de uma loja ouvi o radio que tocava uma musica antiga. O refrão dizia, a tua piscina ta cheia de ratos... e foi sumindo na distancia. Andei um pouco mais e engatei a mesma metrica na mesma melodia, a tua caveira ta cheia de ossos... Atravessei a rua e a coisa martelava, a tua banheira esta cheia de patos...a tua cadeira esta cheia de pregos... e foi piorando. A tua bexiga esta cheia de choppis... E não parou por aí.
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A tua mesa está cheia de restos...a tua vida está cheia de cacos...e martelando numa mesma batida frenética continuava: suas ideáis não correpondem aos fatos... Parei. Como as idéias não correspondem aos fatos? São fatos!!
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Dei meia volta e comecei a voltar pelo mesmo caminho, tentando tornar a musica audível novamente. E o tempo não pára. Não pára, não, não pára. Quando se vê já são seis horas, quando se vê,já é sexta-feira, quando se vê, já é natal, quando... agora é tarde... tarde pra se viver o que ja passou o que ja perdi pois o tempo o tempo nao para e quantas palavras audiveis deixei de cantar de rimar...
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O refrão vindo da loja. O que criei a partir daí...os fatos quando fatos, o tempo que não pára, o que passou, o que perdi, as palavras que deixei de rimar estavam impregnados na minha mente e eu matutando seguia calmamente, quando derrepente a ficha caiu e foi então que percebi, que não era eu a quem a musica havia impregnado, estava entrando na ideia de outrem sem que me desse conta disso. Minhas ideias não estavam correspondendo aos fatos.

Quando enfim
cheguei de volta a frente da loja, o tempo parou.
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Houve um silencio. Ninguem pensando? Timidamente o som veio vindo de novo, baixinho, mal se ouvia. Agucei meus sentidos... mais um pouco... até que pude ouvir uma frase completa:
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- Eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida.
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Olhei em volta, quem seria? E ali pra meu completo espanto uma outra realidade, um mundo paralelo. Nem tanto, pensei, nem tanto. Pensamos. E era apenas o pensamento coletivo em forma de musica. Ao longe, a minha volta, todos. E uma fruta mordida.
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Imaginei que sabor teria a fruta mordida. Quem teria mordido e se por algum acaso, destes que ocorrem sem o menor sentido, o tempo teria de fato parado dentro de minha cabeça. Foi quando descobri que não existem acasos e que a mecanica de nossas vidas são mais regidas por nossos atos do que pela posição dos astros no espaço sideral.
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E estava assim filosofando quando ouvi la longe alguem cantando o jingle das lojas Marabrás...
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Sueli, Katia, Maferar & Sergio

domingo, 11 de outubro de 2009

Renitencia


Passando na frente de uma loja ouvi o radio que tocava uma musica antiga. O refrão dizia, a tua piscina ta cheia de ratos... e foi sumindo na distancia. Andei um pouco mais e engatei a mesma metrica na mesma melodia, a tua caveira ta cheia de ossos... Atravessei a rua e a coisa martelava, a tua banheira esta cheia de patos...a tua cadeira esta cheia de pregos... e foi piorando. A tua bexiga esta cheia de choppis... E não parou por aí.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

"Da garrafa de Coca-cola a uma calma incendiária"

Tinha ainda alguns minutos até ter de sair definitivamente para o trabalho. Respirou fundo, sentada à cabeceira da mesa, sozinha, o prato meio vazio, o copo meio vazio e a sua frente do outro lado da mesa a Garrafa de Coca-Cola.
"Que ironia!" - todos em casa e o que lhe fazia companhia à mesa era uma Garrafa de Coca-Cola e os restos de um almoço.

É a vida... Cada qual com os seus próprios problemas. Sentindo-se culpada por não ter terminado sua refeição, empenhou-se, nos minutos seguintes, a comer e beber tudo o que estava a sua frente.
O pastor da igreja sempre diz:
_Há tanta gente no mundo morrendo de fome, desperdiçar alimento é uma tremenda falta de respeito. Então comeu em silencio, e também tinha um segundo motivo para se alimentar bem, este era mais pessoal, estava grávida de cinco meses. Um belo menino seria projetado ao mundo de dentro de si.
Foi esse pensamento que a animou e desfez sua solidão.


Cinco meses e nenhuma palavra. Privou-se do alimento por todo aquele tempo, mas o que lhe havia servido isso? Para que ele não percebesse? Mas já estava ali. E uma hora notaria. Sentiu uma tremenda vontade de se deitar e dormir depois de ter comido tanto. Podia ligar no trabalho e dizer que não se sentia bem, por isso, não voltaria mais ao escritório naquele dia.

Afinal já tinha resolvido às questões mais urgentes. Queria ficar em casa. Seu desejo era adormecer pelo resto do tempo que faltava, antes de parir e começar uma nova vida. Seu belo corpo havia se transformado. Perdera a cintura, a barriga, já não lhe cabia dentro das calças.
Fernando não a desejava como antes, sequer a tocava, e nos últimos dias, pouco ouvira o som de sua voz.

Ontem, ao abrir o armário do escritório, seus olhos caíram no vazio, ao encontrar uma carta, era de sua irmã, há anos não falava com ela devido a uma briga que tiveram quando ainda eram adolescentes. Mas, para seu espanto maior, a carta não era para ela, mas, para Fernando.
Uma grande dúvida tomou conta de seu ser: Deveria ou não abrir a carta?
Não deveria! E não abriu, guardou-a de volta. O que quer que estivesse escrito não era endereçada à ela, e também não queria saber das palavras de sua amarga irmã. Deixou estar, mais hoje ao menos havia algo para chamar de companhia, não.

Num gesto rápido, de desespero, abriu o armário, pegou a carta novamente. Coração acelerado, mãos trêmulas, olhou o envelope, a letra delicada, o cheiro agridoce e, tudo lhe veio à memória: a irmã, Fernando, os restos de vários almoços, a casa... e suas únicas companhias: uma carta e uma garrafa de Coca-cola. Automaticamente trancou a porta e abriu a janela.

E novamente a dúvida: Abri-la? Essa era a decisão mais acertada. A gravidez ainda não podia ser notada e ainda não tinha idéia do que fazer. Não podia correr esse risco agora. A caligrafia corrida, indicava pressa ao escrever. A principio amenidades, porém, sabia que algo deveria estar escondido naquelas entrelinhas. Até que surgiu a palavra, o Nome proibido:
Traição... Traição... Tra-i-ção

Podia sentir o coração batendo nas temporas. Respirou fundo e tomou coragem de ler até o final. Aos poucos foi tomada de uma calma incendiária. Não pode impedir o sorriso estampado no rosto. A satisfação.
Entumeceu a barriga, acariciou-a lentamente.


Youkai, Katia Mota, Jacke, Ira Buscacio, Tina, Mariana, Sueli aduan.





quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Uma garrafa de Coca-cola

Tinha ainda alguns minutos até ter de sair definitivamente para o trabalho.
Respirou fundo, sentada à cabeceira da mesa, sozinha, o prato meio vazio, o copo meio vazio e a sua frente do outro lado da mesa a Garrafa de Coca-Cola.

"Que ironia!" - todos em casa e o que lhe fazia companhia à mesa era uma Garrafa de Coca-Cola e os restos de um almoço.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Gerundio Passalaqua e as sutilezas da Paixão

Foi na Barra funda em meados de 1733 que Gerundio Passalaqua experimentou a primeira vez. Não se pode dizer que ele sentiu volúpia, mas um destes estados neutros que beiram o êxtase e o desespero. Foi por assim dizer um momento pródigo cheio de tensão e surpresa destes que ficam durante anos impregnando os canyons de nossa memória com a sutileza de um furacão.

E, que faço agora? Vivo somente dessa recordação, com os olhos sempre voltados para o chão, perdido feito um cão.
Hum! Só me faltava querer se poeta, e pelo andar da carruagem, não tenho o menor talento.

Quem sabe eu possa escrever alguma coisa, mas não em verso. Esse aperto não quer passar todos os dias atrás desse balcão vendendo, e pensando na mesma coisa.
Um dia atrás do outro, entre o zelo e desmantelo, sigo arrastando, como correntes, aquele desespero travestido de euforia.
Na corda bamba com o coração em compassos de samba.

E entre balcões, bêbados e suspiros, mais um dia se foi, tenho de arrancar de vez essa imagem, como as peras que apodrecem sob o prato, sinto-me definhar. O relógio não detem a morte das peras, não posso deter em mim esse pulsar,

Saio do balcão, lá fora o sol me aquece, e descubro que não adianta nada, o calor não afasta o frio da alma. É muita sorte estar tão quente neste inverno que a pouco era rigoroso. Fixo meu olhar nas carroças, distrações a parte, a memória pulsa.
Por que meu pai? Deus todo poderoso. Por que me atormenta e castiga?

Vou pedir o resto do dia de folga, embora esteja tão cedo meu patrão há de entender. Há sim. É que quando a gente chora o relógio parado, a morte do tempo, nem sabemos que dia é o hoje. Perdi mesmo a noção do tempo, também só faço chorar, nessa solidão sem fim, mas eu não me chamo Gerundio Passalaqua se hoje não me perder de tanto amar.

Amar, minha mulata de bronze, que saudades tenho de ti... Não a vejo há apenas dois dias, mais me sinto como se fossem décadas, meu coração verte lagrimas de desespero sabendo que nosso amor secreto não pode ser legitimado. Devo casar-me com Karmem, mais é a ti que amo.

Meu senhor! Viro-me para meu patrão, que recostado na parede da entrada do mercado pensativo. Diz:
_não fique ai a pensar, faça como eu, a cada passo que dou sinto meu coração bater, sinto a vida em todo seu esplendor, rodeado por cor e luz.
Todos os poros da minha sensação de pele macia apreciam esta brisa que me rodeia, me faz sonhar, me ajuda a continuar lutando, continuar a amar, confiar, e esquecer os dias negros.
Por um momento eu sinto a força da vida que cresce dentro de mim e com essa força eu sinto que posso continuar a seguir!
Bebendo desta fonte Inesgotável.

A fonte de onde tudo nasce, o desejo, que fica impresso no fundo das nossas vidas para sempre, que ficou em mim, Gerundio Passalaqua, em Karmem, em Marias, Antonios, Pedros, Vinicius, nas multidões, na Barra Funda, em Montmartre, em Cádiz, mundo afora.
O desejo de tudo comer.

CajadOmatic, Youkai, Kátia Mota, Grupo CeroVersoB , Meu Cantinho ,Sueli Aduan

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Foi-se o martelo (tit &¨imagem prov. 78.453)


Foi na Barra funda em meados de 1733 que Gerundio Passalaqua experimentou a primeira vez. Não se pode dizer que ele sentiu volúpia mas um destes estados neutros que beiram o extase e o desespero. Foi por assim dizer um momento prodigo cheio de tensão e surpresa destes que ficam durante anos impregnando os canyons de nossa memória com a sutileza de um furacão.

No telhado tinha um homem...tinha um homem no telhado...no telhado...


..e que Nietzsche estava certo e que Deus está morto.
Blasfemo contra todos os santos e digo que o
fim está próximo
.


Digamos que eu suba no alto de um prédio e comece a gritar como um louco às 4 horas da manhã. Xingo o prefeito canto musicas de mau gosto e atiro longe meu sapato que cai num teto de zinco com o maior estardalhaço. Suponhamos que eu faça tudo isso sem o menor pudor, respeito ou vergonha na cara. Fico ainda pelado e começo a correr por cima das telhas. Jogo uma garrafa de wodka no meio da rua, acendo um baseado e danço todo desengonçado. Mijo lá de cima na capota dos carros parados e digo que Nietzsche estava certo e que Deus está morto. Blasfemo contra todos os santos e digo que o fim está próximo. Aí do nada surge uma figura e me diz:

Maninho você viu meu fígado, não estou encontrando meu fígado...
-que fígado Pedro! chapou de novo é...
-é culpa sua, não vê minhas vísceras espalhadas sobre meus pés...
olhando mais atentamente Clark percebe a ausência de órgãos no abdômen de seu irmão, ao chão misturado sobre sangue negro e fétido encontram-se intestinos, rins e uma gosma gordurenta e amarelada de cor de pus que recobre a carne destroçada...
-meu deus homem o que aconteceu com você? Despejou tanto desespero em sua voz que se assustou e olhou para os lados freneticamente...
-o que, não se lembra mais? Maninho você me deixou morrer. o pó, lembre-se, o pó maninho.
-seu velho punk desgraçado suma daqui, seu merda maldito, maldito, me culpa por tudo, sempre culpou, não foi minha culpa, não foi minha culpa, não foi... os gritos irromperam de sua garganta cortando o céu rubro da noite, mais foram cessados pelo vomito que escorreu entre seus dentes e banhou seu tronco nu, tombou para frente de joelhos, suas órbitas viraram e desfaleceu sobre a possa formada pelo seu próprio vomito...

A manhã rompia quando recobrou os sentidos, ou acordou, ou a ressaca, o cheio, o calor começou a incomodar. Não havia ninguém ali, nenhum sangue, nem víceras, nem nada, só. Estava completamente sozinho salvo pelo sol que começava a tingir o céu de magenta.
Que sonho! Que alucinação!
Desceu do telhado, envergonhado, descalço, sujo.

Dignidade era algo que Pedro não podia esperar para si naquele momento, mas não precisava de dignidade, sim, de um bom café, com torradas e geléia.
O dia havia restaurado toda sua consciência e Pedro não tinha alternativa, a não ser encarar sua fragilidade. Levantou-se e foi ao encontro daquela mulher, não sem antes passar em casa, dar um tapa... conseguir se por apresentável.

A decisão estava tomada, não iria fraquejar dessa vez. É isso mesmo.
Dessa vez eu pego aquela zinha, não vou dar tempo não, quando ela perceber já era cara, o 38 vai estar dentro da sua boca, vai pagar caro cada telha quebrada, cada garrafa de vodka que enfiei goela abaixo, não ficará impune.
Quero olhar fundo em seus olhos e, me permitir sentir toda a repulsa, toda raiva... daqueles olhos verdes, daqueles...olhos Verdes como o mar, verdes como os pinheirais...verdes.. verdes..Chega maldito, pensamento. Cadê meu revólver daqui...

E, assim após uma breve caminhada escada abaixo, pelado mais determinado irrompeu pela porta do apartamento 543, apartamento que não lhe pertencia, mais seu proprietário não se importaria que fosse reocupado, afinal estava meio morto, era o apartamento de seu irmão.
A primeira coisa que fez não foi tomar um banho, mais sim dar um tapa, a coca em cima da mesa também não lhe pertencia, mais quem reclamaria, no fundo a merda toda já estava feita, aqueles traficantes italianos não largariam do seu pé até que a divida estivesse paga com seu sangue, divida esta que também não lhe pertencia, mais o diabo já havia enfiado o tridente em seu rabo.
Rapidamente limpou-se, chapou o cabelo louro para traz com gel, vestiu um paletó cinza e de dentro do criado mudo retirou o revolver calibre 38 , este sim lhe pertencia.,pegou também as chaves do velho mustang do tio Vincent, que emprestará no dia anterior, e saiu pela porta a caminho da fábrica, onde encontraria aquela vaca que traiu seu irmão...
mais antes mais um tapa...um tapa...e o improvável aconteceu...uma lucidez surgiu dentro de si, já não era o mesmo e, com toda certeza não era efeito daquela droga.
Sentiu-se renascer a caminho da fábrica, talvez a paisagem... ou o som do velho mustang. Tio Vicent sabia das coisas d'alma.
Vivaldi e uma imensa alegria.

Então, desligou o motor, seu rancor já não extremava mais atitudes que poderiam lhe causar danos profundos na alma, muito além, de todo o pó da civilização. Ansiava por liberdade. Sabia que era inevitável o sentimento de perdão. Não suportava mais sua escravidão e diante daquela mulher, que tanto odiara, daquela vaca infame, seu olhar apiedou-se. Ali estava a grande chance, de reconciliar-se com sua amada, mas foi
nesse exato momento que ouviu :
-Eu sou aquela a quem tu clamaste todo esse tempo, e digo-lhe que fizeste tua lição corretamente, vejamos; perdeste toda confiança em ti, conseqüentemente não mais enxergas o outro. Renegaste todo e qualquer "invisível" transformando-se em uma figura deplorável. Profanaste o templo que está em tí e finalmente entregaste-me o que há de mais valioso no Ser, a tua Alma!!!!!
Quando a velha sem nome começou a aplaudir, a aplaudir pausadamente o espetáculo solitário que eu fazia. Aplaudia com a força do flagrante Segurei meu pau.
Um calor do inferno vinha do corpo. Uma alegria escancarada de ser imoral!

E, ali sozinho nu o calor foi cedendo, cedendo....lentamente, e agora já sentado, com uma vista privilegiada, olhei ao meu redor, escutei o silêncio da noite, olhei lá longe os pinheirais verdes, relembrei os olhos da minha amada, na mente as palavras de Nietzsche misturavam-se com a de um outro,o rabino Bonder, Nilton Bonder, e seu livro, A Alma Imoral, leitura em que percebi, que podia repensar minha vida, escolher um novo caminho.
Mesmo porque, com Deus morto, e com a minha vontade de potência, descubro que não sou imoral, apenas humano demasiado humano.
Sérgio cajado, Youkai, Katia Mota, Ira Buscacio, Sueli Aduan, Célso Ramos, NDoretto.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Provisorio 5438

Digamos que eu suba no alto de um prédio e comece a gritar como um louco as 4 horas da manhã. Xingo o prefeito canto musicas de mau gosto e atiro longe meu sapato que cai num teto de zinco com o maior estardalhaço. Suponhamos que eu faça tudo isso sem o menor pudor, respeito ou vergonha na cara. Fico ainda pelado e começo a correr por cima das telhas. Jogo uma garrafa de wodka no meio da rua, acendo um baseado e danço todo desengonçado. Mijo la de cima na capota dos carros parados e digo que Nietzsche estava certo e que Deus está morto. Blasfemo contra todos os santos e digo que o fim está próximo. Aí do nada surge uma figura e me diz:

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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Subindo e descendo


Perdeu. Foi uma questão de segundos,
mas é assim mesmo, quando não é pra
ser não há nada à fazer. Hum... Será?

Era esse seu pensamento, naquele finalzinho da tarde, na plataforma da estação vendo ao longe o trem que partia... havia se perdido. Pensou em voltar para casa em que estava hospedado, na periferia de londres, mas resolveu esperar o próximo trem, que chegaria em 15 minutos. Sentado naquele banco de ferro tão gelado quanto o vento, observou que um rapaz ao seu lado também estava aflito. resolveu puxar assunto e perguntou:

- One of those days, right?
- Sim, um dia e tanto... não se assuste sou brasileiro e percebi de imediato que vc também é.
- Como?
- Ah! adivinhe...

Sentados no banco por alguns minutos se instalou um silêncio, uma breve pausa, algo que levava o pensamento de duas pessoas ao longe. Os dois pareciam espelhos um do outro.Pensavam juntos o que levaria perder aquela partida, já haviam tantas vezes tentado. Até que um perguntou ao outro.

- Porque quer partir? Para voltar ou para ir embora? O outro num tom calmo, respondeu:

-Para chegar...chegar em algo que eu mesmo não sei explicar... e você?
-Eu, mais uma vez, tentei partir, mas todos os dias perco o trem e fico aqui sentado ao vento, esperando a minha hora. Não se pode mais adiar, é preciso uma decisão. Faço um trato, assim que o próximo trem chegar subirei lentamente, degrau por degrau, o vento gelado sob meu corpo ficará pra trás, levarei somente os momentos aqui vividos, algumas oportunidades perdidas e a certeza de estar sempre partindo...

Olharam-se profundamente no mesmo instante em que o trem abria suas portas. Subiram os degraus, entraram no trem e logo este partiria para longe dali. Cada um tinha em mente que tanto podiam voltar para suas antigas vidas ou começar uma nova à partir daquele momento. Era tentador, a oportunidade se apresentava mas algo impedia, um aperto no coração, lembranças indo e vindo,o medo dominando tudo, até que num gesto tresloucado o primeiro tirou os oculos olhou nos olhos do outro e perguntou:

- Você não é bicha, é?
- Claro que não, respondeu o outro meio rindo, porque, vc tem medo de bicha?
- Não é isso, não tenho nada contra, acho até que os gays são muitas vezes mais sensiveis que os heteros com seu machismo infame...
- Ah!, disse o outro amigavelmente, então vc é bicha!
- hãã, um pouco...
- Hahahaha, sem problema meu amigo, compartilho de sua opinião embora prefira as mulheres. Na verdade tenho quase que so amigas, e apenas alguns conhecidos, acho a maioria dos homens brutais e pouco refinados, sinto-me meio excluido do universo masculino.
- Estou notando uma certa bichice em vc....
- Hahahaha, isso é engraçado, sinto desaponta-lo mas minha libido está mesmo voltada para aqueles seres diafanos que me seduzem ao passar, aquela leveza que até as gordas tem e que nenhum homem jamais conseguiria forjar.
- Serio, eu tambem te entendo, ha alguns anos atras eu tambem me apaixonei por uma mulher... acho que ela era meio masculina, hehehe, mas mesmo assim ainda era uma alma feminina... acabamos porque começamos a virar amigas, hahahaha
- Hahahaha, pelo visto não foi traumatico...
- Não, foi uma experiencia muito romantica. Nem sei porque te conto isso, mas so me apaixonei duas vezes em minha vida.
- Hum, e a outra historia foi com um rapaz...
- Pois é, e essa machucou minha alma.
- Sinto muito, me entristece ver historias sem final feliz
- Ora, algumas historias nem acabam, apenas se interompem flutuando no limbo da esperança.
- E quais as suas expectativas agora?
- Promete que não vai rir?
- Quase.
- Bom, entrei num seminario para ser padre.
- Hahahahahaha, desculpe, não pude me conter, quer dizer que por não conseguir definir suas preferencias sexuais vc se envolveu no universo divino?
- Mais ou menos isso. Vou lhe contar algo que aconteceu comigo em Cardiff quando fui visitar minha tia galesa: Cheguei num dia tipicamente enovoado e cheio de garoa quando vi pela primeira vez esta mulher, minha tia. Você nem pode imaginar o que senti ao vê-la, tinha em minha mente, uma imagem construída dia após dia, pela minha mãe sobre tia Annie. E no exato instante em que me deparei com ela, uma questão de segundos, surgiu a dúvida: minha mãe tinha mentido aquela imagem parada na minha frente, ainda que o nevoeiro atrapalhasse um pouco, não correspondia em nada à figura da minha infância, das histórias que ouvia naquelas noites. Com botas pretas e um velho chapéu marrom, ela foi se virando, virando como num filme; sabe como? É, desses de faroeste, na hora até pensei que ela fosse sacar uma pistola, mas que nada cara, a velhota, deu uma cuspida de lado e, com um sotaque enrolado disse: oi frangote, que bom, faz tempo que não chega um homem por aqui e dizia isso balançando sutilmente o corpo com as mãos entre as coxas. Cara! tremi todo....as imagens cheias de sensualidade da tia Annie suas pernas longas, seus seios firmes, seu cheiro doce, tudo ia se dissolvendo. Eu só podia querer mesmo conversar com Deus, pedir uma explicação, daí pra entrar no seminário foi uma questão de segundos. Afinal um acontecimento desses deixa qualquer um meio bicha ...
- hum... curioso. Não conheço sua tia Annie mas posso imaginar o susto. Eu tiraria de letra, dava um tapão nas costas da velha e diria: ô perua, cê ta mais pra la que pra ca hey? Sei la, ia depender do meu humor, talvez virasse as costas e fosse embora sem dizer uma palavra, talvez desse uma comida nela, uma surra, gargalhasse, chorasse mas não ia virar viado por causa disso nem padre... que é a meu ver, quase a mesma coisa.
- Cê acha que ser padre é viadagem?
- deixe-me colocar desta maneira, ser padre é hoje em dia a maneira mais ridicula de fugir da confrontação com um problema real, vc se entrega a Deus, ele te perdoa e tudo fica resolvido. Acho que o que te faltava mesmo é conhecer uma mulher de verdade, uma paixão que te consumisse e que te levasse a comparar com suas experiencias anteriores, buscar uma visão clara e finalmente decidir se vc prefere mulher ou ser um padeiro distraído.
- Padeiro distraído?
- É, aqueles que deixam queimar a rosca...
- Wow, que grosseiro!
- Desculpe, vc tem razão, piada de mal gosto, mas irresistivel vc ha de convir.
- Hahahaha, é mesmo, mas eu tinha que reclamar, isso não se diz a estranhos.
- É , mas depois de ter contado sobre a tia Annie, não somos mais assim tão estranhos.
- Fine, e quem vc vai me apresentar pra eu ter esta paixão consumidora?
- Ah, that´s your problem, gente é como livro, os melhores vc não acha, eles te acham!
- Foi o que aconteceu!, eu achei a Biblia!
- A Biblia?!? Mas a Biblia é um livro que fala tão somente de perdão e amor
- Sim é preciso ler com esses olhos, senão, vira tudo pecado e putaria.
- Bom, o que importa é amar, ¨Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados amar?¨ hehehe, Drumond, esse era o cara...
- Ora pois! Perdoe-se, ame-se, perdoe sua velha tia e é claro: escolha, lembre-se do livre-arbítrio.
- Você tem razão, vou procurar uma outra resposta.
- Por favor, não me entenda mal, se vc acha que o seminario é o seu caminho, por favor...
- Não, você esta correto, acho que é apenas uma fuga da confrontação.

Neste meio tempo uma outra composição entra na estação e o trem vai parando no terminal. As portas se abrem e muita gente vai descendo dos vagões. Os dois olham para o movimento e notam descendo a sua frente duas garotas charmosissimas. Entreolham-se sorrindo mas este sorriso desapareceu quando atras das moças uma voz ligeiramente esganiçada exclama para eles:

- I just can´t believe in my eyes! Se não é meu sobrinho maricas e seu namoradinho boiola!

O indeciso olha para seu novo amigo e diz:
- Existem mais criaturas entre o trem e a rampa do que sonha nossa vã filosofia.
- Sem dúvida, disse o outro, sont tout choses de la vie, mas eh bien, c'est l'amour! e la se foram conversar com tia Annie.

.....................................................

Lucas, Celia, Jacke, Sueli e Sergio


sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Uma questão de segundos


Perdeu. Foi uma questão de segundos, mas é assim mesmo, quando não é pra ser não há nada à fazer. Hum ! Será?
Era esse seu pensamento, naquele finalzinho da tarde, na plataforma da estação vendo ao longe o trem se afastar, o vento gelado em seu rosto, e uma leve sensação de que tudo

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Das incertezas da razão


Tinha o hábito, gostava mesmo, de pensar na morte, mas isso não a incomodava, não a deprimia pelo contrário aprendera há muito tempo atrás com um velho professor que:
Pensar na morte era pensar a vida, isso também fazia muito, muito tempo, uma época em que os profes... ah!, pensou...deixa pra lá. Gostava mesmo de deitar na rede, aquela brisa gostosa e, ali ficar observando à morte das formigas, de uma planta, um objeto quebrado, a transformação de tudo.
Foi quando ouviu um barulho vindo do corredor lembrou-se que não tinha trancado a porta, seu coração acelerou-se, um tremor percorreu todo seu corpo, os passos aproximavam-se e, pode ouvir nitidamente o “engatilhar” de um revólver.

A adrenalina tamborilou em suas têmporas. Ofegante tentou manter a calma. Manter a mente aberta para todos os ruídos. Apoiou-se lentamente sobre o braço para que o balançar da rede não produzisse um ínfimo ruído, mas não conseguiu. O ranger do gancho da rede surtiu o efeito de fuga. Sentiu a secura na boca, as mãos gelarem.

Devagar se aproximou da porta da cozinha, lentamente afastou a cortina de contas, o barulho das contas umas contra as outras o deixaria atento ou desencadearia algo fatal. Os olhos demoraram a se habituar à escuridão do cômodo. Arriscou:
_Quem está aí? Não obteve nenhuma resposta, mas insistiu:
_Quem, quem está ai?
e, pra sua surpresa ouviu um ruído seco e um grito agudo de dor.

Paralisou. As idéias...que idéias? Suava frio, e os cachorros latindo juntos. Ela ali, estática., mas era preciso fazer alguma coisa e, tomada por um impulso correu em direção ao grito.

Ali estendido no chão escuro do corredor estava seu roupão de seda envolvendo um vaso de porcelana quebrado de onde saiam camélias agonizantes.
As cortinas da sala flutuavam etericamente adentro do ambiente claro, o murmúrio do mar misturava-se com as gaivotas.
Aquela pequena menina tão parecida consigo olhava inconsolável para o vaso. Olhou para a mãe e levou as mãozinhas ao queixo. O ar era tão leve que a única coisa que poderia fazer era estender os braços e demonstrar sua cumplicidade com todos os atos de sua vida com sua filha.

Correndo pela sala ela se atira no colo da mãe e começa a chorar pedindo desculpas. Ela lhe beija os cabelos e diz:
_Tudo bem, tudo bem, porém pensou:
como nos enganamos quando assustados, tinha tão claro que o som era o do engatilhar de um revolver, mas não, só sua garotinha com suas traquinagens.
Diante disso só podia mesmo rir....,mas conteve o riso ao olhar pela janela e ver um vulto que corria pelo jardim.

Então pode não ter sido ela, tentou identificar o vulto, parecia um homem, mas o perdeu de vista. Correu os olhos pela sala, a menina já tinha saído. Nada de anormal a não ser pelos cacos espalhados.
Foi averiguar o restante da casa com o coração descompassado, vasculhou tudo cuidadosamente, cada canto da casa e, nada.. Impossível, ninguém desaparece assim, pensou.

Foi quando começou a desconfiar de sua sanidade. O vaso quebrado, o som do revolver, o roupão enrolado no corpo de sua filha, seria tudo delírio, alucinação? Claro que não, tudo era tão real, mas e se não fosse?
Tentou rememorar todos os fatos. A rede, o barulho, o medo..
Então, lembra-se que não tinha uma filha e que não mora numa casa com jardim.
Não agüentando a angustia do não saber, das incertezas da razão, corre em direção a janela de seu pequeno apartamento no décimo andar a apenas alguns passos de onde estava e pula no vazio em direção ao ar.
Vê então pela primeira vez toda sua vida num piscar de olhos. Nota o mundo passando veloz e grita de felicidade. Estava finalmente livre.
E desmaia neste processo antes de arrebentar-se no chão do pátio.
katia Mota, sueliaduan , cristinasiqueira , cajadomatic

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

apenas uns passos....

Tinha o hábito, gostava mesmo, de pensar na morte, mas isso não a incomodava, não a deprimia, pelo contrário aprendera há muito tempo atrás com um velho professor que:
_Pensar na morte era pensar a vida, isso também fazia muito, muito tempo, uma época em que os profes... ah.pensou...deixa pra lá.
Gostava mesmo de deitar na rede, aquela brisa gostosa e, ali ficar observando a morte das formigas, de uma planta, um objeto quebrado, a transformação de tudo.
Foi quando ouviu um barulho vindo do corredor lembrou-se que não tinha trancado a porta, seu coração acelerou-se, um tremor percorreu todo seu corpo, os passos aproximavam-se e, pode ouvir nitidamente o “engatilhar” de um revolver.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Projeto Padaria: "Um café pra dois"


"Seu computador já pode ser desligado em segurança"

Respirou fundo. Bagunçou os revoltos cabelos castanhos, sorriu. Um sorriso involuntário. Um quase sorriso, por conta de um e-mail. Engraçado como de alguma forma aquelas palavras, vindas de uma desconhecida (possivelmente) pudessem o colocar num estado letárgico de divagação.

- Quer algo da padaria? - Perguntou a mãe. - Queria fugir, prolongar o momento, caminhar e criar uma imagem para as palavras.


Traz uma Coca se não for incomodar ahnnn e fecha a porta pra mim, please, vai com Deus Mami... Voltou à imersão total de seu ser naquele mundo eletrônico de onde não se podia evadir ou abandonar sem que a curiosidade o buscasse onde quer que estivesse. O cuco na sala bateu 2 horas.
Apertou novamente o botão de start leu aquela frase estranha, "o himem esta testando a memória estendida".
Seu sistema era moderno, mas colocara aquela frase da qual nunca esquecera a primeira vez que ligou um computador. Olhou para o teto enquanto aquele exercito de ícones iam surgindo em seu desktop.
O skype ligou automaticamente. Correu com o mouse e pos o status em invisível. Não tava pra muito papo. Mesmo assim alguém começou a chamar adivinhando que estava on-line. Fingiu um pouco de morto ate que resolveu atender.

- esta se escondendo do mundo?
Droga, não é ela... o bom do mundo virtual é isso... encheu, DELETE, ou no mínimo... OFF LINE"
Não pensou duas vezes, OFF LINE. Continuou a olhar para o teto, mas queria tanto que ela estivesse on-line...
Qualquer um que entrasse fazia seu coração bater mais forte. Fuçou alguma coisa num site qualquer da internet e ao achar aquilo que tanto procurava deu mais um sorriso de lado.
- Ela precisa saber disso!!!
Correu a abrir seu e-mail .

Nada, mesmo assim enviou a notícia na esperança de que aquele artigo, subjetivo, com um quê de semiótica a trouxesse para mais perto. Sem certeza...
Essa era a exata dimensão daquilo, uma incógnita.

Então, resolvi aceitar o mistério da sua distância, simples assim.
É o que ela quer:
Pois bem, que seja.
Foi quando, sem nenhuma esperança, decidi olhar pela última vez o e-mail
A mensagem dizia:
- Seus pãezinhos estão sendo downloadados para o seu computador
Quem? quem a não ser ela para uma atitude dessa, corri o mouse como uma criança corre atrás de doce.
Enganei-me. Afinal, era ela quem sempre mandava paenzinhos....mas desta vez não era. Pensei em mandar algo do tipo, seria uma surpresa, mas logo descartei esta possibilidade. Vivi tão centrado nela, em seus e-mails que não chegavam, nos pãezinhos...nas...
Sempre ela, ela, ela, que nem percebi a boa surpresa,
Agora chega! Olho pro teto sorrio e,


clic o teto se abre descortinando o céu de enorme azul e centenas de milhares de paezinhos começam a cair envolvendo minha mesa cobrindo o computador tampando meu olhos e saindo pela janela numa cascata panificia inundando as ruas e as avenidas. Era o inicio do projeto padaria.
E também o seu fim.


Kátia Mota- Cajadomatic- Feex Constantin-Sueli Aduan


terça-feira, 21 de julho de 2009

Projeto padaria.


"Seu computador já pode ser desligado em segurança"

Respirou fundo. Bagunçou os revoltos cabelos castanhos, sorriu. Um sorriso involuntário. Um quase sorriso, por conta de um email. Engraçado como de alguma forma aquelas palavras, vindas de uma desconhecida (possívelmente) pudessem o colocar num estado letárgico de divagação.

- Quer algo da padaria? - Perguntou a mãe. - Queria fugir, prolongar o momento, caminhar e criar uma imagem para as palavras.

Apenas uma porta e todo meu sorriso


Em cima da cadeira tinha uma camiseta branca jogada no encosto. No assento havia duas moedinhas, um maço de Hollywood menta quase vazio, um isqueiro Bic verde e uma paçoca bem amassada ainda dentro da embalagem onde se podia ler Amor. Embaixo da cadeira havia um par de tênis aparentando ser a coisa mais chulezuda do mundo onde enfiaram meias para talvez sufocar a ardência destes vapores insólitos.
No ar flutuavam as ondas de uma radio AM com uma dessas musicas que a gente escuta alguém assobiando na rua e que nos parecem tão distante de nossa realidade, que nos sentimos despertos para um outro universo.
Um universo às vezes bizarro, impar, inesperado.
No dia seguinte foi que reparei:

que a cadeira,a camiseta branca o isqueiro,as moedas..o maço...tudo ali me pertencia,a constatação de possuir um tênis chulezudo foi aliviada pela lembrança da tarde em que foram esquecidos numa tempestade, a música,o assobio continuaram distantes.
Somente a paçoca amassada dentro da..,não me pertencia. Memória amarga, do dia em que esse amor não foi consumido. A paçoca jamais seria comida, estava muito velha, era um souvenir de tempos mais sedutores quando ainda em mim morava a esperança. Mas de fato tudo me pertencia, até a cadeira.
Havia muito tempo que não entrava ali, a poeira cobria tudo inclusive a saudade.

Lembrei-me derrepente da gaveta. Ali haviam ficado uma parte de mim, e mesmo com lágrimas nos olhos, ainda pude ver lá escondidinho, no fundo da gaveta, aquele maldito alicate vermelho, com pontas finas, com um corte preciso. Que falta ele me fez.
Parada e estática a olhar aquela cadeira e aqueles insignificantes objetos em meu passado percebi o quanto eram doces como àquela paçoca que deixei de lado naquele chuvoso dia a seu lado, mas não foi derrepente. Nada é.
Aos poucos é que o valor de cada objeto, cada detalhe do passado foi aparecendo e, junto com ele o cansaço das coisas ditas normais.
Cansaço esse daquela rotina, que durante tantos anos foi a mesma chata de sempre, não me deixando ver que cada detalhe dessa vida e de outras, por menores que eles possam ser, cada um tem seu valor. Cada um é especial.

Lembrei de todos os detalhes que passavam na minha cabeça naquela hora, todos de que pudesse me lembrar naquele instante, mas de todos esses detalhes, um se destacou: aquela sua blusinha xadrez, com enormes botões, que até hoje aterrorizam meus pensamentos.

Bem que vc poderia voltar e me dizer adeus como se deve, sem magoas, sem gerar essas pontadas doloridas aqui no centro do meu peito onde moram os fragmentos que restaram do meu coração. Mas allas, cest la vie, procurarei outro porto, novos horizontes mesmo sabendo que apesar de tudo, sempre carregarei um pedaço do que sonhamos juntos e nunca aconteceu. Tava mesmo na hora de partir e, transformar essa magoa virar gente grande, abrir o meu coração, para infinitas possibilidades.
Quem sabe, o inesperado faça uma surpresa.


E assim sentado em meio aquela confusão mobiliaria, misto de lembranças, poeira e passado escuto passos no corredor. A porta se abre à medida que meu olhar se ergue lentamente.
Ante minha expectativa, sou obrigado a sorrir.

Cajodamatic - Maferar- Feex Constantin- Sueliaduan




domingo, 12 de julho de 2009

Sem titulo porenquanto numero 238b



Em cima da cadeira tinha uma camiseta branca jogada no encosto. No assento havia duas moedinhas, um maço de hollywood menta quase vazio, um isqueiro Bic verde e uma paçoca bem amassada ainda dentro da embalagem onde se podia ler Amor. Embaixo da cadeira havia um par de tenis aparentando ser a coisa mais chulezuda do mundo onde enfiaram meias para talvez sufocar a ardencia destes vapores insolitos.

No ar flutuavam as ondas de uma radio AM com uma dessas musicas que a gente escuta alguem assobiando na rua e que nos parecem tão distantes de nossa realidade, que nos sentimos despertos para um outro universo.
Um universo as vezes bizarro, impar, inesperado.

No dia seguinte foi que reparei:

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A Caixa

Varios autores, um mais tantã que o outro

Eu não podia imaginar que fosse possivel alguém me reconhecer com aquela roupa, aquela imensa caixa nas mãos que quase cobria meu rosto todo. Mas foi exatamente o que aconteceu. Ao escutar o chamado não olhei pra trás e nem podia mesmo, como explicar minha presença ali, a caixa e tudo mais... Mas explicar para que? Já tinha sido visto, já tinha sido reconhecido, o jeito era carregar aquela caixa com a naturalidade de quem segura um saco de pão.
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Com um certo temor segui, mas a curiosidade falou mais alto queria saber quem havia gritado meu nome, virei rapidamente espantado. Hesitei por alguns segundos em atender a voz insistente. Sentia sua aproximação até que me alcançou de perto os ouvidos. No ombro esquerdo o peso daquela mão me deteve. Assustado como uma criança pega em flagrante roubando um doce me virei. Uma senhora de tez rosada e afável disse-me:

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– Desculpa, senhor! Mas seus óculos caíram no chão. Susto passado (ato contínuo) peguei os óculos rapidamente, mas aquela imagem não me era estanha. Com voz nervosa, tentando controlar a respiração ofegante eu disse:
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– Inexplicável. Interessante. E entre um risinho e outro contemplei o totalmente inexplicável, tanto quanto essa caixa que levo comigo. A senhora arregalou os olhos e disse:

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– O que leva aí, assim tão absorto a ponto de perder os óculos e não sentir o embaçamento típico da falta das lentes? assim a queima roupa a pergunta desorientou-me, fiquei totalmente sem ação, sem voz. Não estava em meus planos abrir-me, contar à alguem meu segredo, era preciso sentir-me seguro. Uma vez que sem oculos enxergo tao bem como uma topeira, disfarcei um pouco e pigarreei. Nao que isso fosse fazer alguma diferença pois pigarreear so alivia nossa consciencia mas nao remenda nossas ações absurdas. Resolvi responder tão espontaneamente quanto possivel.
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– Levo uma caixa, mas por favor não me pergunte o que contem. Meu oculos embaçou ainda mais, mal conseguia enxergar por entre as gotinhas coladas no vidro. Sentia-me num fusca em dia de chuva. Ela insistiu:
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– Sei que não é de minha conta mas essa caixa gigantesca é um tanto suspeita.

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– Olhe, disse eu, aqui nesta caixa tem um urso chamado Zé que gosta de velhinhas simpaticas ao sugo. Ele é um tanto feroz porisso mantenho-o na caixa. Vou deixa-la aqui por um momento enquanto vou ao toilete pois urge a necessidade fisiologica que me impele, sem freios nem piedade. Não abra a caixa, ja volto. Entrei no salão e fiquei espiando para ver se ela ousaria espiar dentro do caixote. Quem diria aquela senhora!!! como a gente se engana, (tão sisuda) mas quem, quem conseguiria resistir a tamanha curiosidade? E ali do salão eu presenciei a cena, que por muito tempo iria me fazer rir. Que cena!
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Ao abrir a caixa, como supuz que iria fazer, ela soltou a tampa, deu um passo para traz e fez o sinal da cruz. Comecei a ter meu ataque de riso, pois era muito hilariante ve-la sob este espanto todo, eu havia avisado pra não olhar dentro da caixa.

Centenas de bolboletas sairam voando de dentro da caixa e a rodearam como um manto colorido em movimento. Ela tentava fechar a caixa mas elas continuavam a sair voando até não ficar mais nenhuma dentro. A senhora ficou desesperada, olhava para um lado e para o outro para ver se estava sendo observada. Claro que tava todo mundo olhando pra ela, estava parecendo um enorme pirulito de borboletas coloridas.

Derrepente meu riso foi se fechando. Se fechando. Meu coração foi lentamente descompassando, até que parou. Sim parou por milésimos de segundos, para o inexplicável vivído. Das costas da velhinha simpatica surgiram imensas asas prateadas. Olhei-a nos olhos em metamorfose e sorri.

Em sua nova leveza ela olhou para o céu e voou para as nuvens brancas.


sábado, 11 de julho de 2009

Os amigos o chamavam de Gummer


4 autores

O dia estava esplendido e da janela do ônibus podia ver nas ondas gordas, exatas, os tubos se formando perfeitos rolando centenas de metros até explodirem na areia alva e fina. Não pude resistir e apesar do paletó, gravata, a obvia farda de bancário dos pés à cabeça, desci do bus com o coração acelerado e, com imensa euforia, olhei para um lado, depois para o outro, com medo que alguém pudesse perceber estado tão alterado, afinal não é sempre que se tem uma atitude dessa, ainda mais...vestido daquela forma. Pensariam que era uma tentativa de suicídio, e foi exatamente o que ocorreu, numa fração de segundos uma multidão a minha volta. Apesar de constrangido gostei, afinal não é sempre...ainda mais..que uma equipe de reportagem da TV Globo se aproximou e o repórter me enfiou o microfone na cara. Perguntou sem qualquer preâmbulo, sequer sem me perguntar o nome:

– Foi o senhor que ligou informando que havia um hipopótamo surfando nesta praia?
– Sim, eu liguei, mas não foi exatamente pelo surf, que aprecio muito, mas pela falta de decoro desse animal, digo de sua companheira.
– Como assim? perguntou-me o repórter.
– Olhe o senhor mesmo, respondi. Não é uma escandalosa? Considero no mínimo uma indecência que uma girafa venha de topless a uma praia tão movimentada e principalmente neste horário da manhã, quando é freqüentada, sobretudo por babás, avós e jovens mamães que trazem as crianças para banharem-se ao sol.

Surpreendentemente, a equipe de reportagem da TV Globo já não tinha interesse por mim, nem pelo casal fenomenal que naquele instante trocava beijos lascivos. Acompanhada do séquito humano, a equipe vencia as ondas, primeiro correndo e, com água na cintura, nadando loucamente na direção de um cardume. E, eu não deixei por menos, segui junto, afinal não é sempre...ainda mais...quando se apresenta a oportunidade de ver peixes se afogando. Eu mesmo nunca sequer imaginara que havia peixes que não sabem nadar. Era um fato tão inusitado que ninguém notava que eu caminhava sobre o mar vestido a rigor. Todas as atenções se voltavam para o cardume, mais particularmente para um peixe que parecia ser o líder. Usava cartola, óculos escuros, relógio de algibeira e quando sorria cintilava um dente de ouro.

A uma pergunta do repórter, que eu não consegui ouvir porque o pobre coitado tinha nacos de sargaço entupindo-lhe a garganta, ele respondeu como se estivesse fazendo um discurso solene para a nação:

– Esta crise não é minha. É do cardume. Da praia eu podia ouvir a platéia dividida entre os que vaiavam e os que aplaudiam e uma voz feminina gritou:

– Como é o nome do peixe? As vaias foram diminuindo...diminuindo e, como num passe de mágica havia uma só voz em coro gritando, como era o nome do peixe. O peixe da frente do cardume que até então se preocupava exclusivamente em perseguir um plâncton suculento pôs a cabeça pra fora da água e disse:

– Meu nome é Gumercindo Ictius de Oliveira. Mas por que perguntam vcs estranhas criaturas secas com pelinhos no topo da cabeça e que respiram ar por orifícios no rosto?

– Porque perguntar é da nossa natureza, vai responde... vai... vai responde... ressp... onde... onde... res....sss ... E naquele dia esplêndido em que da janela avistei extasiado as gordas ondas, em que afrouxei o nó da gravata, dia o qual numa atitude deliciosamente impensada desci do ônibus. Naquele dia, minha pergunta ecoou mar afora, vi Gumercindo ir embora, fiquei feliz mesmo sem reposta, afinal não é sempre que se tem uma atitude dessas.

Kátia Mota, Fred Matos, Sergio Cajado, Sueli Aduan

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terça-feira, 30 de junho de 2009

Tudo mais...e a caixa?


Eu não podia imaginar que fosse possivel alguém me reconhecer com aquela roupa, aquela imensa caixa nas mãos que quase cobria meu rosto todo. Mas foi exatamente o que aconteceu.
Ao escutar o chamado não olhei pra trás e nem podia mesmo, como explicar minha presença ali, a caixa e tudo mais...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

o nome do peixe


O dia estava esplendido e da janela do ônibus podia ver nas ondas gordas, exatas, os tubos se formando perfeitos rolando centenas de metros até explodirem na areia alva e fina. Não pude resistir e apesar do paletó, gravata, a obvia farda de bancário dos pés à cabeça, desci do buzu...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Olhou por olhar


Dormiu mal a noite toda. Levantou-se rápido, tinha pressa, queria ser o primeiro a chegar à empresa.
Olhou sua imagem no espelho automaticamente. Olhou por olhar, sem se ver, como quem olha para o nada. Tal qual um gato que passa entre os móveis, só por passar.
Como de costume, abriu o armarinho e pegou o creme de barbear, numa fração de segundos já estava com o rosto pronto, todo cheio, de espuma.Maravilha gritou feliz, serei o primeiro a chegar e ninguém para atrapalhar meus planos.
Nesse exato momento ouviu a campainha...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Surpresa!


22 hands

Há coisas que ninguem pode explicar. Hoje de manhã abri a porta de casa e adivinha o que encontrei? Uma pequena chave dourada, uma pequena garrafa com uma etiqueta em que estava escrito "BEBA-ME" e um pequeno bolo em que estava escrito "COMA-ME". E um milhão de pessoas me passaram pela cabeça. Mas a caligrafia e o perfume que vinham da etiqueta eram inconfundíveis. Eu estava solitário, não tinha com quem conversar. Andava meio cançado e não estava pensando direito.
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Enfiei tudo na boca, a garrafinha, o bolinho e a chave, mastiguei bem e engoli. So não havia comido as etiquetas. Cheirei de novo aquele perfume e comi tambem as etiquetas. Alguns segundos depois minha perna crescia, meu braço diminuia assim como minha cabeça e meus pés num ritmo de vai e vem incontrolável. Até um milhão de pessoas em que pensava sairam correndo apavoradas. Olhei em volta e vi que eu não era mais o mesmo, as coisas haviam mudado muito desde a chegada daquilo que eu achava que seria a melhor coisa da minha vida......... Eu Gregor Samsa havia sofrido uma metamorfose!
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A rua estava deserta, ninguem havia me visto. Estava disforme e as coisas continuavam no fluxo de cresce e diminui. Corri para dentro de casa e fui me olhar no espelho.
O horror! Tinha 5 olhos, tres orelhas, a cabeça tinha um monte de pelotas azuladas, o cabelo ficara espetado e continha diversas cores. Abri a boca e começou a sair musica, nao conseguia mais falar. O que era que tinha naquele bolo? Ficava com 3 metros de altura depois diminuia pra 60 centimetros, as vezes perdia o equilibrio e quase caia. Foi quando a campainha tocou. Abri e aquilo me disse:
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– Vim, vi e venci, rasgo do infinito além fogo dos deuses no brilho estelar. Boquiaberto observei o tipo a minha frente, vestido de Julio Cesar com um capacete de astronauta que impedia ver seu rosto.
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– Vc é um alienigena ? perguntei.
– Sim terraqueo!.... ahn, todos os terraqueos parecem com vc? perguntou o ser e eu mais que depressa respondi:
– Sim, somos todos bem parecidos. (bem que vovô dizia: quem tem pressa come cru). O que o alienígena estaria pensando de mim, com meus 60/250cms, totalmente desequilibrado, que somos todos uns nanicos gigantescos, bebados talvez?
– Vcs são muito feios terraqueos, disse o alienigena me medindo de cima abaixo, parece até que comeram o bolo de Horus e beberam do suco de Urano! So seriam mais feios s tivessem comido tambem a chave da caixa de Pandora...
– Como ela se parecia? perguntei eu.
– Pequena, dourada, tipica chave da caixa de Pandora...vc não... oh meus deuses, vc comeu a chave de Pandora! Mas que coisa terrível!
– mas estava escrito coma-me...
– mas não na chave, la não estava escrito nada seu terráqueo glutão! Agora só há um remédio. Precisamos encontrar a caixa de pandora na esperança de que a chave seja atraída pelo orifício em que se encaixa à perfeição, mas isso implica em correr o grande risco de que completa, ainda mais bela, será aberta, a esperança novamente.

– Nãoooooooooooo...!
Mas pensando bem, pequeno ou grande qual a diferença? O que realmente me importa é que benefício essa chave me trará? Seria aquela chave mesmo a solução? Ou me atrairia mais problemas? Perdido nestas divagações ouvi o ser falar:
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– Queria muito que a lembrança em pacote de festa falasse de amor e esperança. Queria...OH! como queria que fosse festa de brigadeiro e infãncia. Só não queria e não queria mesmo que fosse um brinde comercial,algo impessoal. A fita vermelha era o tom que faltava ao dia, amanheci tão pantufa e água morna. Foi com dedos mansos que comecei a desvendar o pacote. Bem leve. Fui breve! A curiosidade é apressada...e no pacote...uma calcinha de renda bem fininha e perfumada que um dia despi apaixonada.
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E ao dizer isso o alienigena começou a chorar. Logo entendi que tratava-se de um alienigena com o coração partido. Nada podia fazer por ele... ou ela.
– Vc sabe como faço para extrair a chave pelo orificio? perguntei inocente.
– Muito interessante!
– O que é interessante? perguntei.
– O fato de vc ter comido a chave e querer tira-la agora pelo orificio...

– Não acho nada interessante, queria ver se fosse vc a expelir a chave pelo seu orificio.

– Nos de outro planeta temos orificios mais flexiveis e mais objetivos que os humanos. Este aqui por exemplo é o meu orificio de perceber a atmosfera, e este aqui serve para emitir um gas de comunicação (que vcs não entenderiam por lhes faltar emissor e receptor). Mas o que mais lhe falta no momento, é este aqui olha, disse o alienigena mostrando um buraco debaixo do braço - que permite nos livrar-mos de coisas que comemos antes dela cair no sistema digestivo.
– Muito interessante sua fisiologia sr.... er, como é seu nome?
– Rhoda, a seu dispor. E o seu nome?

– Gregor. Me chamo Gregor.
– Bom Gregor, porque vc quer extrair a chave por seu orificio? me parece que a chave em vc pode atrair o orificio a que ela se destina.
– Exatamente como a profecia n. 11 de Fred, o grande
– Sim jovem Gregor, exatamente como vaticinado, a chave o levara a caixa, assim como em meu sonho, tirando sua fita vermelha...

– Sei sei, e achando a calcinha , é eu lembro desta parte...
– Vc não tem idéia do que tem debaixo deste meu capacete.

– Naaa, o orificio debaixo do braço ja fez o serviço, prefiro não saber muito da sua anatomia.
– Olhe Gregor, vou ajuda-lo a encontrar a caixa de Pandora e a conseguir de volta sua forma original.
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Depois de navegar por diversos planetas tão distantes da Terra, eis que os dois chegam a um planeta todo escuro, cheio de monstros muito feios. Aqueles monstros eram assustadores, tinha o corpo todo rosa, cheio de plumas azul claro e todos tinham um rosto assustadoramente alegre.

– Onde estamos? - perguntei.

– Caro Gregor, estamos no Planeta Diaust, segundo meu comando super avançado, a caixa està aqui. - respondeu Rhoda.
– Uau! é daqui que vc vem Rhoda? estes bicharocos porai são muito mais feios que eu!
– estes são os microbios Gregor, não fale com eles, é melhor vc não se associar a seu estilo de vida.
– Vc é mesmo uma alienigena atrevida hein? acha que eu ia ficar mano dos microbios so pq eles sao exquisitos como eu? Ora, por favor!
– Não perca o objetivo Gregor, vc tem que se concentrar na caixa. E não me pergunte onde esta, eu não sou daqui. Vc sente a força da chave na sua barriga?
– Não! na barriga é só um reflexo, sinto mesmo é aqui olha, e me apontou os dedos dos pés. caminhar e sentir é o normal por aqui. porque pra vcs não é assim? Era, mas perdemos a chave e com ela essa sensação tão estranha, sabe a gente sente com outros òrgãos.

– Como assim? - Rhoda se interessou por aquilo.

– Bom... nós, humanos, ouvimos com isso aqui, apontei a orelha, falamos e nos alimentamos com isso aqu, apontei a boca, vemos com isso aqui, apontei os olhos, e sentimos as coisas com isso aqui, mostrei-lhe as mãos.

– Que estranho! disse Rhoda.
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Neste instante a chave começou a sair pelo meu orificio. A boca. Não pude evitar. E ao cair no chão a chave fez com que minhas proporções voltassem ao normal.

– Ah! agora to te entendendo melhor, disse Rhoda, posso ver seus sensores, até que não somos assim tão diferentes... a não ser pela gulodice, eu jamais comeria uma chave.

– Nem eu, respondi, pensei que era de chocolate ou algo assim.

– Bom, agora que vc esta se sentindo melhor podemos retornar a busca pela caixa de Pandora. Na verdade ela se encontra justamente aqui na... - Antes mesmo que Rhoda completasse a frase para dizer onde a caixa de pandora se encontrava, não contive o riso e comecei a gargalhar convulsivamente. Ela havia apontado para a minha barriga.
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Mas se a caixa estava exatamente onde a chave tambem se encontrava, porque eu não a havia sentido antes? Seria algo inexplicave?
Porque nem eu, nem Rhoda sabíamos as respostas. Ela então sugeriu que procurássemos o seu mestre. Talvez ele pudesse responder a estas questões. E podendo esclarecer como a caixa foi parar lá, talvez ele poderia dizer como tirá-la, para que então pudessemos entender este mistério. Afinal de contas não se abre a caixa de Pandora todos os dias (alem do estomago ser um lugar muito peculiar para ela estar).
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Depois de muito caminhar chegamos a uma lagoa de onde saiam vapores psicodelicos com ruidos extraordinarios. Ali, tranquilamente recostado sobre uma pedra estava o maior sapo que ja vi em minha vida. Mas não era um sapo gosmento, ele tinha uma certa majestade tipica dos quelonios em idade madura. Rhoda apontou para ele e disse:
– Eis o mestre, faça sua pergunta, se ele estiver de bom humor, vai responder. Mas cuidado, se ele estiver solitario ou de mau-humor ele te transforma numa sapa e ai as consequencias podem ser graves. Olhei para ele que se desencostou da pedra, me olhou, piscou um olho, depois voltou a se enconstar na pedra.

– Ahn, senhor sapo..? arrisquei
– Professor Sapo, tenha a bondade! me corrigiu o batráquio indicando uma pedra para que me sentasse.
– Desculpe-me. professor Sapo. Vossa Excelência tão elegante e não possui olhos. Por quê?

– De que te servem olhos, se vc não pode ver?
– Desculpe professor, mas esta frase o sr. tirou do filme Matrix
– Não meu jovem, la era a boca do Neo que não podia falar.
– Mas porque o sr. não tem olhos?
– Porque não preciso deles para ver os mosquitos do brejo.

– Mas... os mosquitos tambem amam...

– Azar deles, vão se amar dentro da minha pança... mas vc tem alguma pergunta relevante pra fazer?
– Não diria relevante! foi o que ouvimos pra nosso espanto. Um pequeno sapo com voz fininha, dando risadinhas vinha da lagoa e nas mãos, jogando de lá pra cá, uma caixinha.
Um imenso silencio, tomou conta de todos nós. Duas caixas?
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– Minha pergunta talvez seja irrelevante falou o sapinho, mas como vcs podem ter certeza que esta aqui não é a verdadeira caixa de Pandora?

– Então a caixa não esta em minha barriga? perguntei

– Não, disse o professor sapo, a verdadeira caixa de Pandora é guardada por meu neto ali. Mas ele não tem a chave. Você tem. So vc pode decidir se abre a caixa ou não. Mas esteja avisado que se abrir terá de enfrentar as consequencias de seu ato.
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Peguei a chave e mostrei pro pequeno sapo, ele veio pulando com a caixa na mão, e pulando entregou-a mim.
oh dúvida cruel! Abro ou não abro? Escolher, eis a questão! Não, não farei isso sozinho, de jeito nenhum, pensei com meus botões que pra variar nada responderam.
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E ali, sentados na pedra branca, pela primeira vez, decidimos em grupo que o melhor seria cantar uma canção. O professor começou com um profundo Sol. O sapinho fazia backing vocals. Rhoda começou um solo tipo The great gig in the sky do Pink Floyd enquanto eu fazia o ritmo batendo nas pernas. Foi ficando bonito, bonito, derrepente ouviu-se um clec! A caixa havia se aberto espontaneamente. E da caixa saíram nuvens coloridas... rindo felizes e cantando a nossa canção. Todos ficamos espantados.
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– Não se iludam,
disse o professor sapo, elas são bonitas mas são perversas! - e logo se transformou num esquilo, um esquilo mestre.
– Nosso encanto acabou. Quando se abre a caixa de Pandora, nós voltamos a nossa forma normal, disse ele.

– Mas esta não é minha forma normal! - Exclamei desesperado vendo que havia me transformado tambem num esquilo gordo. O mestre esquilo então me disse:

– Esta é a consequencia para quem abre a Caixa de Pandora! .. mas veja pelo lado bom, pelo menos agora vc tem com quem conversar.
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Ana Guimarães, Katia Mota, Cristina Siqueira, Cássio Amaral, Fred, Célia Garcia Ferper, Feex Constantin, CajadOmatic, Sueli Aduan, Cleyton e Rouxinol de Bernardim

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Surpresa! Texto original

Ha coisas que ninguem pode explicar. Hoje de manha abri a porta de casa e adivinha o que encontrei?

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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Mocréia


4 hands

Ah, hoje eu acordei louca para trabalhar, bem cedinho, pulei da cama e pintei as unhas do pé. Tava com uma fominha danada porisso comi o restinho de repolho com bolinhas de carne que sobraram do jantar. Deu até tempo de ir no banheiro, fazer um bochecho com Cepacol, pendurar minha calcinha lavada no box e botar minha botinha branca. Tomei o busão das 6:30 e cheguei no escritorio 8 hs em ponto, nem acredito! Ainda bem, que deu tempo prum rápido cepacol,não é a toa que dizem que Deus é pai, dei de cara no buzão com o Vanderley, uau!!! Aumentou ainda mais meu desejo de trabalhar, trabalhar, trabalhar...

Walderico meu primo é moto boy e me convidou pro baile funk. Ah, não vejo a hora. O Wanderley vai estar la, quero so ver a cara dele quando eu aparecer. Tenho que dar um jeito nas espinhas, vou encher a cara de Minancora e tomar cha de pepino que nem a do Nenê da peixaria ensinou. Vou arrepiar...aquele jeans justíssimo,com o coletinho xadrez,só vai dar eu, virgem mãe!!! Quase esqueço, ainda tenho que ver com a Walnida se ela faz uma chapinha.

O Wanderley falou que eu era uma uma Mocreia, virgi nem sei que que é isso, parece nome de peixe, falei que Mocreia era a mãe dele! Ele ficou muito nervoso, falou que sua mãe era santa e tava no céu, ah, eu quase chorei, mas la no baile funk as coisas vão mudar. Ainda bem que segurei a onda não chorei, depois de tanto trabalho com a Minancora, e se a mãe dele é santa,como ele disse, tem mais é que entender,mas num quero sabê vou descobri o que é essa tal de mocréia.

Procurei na internete e descobri que mocréia é jaburu. Aí, como eu nao sei o que é isso eu olhei o que era jaburu e apareceu um passaro bonito todo branquinho e com a cabeça preta.
Vou falar pra ele que pode me chamar de mocréia e que a mae dele deve ser uma tambem porque se santo tem asa e jaburu tambem as mocreia deve ter tambem. Ah, a Vanilda falou que vai fazer chapinha nos meus cabelo e que vai ficar igual a da Parisrirto. Vou arrasar no baile Funk, preciso ligar pro Walderico e combinar.

Ai minha santinha, quanta gente! Essa musica vibrando dentro da minha espinha, me chacoalhando. ai, que cheiro de suor, hum, não sei, acho que até que gosto, parece tão animal, tão masculino, ai, onde eu tô com a cabeça, pensando todas estas bobagens, vai ver que foi aquela pinga que o walderico me fez beber ou então aquel cigarro estragado que me fizeram fumar antes de chegar aqui.. Tô mooole, mas tô a fim de agitar. Acho que tô meio doidona, viu? uuuuhhhh, tô com vontade de gritar. Vontade de morder alguma coisa, quero dançar...

Ai olha ali, o Waldoberto, o Sandromiro, o Ze Cabeleira e o Pelopidas, ah aquele filho-da-puta do Pelopidas se eu puder eu encrenco esse cara. Mas este funkão ta muito bom, huuuuuh, ai, que vexame tô parecendo uma macaca de auditorio, ah, va, eu sou mesmo uma macaca, uhhhhhh, epa, aquele negão ali ta me olhando... hum um pedaço de negão ja diria minha prima shirleneide, perai, vou rebolar perto dele.

Xiii, nem me olha, deve ser bicha, bonito desse jeito, pera que eu vou dar o rebolado especial de pará estouro de boiada. Nada, eita, aquela ali não tira o olho de mim, ou é francha ou é policia, bom to fora pro almoço e pro jantar ah, o negão me notou, epa, gostou da sapatão, ah, que saco, olha la, ta rebolando com ele, uhhhhh, to doidona, quero gritar, tum dum dum, ah, esse som é muito maneiro. Será que tem um banheiro poraqui pra eu fazer um xixi? nossa foram mais de tres cerveja. To mijando nas calça. Ah, saco, vou ver la naquele buteco se tem banheiro. Uou, quanta gente, nussa tem fila pro Xixi, ai minha aiaiaiaiai vou acabar fazendo na calça mesmo, depois eu derrubo uma cerveja por cima... Ah, não, isso é muito nojento, vou la na fila.

Ei, este cara me passou a mão na bunda, engraçadinho, a proxima vez eu grito assim, bom, não vou gritar aqui na fila, mas posso ficar dançando, ajuda a a passar a vontade que nem no filme da cinderela, quem dança seus males espanta.. ou era encanta?

Ah, sei la, essa historias europeias de noviorque, maiami, toquio eu não nada disso não. Ih esse moleque cabeludo é fortinho hein? Uschh, quêisso? parece meu chefe ali? Era só o que faltava ver aquele filho-da-puta do Pelopidas, e agora meu chefe, não sei quem é o pior, bom pelo menos o Pelopidas não é desses de dizer que não gosta do que gosta, ele gosta, gosta da balada do funk, do agito, do meu agito, aquela encrenca é coisa do passado vou deixar pra lá... mas meu chefe quê quê faiz aqui, uê vivia dizendo la no serviço, a gente não pode se misturar não, cada macaco no seu galho, depois eu tenho um gosto refinado bláblabla... Filho da puta, bem que dona Wanda Luzia lá da escola, falava umas coisas, eu devia ter prestado mais atenção, mais de uma coisa eu me lembro bem, essa gente é falsa, mas não entendi muito bem, deixa pra lá...que o agito tá bom e eu quero e dançar até...

Eita, que que esse cara quer comigo?

– Fala ai princesa, essa parada aí é massa, ta ligado? Aí, o mano ali não gosta de coisa boa como vc não. Que que tu acha de ir ali no boteco toma umas breja com o galã aqui?

– Que história é essa que o mano não gosta de coisa boa meu! Que que tu sabe de coisa boa cara? Ce só rala meu, uma brejas sempre vai, mas tu que vai pagá cara, que o meu aqui num é pra home não, tá ligado? ...e depois é o seguinte; ir no boteco até vou, se for de carro. E tá tudo limpo lá, que não gosto de zumzumzum com os home, eu sou limpeza vc é que num sabe.

Minha nossa! que que me deu pra eu falar assim com o cara! jaja ele vai achar que eu sou funkeira... bom, agora ja foi, bom parece que ele foi la pro bar, daqui a pouco apareço la. Mas olha o safado do chefe, se engafinhando com aquela zinha, ali. Hum, to meio grogue, acho que vou andando, mas pra onde... o chefe com a zinha,eu funkeira de araque, esse som no meu ouvido, esse zumbido todo, que que isso, um sonho?, um pesadelo? ir pra onde? pra casa?... solidão apavora, cantando eu mando a tristeza embora, onde eu ouvi isso, só pode ser coisa da dona Wanda Luzia aquela louca....

Agora fazer naninha, acordar amanhã bem cedinho, pintar as unhas do pé e ir pro trabalho. Zzzzzzzz.
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terça-feira, 2 de junho de 2009

Mocréia é mãe!


Ah, hoje eu acordei louca para trabalhar, bem cedinho, pulei da cama e pintei as unhas do pé. Tava com uma fominha danada porisso comi o restinho de repolho com bolinhas de carne que sobraram do jantar. Deu até tempo de ir no banheiro, fazer um bochecho com Cepacol, pendurar minha calcinha lavada no box e botar minha botinha branca. Tomei o busão das 6:30 e cheguei no escritorio 8 hs em ponto, nem acredito!

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Salada cinco cores



era uma sexta-feira fria quando desliguei a tevê, fui à quitanda comprar alface e dei de cara com o amor. ele era grande, forte e me deu medo, mas ignorei, enquanto apalpava e escolhia tomates.

o amor me seguiu e, como se não o visse, fingi procurar repolho. roxo e branco, exatamente como na receita anotada no verso de um papel velho de anúncio de pizza. faltava apenas a cenoura para completar os ingredientes e, depois de pegar sem critério as primeiras que vi na bancada, fui ao caixa.

o amor estava no guichê ao lado e assim que saí percebi que ele ainda me seguia.


sábado, 30 de maio de 2009

Dialogo Interior com o Neurônio número 8


10 hands (+ 86 billion Neuronions)

Ah, que bom, aquele zumbido passou. Foi devido a uma cirurgia de extração de cérebro que levou até meu ultimo neurônio. Um dos 8, não sei bem qual que foi. Acho que foi aquele que chamava disciplina.
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Tambem, era um inútil sempre se colocando a frente das necessidades do todo. Arranquei-o com um alicate de pressão. Mordi o rabinho dele, girei e tchok, saiu o neuronião ali, pulsando, falando palavrão, se debatendo, tudo em vão. Grudei ele debaixo da minha escrivaninha como se fosse um chiclete velho, mastigado por um adolescente. De vez em quando ele suspira, eu empurro com o joelho pra espremer ele mais.
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Ontem, ouvi um gemido vindo dali, cheguei mais perto e escutei ele sussurar baixinho:
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— Ei, você. Você precisa me ouvir. Sem disciplina você não vai chegar a lugar nenhum... Muito provavelmente sequer vai sair do lugar. Aliás, presta atenção no seu joelho. Cada vez que você insiste me empurrar, ele treme. Presta atenção! Tá vendo? Ele tá sem disciplina. Não sabe se vai ou se fica. E quem disse que eu me coloco frente às necessidades do todo? Você pode dançar sem disciplina, mas se der com a bunda no chão, não surte, não esboce um "a". Tudo faz parte do seu descompasso, da sua inaptidão de nos controlar, seus próprios e querido neurônios. Porque sobra pra nós, neurônios, o estampido.
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– Sem contar o zumbido no seu ouvido não era meu, disse o 38.953.371 Temos inimigos verdadeiros aqui dentro. A sua orelha não está crescendo à toa. Me escute. Você tem que me escutar. Pode até ser que pareça que eu me coloco diante do todo, mas digamos que eu seja filho da precaução. Se eu não estiver aí, você talvez não tenha a disciplina de se olhar no espelho, e não vai perceber a sua orelha crescer, até que seja tarde demais, e ela rasteje no chão, atrás de você. Já imaginou a vergonha que ela vai sentir das outras orelhas? Inclusive a que não está crescendo?

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Ah, faltou meu sussuro baixinho do 8:

– Ahhgnnrnghogfanahannnnnnnnnão me deixe aqui... tenha a disciplina de me aceitar! ...Ou então mande companhia. Pode ser o neurônio número 3. Ou o 9. Só não me manda o 6, (que aí tua orelha despenca de vez) Poxa! vai me descartar mesmo da sua vida? só porque eu lhe grito pela disciplina? sou o melhor, o número 8! Quem você pensará que é sem mim, hein?

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Ai ai ai, agora comecei a ouvir coisas. Bocejo. Coço a cabeça. Dou uma olhadinha pela janela. Acendo um cigarro, dou uma tragada, me sinto culpado, olho pro teto e dou um grito: – Mas eu não quero ter disciplina! Quero decair, doce decadência depois de tantos anos de dever... Isso é um ultraje! olhei bem no olho do neurônio e ele estava segurando uma bandeirinha escrita:
Protesto!

Tenho uma amiga com seus bilhões de neurônios ativos e uma vez ouvi o 735.254.881 dizer pro 91.448.045,
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– Sabe, queria largar tudo isso, ir morar no campo com a familia e o outro respondeu.
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– Tudo que vc tem que fazer é encontrar um método, aplicar disciplina e acreditar que qualquer sonho certamente se transformará em realidade, é unlock the key of possibilities. Rume para a luz! Então vieram milhares de neurônios do depto de lógica, ética, perserverança, indignação e encheram o 91.448.045 de porrada e ele nunca mais foi visto...
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Minha conclusão é que tenho que preparar uma emboscada para este neurónio e depois cair na vagabundagem... ou sei la, o que me der na telha. Vou raspa-lo aqui debaixo da escrivaninha, péra, rec rec rec, pronto, e bota-lo nesta caixinha. Bem guardadinho nessa caixinha, e depois aproveitar o tempo. Opa, lá vem o 2, eita neuroniozinho pra me fazer sentir culpado, não, não dou ouvidos, já combinei com uns camaradas os neuroamebas, e o plano já está em andamento, falta uma coisinha aqui outra ali, nada que uma boa estratégia não resolva, umas horas de trabalho muito pensar, (ai não, suma daqui neuro disciplinador).

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– PROTESTO! Sem disciplina, a casa no campo vira um matagal. Em tempo: estou em franco contato com o neurônio nº 1, e ele me disse que o seu cérebro está uma zona. E que o nº 91.448.045 está aí, e que continua afirmando o mesmo, mas que ele mesmo percebeu que não sou eu (a disciplina, o 8) o culpado por você não poder cair na vagabundagem. O responsável por isso é o 1.113, que representa a apreciação pelo establishment. Então, por favor, manda o 1.113 pra cá, e me pega de volta?
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A queima roupa, sem me dar chances nem de balançar a cabeça numa negativa o neurônio 1 em conchavo como 9.711....e num contato rápido, veio com essa (e ainda com voz baixinha, um quase sussurro):
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– Cair ou não cair na vagabundagem, è só uma questão desse 1.113? Então, o jeito é levá-lo a nocaute, simples assim (o 1), eu fico me perguntando, enquanto lá no fundo a lua brilha, com disciplina conseguiremos?

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Eu tava pensando se os médicos iam me aceitar la naquele spa bacana com psicologo, analista, sala acolchoada e aquelas camisas bacanas que prendem os braços e fecham atras mas agora, pensando bem, se eu me apresentar com meus amiguinhos o 8, 6, FN, 3, 9,735254881,91448045 (este é terrível), 2, vovô, 1.113, 9.711 e todos os outros 86 bilhões... acredito que não irão aceitar, com esses amigos a tiracolo, e mais todos os outros, impossível. O jeito mesmo é tentar alguma coisa mais leve, talvez a dança? Não, gosto de ficar com os braços presos atrás, também não dá... quem sabe uma consulta ao pajé? Mas onde encontrar um, estão todos muito ocupados filmando suas histórias! ahhhhh. Tarô, I Ching,... não tem jeito, vou ter que querer o que desejo, pra cair na vagabundagem só com muito disciplina, e, claro pagar o preço.
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Um dos neuronios, o mais jovem, olhou em volta e comentou:
– Cai aqui e pensei que fosse engano, depois senti que poderia ter espaço e ai virei platéia desta comédia de mansos disciplinados e loucos desvairados. Confesso que fiquei pensando, pensando... e resolvi optar em fazer meditação dinâmica para não me perturbar.
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Bom posso consultar também um bom pai de santo, talvez ele possa diagnosticar melhor o que fazer com os neurônios disciplinados e os indisciplinados já que a ciência não tem encontrado soluções palpáveis ou então no último caso, o choque elétrico, pra ver o que acontece (aí meu Deus, mas isso dói!) Ou então um bom matemático para explicar a aritmética dos neurônios, de repente, em X + Y encontra-se um resultado ou um número coerente do coeficiente neurótico. Ou tambem posso optar por um filósofo, quem sabe a resposta esteja nas cavernas, sombra e luz, cair ou não cair...
Uma coisa é certa: Não sou louco. Os neurônios é que o são.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Neurônio número 8


Ah, que bom, aquele zumbido passou. Foi devido a uma cirurgia de extração de cérebro que levou até meu ultimo neurônio. Um dos 8, não sei bem qual que foi. Acho que foi aquele que chamava disciplina. Tambem, era um inútil sempre se colocando a frente das necessidades do todo. Arranquei-o com um alicate de pressão. Mordi o rabinho dele, girei e tchok, saiu o neuronião ali, pulsando, falando palavrão, se debatendo, tudo em vão. Grudei ele debaixo da minha escrivaninha como se fosse um chiclete velho, mastigado por um adolescente. De vez em quando ele suspira, eu empurro com o joelho pra espremer ele mais. Ontem, ouvi um gemido vindo dali, cheguei mais perto e escutei ele sussurar baixinho:


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terça-feira, 19 de maio de 2009

Individuos divididos



Toda generalização é perigosa. Choro por não ter sentimentos. Deixo o tempo passar, engomar, dobrar e ir para a gaveta. O saldo é positivo, afinal, fica feio sermos pessimistas.

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Nada entrava o pensamento no mundo dos sonhos. Porisso somos todos únicos, uma multidão de individuos iguais, cada qual com sua individualidade padronizada. Cada qual com seu numero de serie, seu RG, sua ID. Todos os seis bilhões de nós, todos olhando para frente, todos olhados por tras porque o mundo tem a forma geóide. Mas não estamos em fila e vemos através do ar e do som.

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Antropóides urbanos movendo-se aleatoriamente entre as paredes de seus universos pessoais. Seus mundos redondos são infinitos como aquários. A mecânica do todo há de ser descoberta mesmo que seja uma de ordem caótica e imprevisivel.

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terça-feira, 12 de maio de 2009

Sentindo sentidos

8 hands


Estava andando, senti um cheiro. Tinta fresca, as grades da cerca haviam sido pintadas. Continuei mais um pouco e ouvi um som. Um pequeno monomotor voando la no alto. Comentei com meus botões que como sempre nada responderam. Pasei a mão pela sebe, senti o orvalho frio entre meus dedos. Olhei ao redor. Senti o gosto do vazio. Um gosto contrário ao do cheio. Do volumoso. Do extenso. Minha história se encurtava, ou eu era apenas um nervo à flor da pele, reclamando atenção? Nem as cores que o cheiro da tinta enunciavam poderiam me dizer sobre nada nesse momento , eu pressentia. Presentia o momento em que os sentidos anunciavam o vazio dos dias. O vazio na alma. Precisa preencher os espaços. Novas cores, novos cheiros, novos rumos. Como seguir em frente? Agora, nada teria mais importância, a cerca vermelha, a casinha branca ao fundo, eram apenas imagens contrastes para uma realidade que se anunciava . Em poucos minutos ,talvez eu tivesse a resposta.

Perplexo senti meus pés chafurdando lentamente no lodo. Entravam meus movimentos este lodo negro? Se estivesse mesmo entravado poderia submergir nestas ideias arcaicas neste questionar infundado que agora afundavam inescrupulosamente no seio da terra. Havia de deixar com que voassem meus pensamentos para longe dali. Era preciso. Como um pássaro livre em seu vôo matinal, meus pensamentos ziguezagueavam para longe dali... e, retornavam...retornavam... como se uma força me puxasse, me prendesse no centro de tudo, e eu já não era mais senhor de mim, irresistivelmente atraído pelo cheiro agridoce um cheiro a lembrar cores, cores de um outro tempo. Era tão vazio o gosto que sentia, e o monomotor eu pedia pra alcançar e assim voar pelos campos e sentir que voando o vazio espalharia minha alma ao vento...como o pólen...e o cheiro agora era da brisa da aurora...

Qual seria a sensação de voar feito o pássaro e me atirar no campo de trigo? Talvez voar fosse leve como a puma talvez vertiginoso como o abismo, mas como senti-lo? Em meus sonhos voaria e suavemente inundaria meus olhos na paisagem diafana do trigal, me espalharia como se fosse polem no ar, mas em algum lugar de minha alma sentia medo.

Um medo que percorreia todo o meu corpo, subia pelos meus pés, lentamente, gelava as minhas costas para explodir com toda a fúria na boca do estomago, paralizando assim,os menores movimentos do meu corpo: o piscar dos olhos, o quas sorriso, e a impotência pra chorar. Desse medo, dizem, é que nasce o melhor de nós.

Arrisquei um olhar para o céu. Me vi voando. Levantei um pé lentamente depois outro e alcei vôo na imensidão azul!
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Uma pedrinha no Sapato


10 Hands


No meio do caminho tem uma pedra, não, no meu sapato tem uma pedra! alias, meu sapato ta cheio de pedrinhas, não é a toa que doem todos os meus calos em conjunto sinfonico. No meio do meu sapato tem um buraco. Tem pedrinhas entrando pelo buraco. Pinicam, coçam, ardem, machucam. Espalham-se pelos dedos. Como doem essas pedrinhas, tao pequeninhas, mas ufa... também por fui escolher justo esse caminho.
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Pedrinhas que entram no sapato,
saem do sapato,
entram em casa
saindo do computador
e saltam
saltam
saltam aos olhos.
doem, mexem e pinicam
como moscas na sopa,
como verbos de Drummond.

São incontornáveis, essas pedras? De tanto se acostumar, já não doem? Educam (cabralina) a caminhante? "Mineralizam" a alma já de tanto petrificada? Não há por certo, nesta persistência, algo de masoquismo? Não chegou a hora de buscar um caminho menos pedregoso, para percorrer sem pedras e sapatos? outro caminho, outro caminhar,mas não sozinho é preciso apanhar o grito de um galo antes (uma nova manha?) e lance a outro que com muitos outros galos tracem uma nova rota sem pedras.

Caminho... e tem a trajetoria e tem as pedrinhas. Tudo na maior congruencia de eventos obrigatorios. Resta prosseguir ou desistir. Reclamar é quase preciso pois a gente sempre aumenta um ponto. Caminhos sem pedra seria melhor mas em minha debilitada visão de caminhante mal vejo os galos mas ouço-os cantar. Parece que ja amanhece.

Prossigo. Justo, prosseguir não traz arrependimento, é aconselhavel atravessar a grande agua. E por que não atravessar essa grande rua como alguém, que apesar das inevitáveis pedras do caminho, ainda que só na imaginação escuta um galo à cantar, ou fruto da lembrança do poeta, galos- homens-solidários à caminhar...e as pedras? Continuam a machucar? Um poema alivia a travessia, ou tirar os sapatos ou..ou.. ou algum lugar menos pedregoso a vista.
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domingo, 10 de maio de 2009

Isto ou aquilo



Ficava sempre indecisa isto ou aquilo, vermelho ou azul, rosas ou margaridas, porque não uma terceira opção: vermoazul, amarever, marogari...tudo tão simples a ela.
Senhor os meus tecidos já chegaram? Sim esse mesmo, ah. que pretorelo lindo, combina perfeitamente com minhas sandabotas. Florista, por gentileza, uma dúzia de...
Não se tratava apenas da junção dos nomes das coisas, mas das infinitas possibilidades e usos dos objetos do prazer ou do desprazer. Quantas possibilidades existiriam, ou não.

Instrucções Exotériccas


10 Hands

1. Pegue uma pedrinha e atire num lago. Veja os circulos se aproximando de você. Veja como a agua espirra gotinhas gentilmente no seu rosto.

2. Com o rosto levemente molhado, mais relaxado, solto e se ainda for preciso, faça uma força, aproxime-se esboce um sorriso veja sua imagem na água. (Previna-se. Certifique-se que o coração está repleto, cheio, completo).

Há um risco ... o perigo de se apaixonar pela imagem refletida, (ao se apaixonar como fez Narciso pela imagem refletida na água, que pensava ser ele próprio ...ou um outro eu).


– Tarde demais, caríssimos, antes mesmo de limpar meu rosto respingado, apaixonei-me pelo que vi. Esqueci do lago, da pedra, dos círculos. Minha imagem e existência me bastam. O lago é templo onde sou deus de mim!

3. Agora deite-se na relva e olhe para o céu, veja as nuvens passando em diferentes dimensões.


4. Sinta o vento em seus cabelos.


5. Sorria de novo e de novo, e de novo, e de novo, (está só no mais puro encontro, nada a se preocupar, ninguém a vê-lo o sorriso, o vento,a relva lhe pertencem).


6. Ainda na grama, feche os olhos e invada o universo das lembranças efêmeras, torne-se real naqueles momentos passados.
La de longe pode-se ver alguem deitado no imenso gramado. As nuvens dançam velozes e o vento sopra, num rompante de alegria você é todo passado, de olhos fechados se vê apressado subindo a ladeira, sente o aroma do café a tua espera, ato contínuo estende as mãos, mas o que toca é apenas a grama úmida e aperta-a delicadamente.

Obs.:Se as recordações forem por demais de dolorosas, pare, respire fundo, pegue outra pedra e atire novamente na água. Leia seus novos circulos, seus novos rumos. Em cada ondulação estará escrito um capitulo de sua vida, veja como o circulo se estende aumentando rumo as bordas antes de se dissolver suavemente. Como se dissolve o tempo, como se dissolve o rancor e a mágoa, como se dissolve a alegria, como se dissolve o Amor (tudo se dissolve e descobrimos que a vida são ondas, como numa espiral, vão e voltam, mas passam, passam...)


E
nquanto na presença do agora, quero a plenitude desse momento, fecho os olhos, e me entrego de corpo e alma a Morfeu. Cedendo a sonolencia, da melancolia ao reino onirico da noite, o sonhar cheio de sombras e atalhos envolvem a mente amordaçando a consciencia, mera espectadora destas memorias virtuais.

7. Virar de lado no travesseiro sempre que cabeça começar a esquentar.

8. Mantenha os pes aquecidos.


9. Tenha um copo de agua perto da cama (mas não beba ao amanhecer, so durante a noite)
Ao amanhecer jogue fora a agua e pegue outra mais fresca (Dizem que os maus sonhos e energias dos reinos de morfeu são absorvidos pela agua).

10. Lave o rosto antes e escove os dentes depois do café da manhã.

Sueli Aduan, Lucas Guedes, Célia Ferper, Katia Mota, Sergio Cajado.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Instruções


Pegue uma pedrinha e atire num lago. Veja os circulos se aproximando de você. Veja como a agua espirra gotinhas gentilmente no seu rosto.


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domingo, 3 de maio de 2009

Vejo! (Texto escrito a 14 mãos :o)

Este texto foi criado por 7 autores de diferentes
tamanhos, procedencias, incidencias,formatos,
plataformas, larguras, visões e que espontaneamente
postaram seus comentarios dando sequencia a esta
cronica. O texto original esta na postagem abaixo.




Vejo!

A sensação era péssima, eu nunca tinha estado num lugar desses, procurei na minha bolsa e não achei, só pra ajudar, não tinha trazidos os óculos, e do que ia me adiantar, agora, estar com eles. Por acaso, estou cega? Ou será que pretendo, aqui no meio do nada, ler. Era só o que faltava. Diabos, por que é que na pior das situações me vem esses pensamentos: ler ,colocar óculos, comer chocolate, vai ver é assim com todo mundo. Talvez seja, e daí? O que isso ajuda.


Nossa já é noite, agora sim vou precisar dos malditos óculos. Bendita hora em que marquei minha cirurgia corretiva de miopia. depender de um objeto de acrílico com dois pedaços redondos de vidro é o mesmo que ter pernas e não andar. e se eu já tivesse feito antes, mesmo estando nesta terra de ninguém, não sentiria tamanha angústia por não poder ler.

O fato é que sem óculos estou nu e nu, sinto frio. Se ao menos eu tivesse chocolates... quero enxergar e não posso,coloco os óculos e tira-os sem dó...fazer da cegueira um vício para adiar o sofrimento...e acalmar-se ao chocolate numa noite fria. Acalmar-me com chocolate, mas sem meus óculos e sentindo-me nu com frio, será que num ato falho o que explica tudo isso é, justamente, estar adiando um sofrimento, que sofrimento? e esse lugar existe mesmo,ou sonho.

A falta da visão é um pretexto. Um pretexto para não enxergar minha nudez diante do sentimento, diante do que está distante do que quero ver. Olho em cima da mesa e la está o livro do Saramago de novo. Leio mais uma paginas. Aquilo me da uma aflição danada.

Me lembrei! abro a gaveta tiro um galak e croc, dou uma mordida. Aquele nectar dissolve em minha boca. Fecho os olhos. Nao vejo mais. So sinto o prazer inebriante do paladar. Meus neuronios me chamam, mas eu não atendo. Não ver nada, estar aqui novamente, nessa mesa, abrir e fechar essa gaveta quantas vezes quiser e pernitir-me esse pequeno e simples prazer de um chocolate., não preciso dos óculos, talvez não precise de nada.

Eu fico com as corujas, que vêem no escuro toda a arquitetura do mundo, e dos espaços vazios. E quanto a isso fazem pouco alarde - pensou ela:

– Por que não pensei nisso antes, silêncio e observação, acho que aceito minha postura, não mais questionarei meu estado contemplativo, não preciso do óculos. O gosto do chocolate talvez seja diferente deste que sinto agora, mas gosto muito da qualidade da minha percepção gustativa sem a necessidade de nenhum melhorador de gosto. Que venha a noite, que venha a cegueira do livro, branca como um galak.

Chega de pretextos. Vejo agora minha nudez. Mesmo no escuro, mas sei que foi preciso despir-me para enxergar-me, perder-me para achar-me, nu e no escuro enxergando além.

Uma bela mensagem. Mas agora pensando bem, nem é preciso que seja bela, mas que tenha significado para mim, que preencha meus vazios.

Ah!, Achei os óculos!

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Sueli Aduan, Lucas Guedes, Célia Ferper, Katia Mota, Sergio Cajado, Ana Peluso e Sara Miranda

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Vejo! (autores)

A sensação era péssima, eu nunca tinha estado num lugar desses, procurei na minha bolsa e não achei, só pra ajudar, não tinha trazidos os óculos, e do que ia me adiantar, agora, estar com eles.
Por acaso, estou cega? Ou será que pretendo, aqui no meio do nada, ler. Era só o que faltava. Diabos, por que é que na pior das situações me vem esses pensamentos:
ler ,colocar óculos, comer chocolate, vai ver é assim com todo mundo. Talvez seja, e daí? O que isso ajuda.
Nossa já é noite, agora sim vou precisar dos malditos óculos.

domingo, 26 de abril de 2009

Tem uma pedra no meio do caminho


No meio do caminho tem uma pedra, não, no meu sapato tem uma pedra! alias, meu sapato ta cheio de pedrinhas, não é a toa que doem todos os meus calos em conjunto sinfonico. No meio do meu sapato tem um buraco. Tem pedrinhas entrando pelo buraco. Pinicam, coçam, ardem, machucam. Espalham-se pelos dedos.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

E ele se foi....


E ele se foi.
Sem dizer para onde, nem quando voltaria.
E a dúvida? Voltaria? Existiria? Ou seria criação de uma mente inquieta e coração vazio?

terça-feira, 21 de abril de 2009

Eu acho que vi um gatinho...

Mas acho que tava morto de tanto tomar porrada de mim e daquela velhota que me mantem preso aqui ha 60 anos... pobre Frajola, que Zeus o tenha... (se bem que ele ainda tem mais 8 vidas)

domingo, 19 de abril de 2009

Heitor na Vila dos Lobos



Ai de mim, sou rosa. Meu destino é virar salsicha. No fundo queria poder cantar, queria dançar um frevo, entrar pra academia de letras, tocar violoncelo, compor sinfonias... mas não, vou pro espeto. Não sou esperto como o Prático, sou mais como Cícero que nasceu em Roma e teme os lobos.
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sábado, 18 de abril de 2009

Sentindo os sentidos


Estava andando, senti um cheiro. Tinta fresca, as grades da cerca haviam sido pintadas. Continuei mais um pouco e ouvi um som. Um pequeno monomotor voando la no alto. Comentei com meus botões que como sempre nada responderam. Pasei a mão pela sebe, senti o orvalho frio entre meus dedos. Olhei ao redor. Senti o gosto do vazio.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Revista monstrengos em depressão


Blob andava triste, não imaginava que a vida podia ser assim tão insensivel. Ficara com cara de quem comeu e não gostou pois gostou mas não comeu. Escreveu então para a revista monstrengos em depressão e obteve respostas impressionantes.
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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Onde a batata assa


Com quantos paus se faz uma canoa? um, acho. Mas não um pauzinho, um tronco! e é aí que a batata assa. Todo mundo quer ser elegante, mas quem quer fazer dieta?

quinta-feira, 9 de abril de 2009



Neste momento olho à janela, (pela janela) mas ela esta fechada, (linda lua, hoje), é outro universo temporal. Como? então não me encontro aqui a digitar este texto, na realidade não escolhi essa cadeira, não conheço este local, não estou nessa sala. A bem da verdade, eu nasci? mesmo porque meus pais nunca chegaram a se conhecer. E sinto me obrigada a dizer: não posso errar, ergo os olhos da tela, estou ainda aqui, nesta sala, cela, ato falho, cheia de silencio e perfume .
Tenta me convencer

quinta-feira, 26 de março de 2009

Mas que pergunta!


Ai ai ai, esqueci meu guarda chuva... vc viu ele por ai?

domingo, 15 de março de 2009

Corpo-lugar da alegria

recortes-sueli- (um pensar em: Deleuze e Vinícius)

Houve um tempo, há muito, muito tempo atrás em que a alegria era pura mania,
e, as palavras usadas eram efetivamente vividas na loucura do dia-a dia e do encontro, encontro como parte da vida.
Essa mania: bom delírio, delírio do poeta, delírio do contemplador, delírio do pintor que descobre a cor, era só o que existia, feito a uma bailarina que só pode dançar na ausência do pensar, ausência do saber-se finita. Medo da morte, e então perder-se no movimento do corpo lugar da alegria.
“é melhor ser alegre
que ser triste
a alegria e a melhor coisa que existe
é assim como a luz no coração.......mas é preciso um bocado de tristeza”....(V.M.)

pra se fazer alegre

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sobre a Mesa



Aros de oculos, rugas, lenços de papel, terno escuro, cachimbo, cadeira de balanço, jornal. Poeira suavemente flutuante no ar sendo iluminada pela luz do sol, na penumbra. Silencio. Silencio gelado de igreja, silencio com som de madeira, silencio cortado pelo tiquetaquear vagaroso do cuco na sala de jantar. Cilios. Olhos.Sobrancelha. Enfeites de natal. Chocolate no ar. Sino da igreja. Longe. Galo cantando, longe, barulho de agua, longe, fumaça, nuvem, lua, sol.

Nunca poderia pensar. Não nasceu para pensar. Não nasceu. Foi construido.
Movimentava-se. Parava. Nunca morreria mas poderia ainda ser desativado.

Tralhas, porcarias, babiloques, percevejos, clips, filmes velhos, slides, selos, dados, cortador de unha, parafusos, bitucas, cds, comprimidos, pilhas, camisinhas, gameboy, estetoscopio, latinhas, livros, caixinhas, compasso, walkman, colher, mapas, batata frita, canivete, globo, notas fiscais, perfume, lanterna, controle remoto, despertador. A gaveta fecha fora fica um barbante.

Uma aranha andava por sua perna lentamente, olhou de novo e viu uma sombra, olhou mais de perto e viu que sua perna estava suja de carvão, examinou mais ainda e percebeu que aquela coisa escura em sua perna era um hematoma.

Ponta da cama, porta do carro, pia, banco da praça, vassoura, cortador de grama, balança, guidon da bicicleta, cotovelo, arvore caida, frande pedra no parque, cerca do vizinho, lata de lixo, martelo, briga.

As pessoas se parecem as vezes com edificios. Grandes, pequenos, ricos, humildes, solidos, frageis, grandiosos, fora de moda, modernos, desejaveis, insuportaveis, misteriosos, pateticos, imponentes, frios, elegantes, charmosos, desengonçados, magicos, curiosos, malditos, bonitos, feios, altos, baixos, imundos, limpos, isolados, alegres, iluminados.
Existem ainda pessoas confortaveis ou espaçosas, edificios nervosos ou tristes.

A medida queque ia envelhecendo, não deixava de manter aquele ar retrô e aquela aparencia nobre que só o tempo confere. Não poderia no entanto mais estar ali, naquele mesmo lugar, onde tudo era moderno. Sua presença anacrônica incitava inquietação.

Trabalhou 57 anos naquele predio, agora os dois iriam desaparecer. Ali seria construido um shopping center com muitos funcionarios novos e temporarios.

Foram quase 1900 anos depois de Cristo que descobrimos o conforto. A luz eletrica é o maior bem tecnologico da humanidade, a mais importante descoberta depois do fogo. A luz eletrica dá independencia divina e prepara a humanidade para uma incrivel jornada. Os primeiros passos cosmicos sob suas proprias pernas. A humanidade sai do primario e entra para o ginasio.

sábado, 7 de março de 2009

O esquecimento dos homens





Sou laranja como uma mixirica, macio como uma almofada, sou mulher, ex-masculino, encolhido em posição fetal, inerte em meu odor de esquecimento, tenho gosto de vinho bom daqueles que se cheira a rolha. Sou odiado, me atiram depois de usar-me, consumir-me como se fosse um objeto sem valor. E fico ali, esperando ser varrido para o nada.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Sou uma barata

quarta-feira, 4 de março de 2009

Sobre o oceano e outras coisas



Do barco que afundara só restara um escaler, um pequeno bote de madeira com remos e provisões para alguns dias. Nada se via no horizonte exceto a imensidão do oceano.

Os dois ocupantes da pequena embarcação tinham origens diferentes porem dominavam uma lingua em comum o que permitiu que pudessem ponderar sobre a inusitada situação em que se encontravam.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Como Hera viu o tempo passar



Quase noite. Sala espaçosa. Cheiro de jasmins.