segunda-feira, 28 de junho de 2010

O monstro da rua principal


Precisa-se de escritores para metade de meio periodo. Era o que se podia ler naquela plaquinha.

26 comentários:

  1. Cheguei a tremer... esperei muito por isso. Era pouco, mas muito tempo que chegava a ser injusto aquela metade, mas seria minha... como aquele aroma de etéreo que me perseguia naquela rua, ameaçador...

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  2. alias ali nao estava posto a remuneraçao, embora a vontade lateja-se pelos dedos, sem o devido patrocinio o negocio nao poderia ir em frente...

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  3. pois saco vazio não para em pé.

    Fiquei intrigado e resolvi entrar para ver o que aconteceria, afinal quem tem boca vai a Roma. Subi o elevador um tanto quanto antiquado. O acensorista me olhou e franziu a testa, era como...

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  4. um roedor, me olhava com os olhos arregalados e vidrados. nao, espere, nao era assim. era mais como um bibliotecario, tentando decidir se eu era um bom livro pela capa!
    depois de alguns instantes chegou a uma conclusao...

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  5. não, não era. As capas, às vezes, enganam. A única saída foi...

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  6. encher o peito e entrar na sala do editor. E eu la ia ligar praquele coiso com ar de indignação?

    Abri a porta e entendi a confusão. La estava o editor, uma copia fisica do meu ser. Cabeludo, de cavanhaque, meia idade com um cigarro na boca. Sorri, Ele sorriu. Foi amizade a primeira vista. Apresentei-me. Ele me indicou uma cadeira e perguntou-me o que me trazia ali.

    Respondi que

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  7. Ora, pois, pois, marcarmos um encontro, não?

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  8. descobri em uma certa ocasiao nao muito distante, uma plaquinha me chamou a atençao, uma plaquinha que possuia um endereço. e aqui estou! reafirmei.
    ele tragou o cigarro, bateu as cinzas deste no cinzeiro de marmore manchado que estava a sua frente em cima da mesa e sorriu para mim.
    aceita um cigarro? perguntou...

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  9. Você sabe que não... mas estranhamente por trás daquele homem, aquele sorriso... me senti confortável e com imensa vontade de dizer a ele a minha descoberta. Não. Ele nunca acreditou, não seria agora, parecia estar feliz com minha presença. Mas aquele grande arquivo que parecia empurrar suas costas,

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  10. já suportava peso demais,contar-lhe agora só iria estragar tudo. Meus planos eram outros ,afinal esperei muito tempo para...

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  11. entrar nesta sala, neste prédio, nesta rua... mas ele deveria saber mais sobre aquele misterioso acontecimento, naquela época..., naquela rua, mas ele continuava com aquele lindo sorriso !

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  12. E se tem uma coisa que detesto e acabar com a alegria dos outros.E eu não tinha dúvidas, não. Era só puxar pela sua memória que nuna fração de segundos eu teria na minha frente o mais triste dos homens. Era isso mesmo que eu queria a essa altura da vida, e, pra que saber do acontecido? Como se pudesse ler meus pensamentos ele me disse de um só fôlego...

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  13. Fique tranquilo, nunca houve explicação para aquele acontecimento... - e novamente aquele sorriso que agora me parecia totalmente cinza, sem vida.

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  14. - Seu livro é uma merda mas vou publica-lo assim mesmo. Tenho faro pra coisas de sucesso, mesmo quando não prestam nem pra enrolar o peixe na feira. Sorri e disse
    - Seu gordo pilantra, vc sabe bem que é uma obra de arte, ce quer é me pagar pouco.
    - Não, disse ele, eu não quero te pagar é coisa nenhuma.
    Como todo safado continuou com seu sorriso impecável, igual ao do lobo quando convida o carneiro pro almoço. Não pude me conter.
    - Olha, desta vez vc não me pega, te vendi os direitos autorais do meu ultimo livro que vc disse que não servia nem pra forrar o chão da gaiola do papagaio por uma bagatela e ja está na terceira edição.
    - Senta aí que eu vou te explicar os números.
    - Nada disso, ce ta sendo bem mané comigo e desta vez vou lhe dar as costas e vou atras de outro editor.
    - Se vc quiser lhe indico um...
    - No thanks, prefiro vender pipoca na porta do cinema
    - Tambem posso lhe indicar um bom cinema...
    - Passar bem gorducho, tomara que sua auto indulgencia triplique o seu diametro.
    - Estou trabalhando nisso tambem, não quero que pensem que sou subnutrido.
    - Olhe, façamos assim, vc me manda um email com um valor digno ou nunca mais ponho os pés nesta editora.
    - Peraí que ja vou passar o mail ja, assim quando vc chegar em casa ja pode ler o que vou escrever agora.
    - Fui. E fui mesmo, batendo a porta para susto geral do rato datilografo do lado de fora da sala.

    La estava eu em plena rua principal com os manuscritos de uma legitima obra de arte debaixo do braço e sem a menor perspectiva sobre que atitude tomar. Entrei num café.

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  15. Não pasou cinco minutos e minha copia tamanho gigante entrou arfando e sentou-se do meu lado.
    - Vc não pode fazer isso comigo, o livro ja ta no prelo.
    - Olha, esperei o mes inteiro que vc me ligasse e hoje quando entrei no seu predio havia uma plaquinha procurando escritores, ah, faça-me o favor!
    - O prédio não é meu. So alugo uma sala. Aquela plaquinha é duma editora grande que mudou pra la semana passada, concorrencia no andar de cima, um horror.
    - ...metade de meio periodo, parece mais coisa sua.
    - Na verdade é da minha ex-mulher, o pai dela resolveu acabar comigo e abriu uma editora no mesmo predio com computadores novinhos, secretarias gostosas, cafezinho nas mesas, um horror.
    - Um horror é vc! para de repetir isso! Quem sabe a concorrencia faz vc cair na real e se tornar um bom editor.
    - Eu sou um bom editor, vou correndo atras dos meus autores até nos butecos mais caídos, vc ja viu algum editor fazer isso?
    - Não.
    -Então, te faço uma proposta:

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  16. na primeira ediçao do livro eu fico com 75 por cento dos lucros gerados pelas vendas, mais se ele tiver uma segunda ediçao o papel se inverte e dai voce pode dicar com 75 por cento dos lucros das vendas.
    o que voce acha, o que me diz??
    assim voce pode provar que realmente é um escritor comerciavel, mesmo sendo muito ruim como ja te falei antes...

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  17. Cocei a pestana. Podia ser um bom negocio, ele não iria arriscar uma primeira edição com muitos exemplares por medo do encalhe e se ele estivesse com a razão seria a chance de sabermos. Dar-lhe-ia o beneficio da duvida. Na verdade ele estava sendo mesmo generoso. Embora eu não fosse muito simpatico ao fato de meu trabalho estar virando uma loteria, tinha que dar o braço a torcer de que ele estava apostando em mim.

    Fechamos negócio e fui para casa ver se ainda havia um pouco do vinho delicioso que tomara a noite passada. Como não fui o ultimo a sair, não podia sabe-lo, mesmo estando em minha propria casa. A boemia tem seu preço, mesmo a doméstica.

    Ao entrar lembrei derrepente como a noitada havia sido boa. Almofadas jogadas peloa cantos, garrafas por todo o lado, cinzeiros transbordantes, pratinhos com snacks, palitinhos, caroços de azeitona, um mimo. A sala cheirava como um deposito de cerveja apos a guerra. Lentamente e sem nenhuma vontade fui catando aquela porcariada e pondo num enorme saco preto cujo destino era incerto. Em pouco tempo a sala estava do mesmo jeito que quando cheguei. So que sem os restos mortais da balada. Me dei por satisfeito e despenquei sobre o amontoado de almofadas mais proximo. Meu livro mais recente seria publicado.

    Em meia hora estava

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  18. exatamente no mesmo lugar. Não ousava mexer um musculo. La estava eu, no topo do caos de meu apartamento sem me mover e em estado de nirvana, olhar vazio no infinito mas feliz como um marisco.

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  19. mentalmente paguei todas as contas atrasadas e mandei um bolo de nozes para a síndica do predio. Me imaginei tomando um taxi e o que é melhor, podendo pagar a corrida. Duas horas depois estava

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  20. questionando se fiz a escolha certa. Maldita consciência,sempre a interromper pequenos movimentos:-um bolo, táxi...
    Não, não seria desse jeito.Eu queria mais dessa edição...

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  21. e sem perceber cai no sono. fato que só descobri quando acordei no meio da noite.
    que horas sao?

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  22. imaginei então fazer tanto sucesso quanto o Paulo Coelho e ganhar toda a grana que ele ganhou, comprar uma casona nos alpes e ficar la escrevendo vendo meu editor so no skype, uma vez por mes, mas ai vem alguma coisa la de dentro de minha alma realista que me observa, ah, mas vc não nasceu com o rabo virado pra lua,e ha mais ostras que perolas. Não é pessimismo , é fazer hoje o que será passado amanhã.

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  23. imaginei então fazer tanto sucesso quanto o Paulo Coelho e ganhar toda a grana que ele ganhou, comprar uma casona nos alpes e ficar la escrevendo vendo meu editor so no skype, uma vez por mes, mas ai vem alguma coisa la de dentro de minha alma realista que me observa, ah, mas vc não nasceu com o rabo virado pra lua,e ha mais ostras que perolas. Não é pessimismo , é fazer hoje o que será passado amanhã.

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  24. Esse surdo durou pouco, ainda bem, pensei com meus botões mesmo porque sou esse cara realista, de bem com a vida e prefiro as perolas. Que casona que nada,sô!O que quero não tem preço.
    Um livro deve ser para a eternidade.

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  25. I like use viagra, but this no good in my life, so viagra no good.

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