segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Tim tim


Fitou-me por algum tempo em silêncio, antes que voltasse a falar. Derrepente, por mais absurdo que me parecesse, começou a gargalhar. Ria alto chamando a atenção de todos ao nosso redor. Eu por minha vez não resisti e esbocei um leve sorriso, com os olhos ávidos cravados nele conjeturava a possibilidade de uma simples faquinha em minha bolsa. Seria o suficiente para arrancar as risadas encarnadas na língua, picotar e destrubir esse ranço alegre. Ah, como eu destesto esses rompantes endemoniados do Assis. Se pelo menos dançasse bem um tango, mas não, so me fitava com aqueles olhos semicerrados de quem ja tomou meio litro de Jack Daniels, pensando bem, se eu tivesse a coragem. Iria assassina-lo.
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Bom, pelo menos me satisfaria. Porque o motivo do riso estava lá, no fundo do salão, exibindo um belo sorriso na face de boneca.
Sinuosa a boca que esboçava o sorriso, sinuosa a sombra projetada não somente nas paredes, mas nas minhas mãos que lhe empurrava as ancas aveludadas. Tinha ímpetos de cometer um desatino, tanto whiskey, tantas facas imaginadas correndo diante dos meus olhos. Desejo e morte. Morte e desejo.
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Não, não foi suficiente apenas olhar, devorar com palavras seus atos escusos. Nem imaginar um espancamento de pobres como imaginou Baudelaire.
Endemoniada seria nossa vida, nossa dança repleta de risos escorregadios pelo salão envernizado onde escorria o verniz dos nossos rostos.
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Pensei que tudo isso fosse o bastante. Mas ainda assim, não foi o suficiente porque havia em mim uma ânsia em compreender a verdade, aquela que meu avô falava ser verdadeiramente o que é; um copo como um copo; uma mesa como uma mesa. Essa me escapou como escapou sua gargalhada, seu desejo, seu olhar. Restava essa garrafa vazia sobre a mesa. Imensa embriaguez.
Discreta, abri a bolsa, peguei cuidadosamente a pequena faca e aliviada lancei-a longe. Um leve sorriso surgiu e aos poucos comecei a gargalhar também.
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A graça agora estava em mim, tola, preenchendo minha mente de idiotices sem fim, perdendo meu tão valioso tempo. Estava em um jantar maravilhoso, acompanhada do homem que tanto amava. Sem mais pensar me aproximei de Assis e fiz menção de beijá-lo. Mas deveria ter pensando um bocadinho mais. Ele percebendo minha tática, delicadamente afastou seu rosto da possibilidade desse encontro. E com seu sorriso singular me disse:


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- Não estava pensando em me matar estava?

- Claro que não, menti. Curiosa, ainda pensei, este homem lê pensamentos. Não era de se esperar que ele achasse que eu queria matá-lo, ainda mais depois do que ele me fez. Uma traição imperdoável. Traiu a mim, meus sentimentos mais profundos. Eu o amava e a dor foi muita. Vim a este bar determinada a dizer as últimas verdades. Em mim havia um desejo de fim, um desejo tão triste e angustiado. Mas aquele sorriso me encantou novamente, e ainda que me sentisse traída, caia nos braços de meu homem. Ah o amor, que coisa terrível. Peguei o copo de Jack Daniels e disse a mim mesma. De hoje em diante, não viverei uma existência social, mais serei uma meretriz desalmada.


Sueli Aduan, Anonimo, Sergio Cajado, Katia Mota, Alisson da Hora, Tina e Léo Metallica
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6 comentários:

  1. Belos: Titulo/Imagem/Edição.

    O texto ficou muito leve/gostoso/poético (com humor)

    parabéns a todos nós.

    abraços

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  2. Mas...fiquei na duvida la no fim se punha mas ou se deixava mais mas mais pareceu mesmo mais adequado que mas. Demais hein? :o)

    abraço grupal com tapinhas nas costas um do outro!

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  3. ual!parece papo de louco(rs)

    não importa certo/errado,(quantidade /oposição)
    nesse caso fica valendo a intenção.

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  4. Ahhhhhhhh, a construção ficou mágica.

    Estou muito feliz de nas duas histórias que participei, o final que eu dei, serviu de muita valia. rsrs...

    Obrigado mesmo. São blogues assim que me inspiram.

    Direto do Rio.
    Beijos para quem é de beijos
    e
    Abraços para quem é de abraços.

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  5. A propósito. Gostei da foto. O Anjo Negro. rsrs...

    Todo aspecto de CAFA...

    KKKKKKKKKKKKK

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