quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Uma garrafa de Coca-cola

Tinha ainda alguns minutos até ter de sair definitivamente para o trabalho.
Respirou fundo, sentada à cabeceira da mesa, sozinha, o prato meio vazio, o copo meio vazio e a sua frente do outro lado da mesa a Garrafa de Coca-Cola.

"Que ironia!" - todos em casa e o que lhe fazia companhia à mesa era uma Garrafa de Coca-Cola e os restos de um almoço.

12 comentários:

  1. bom é a vida...
    alias cada qual com os seus proprios problemas pessoais.
    sentindo-se culpada por nao ter terminado sua refeiçao, empenhou-se nos minutos seguintes em comer e beber tudo o que sobrava a sua frente. o pastor da igreja sempre diz: -ha tanta gente no mundo que morre de fome. por isso desperdiçar alimento é uma tremenda falta de respeito, entao comeu em silencio, e tambem tinha um segundo motivo para se alimentar bem, sim e este era mais pessoal, estava gravida de cinco meses, um belo menino seria projetado ao mundo de dentro de si, e foi esse pensamento que a animou e desfez a solidao um pouco antes sentida...

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  2. Cinco meses e nenhuma palavra.
    Privou-se do alimento por todo aquele tempo, mas o que lhe havia servido isso? Para que ele nao percebesse.

    Mas já estava ali. E uma hora notaria.

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  3. Sentiu uma tremenda vontade de se deitar e dormir depois de ter comido tanto. Podia ligar no trabalho e dizer que não se sentia bem por isso não voltaria mais ao escrítorio naquele dia. Afinal ja tinha resolvido as questões mais urgentes. Queria ficar em casa.

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  4. Seu desejo era adormecer pelo resto do tempo que faltava, antes de parir e começar uma nova vida.
    Seu belo corpo havia se transformado. Perdera a cintura, a barriga, já não lhe cabia dentro das calças.
    Fernando não a desejava, como antes, se quer a tocava e nos últimos dias, pouco ouvira o som de sua voz.
    Ontém, ao abrir o armário do escritório, seus olhos caíram no vazio, ao encontrar...

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  5. Uma carta, era de sua irmã, à anos não falava com ela devido a uma briga que tiveram quando ainda eram adolescentes. Mas, para seu espanto maior, a carta não era para ela, mas, para Fernando.
    Uma grande dúvida tomou conta de seu ser: Deveria ou não abrir a carta?

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  6. nao abriu.
    guardou-a de volta.
    o que quer que estivesse escrito nela, nao era endereçada para ela, e tambem nao queria saber das palavras de sua amarga irma.
    deixou estar, mais hoje...

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  7. ao menos algo para chamar de companhia, não?

    :(:

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  8. num gesto rápido de desespero tornou abriu o armário, pegou a carta novamente, coração acelerado, mãos trêmulas, olhou o envelope, a letra delicada, sentiu um cheiro agridoce... tudo lhe veio a memória: a irmã, Fernando, os restos de vários almoços, a casa... e suas únicas companhias: uma carta e uma garrafa de coca.

    Automaticamente trancou a porta e abriu a janela...

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  9. Abri-la.
    Essa era a decisão mais acertada. A gravidez ainda não podia ser notada e ainda não tinha idéia do que fazer. Não podia correr esse risco agora.

    A caligrafia corrida, indicava pressa ao escrever. A principio amenidades, porém, sabia que algo deveria estar escondido naquelas entrelinhas. Até que sugiu a palavra, o Nome proibido.

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  10. traição.....traição..traição.....

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  11. .
    Podia sentir o coração batendo nas temporas. Respirou fundo e tomou coragem de ler até o final. Aos poucos foi tomada de uma calma incendiária.

    Não pode impedir o sorriso estamapando o rosto. A satisfação.
    Entumeceu a barriga, acariciou-a lentamente.

    Fim

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