domingo, 3 de maio de 2009

Vejo! (Texto escrito a 14 mãos :o)

Este texto foi criado por 7 autores de diferentes
tamanhos, procedencias, incidencias,formatos,
plataformas, larguras, visões e que espontaneamente
postaram seus comentarios dando sequencia a esta
cronica. O texto original esta na postagem abaixo.




Vejo!

A sensação era péssima, eu nunca tinha estado num lugar desses, procurei na minha bolsa e não achei, só pra ajudar, não tinha trazidos os óculos, e do que ia me adiantar, agora, estar com eles. Por acaso, estou cega? Ou será que pretendo, aqui no meio do nada, ler. Era só o que faltava. Diabos, por que é que na pior das situações me vem esses pensamentos: ler ,colocar óculos, comer chocolate, vai ver é assim com todo mundo. Talvez seja, e daí? O que isso ajuda.


Nossa já é noite, agora sim vou precisar dos malditos óculos. Bendita hora em que marquei minha cirurgia corretiva de miopia. depender de um objeto de acrílico com dois pedaços redondos de vidro é o mesmo que ter pernas e não andar. e se eu já tivesse feito antes, mesmo estando nesta terra de ninguém, não sentiria tamanha angústia por não poder ler.

O fato é que sem óculos estou nu e nu, sinto frio. Se ao menos eu tivesse chocolates... quero enxergar e não posso,coloco os óculos e tira-os sem dó...fazer da cegueira um vício para adiar o sofrimento...e acalmar-se ao chocolate numa noite fria. Acalmar-me com chocolate, mas sem meus óculos e sentindo-me nu com frio, será que num ato falho o que explica tudo isso é, justamente, estar adiando um sofrimento, que sofrimento? e esse lugar existe mesmo,ou sonho.

A falta da visão é um pretexto. Um pretexto para não enxergar minha nudez diante do sentimento, diante do que está distante do que quero ver. Olho em cima da mesa e la está o livro do Saramago de novo. Leio mais uma paginas. Aquilo me da uma aflição danada.

Me lembrei! abro a gaveta tiro um galak e croc, dou uma mordida. Aquele nectar dissolve em minha boca. Fecho os olhos. Nao vejo mais. So sinto o prazer inebriante do paladar. Meus neuronios me chamam, mas eu não atendo. Não ver nada, estar aqui novamente, nessa mesa, abrir e fechar essa gaveta quantas vezes quiser e pernitir-me esse pequeno e simples prazer de um chocolate., não preciso dos óculos, talvez não precise de nada.

Eu fico com as corujas, que vêem no escuro toda a arquitetura do mundo, e dos espaços vazios. E quanto a isso fazem pouco alarde - pensou ela:

– Por que não pensei nisso antes, silêncio e observação, acho que aceito minha postura, não mais questionarei meu estado contemplativo, não preciso do óculos. O gosto do chocolate talvez seja diferente deste que sinto agora, mas gosto muito da qualidade da minha percepção gustativa sem a necessidade de nenhum melhorador de gosto. Que venha a noite, que venha a cegueira do livro, branca como um galak.

Chega de pretextos. Vejo agora minha nudez. Mesmo no escuro, mas sei que foi preciso despir-me para enxergar-me, perder-me para achar-me, nu e no escuro enxergando além.

Uma bela mensagem. Mas agora pensando bem, nem é preciso que seja bela, mas que tenha significado para mim, que preencha meus vazios.

Ah!, Achei os óculos!

-
Sueli Aduan, Lucas Guedes, Célia Ferper, Katia Mota, Sergio Cajado, Ana Peluso e Sara Miranda

5 comentários:

  1. Sergio você conseguiu uma coisa muito bacana, juntar os comentários num texto único, com tanta conexão e comunhão.
    Maravilha!!Parabéns!!olha que teve blogueiro de nome tentando fazer isso é não conseguiu.
    Tb artista como você não existe.
    Beijos

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  2. Querida Célia, o merito não é meu, e sim de vcs que tem paciencia com um velho desmiolado como eu que insiste em juntar as pessoas. Meu merito é o de editor ditador que acaba com a brincadeira quando acha que o bolo tem que sair do forno :o)
    beijos

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  3. editor ditador:

    e acerta a mão ,"o bolo sai perfeito" ,gostei muito.

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