sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Olhares


Eu disse com a voz mais suave e delicada que consegui, mas mesmo assim não pude evitar os olhos de espanto dos que estavam a minha volta. Olhares de desconfiança de uns, de zombaria de outros, e de... Ah! Não importa. Eram muitos e muitos os que ali estavam reunidos. E a bem da verdade, eu não estava nem um pouco preocupada em poupá-los de nada, não. A voz suave foi só uma maneira que encontrei por conta da minha própria profissão e de conhecimentos específicos a ela pertencentes. Eu sabia, mais cedo ou mais tarde todos, sem exceção, perceberiam que não estamos...

10 comentários:

  1. falando a mesma língua.
    Após dizer tudo que estava atravessado em minha garganta num bolo enorme se sufocando, enfrentei os olhares que se entrecruzavam.

    Até que o impacto visto por esse ângulo de expectador era engraçado.

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  2. Nao era mais eu ali, parado olhando o ser olhado de toda essa gente, embasbacada em sua babaquice moral, seus credos, mitos, tabus e toda essa porcariada que segura a gente num plano rastejante.

    Olhei novamente para cima e depois disse novamente olhando no fundo de suas almas perdidas:

    - Nao estamos sós.

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  3. Poucas coisas me embrulhavam mais o estomago do que este jeitão arrogante de coletivo prepotente, esse aceitar valores impostos sem questionar méritos, coerencias ou critérios, incorporar sua intolerancia doutrinária, negar o desconhecido com a certeza dos justos e impor a rigidez da ignorancia.

    Mas o fato não poderia mais ser ignorado. Alan a meu lado foi tirando seus oculos lentamente, uma estranha luminosidade que começava a emanar de seu corpo foi calando os comentarios do publico um a um. A medida que iam percebendo o aumento da luz iam tambem abrindo suas bocas quase babando, talvez para absorver com mais sentidos aquele fato incomum.

    Depois de por os oculos no bolso começou a desabotoar sua camisa e em seu peito pode-se ver que Alan não pertencia a este mundo. Em seu torax havia um espaço vazio onde deveriam estar o coração os pulmões e as costelas. Não era um furo, seria mais um buraco perfeitamente redondo, recoberto com bom tecido humano. Neste buraco haviam cordas parecidas com a de um instrumento musical fazendo lembrar a boca da caixa de um violão. As cnco cordas com diferentes colorações faziam parte de sua fisiologia. Quando começou a falar suas cores e sua luminosidade aumentaram. Ninguem ousava falar uma silaba sequer.

    Alan disse então:

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  4. Sei que nesse primeiro momento não podem compreender e o silêncio tomará conta de todos. Nenhuma palavra, nenhum som, gemido, nada. Mas em pouquíssimo tempo, uma alta freqüência de ressonância e pequenas oscilações no corpo físico permitirão somente o uso de palavras que representem uma idéia, que não seja apenas um código aleatório. E,então,não mais na contramão do mundo, como num quadro poético tinta e verbo...

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  5. Todos nos percebiamos que existia um elo entre nos, pois todos tinhamos aquela mesma luminosidade interior, o mesmo bolo entalado na garganta, a mesma afinaçao... Vibraçoes dentro de um mesmo ton, so nao sabiamos ate aquele momento que tinhamos uma historia e um passado em comum...

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  6. Mas esquecida há muitos e muitos anos nossa história em comum foi se perdendo, e junto com ela a percepçao exata de quem realmente somos e do quanto podemos.

    Alan estava ali, justamente, para nos mostrar como...

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  7. nos unir, como dar força ao nosso coletivo adormecido, aquilo que nos transforma em seres humanos, herdeiros da luz.

    E foi ai que sentimos, juntos,...

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  8. que somos apenas um com multiplas personalidades.

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