terça-feira, 16 de junho de 2009

Surpresa!


22 hands

Há coisas que ninguem pode explicar. Hoje de manhã abri a porta de casa e adivinha o que encontrei? Uma pequena chave dourada, uma pequena garrafa com uma etiqueta em que estava escrito "BEBA-ME" e um pequeno bolo em que estava escrito "COMA-ME". E um milhão de pessoas me passaram pela cabeça. Mas a caligrafia e o perfume que vinham da etiqueta eram inconfundíveis. Eu estava solitário, não tinha com quem conversar. Andava meio cançado e não estava pensando direito.
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Enfiei tudo na boca, a garrafinha, o bolinho e a chave, mastiguei bem e engoli. So não havia comido as etiquetas. Cheirei de novo aquele perfume e comi tambem as etiquetas. Alguns segundos depois minha perna crescia, meu braço diminuia assim como minha cabeça e meus pés num ritmo de vai e vem incontrolável. Até um milhão de pessoas em que pensava sairam correndo apavoradas. Olhei em volta e vi que eu não era mais o mesmo, as coisas haviam mudado muito desde a chegada daquilo que eu achava que seria a melhor coisa da minha vida......... Eu Gregor Samsa havia sofrido uma metamorfose!
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A rua estava deserta, ninguem havia me visto. Estava disforme e as coisas continuavam no fluxo de cresce e diminui. Corri para dentro de casa e fui me olhar no espelho.
O horror! Tinha 5 olhos, tres orelhas, a cabeça tinha um monte de pelotas azuladas, o cabelo ficara espetado e continha diversas cores. Abri a boca e começou a sair musica, nao conseguia mais falar. O que era que tinha naquele bolo? Ficava com 3 metros de altura depois diminuia pra 60 centimetros, as vezes perdia o equilibrio e quase caia. Foi quando a campainha tocou. Abri e aquilo me disse:
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– Vim, vi e venci, rasgo do infinito além fogo dos deuses no brilho estelar. Boquiaberto observei o tipo a minha frente, vestido de Julio Cesar com um capacete de astronauta que impedia ver seu rosto.
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– Vc é um alienigena ? perguntei.
– Sim terraqueo!.... ahn, todos os terraqueos parecem com vc? perguntou o ser e eu mais que depressa respondi:
– Sim, somos todos bem parecidos. (bem que vovô dizia: quem tem pressa come cru). O que o alienígena estaria pensando de mim, com meus 60/250cms, totalmente desequilibrado, que somos todos uns nanicos gigantescos, bebados talvez?
– Vcs são muito feios terraqueos, disse o alienigena me medindo de cima abaixo, parece até que comeram o bolo de Horus e beberam do suco de Urano! So seriam mais feios s tivessem comido tambem a chave da caixa de Pandora...
– Como ela se parecia? perguntei eu.
– Pequena, dourada, tipica chave da caixa de Pandora...vc não... oh meus deuses, vc comeu a chave de Pandora! Mas que coisa terrível!
– mas estava escrito coma-me...
– mas não na chave, la não estava escrito nada seu terráqueo glutão! Agora só há um remédio. Precisamos encontrar a caixa de pandora na esperança de que a chave seja atraída pelo orifício em que se encaixa à perfeição, mas isso implica em correr o grande risco de que completa, ainda mais bela, será aberta, a esperança novamente.

– Nãoooooooooooo...!
Mas pensando bem, pequeno ou grande qual a diferença? O que realmente me importa é que benefício essa chave me trará? Seria aquela chave mesmo a solução? Ou me atrairia mais problemas? Perdido nestas divagações ouvi o ser falar:
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– Queria muito que a lembrança em pacote de festa falasse de amor e esperança. Queria...OH! como queria que fosse festa de brigadeiro e infãncia. Só não queria e não queria mesmo que fosse um brinde comercial,algo impessoal. A fita vermelha era o tom que faltava ao dia, amanheci tão pantufa e água morna. Foi com dedos mansos que comecei a desvendar o pacote. Bem leve. Fui breve! A curiosidade é apressada...e no pacote...uma calcinha de renda bem fininha e perfumada que um dia despi apaixonada.
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E ao dizer isso o alienigena começou a chorar. Logo entendi que tratava-se de um alienigena com o coração partido. Nada podia fazer por ele... ou ela.
– Vc sabe como faço para extrair a chave pelo orificio? perguntei inocente.
– Muito interessante!
– O que é interessante? perguntei.
– O fato de vc ter comido a chave e querer tira-la agora pelo orificio...

– Não acho nada interessante, queria ver se fosse vc a expelir a chave pelo seu orificio.

– Nos de outro planeta temos orificios mais flexiveis e mais objetivos que os humanos. Este aqui por exemplo é o meu orificio de perceber a atmosfera, e este aqui serve para emitir um gas de comunicação (que vcs não entenderiam por lhes faltar emissor e receptor). Mas o que mais lhe falta no momento, é este aqui olha, disse o alienigena mostrando um buraco debaixo do braço - que permite nos livrar-mos de coisas que comemos antes dela cair no sistema digestivo.
– Muito interessante sua fisiologia sr.... er, como é seu nome?
– Rhoda, a seu dispor. E o seu nome?

– Gregor. Me chamo Gregor.
– Bom Gregor, porque vc quer extrair a chave por seu orificio? me parece que a chave em vc pode atrair o orificio a que ela se destina.
– Exatamente como a profecia n. 11 de Fred, o grande
– Sim jovem Gregor, exatamente como vaticinado, a chave o levara a caixa, assim como em meu sonho, tirando sua fita vermelha...

– Sei sei, e achando a calcinha , é eu lembro desta parte...
– Vc não tem idéia do que tem debaixo deste meu capacete.

– Naaa, o orificio debaixo do braço ja fez o serviço, prefiro não saber muito da sua anatomia.
– Olhe Gregor, vou ajuda-lo a encontrar a caixa de Pandora e a conseguir de volta sua forma original.
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Depois de navegar por diversos planetas tão distantes da Terra, eis que os dois chegam a um planeta todo escuro, cheio de monstros muito feios. Aqueles monstros eram assustadores, tinha o corpo todo rosa, cheio de plumas azul claro e todos tinham um rosto assustadoramente alegre.

– Onde estamos? - perguntei.

– Caro Gregor, estamos no Planeta Diaust, segundo meu comando super avançado, a caixa està aqui. - respondeu Rhoda.
– Uau! é daqui que vc vem Rhoda? estes bicharocos porai são muito mais feios que eu!
– estes são os microbios Gregor, não fale com eles, é melhor vc não se associar a seu estilo de vida.
– Vc é mesmo uma alienigena atrevida hein? acha que eu ia ficar mano dos microbios so pq eles sao exquisitos como eu? Ora, por favor!
– Não perca o objetivo Gregor, vc tem que se concentrar na caixa. E não me pergunte onde esta, eu não sou daqui. Vc sente a força da chave na sua barriga?
– Não! na barriga é só um reflexo, sinto mesmo é aqui olha, e me apontou os dedos dos pés. caminhar e sentir é o normal por aqui. porque pra vcs não é assim? Era, mas perdemos a chave e com ela essa sensação tão estranha, sabe a gente sente com outros òrgãos.

– Como assim? - Rhoda se interessou por aquilo.

– Bom... nós, humanos, ouvimos com isso aqui, apontei a orelha, falamos e nos alimentamos com isso aqu, apontei a boca, vemos com isso aqui, apontei os olhos, e sentimos as coisas com isso aqui, mostrei-lhe as mãos.

– Que estranho! disse Rhoda.
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Neste instante a chave começou a sair pelo meu orificio. A boca. Não pude evitar. E ao cair no chão a chave fez com que minhas proporções voltassem ao normal.

– Ah! agora to te entendendo melhor, disse Rhoda, posso ver seus sensores, até que não somos assim tão diferentes... a não ser pela gulodice, eu jamais comeria uma chave.

– Nem eu, respondi, pensei que era de chocolate ou algo assim.

– Bom, agora que vc esta se sentindo melhor podemos retornar a busca pela caixa de Pandora. Na verdade ela se encontra justamente aqui na... - Antes mesmo que Rhoda completasse a frase para dizer onde a caixa de pandora se encontrava, não contive o riso e comecei a gargalhar convulsivamente. Ela havia apontado para a minha barriga.
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Mas se a caixa estava exatamente onde a chave tambem se encontrava, porque eu não a havia sentido antes? Seria algo inexplicave?
Porque nem eu, nem Rhoda sabíamos as respostas. Ela então sugeriu que procurássemos o seu mestre. Talvez ele pudesse responder a estas questões. E podendo esclarecer como a caixa foi parar lá, talvez ele poderia dizer como tirá-la, para que então pudessemos entender este mistério. Afinal de contas não se abre a caixa de Pandora todos os dias (alem do estomago ser um lugar muito peculiar para ela estar).
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Depois de muito caminhar chegamos a uma lagoa de onde saiam vapores psicodelicos com ruidos extraordinarios. Ali, tranquilamente recostado sobre uma pedra estava o maior sapo que ja vi em minha vida. Mas não era um sapo gosmento, ele tinha uma certa majestade tipica dos quelonios em idade madura. Rhoda apontou para ele e disse:
– Eis o mestre, faça sua pergunta, se ele estiver de bom humor, vai responder. Mas cuidado, se ele estiver solitario ou de mau-humor ele te transforma numa sapa e ai as consequencias podem ser graves. Olhei para ele que se desencostou da pedra, me olhou, piscou um olho, depois voltou a se enconstar na pedra.

– Ahn, senhor sapo..? arrisquei
– Professor Sapo, tenha a bondade! me corrigiu o batráquio indicando uma pedra para que me sentasse.
– Desculpe-me. professor Sapo. Vossa Excelência tão elegante e não possui olhos. Por quê?

– De que te servem olhos, se vc não pode ver?
– Desculpe professor, mas esta frase o sr. tirou do filme Matrix
– Não meu jovem, la era a boca do Neo que não podia falar.
– Mas porque o sr. não tem olhos?
– Porque não preciso deles para ver os mosquitos do brejo.

– Mas... os mosquitos tambem amam...

– Azar deles, vão se amar dentro da minha pança... mas vc tem alguma pergunta relevante pra fazer?
– Não diria relevante! foi o que ouvimos pra nosso espanto. Um pequeno sapo com voz fininha, dando risadinhas vinha da lagoa e nas mãos, jogando de lá pra cá, uma caixinha.
Um imenso silencio, tomou conta de todos nós. Duas caixas?
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– Minha pergunta talvez seja irrelevante falou o sapinho, mas como vcs podem ter certeza que esta aqui não é a verdadeira caixa de Pandora?

– Então a caixa não esta em minha barriga? perguntei

– Não, disse o professor sapo, a verdadeira caixa de Pandora é guardada por meu neto ali. Mas ele não tem a chave. Você tem. So vc pode decidir se abre a caixa ou não. Mas esteja avisado que se abrir terá de enfrentar as consequencias de seu ato.
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Peguei a chave e mostrei pro pequeno sapo, ele veio pulando com a caixa na mão, e pulando entregou-a mim.
oh dúvida cruel! Abro ou não abro? Escolher, eis a questão! Não, não farei isso sozinho, de jeito nenhum, pensei com meus botões que pra variar nada responderam.
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E ali, sentados na pedra branca, pela primeira vez, decidimos em grupo que o melhor seria cantar uma canção. O professor começou com um profundo Sol. O sapinho fazia backing vocals. Rhoda começou um solo tipo The great gig in the sky do Pink Floyd enquanto eu fazia o ritmo batendo nas pernas. Foi ficando bonito, bonito, derrepente ouviu-se um clec! A caixa havia se aberto espontaneamente. E da caixa saíram nuvens coloridas... rindo felizes e cantando a nossa canção. Todos ficamos espantados.
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– Não se iludam,
disse o professor sapo, elas são bonitas mas são perversas! - e logo se transformou num esquilo, um esquilo mestre.
– Nosso encanto acabou. Quando se abre a caixa de Pandora, nós voltamos a nossa forma normal, disse ele.

– Mas esta não é minha forma normal! - Exclamei desesperado vendo que havia me transformado tambem num esquilo gordo. O mestre esquilo então me disse:

– Esta é a consequencia para quem abre a Caixa de Pandora! .. mas veja pelo lado bom, pelo menos agora vc tem com quem conversar.
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Ana Guimarães, Katia Mota, Cristina Siqueira, Cássio Amaral, Fred, Célia Garcia Ferper, Feex Constantin, CajadOmatic, Sueli Aduan, Cleyton e Rouxinol de Bernardim

3 comentários:

  1. pô ja que ninguem comenta esta obra non-sense, cabalistica, criativa, engraçada, apologistica, surrealista, lewiscarolista, surpreendente... então eu tambem não comento. Mas agradeço aos autores por trazerem à luz da civilização moderna mais um absurdo literario do Tempus-Fugit!
    :o)

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  2. Essa minha mania antiquada, socialista de ser, chega até aqui e, nessa lengalenga escrevo / não escrevo, vamos dividir o pão (ah! o vinho também), dar espaço há outros(as) muitos outros,(as), mas alguém já disse “quem sabe faz a hora não espera acontecer” (ichi agora é túnel do tempo. , e quem diz que eu sei, (sei que nada sei), quanta bobagem só pra dizer que ótimo(uiuiu)comentar esse texto deliciosooooooooo,,sensibilidade de tantas mentes pensantes, eu é que agradeço estar aqui/ aí/ lá.....e ....
    Parabéns a todos. Ficou lindo editor.
    Comenta Pô.

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