quarta-feira, 17 de junho de 2009

Olhou por olhar


Dormiu mal a noite toda. Levantou-se rápido, tinha pressa, queria ser o primeiro a chegar à empresa.
Olhou sua imagem no espelho automaticamente. Olhou por olhar, sem se ver, como quem olha para o nada. Tal qual um gato que passa entre os móveis, só por passar.
Como de costume, abriu o armarinho e pegou o creme de barbear, numa fração de segundos já estava com o rosto pronto, todo cheio, de espuma.Maravilha gritou feliz, serei o primeiro a chegar e ninguém para atrapalhar meus planos.
Nesse exato momento ouviu a campainha...

27 comentários:

  1. fingiu não ouvir e continuou a olhar-se, contemplando uma imagem que há tempos não via. era um homem bonito, mas sem auto-estima. fazia a barba todos os dias só porque alguém, uma vez, disse que era feio com o rosto com pêlos.

    a campainha insistia em gritar, atrapalhando sua contemplação.

    ResponderExcluir
  2. Resolveu ligar o som do quarto no último volume. Não queria que nada o atrasasse, não queria que nada atrapalhasse aqueles minutos de contemplação no espelho ou as últimas providências antes de sair de casa, mas não conseguia se concentrar ouvindo a campainha que, agora, tocava desesperadamente, repetidas e seguidas vezes.

    ResponderExcluir
  3. Jogou a toalha na pia maldizendo a insistencia a sua porta, vestiu uma camisa e foi abrir a porta. Tropeçou ainda na sacola de compras no meio da sala que fez espalhar uma duzia de laranjas pelo tapete como se fossem bolas de bilhar sobre uma mesa de sinuca.

    Ao abrir a porta ficou surpreso, não estava preparado para este tipo de encontro, principalmente quando não queria chegar atrasado

    ResponderExcluir
  4. encontros não eram mesmo seu forte e, a ultima coisa que queria era atrasar-se, não pensou duas vezes e foi logo dizendo:

    ResponderExcluir
  5. não se engane não,meu caro, sim...
    continuo olhando calmamente o horizonte, mas aqui dentro tudo é pura ebulição.

    ResponderExcluir
  6. O velhinho na porta olhou em seus olhos sorriu e disse pegando em sua bochecha:

    – Filho, so eu sei que desde que nasceu vc esta em ebulição. Inclusive acho um tanto estranho vc abrir a porta sem estar usando suas calças...

    – Sinto muito pai, agora estou com uma pressa danada, a gente podia falar mais tarde?

    – Claro disse o pai e foi entrando. O que houve aqui, a revolução das laranjas assassinas?

    – Me faz um favor, não menciona isso, senta ai bonitinho, põe um dc do Bach e relaxa.

    – Bach? vc não tem um Led Zeppelin aí não?

    ResponderExcluir
  7. ô pai,preciso aprender mesmo com vc,sempre essa tranquilidade deve ser, Led Zeppelin ,ou tem mais???

    o pai olhou em volta encimesmado com o que via, vou contar um segredo, filho

    ResponderExcluir
  8. – A pressa passa, a caca fica. O caos funciona bem nos processos criativos mas na casa o melhor mesmo é ordem hahaha senão nem as calças vc vai achar.

    – É vc ja me disse isso umas dez milhões de vezes, tem gente que é mesmo incorrigivel como nós dois por exemplo... mas tenho que ir, desculpe, fica a vontade, tem suco na geladeira, e qdo vc sair põe a chave dentro da caixa de correio.

    Saiu apressado mas felizmente de calças. Desceu as escadas e ganhou a rua. Como garoava de leve, sentiu não ter trazido uma capa. O transito parado fazia-o sentir-se bem por ter vendido seu carro. Desceu pelo boulevard em direção ao centro.

    Entrou num prédio antigo destes que o elevador tinha portas duplas de grade e acensorista.

    – Bom dia, quarto andar por favor.

    Tocou a campainha e logo foi recebido por uma recepcionista que o conduziu a sala de espera.

    ResponderExcluir
  9. olhou ao redor, como que buscando alguma coisa, sorriu constrangindo para a recepcionista, teve a nítida sensação de conhecer aquela sala, aqueles quadros,tudo tão familiar.
    Impossível.
    Era sua primeira consulta, foi quando percebeu, mas já era tarde demais.

    ResponderExcluir
  10. A pressa que anteriormente o atormentava esvaiu-se. Tentava retardar o segundo o máximo possível. Começava a arrepender-se. Aliás começava a questionar o que lhe tinha motivado a estar ali.

    ResponderExcluir
  11. Escutou o barulho tenebroso de um motorzinho em alta rotaçao... seu sangue começou a gelar.

    ResponderExcluir
  12. automaticamente colocou as mãos no bolso da jaqueta,atitude que sempre acontecia em momentos de muito medo,com o corpo todo gelado ainda pode sentir num dos bolsos uma novelo de corda,agora sim,não conseguia mover um dedo e, aquele barulho do motorzinho.

    ResponderExcluir
  13. Naquele exato momento ocorreu o black-out que paralisaria a cidade até o dia seguinte e cuja causa até hoje não está bem esclarecida. Aproveitou a escuridão e esgueirou-se pé ante pé até a porta

    ResponderExcluir
  14. seu coração disparou,não conseguia mover-se,paralizado com o quadro que avistou na ampla sala, talvez agora a corda em seu bolso tivesse uma explicação.

    ResponderExcluir
  15. naquela escuridão a possibilidade de estar enganado era grande, mas não, não havia mais dúvida, não se tratava de alucinação nem de algum efeito causado pelo luar que atravessava a vidraça suja da janela e incidia como um foco no palco sobre...

    ResponderExcluir
  16. corpos espalhados pelo chão,ainda vestidos, e, alguns pendurados por cordas.
    Quase em delírio,colocou novamente as mão na jaquete,a corda, os corpos ,o que significa tudo aquilo...

    ResponderExcluir
  17. E saiu............ainda haveria tempo de quem sabe..........comprar cigarros e voltar,na esperança que os corpos a corda a vida e tudo aquilo.............que o incomodava e o fazia ter tanta ansia de chegar,tivesse passado.

    ResponderExcluir
  18. sentiu-se perdido,não era dado a esperança...e como de um momento pra outro acreditar que as coisas pudessem simplesmente passar, tão real os corpos, tão real a corda.

    Num gesto de loucura gritou foi então que percebeu e começou a rir,rir muito...

    ResponderExcluir
  19. Um riso nervoso. Convulsivo. O choro.
    Tentou suprimir o grunhido na garganta enquanto ouvia os passos se aproximando. E a porta. E os corpos?
    O que houve com os corpos?

    - Tem alguém aí? - A voz feminina, doce, melódica.
    - Tem alguém aí? - Insistiu. - Você está me assustando... - Dizia a voz meio chorosa.

    ResponderExcluir
  20. Por uma dessas inexplicáveis razões “que a própria razão desconhece”, fez a primeira idiotice que lhe veio à cabeça: enrolou a corda no pescoço e deitou-se fingindo de morto

    ResponderExcluir
  21. Morto.
    Sentiu um certo prazer.Prazer. Seria esse o significado da morte?
    Ali estático por alguns segundos ficou entregue àquela sensação.

    ResponderExcluir
  22. foi quando percebeu, que fingindo de morto, poderia ver sua imagem, a imagem de morto.

    colocou as mãos na jaquete,a corda rolou bueiro abaixo,feliz
    pegou o espelhinho,nesse exato momento ouvi ao longe o som de uma campainha.

    ResponderExcluir
  23. otimo!!!!!!!
    sou myra landau e passei aqui atraves de fred, e gostei muito, parabens e um beijo,

    se quiser me ver:

    www.myra-parole.blogspot.com

    ResponderExcluir
  24. Oi Sueli, que bom que vc ta capitaneando nosso velho barco que ao que parece navega de vento em popa! Tava viajando mas tive que voltar pra resolver uns pepinos ( ah, sempre tem pepino esperando para ser descascado)e não resisti a por uns coments :o) mas volto a viajar tão logo resolva as questões. La pelo meio de Agosto chego em terra firme! Então avante capitã! Ta tudo muito legal, a comunidade cresce e nós difundimos o prazer de escrever. Qdo ce põe FIM ai tem que reunir os coments e publicar a historia! hahaha, well, é isso, te breve!

    ResponderExcluir
  25. ´Viu só Chefe...rs... ela mandou muito bem mesmo.. fomentando, camando para roda... tah de parabéns... volte logo heim

    ResponderExcluir