quarta-feira, 24 de junho de 2009

o nome do peixe


O dia estava esplendido e da janela do ônibus podia ver nas ondas gordas, exatas, os tubos se formando perfeitos rolando centenas de metros até explodirem na areia alva e fina. Não pude resistir e apesar do paletó, gravata, a obvia farda de bancário dos pés à cabeça, desci do buzu...

14 comentários:

  1. com o coração acelerado e, com imensa euforia, olhei para um lado, depois para o outro, com medo que alguém pudesse peceber estado taõ alterado,afinal não é sempre que se tem uma atitude dessa, ainda mais...

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  2. vestido daquela forma. Pensariam que era uma tentativa de suicídio.

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  3. e foi exatamente o que ocorreu,numa fração de segundos uma multidaão a minha volta.

    apesar de constrangido gostei afinal não é sempre...ainda mais..

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  4. que uma equipe de reportagem da TV Globo se aproximou e o repórter me enfiou o microfone na cara e perguntou sem qualquer preâmbulo, sequer sem me perguntar o nome:
    -- Foi o senhor que ligou informando que havia um hipopótamo surfando nesta praia?

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  5. sim, eu liguei,mas não foi exatamente pelo surf que aprecio muito, mas pela falta de decoro desse animal,digo de sua companheira.
    Como assim perguntou-me o repórter?
    olhe o ser mesmo respondi,não é uma escandalosa,

    afinal...

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  6. considero no mínimo uma indecência que uma girafa venha de topless a uma praia tão movimentada e principalmente neste horário da manhã, quando é freqüentada sobretudo por babás, avós e jovens mamães que trazem as crianças para banharem-se ao sol.

    Surpreendentemente, a equipe de reportagem da TV Globo já não tinha interesse por mim, nem pelo casal fenomenal que naquele instante trocava beijos lascivos.

    Acompanhada do séqüito humano, a equipe vencia as ondas, primeiro correndo e, com água na cintura, nadando loucamente na direção de um cardume

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  7. e eu não deixei por menos, segui junto.

    afinal não é sempre...ainda mais...

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  8. não é sempre que se apresenta a oportunidade de ver peixes se afogando. Eu mesmo nunca sequer imaginara que havia peixes que não sabem nadar.

    Era um fato tão inusitado que ninguém notava que eu caminhava sobre o mar vestido a rigor. Todas as atenções se voltavam para o cardume, mais particularmente para um peixe que parecia ser o líder. Usava cartola, óculos escuros, relógio de algibeira e quando sorria cintilava um dente de ouro.

    A uma pergunta do repórter, que eu não consegui ouvir porque o pobre coitado tinha nacos de sargaço entupindo-lhe a garganta, ele respondeu como se estivesse fazendo um discurso solene para a nação:

    - Esta crise não é minha. É do cardume.

    Da praia eu podia ouvir a platéia dividida entre os que vaiavam e os que aplaudiam e uma voz feminina gritou:

    - Como é o nome do peixe?

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  9. as vaias foram diminuindo...diminuindo e,como num passe de mágica havia uma só voz em coro gritando:

    Como é o nome do peixe?

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  10. O peixe da frente do cardume que até então preocupava-se exclusivamente em perseguir um plancton suculento pôs a cabeça pra fora da agua e disse:

    – Meu nome é Gumercindo Ictius de Oliveira. Mas por que perguntam vcs estranhas criaturas secas com pelinhos no topo da cabeça e que respiram ar por orificios no rosto?

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  11. perguntar é da nossa natureza,
    vai responde, vai responde, vai responde , ressp onde, onde, res.

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  12. e naquele dia esplêndido em que da janela avistei, extasiado, as gordas ondas,em que afrouxei o nó da gravata, dia o qual numa atitude, deliciosamente, impensada desci do ônibus.
    Naquele dia, minha pergunta ecoou mar afora,vi Gumercindo ir embora, fique feliz mesmo sem reposta,

    ..afinal não é sempre que se tem uma atitude dessas, ainda mais

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