domingo, 28 de março de 2010

Domo Arigato Gozaimasu

- O que vc faz com sua boca?
- Eu cuspo e você?
- Bom, eu falo....
- Mas fala bastante he?
- Sim, mas so quando necessario
- Domo Arigato Gozaimasu
- Que que é isso que vc falou?
- Eu te disse obrigado
- Porque?
- Porque você, sendo um trovador de poesias etéreas, dá um novo sentido as coisas que eu as vezes não percebo...
- E porque você cospe?
- Porque sou um Gourmet que tenho de saciar minhas papilas gustativas deveras insaciáveis, e as vezes me deparo com sabores que não são agradáveis...
- Este é o destino de seres sensiveis como nós, falar e cuspir as vezes se confundem no lapso do tempo infinito
- Sim, falar e cuspir são coisas que saem de dentro
- Ha talvez mais coisas que saem de dentro...
- Por exemplo?
- Hum... um filho... Pérolas, saem de dentro.
- Sim, um filho... a continuidade de nós e nossos genes, que vem atravessando gerações em busca da imortalidade...
- O grito também sai de nós, né? Mas ele vem da garganta ou da alma?
- O grito vem da garganta! Da alma vem o motivo de gritar...
- O porque gritar e não agir?
- Isso é pessoal, mais geralmente porque quando você age, dói mais do que apenas entrar em panico.
- Hehe isso é engraçado. Aprofunde esse argumento.
- Pelo meu conhecimento gritar é se expressar, não exatamente fugir, mas achar que é síndrome de panico é no mínimo original!
- Todo mundo que grita está de certa forma em panico!
- Será? Ou voce quer que assim seja porque voce nunca grita?
- Me diga uma única pessoa que resolveu agir gritando e se deu bem na vida?
- Ora, os samurais! Eles não gritavam antes de agir com o sabre? Ou aquele grito nada representava?
- Mesmo assim eles as vezes perdiam pros ninjas! Sabe como é, o silencio da ação gera alguma vantagem, os bons assassinos que os digam e que digam todos os que usam da sabedoria da palavra para suas ações, quer seja no grito, às vezes necessário, quer num sussurro que nos chega aos ouvidos e nos leva à loucura do fio da espada!
- Mas nisso tudo, o que vale mais, a ação do sabre ou a teoria da palavra?
- Tudo depende da situação, ambos são úteis, em momentos adequados.
- Então, quer o homem caminhe na paz de seus dias ou na luta de suas guerras sempre terá uma escolha a fazer. E de seu interior, na criação de sua palavra que nunca cala, que insiste em soltar-se das profundezas de seu âmago.
- Somos assim, seres que expõe o que tem dentro.
- Sim somos assim... só que preferia mais ser um honrado samurai que um ninja sorrateiro
- Do que vc esta falando?
- Você disse que as vezes os ninjas batem os samurais..
- Não, foi vc que disse isso.
- Foi?
- Foi
- Hum, de qualquer maneira nada pode fazerv um samurai com um canivete contra um ninja com um sabre.
- Mas porque?
- Porque o samurai vem carregado da sapiência dos antigos, onde mais valia a honra do que qualquer conceito que hoje vigore.
- Como assim?
- Sabe que tua força mora dentro das sabedorias das gerações em servidão e vigilancia constante, sua gloria em vida era morrer com honra. Então canivetes podem ser mais mortais do que qualquer sabre carregado pelo oponente, uma vez que cada golpe desferido por um samurai emana de sua afiada crença em seu destino, nada teme em face dos tormentos.
- Até parecem que não são humanos! Há entre eles alguns onde essa definição não se encaixa.
- Por exemplo?
- Itto Ogami por exemplo e existem outros alem dele.
- Mesmo? e entre os ninjas? Não existe alguem que se compare?
- Logicamente que existe, mas ninjas ao contrário dos samurais são sombras, não brasas, são poeira, não rocha, eles passam invisiveis e despercebidos. Sua vida é uma camuflagem permanente e seus nomes nada mais que facas em costas anonimas... com graça e medo movemo-nos sobre esse fio da lâmina.
- Seres engraçados que somos, nomeadores de coisas que saem de dentro que vivem fora e retornam de onde tudo parece mover-se.
- Mas porque agem desta maneira?
- Porque são sábios...
- Sábios como nós?
- Sábios como o tempo.
- Mas você então deve ser samurai!
- O que tenho nos bolsos são só três pedrinhas. Cada uma delas me lembra do que sou a cada dia.
- Mas você é samurai ou não?
- Se sou samurai ou não, isso não importa mas não sou digno de ser um sábio...
- E que te faz lembrar essas três pedrinhas?
- Lembram-me que posso ser duro, mas que também viro pó; que posso ser precioso ou não; que no meu caminho muitas delas podem existir e humildemente as supero, uma a uma. As tres que carrego possuem nomes, a primeira chamo de Ying, a segunda de Yang e a terceira de Devir. Mas os nomes não são importantes e sim seu significado.
- Eu tenho dois rolinhos de papel no bolso. Um eu chamo de Kien, a força do criativo ou outro eu nunca abri e não tem nome.
- Porque não tem nome?
- O primeiro contem o sentido de minha existencia e o segundo é meu futuro
- Quer dizer que vc nunca abrirá o segundo rolinho?
- Ele se abrirá sozinho
- E se vc o perder?
- Isso não importa. E mesmo que alguém o encontre, coloque em seu bolso nada disso ira alterar o que de antemão está escrito nas sílabas invisíveis do amanhã, ele é apenas simbólico, um lembrete de que no tear de nossas vidas, não há pontas soltas, todos os fios estão entremeados e revestidos de significados. O futuro será escrito com as penas da Fenix, o futuro será permeado pelo fogo da destruição e da reconstrução. Renovação constante que não cabe a um homem tentar controlar. Somente podemos viver. Viver e amar. Amar a chuva que caí e o fruto que nasce. O riso, o choro, a dor e a morte. Mas acima de tudo a liberdade de podermos dizer.
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