segunda-feira, 3 de agosto de 2009

apenas uns passos....

Tinha o hábito, gostava mesmo, de pensar na morte, mas isso não a incomodava, não a deprimia, pelo contrário aprendera há muito tempo atrás com um velho professor que:
_Pensar na morte era pensar a vida, isso também fazia muito, muito tempo, uma época em que os profes... ah.pensou...deixa pra lá.
Gostava mesmo de deitar na rede, aquela brisa gostosa e, ali ficar observando a morte das formigas, de uma planta, um objeto quebrado, a transformação de tudo.
Foi quando ouviu um barulho vindo do corredor lembrou-se que não tinha trancado a porta, seu coração acelerou-se, um tremor percorreu todo seu corpo, os passos aproximavam-se e, pode ouvir nitidamente o “engatilhar” de um revolver.

15 comentários:

  1. A adrenalina tamborilou em suas têmporas. Ofegante tentou manter a calma. Manter a mente aberta para todos os ruídos.

    Apoiou-se lentamente sobre o braço para que o balançar da rede não produzisse um ínfimo ruído.

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  2. . O ranger do gancho da rede surtiu o efeito de fuga. Sentiu a secura na boca, as mãos gelarem. Devagar se aproximou da porta da cozinha, lentamente afastou a cortina de contas, um tanto antiquada mas era colorida, o barulho das contas umas contra as outras o deixaria atento ou desencadearia algo fatal. Os olhos demoraram a se habituar à escuridão do cômodo. Arriscou:
    - Quem está aí?

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  3. não obteve nenhuma resposta.
    insistiu:
    _Quem, quem está ai?

    e,pra sua surprêsa

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  4. Ouviu um ruído seco e um grito agudo
    de dor.Paralizada.
    As idéias...que idéias?suava frio,
    Os cachorros latindo juntos.
    E ela ali,estática...

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  5. mas era preciso fazer alguma coisa e, tomada por um impulso correu em direção ao grito.

    ali estendido no chão escuro do corredor...

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  6. estava seu roupao de seda envolvendo um vaso de porcelana quebrado de onde saiam camelias agonizantes. As cortinas da sala flutuavam etericamente adentro do ambiente claro, o murmurio do mar misturava-se com as gaivotas.

    Aquela pequena menina tao parecida consigo olhava inconsolavel para o vaso. Olhou para a mae e levou as maozinhas ao queixo. O ar era tao leve que a unica coisa que poderia fazer era estender os bracos e demonstrar sua cumplicidade com todos os atos de sua vida com sua filha. Correndo pelo sala ela se atira no colo da mae e comeca a chorar pedindo desculpas. Ela lhe beija os cabelos e diz:

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  7. - Tudo bem, tudo bem...
    E pensou...

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  8. como nos enganamos quando assustados, tinha tão claro que o som era o do engatilhar de um revolver, mas não, só sua garotinha com suas traquinagens.

    Diante disso só podia mesmo rir....,mas conteve o riso ao olhar pela janela e...

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  9. e ver um vulto que corria pelo jardim.

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  10. Correndo pelo jardim... "Então pode não ter sido ela".
    Tentou identificar o vulto, parecia um homem, mas o perdeu de vista.

    Correu os olhos pela sala, a menina já tinha saido. Nada de anormal a não ser pelos cacos espalhados. Foi averiguar o restante da casa.

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  11. com o coração descompassado vasculhou tudo cuidadosamente, cada canto da casa e, nada.. Impossível, ninguém desaparece assim, pensou.

    Foi quando começou a desconfiar de sua sanidade. O vaso quebrado, o som do revolver, o roupão enrolado no corpo de sua filha, seria tudo delírio, alucinação? Claro que não, tudo era tão real,

    mas e se não fosse...

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  12. Tentou rememorar todos os fatos. A rede, o barulho, o medo....

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  13. Entao lembra-se que nao tinha uma filha e que nao mora numa casa com jardim. Nao aguentando a angustia do nao saber, das incertezas da razao, corre em direcao a janela de seu pequeno apartamento no decimo andar a apenas alguns passos de onde estava e pula no vazio em direcao ao ar.
    Ve entao pela primeira vez toda sua vida num piscar de olhos. Nota o mundo passando veloz e grita de felicidade.
    Estava finalmente livre.
    E desmaia neste processo antes de arrebentar-se no chao do patio.

    fim

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