segunda-feira, 3 de agosto de 2009

apenas uns passos....

Tinha o hábito, gostava mesmo, de pensar na morte, mas isso não a incomodava, não a deprimia, pelo contrário aprendera há muito tempo atrás com um velho professor que:
_Pensar na morte era pensar a vida, isso também fazia muito, muito tempo, uma época em que os profes... ah.pensou...deixa pra lá.
Gostava mesmo de deitar na rede, aquela brisa gostosa e, ali ficar observando a morte das formigas, de uma planta, um objeto quebrado, a transformação de tudo.
Foi quando ouviu um barulho vindo do corredor lembrou-se que não tinha trancado a porta, seu coração acelerou-se, um tremor percorreu todo seu corpo, os passos aproximavam-se e, pode ouvir nitidamente o “engatilhar” de um revolver.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Projeto Padaria: "Um café pra dois"


"Seu computador já pode ser desligado em segurança"

Respirou fundo. Bagunçou os revoltos cabelos castanhos, sorriu. Um sorriso involuntário. Um quase sorriso, por conta de um e-mail. Engraçado como de alguma forma aquelas palavras, vindas de uma desconhecida (possivelmente) pudessem o colocar num estado letárgico de divagação.

- Quer algo da padaria? - Perguntou a mãe. - Queria fugir, prolongar o momento, caminhar e criar uma imagem para as palavras.


Traz uma Coca se não for incomodar ahnnn e fecha a porta pra mim, please, vai com Deus Mami... Voltou à imersão total de seu ser naquele mundo eletrônico de onde não se podia evadir ou abandonar sem que a curiosidade o buscasse onde quer que estivesse. O cuco na sala bateu 2 horas.
Apertou novamente o botão de start leu aquela frase estranha, "o himem esta testando a memória estendida".
Seu sistema era moderno, mas colocara aquela frase da qual nunca esquecera a primeira vez que ligou um computador. Olhou para o teto enquanto aquele exercito de ícones iam surgindo em seu desktop.
O skype ligou automaticamente. Correu com o mouse e pos o status em invisível. Não tava pra muito papo. Mesmo assim alguém começou a chamar adivinhando que estava on-line. Fingiu um pouco de morto ate que resolveu atender.

- esta se escondendo do mundo?
Droga, não é ela... o bom do mundo virtual é isso... encheu, DELETE, ou no mínimo... OFF LINE"
Não pensou duas vezes, OFF LINE. Continuou a olhar para o teto, mas queria tanto que ela estivesse on-line...
Qualquer um que entrasse fazia seu coração bater mais forte. Fuçou alguma coisa num site qualquer da internet e ao achar aquilo que tanto procurava deu mais um sorriso de lado.
- Ela precisa saber disso!!!
Correu a abrir seu e-mail .

Nada, mesmo assim enviou a notícia na esperança de que aquele artigo, subjetivo, com um quê de semiótica a trouxesse para mais perto. Sem certeza...
Essa era a exata dimensão daquilo, uma incógnita.

Então, resolvi aceitar o mistério da sua distância, simples assim.
É o que ela quer:
Pois bem, que seja.
Foi quando, sem nenhuma esperança, decidi olhar pela última vez o e-mail
A mensagem dizia:
- Seus pãezinhos estão sendo downloadados para o seu computador
Quem? quem a não ser ela para uma atitude dessa, corri o mouse como uma criança corre atrás de doce.
Enganei-me. Afinal, era ela quem sempre mandava paenzinhos....mas desta vez não era. Pensei em mandar algo do tipo, seria uma surpresa, mas logo descartei esta possibilidade. Vivi tão centrado nela, em seus e-mails que não chegavam, nos pãezinhos...nas...
Sempre ela, ela, ela, que nem percebi a boa surpresa,
Agora chega! Olho pro teto sorrio e,


clic o teto se abre descortinando o céu de enorme azul e centenas de milhares de paezinhos começam a cair envolvendo minha mesa cobrindo o computador tampando meu olhos e saindo pela janela numa cascata panificia inundando as ruas e as avenidas. Era o inicio do projeto padaria.
E também o seu fim.


Kátia Mota- Cajadomatic- Feex Constantin-Sueli Aduan


terça-feira, 21 de julho de 2009

Projeto padaria.


"Seu computador já pode ser desligado em segurança"

Respirou fundo. Bagunçou os revoltos cabelos castanhos, sorriu. Um sorriso involuntário. Um quase sorriso, por conta de um email. Engraçado como de alguma forma aquelas palavras, vindas de uma desconhecida (possívelmente) pudessem o colocar num estado letárgico de divagação.

- Quer algo da padaria? - Perguntou a mãe. - Queria fugir, prolongar o momento, caminhar e criar uma imagem para as palavras.

Apenas uma porta e todo meu sorriso


Em cima da cadeira tinha uma camiseta branca jogada no encosto. No assento havia duas moedinhas, um maço de Hollywood menta quase vazio, um isqueiro Bic verde e uma paçoca bem amassada ainda dentro da embalagem onde se podia ler Amor. Embaixo da cadeira havia um par de tênis aparentando ser a coisa mais chulezuda do mundo onde enfiaram meias para talvez sufocar a ardência destes vapores insólitos.
No ar flutuavam as ondas de uma radio AM com uma dessas musicas que a gente escuta alguém assobiando na rua e que nos parecem tão distante de nossa realidade, que nos sentimos despertos para um outro universo.
Um universo às vezes bizarro, impar, inesperado.
No dia seguinte foi que reparei:

que a cadeira,a camiseta branca o isqueiro,as moedas..o maço...tudo ali me pertencia,a constatação de possuir um tênis chulezudo foi aliviada pela lembrança da tarde em que foram esquecidos numa tempestade, a música,o assobio continuaram distantes.
Somente a paçoca amassada dentro da..,não me pertencia. Memória amarga, do dia em que esse amor não foi consumido. A paçoca jamais seria comida, estava muito velha, era um souvenir de tempos mais sedutores quando ainda em mim morava a esperança. Mas de fato tudo me pertencia, até a cadeira.
Havia muito tempo que não entrava ali, a poeira cobria tudo inclusive a saudade.

Lembrei-me derrepente da gaveta. Ali haviam ficado uma parte de mim, e mesmo com lágrimas nos olhos, ainda pude ver lá escondidinho, no fundo da gaveta, aquele maldito alicate vermelho, com pontas finas, com um corte preciso. Que falta ele me fez.
Parada e estática a olhar aquela cadeira e aqueles insignificantes objetos em meu passado percebi o quanto eram doces como àquela paçoca que deixei de lado naquele chuvoso dia a seu lado, mas não foi derrepente. Nada é.
Aos poucos é que o valor de cada objeto, cada detalhe do passado foi aparecendo e, junto com ele o cansaço das coisas ditas normais.
Cansaço esse daquela rotina, que durante tantos anos foi a mesma chata de sempre, não me deixando ver que cada detalhe dessa vida e de outras, por menores que eles possam ser, cada um tem seu valor. Cada um é especial.

Lembrei de todos os detalhes que passavam na minha cabeça naquela hora, todos de que pudesse me lembrar naquele instante, mas de todos esses detalhes, um se destacou: aquela sua blusinha xadrez, com enormes botões, que até hoje aterrorizam meus pensamentos.

Bem que vc poderia voltar e me dizer adeus como se deve, sem magoas, sem gerar essas pontadas doloridas aqui no centro do meu peito onde moram os fragmentos que restaram do meu coração. Mas allas, cest la vie, procurarei outro porto, novos horizontes mesmo sabendo que apesar de tudo, sempre carregarei um pedaço do que sonhamos juntos e nunca aconteceu. Tava mesmo na hora de partir e, transformar essa magoa virar gente grande, abrir o meu coração, para infinitas possibilidades.
Quem sabe, o inesperado faça uma surpresa.


E assim sentado em meio aquela confusão mobiliaria, misto de lembranças, poeira e passado escuto passos no corredor. A porta se abre à medida que meu olhar se ergue lentamente.
Ante minha expectativa, sou obrigado a sorrir.

Cajodamatic - Maferar- Feex Constantin- Sueliaduan




domingo, 12 de julho de 2009

Sem titulo porenquanto numero 238b



Em cima da cadeira tinha uma camiseta branca jogada no encosto. No assento havia duas moedinhas, um maço de hollywood menta quase vazio, um isqueiro Bic verde e uma paçoca bem amassada ainda dentro da embalagem onde se podia ler Amor. Embaixo da cadeira havia um par de tenis aparentando ser a coisa mais chulezuda do mundo onde enfiaram meias para talvez sufocar a ardencia destes vapores insolitos.

No ar flutuavam as ondas de uma radio AM com uma dessas musicas que a gente escuta alguem assobiando na rua e que nos parecem tão distantes de nossa realidade, que nos sentimos despertos para um outro universo.
Um universo as vezes bizarro, impar, inesperado.

No dia seguinte foi que reparei:

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A Caixa

Varios autores, um mais tantã que o outro

Eu não podia imaginar que fosse possivel alguém me reconhecer com aquela roupa, aquela imensa caixa nas mãos que quase cobria meu rosto todo. Mas foi exatamente o que aconteceu. Ao escutar o chamado não olhei pra trás e nem podia mesmo, como explicar minha presença ali, a caixa e tudo mais... Mas explicar para que? Já tinha sido visto, já tinha sido reconhecido, o jeito era carregar aquela caixa com a naturalidade de quem segura um saco de pão.
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Com um certo temor segui, mas a curiosidade falou mais alto queria saber quem havia gritado meu nome, virei rapidamente espantado. Hesitei por alguns segundos em atender a voz insistente. Sentia sua aproximação até que me alcançou de perto os ouvidos. No ombro esquerdo o peso daquela mão me deteve. Assustado como uma criança pega em flagrante roubando um doce me virei. Uma senhora de tez rosada e afável disse-me:

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– Desculpa, senhor! Mas seus óculos caíram no chão. Susto passado (ato contínuo) peguei os óculos rapidamente, mas aquela imagem não me era estanha. Com voz nervosa, tentando controlar a respiração ofegante eu disse:
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– Inexplicável. Interessante. E entre um risinho e outro contemplei o totalmente inexplicável, tanto quanto essa caixa que levo comigo. A senhora arregalou os olhos e disse:

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– O que leva aí, assim tão absorto a ponto de perder os óculos e não sentir o embaçamento típico da falta das lentes? assim a queima roupa a pergunta desorientou-me, fiquei totalmente sem ação, sem voz. Não estava em meus planos abrir-me, contar à alguem meu segredo, era preciso sentir-me seguro. Uma vez que sem oculos enxergo tao bem como uma topeira, disfarcei um pouco e pigarreei. Nao que isso fosse fazer alguma diferença pois pigarreear so alivia nossa consciencia mas nao remenda nossas ações absurdas. Resolvi responder tão espontaneamente quanto possivel.
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– Levo uma caixa, mas por favor não me pergunte o que contem. Meu oculos embaçou ainda mais, mal conseguia enxergar por entre as gotinhas coladas no vidro. Sentia-me num fusca em dia de chuva. Ela insistiu:
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– Sei que não é de minha conta mas essa caixa gigantesca é um tanto suspeita.

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– Olhe, disse eu, aqui nesta caixa tem um urso chamado Zé que gosta de velhinhas simpaticas ao sugo. Ele é um tanto feroz porisso mantenho-o na caixa. Vou deixa-la aqui por um momento enquanto vou ao toilete pois urge a necessidade fisiologica que me impele, sem freios nem piedade. Não abra a caixa, ja volto. Entrei no salão e fiquei espiando para ver se ela ousaria espiar dentro do caixote. Quem diria aquela senhora!!! como a gente se engana, (tão sisuda) mas quem, quem conseguiria resistir a tamanha curiosidade? E ali do salão eu presenciei a cena, que por muito tempo iria me fazer rir. Que cena!
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Ao abrir a caixa, como supuz que iria fazer, ela soltou a tampa, deu um passo para traz e fez o sinal da cruz. Comecei a ter meu ataque de riso, pois era muito hilariante ve-la sob este espanto todo, eu havia avisado pra não olhar dentro da caixa.

Centenas de bolboletas sairam voando de dentro da caixa e a rodearam como um manto colorido em movimento. Ela tentava fechar a caixa mas elas continuavam a sair voando até não ficar mais nenhuma dentro. A senhora ficou desesperada, olhava para um lado e para o outro para ver se estava sendo observada. Claro que tava todo mundo olhando pra ela, estava parecendo um enorme pirulito de borboletas coloridas.

Derrepente meu riso foi se fechando. Se fechando. Meu coração foi lentamente descompassando, até que parou. Sim parou por milésimos de segundos, para o inexplicável vivído. Das costas da velhinha simpatica surgiram imensas asas prateadas. Olhei-a nos olhos em metamorfose e sorri.

Em sua nova leveza ela olhou para o céu e voou para as nuvens brancas.


sábado, 11 de julho de 2009

Os amigos o chamavam de Gummer


4 autores

O dia estava esplendido e da janela do ônibus podia ver nas ondas gordas, exatas, os tubos se formando perfeitos rolando centenas de metros até explodirem na areia alva e fina. Não pude resistir e apesar do paletó, gravata, a obvia farda de bancário dos pés à cabeça, desci do bus com o coração acelerado e, com imensa euforia, olhei para um lado, depois para o outro, com medo que alguém pudesse perceber estado tão alterado, afinal não é sempre que se tem uma atitude dessa, ainda mais...vestido daquela forma. Pensariam que era uma tentativa de suicídio, e foi exatamente o que ocorreu, numa fração de segundos uma multidão a minha volta. Apesar de constrangido gostei, afinal não é sempre...ainda mais..que uma equipe de reportagem da TV Globo se aproximou e o repórter me enfiou o microfone na cara. Perguntou sem qualquer preâmbulo, sequer sem me perguntar o nome:

– Foi o senhor que ligou informando que havia um hipopótamo surfando nesta praia?
– Sim, eu liguei, mas não foi exatamente pelo surf, que aprecio muito, mas pela falta de decoro desse animal, digo de sua companheira.
– Como assim? perguntou-me o repórter.
– Olhe o senhor mesmo, respondi. Não é uma escandalosa? Considero no mínimo uma indecência que uma girafa venha de topless a uma praia tão movimentada e principalmente neste horário da manhã, quando é freqüentada, sobretudo por babás, avós e jovens mamães que trazem as crianças para banharem-se ao sol.

Surpreendentemente, a equipe de reportagem da TV Globo já não tinha interesse por mim, nem pelo casal fenomenal que naquele instante trocava beijos lascivos. Acompanhada do séquito humano, a equipe vencia as ondas, primeiro correndo e, com água na cintura, nadando loucamente na direção de um cardume. E, eu não deixei por menos, segui junto, afinal não é sempre...ainda mais...quando se apresenta a oportunidade de ver peixes se afogando. Eu mesmo nunca sequer imaginara que havia peixes que não sabem nadar. Era um fato tão inusitado que ninguém notava que eu caminhava sobre o mar vestido a rigor. Todas as atenções se voltavam para o cardume, mais particularmente para um peixe que parecia ser o líder. Usava cartola, óculos escuros, relógio de algibeira e quando sorria cintilava um dente de ouro.

A uma pergunta do repórter, que eu não consegui ouvir porque o pobre coitado tinha nacos de sargaço entupindo-lhe a garganta, ele respondeu como se estivesse fazendo um discurso solene para a nação:

– Esta crise não é minha. É do cardume. Da praia eu podia ouvir a platéia dividida entre os que vaiavam e os que aplaudiam e uma voz feminina gritou:

– Como é o nome do peixe? As vaias foram diminuindo...diminuindo e, como num passe de mágica havia uma só voz em coro gritando, como era o nome do peixe. O peixe da frente do cardume que até então se preocupava exclusivamente em perseguir um plâncton suculento pôs a cabeça pra fora da água e disse:

– Meu nome é Gumercindo Ictius de Oliveira. Mas por que perguntam vcs estranhas criaturas secas com pelinhos no topo da cabeça e que respiram ar por orifícios no rosto?

– Porque perguntar é da nossa natureza, vai responde... vai... vai responde... ressp... onde... onde... res....sss ... E naquele dia esplêndido em que da janela avistei extasiado as gordas ondas, em que afrouxei o nó da gravata, dia o qual numa atitude deliciosamente impensada desci do ônibus. Naquele dia, minha pergunta ecoou mar afora, vi Gumercindo ir embora, fiquei feliz mesmo sem reposta, afinal não é sempre que se tem uma atitude dessas.

Kátia Mota, Fred Matos, Sergio Cajado, Sueli Aduan

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terça-feira, 30 de junho de 2009

Tudo mais...e a caixa?


Eu não podia imaginar que fosse possivel alguém me reconhecer com aquela roupa, aquela imensa caixa nas mãos que quase cobria meu rosto todo. Mas foi exatamente o que aconteceu.
Ao escutar o chamado não olhei pra trás e nem podia mesmo, como explicar minha presença ali, a caixa e tudo mais...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

o nome do peixe


O dia estava esplendido e da janela do ônibus podia ver nas ondas gordas, exatas, os tubos se formando perfeitos rolando centenas de metros até explodirem na areia alva e fina. Não pude resistir e apesar do paletó, gravata, a obvia farda de bancário dos pés à cabeça, desci do buzu...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Olhou por olhar


Dormiu mal a noite toda. Levantou-se rápido, tinha pressa, queria ser o primeiro a chegar à empresa.
Olhou sua imagem no espelho automaticamente. Olhou por olhar, sem se ver, como quem olha para o nada. Tal qual um gato que passa entre os móveis, só por passar.
Como de costume, abriu o armarinho e pegou o creme de barbear, numa fração de segundos já estava com o rosto pronto, todo cheio, de espuma.Maravilha gritou feliz, serei o primeiro a chegar e ninguém para atrapalhar meus planos.
Nesse exato momento ouviu a campainha...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Surpresa!


22 hands

Há coisas que ninguem pode explicar. Hoje de manhã abri a porta de casa e adivinha o que encontrei? Uma pequena chave dourada, uma pequena garrafa com uma etiqueta em que estava escrito "BEBA-ME" e um pequeno bolo em que estava escrito "COMA-ME". E um milhão de pessoas me passaram pela cabeça. Mas a caligrafia e o perfume que vinham da etiqueta eram inconfundíveis. Eu estava solitário, não tinha com quem conversar. Andava meio cançado e não estava pensando direito.
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Enfiei tudo na boca, a garrafinha, o bolinho e a chave, mastiguei bem e engoli. So não havia comido as etiquetas. Cheirei de novo aquele perfume e comi tambem as etiquetas. Alguns segundos depois minha perna crescia, meu braço diminuia assim como minha cabeça e meus pés num ritmo de vai e vem incontrolável. Até um milhão de pessoas em que pensava sairam correndo apavoradas. Olhei em volta e vi que eu não era mais o mesmo, as coisas haviam mudado muito desde a chegada daquilo que eu achava que seria a melhor coisa da minha vida......... Eu Gregor Samsa havia sofrido uma metamorfose!
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A rua estava deserta, ninguem havia me visto. Estava disforme e as coisas continuavam no fluxo de cresce e diminui. Corri para dentro de casa e fui me olhar no espelho.
O horror! Tinha 5 olhos, tres orelhas, a cabeça tinha um monte de pelotas azuladas, o cabelo ficara espetado e continha diversas cores. Abri a boca e começou a sair musica, nao conseguia mais falar. O que era que tinha naquele bolo? Ficava com 3 metros de altura depois diminuia pra 60 centimetros, as vezes perdia o equilibrio e quase caia. Foi quando a campainha tocou. Abri e aquilo me disse:
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– Vim, vi e venci, rasgo do infinito além fogo dos deuses no brilho estelar. Boquiaberto observei o tipo a minha frente, vestido de Julio Cesar com um capacete de astronauta que impedia ver seu rosto.
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– Vc é um alienigena ? perguntei.
– Sim terraqueo!.... ahn, todos os terraqueos parecem com vc? perguntou o ser e eu mais que depressa respondi:
– Sim, somos todos bem parecidos. (bem que vovô dizia: quem tem pressa come cru). O que o alienígena estaria pensando de mim, com meus 60/250cms, totalmente desequilibrado, que somos todos uns nanicos gigantescos, bebados talvez?
– Vcs são muito feios terraqueos, disse o alienigena me medindo de cima abaixo, parece até que comeram o bolo de Horus e beberam do suco de Urano! So seriam mais feios s tivessem comido tambem a chave da caixa de Pandora...
– Como ela se parecia? perguntei eu.
– Pequena, dourada, tipica chave da caixa de Pandora...vc não... oh meus deuses, vc comeu a chave de Pandora! Mas que coisa terrível!
– mas estava escrito coma-me...
– mas não na chave, la não estava escrito nada seu terráqueo glutão! Agora só há um remédio. Precisamos encontrar a caixa de pandora na esperança de que a chave seja atraída pelo orifício em que se encaixa à perfeição, mas isso implica em correr o grande risco de que completa, ainda mais bela, será aberta, a esperança novamente.

– Nãoooooooooooo...!
Mas pensando bem, pequeno ou grande qual a diferença? O que realmente me importa é que benefício essa chave me trará? Seria aquela chave mesmo a solução? Ou me atrairia mais problemas? Perdido nestas divagações ouvi o ser falar:
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– Queria muito que a lembrança em pacote de festa falasse de amor e esperança. Queria...OH! como queria que fosse festa de brigadeiro e infãncia. Só não queria e não queria mesmo que fosse um brinde comercial,algo impessoal. A fita vermelha era o tom que faltava ao dia, amanheci tão pantufa e água morna. Foi com dedos mansos que comecei a desvendar o pacote. Bem leve. Fui breve! A curiosidade é apressada...e no pacote...uma calcinha de renda bem fininha e perfumada que um dia despi apaixonada.
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E ao dizer isso o alienigena começou a chorar. Logo entendi que tratava-se de um alienigena com o coração partido. Nada podia fazer por ele... ou ela.
– Vc sabe como faço para extrair a chave pelo orificio? perguntei inocente.
– Muito interessante!
– O que é interessante? perguntei.
– O fato de vc ter comido a chave e querer tira-la agora pelo orificio...

– Não acho nada interessante, queria ver se fosse vc a expelir a chave pelo seu orificio.

– Nos de outro planeta temos orificios mais flexiveis e mais objetivos que os humanos. Este aqui por exemplo é o meu orificio de perceber a atmosfera, e este aqui serve para emitir um gas de comunicação (que vcs não entenderiam por lhes faltar emissor e receptor). Mas o que mais lhe falta no momento, é este aqui olha, disse o alienigena mostrando um buraco debaixo do braço - que permite nos livrar-mos de coisas que comemos antes dela cair no sistema digestivo.
– Muito interessante sua fisiologia sr.... er, como é seu nome?
– Rhoda, a seu dispor. E o seu nome?

– Gregor. Me chamo Gregor.
– Bom Gregor, porque vc quer extrair a chave por seu orificio? me parece que a chave em vc pode atrair o orificio a que ela se destina.
– Exatamente como a profecia n. 11 de Fred, o grande
– Sim jovem Gregor, exatamente como vaticinado, a chave o levara a caixa, assim como em meu sonho, tirando sua fita vermelha...

– Sei sei, e achando a calcinha , é eu lembro desta parte...
– Vc não tem idéia do que tem debaixo deste meu capacete.

– Naaa, o orificio debaixo do braço ja fez o serviço, prefiro não saber muito da sua anatomia.
– Olhe Gregor, vou ajuda-lo a encontrar a caixa de Pandora e a conseguir de volta sua forma original.
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Depois de navegar por diversos planetas tão distantes da Terra, eis que os dois chegam a um planeta todo escuro, cheio de monstros muito feios. Aqueles monstros eram assustadores, tinha o corpo todo rosa, cheio de plumas azul claro e todos tinham um rosto assustadoramente alegre.

– Onde estamos? - perguntei.

– Caro Gregor, estamos no Planeta Diaust, segundo meu comando super avançado, a caixa està aqui. - respondeu Rhoda.
– Uau! é daqui que vc vem Rhoda? estes bicharocos porai são muito mais feios que eu!
– estes são os microbios Gregor, não fale com eles, é melhor vc não se associar a seu estilo de vida.
– Vc é mesmo uma alienigena atrevida hein? acha que eu ia ficar mano dos microbios so pq eles sao exquisitos como eu? Ora, por favor!
– Não perca o objetivo Gregor, vc tem que se concentrar na caixa. E não me pergunte onde esta, eu não sou daqui. Vc sente a força da chave na sua barriga?
– Não! na barriga é só um reflexo, sinto mesmo é aqui olha, e me apontou os dedos dos pés. caminhar e sentir é o normal por aqui. porque pra vcs não é assim? Era, mas perdemos a chave e com ela essa sensação tão estranha, sabe a gente sente com outros òrgãos.

– Como assim? - Rhoda se interessou por aquilo.

– Bom... nós, humanos, ouvimos com isso aqui, apontei a orelha, falamos e nos alimentamos com isso aqu, apontei a boca, vemos com isso aqui, apontei os olhos, e sentimos as coisas com isso aqui, mostrei-lhe as mãos.

– Que estranho! disse Rhoda.
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Neste instante a chave começou a sair pelo meu orificio. A boca. Não pude evitar. E ao cair no chão a chave fez com que minhas proporções voltassem ao normal.

– Ah! agora to te entendendo melhor, disse Rhoda, posso ver seus sensores, até que não somos assim tão diferentes... a não ser pela gulodice, eu jamais comeria uma chave.

– Nem eu, respondi, pensei que era de chocolate ou algo assim.

– Bom, agora que vc esta se sentindo melhor podemos retornar a busca pela caixa de Pandora. Na verdade ela se encontra justamente aqui na... - Antes mesmo que Rhoda completasse a frase para dizer onde a caixa de pandora se encontrava, não contive o riso e comecei a gargalhar convulsivamente. Ela havia apontado para a minha barriga.
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Mas se a caixa estava exatamente onde a chave tambem se encontrava, porque eu não a havia sentido antes? Seria algo inexplicave?
Porque nem eu, nem Rhoda sabíamos as respostas. Ela então sugeriu que procurássemos o seu mestre. Talvez ele pudesse responder a estas questões. E podendo esclarecer como a caixa foi parar lá, talvez ele poderia dizer como tirá-la, para que então pudessemos entender este mistério. Afinal de contas não se abre a caixa de Pandora todos os dias (alem do estomago ser um lugar muito peculiar para ela estar).
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Depois de muito caminhar chegamos a uma lagoa de onde saiam vapores psicodelicos com ruidos extraordinarios. Ali, tranquilamente recostado sobre uma pedra estava o maior sapo que ja vi em minha vida. Mas não era um sapo gosmento, ele tinha uma certa majestade tipica dos quelonios em idade madura. Rhoda apontou para ele e disse:
– Eis o mestre, faça sua pergunta, se ele estiver de bom humor, vai responder. Mas cuidado, se ele estiver solitario ou de mau-humor ele te transforma numa sapa e ai as consequencias podem ser graves. Olhei para ele que se desencostou da pedra, me olhou, piscou um olho, depois voltou a se enconstar na pedra.

– Ahn, senhor sapo..? arrisquei
– Professor Sapo, tenha a bondade! me corrigiu o batráquio indicando uma pedra para que me sentasse.
– Desculpe-me. professor Sapo. Vossa Excelência tão elegante e não possui olhos. Por quê?

– De que te servem olhos, se vc não pode ver?
– Desculpe professor, mas esta frase o sr. tirou do filme Matrix
– Não meu jovem, la era a boca do Neo que não podia falar.
– Mas porque o sr. não tem olhos?
– Porque não preciso deles para ver os mosquitos do brejo.

– Mas... os mosquitos tambem amam...

– Azar deles, vão se amar dentro da minha pança... mas vc tem alguma pergunta relevante pra fazer?
– Não diria relevante! foi o que ouvimos pra nosso espanto. Um pequeno sapo com voz fininha, dando risadinhas vinha da lagoa e nas mãos, jogando de lá pra cá, uma caixinha.
Um imenso silencio, tomou conta de todos nós. Duas caixas?
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– Minha pergunta talvez seja irrelevante falou o sapinho, mas como vcs podem ter certeza que esta aqui não é a verdadeira caixa de Pandora?

– Então a caixa não esta em minha barriga? perguntei

– Não, disse o professor sapo, a verdadeira caixa de Pandora é guardada por meu neto ali. Mas ele não tem a chave. Você tem. So vc pode decidir se abre a caixa ou não. Mas esteja avisado que se abrir terá de enfrentar as consequencias de seu ato.
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Peguei a chave e mostrei pro pequeno sapo, ele veio pulando com a caixa na mão, e pulando entregou-a mim.
oh dúvida cruel! Abro ou não abro? Escolher, eis a questão! Não, não farei isso sozinho, de jeito nenhum, pensei com meus botões que pra variar nada responderam.
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E ali, sentados na pedra branca, pela primeira vez, decidimos em grupo que o melhor seria cantar uma canção. O professor começou com um profundo Sol. O sapinho fazia backing vocals. Rhoda começou um solo tipo The great gig in the sky do Pink Floyd enquanto eu fazia o ritmo batendo nas pernas. Foi ficando bonito, bonito, derrepente ouviu-se um clec! A caixa havia se aberto espontaneamente. E da caixa saíram nuvens coloridas... rindo felizes e cantando a nossa canção. Todos ficamos espantados.
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– Não se iludam,
disse o professor sapo, elas são bonitas mas são perversas! - e logo se transformou num esquilo, um esquilo mestre.
– Nosso encanto acabou. Quando se abre a caixa de Pandora, nós voltamos a nossa forma normal, disse ele.

– Mas esta não é minha forma normal! - Exclamei desesperado vendo que havia me transformado tambem num esquilo gordo. O mestre esquilo então me disse:

– Esta é a consequencia para quem abre a Caixa de Pandora! .. mas veja pelo lado bom, pelo menos agora vc tem com quem conversar.
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Ana Guimarães, Katia Mota, Cristina Siqueira, Cássio Amaral, Fred, Célia Garcia Ferper, Feex Constantin, CajadOmatic, Sueli Aduan, Cleyton e Rouxinol de Bernardim

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Surpresa! Texto original

Ha coisas que ninguem pode explicar. Hoje de manha abri a porta de casa e adivinha o que encontrei?

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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Mocréia


4 hands

Ah, hoje eu acordei louca para trabalhar, bem cedinho, pulei da cama e pintei as unhas do pé. Tava com uma fominha danada porisso comi o restinho de repolho com bolinhas de carne que sobraram do jantar. Deu até tempo de ir no banheiro, fazer um bochecho com Cepacol, pendurar minha calcinha lavada no box e botar minha botinha branca. Tomei o busão das 6:30 e cheguei no escritorio 8 hs em ponto, nem acredito! Ainda bem, que deu tempo prum rápido cepacol,não é a toa que dizem que Deus é pai, dei de cara no buzão com o Vanderley, uau!!! Aumentou ainda mais meu desejo de trabalhar, trabalhar, trabalhar...

Walderico meu primo é moto boy e me convidou pro baile funk. Ah, não vejo a hora. O Wanderley vai estar la, quero so ver a cara dele quando eu aparecer. Tenho que dar um jeito nas espinhas, vou encher a cara de Minancora e tomar cha de pepino que nem a do Nenê da peixaria ensinou. Vou arrepiar...aquele jeans justíssimo,com o coletinho xadrez,só vai dar eu, virgem mãe!!! Quase esqueço, ainda tenho que ver com a Walnida se ela faz uma chapinha.

O Wanderley falou que eu era uma uma Mocreia, virgi nem sei que que é isso, parece nome de peixe, falei que Mocreia era a mãe dele! Ele ficou muito nervoso, falou que sua mãe era santa e tava no céu, ah, eu quase chorei, mas la no baile funk as coisas vão mudar. Ainda bem que segurei a onda não chorei, depois de tanto trabalho com a Minancora, e se a mãe dele é santa,como ele disse, tem mais é que entender,mas num quero sabê vou descobri o que é essa tal de mocréia.

Procurei na internete e descobri que mocréia é jaburu. Aí, como eu nao sei o que é isso eu olhei o que era jaburu e apareceu um passaro bonito todo branquinho e com a cabeça preta.
Vou falar pra ele que pode me chamar de mocréia e que a mae dele deve ser uma tambem porque se santo tem asa e jaburu tambem as mocreia deve ter tambem. Ah, a Vanilda falou que vai fazer chapinha nos meus cabelo e que vai ficar igual a da Parisrirto. Vou arrasar no baile Funk, preciso ligar pro Walderico e combinar.

Ai minha santinha, quanta gente! Essa musica vibrando dentro da minha espinha, me chacoalhando. ai, que cheiro de suor, hum, não sei, acho que até que gosto, parece tão animal, tão masculino, ai, onde eu tô com a cabeça, pensando todas estas bobagens, vai ver que foi aquela pinga que o walderico me fez beber ou então aquel cigarro estragado que me fizeram fumar antes de chegar aqui.. Tô mooole, mas tô a fim de agitar. Acho que tô meio doidona, viu? uuuuhhhh, tô com vontade de gritar. Vontade de morder alguma coisa, quero dançar...

Ai olha ali, o Waldoberto, o Sandromiro, o Ze Cabeleira e o Pelopidas, ah aquele filho-da-puta do Pelopidas se eu puder eu encrenco esse cara. Mas este funkão ta muito bom, huuuuuh, ai, que vexame tô parecendo uma macaca de auditorio, ah, va, eu sou mesmo uma macaca, uhhhhhh, epa, aquele negão ali ta me olhando... hum um pedaço de negão ja diria minha prima shirleneide, perai, vou rebolar perto dele.

Xiii, nem me olha, deve ser bicha, bonito desse jeito, pera que eu vou dar o rebolado especial de pará estouro de boiada. Nada, eita, aquela ali não tira o olho de mim, ou é francha ou é policia, bom to fora pro almoço e pro jantar ah, o negão me notou, epa, gostou da sapatão, ah, que saco, olha la, ta rebolando com ele, uhhhhh, to doidona, quero gritar, tum dum dum, ah, esse som é muito maneiro. Será que tem um banheiro poraqui pra eu fazer um xixi? nossa foram mais de tres cerveja. To mijando nas calça. Ah, saco, vou ver la naquele buteco se tem banheiro. Uou, quanta gente, nussa tem fila pro Xixi, ai minha aiaiaiaiai vou acabar fazendo na calça mesmo, depois eu derrubo uma cerveja por cima... Ah, não, isso é muito nojento, vou la na fila.

Ei, este cara me passou a mão na bunda, engraçadinho, a proxima vez eu grito assim, bom, não vou gritar aqui na fila, mas posso ficar dançando, ajuda a a passar a vontade que nem no filme da cinderela, quem dança seus males espanta.. ou era encanta?

Ah, sei la, essa historias europeias de noviorque, maiami, toquio eu não nada disso não. Ih esse moleque cabeludo é fortinho hein? Uschh, quêisso? parece meu chefe ali? Era só o que faltava ver aquele filho-da-puta do Pelopidas, e agora meu chefe, não sei quem é o pior, bom pelo menos o Pelopidas não é desses de dizer que não gosta do que gosta, ele gosta, gosta da balada do funk, do agito, do meu agito, aquela encrenca é coisa do passado vou deixar pra lá... mas meu chefe quê quê faiz aqui, uê vivia dizendo la no serviço, a gente não pode se misturar não, cada macaco no seu galho, depois eu tenho um gosto refinado bláblabla... Filho da puta, bem que dona Wanda Luzia lá da escola, falava umas coisas, eu devia ter prestado mais atenção, mais de uma coisa eu me lembro bem, essa gente é falsa, mas não entendi muito bem, deixa pra lá...que o agito tá bom e eu quero e dançar até...

Eita, que que esse cara quer comigo?

– Fala ai princesa, essa parada aí é massa, ta ligado? Aí, o mano ali não gosta de coisa boa como vc não. Que que tu acha de ir ali no boteco toma umas breja com o galã aqui?

– Que história é essa que o mano não gosta de coisa boa meu! Que que tu sabe de coisa boa cara? Ce só rala meu, uma brejas sempre vai, mas tu que vai pagá cara, que o meu aqui num é pra home não, tá ligado? ...e depois é o seguinte; ir no boteco até vou, se for de carro. E tá tudo limpo lá, que não gosto de zumzumzum com os home, eu sou limpeza vc é que num sabe.

Minha nossa! que que me deu pra eu falar assim com o cara! jaja ele vai achar que eu sou funkeira... bom, agora ja foi, bom parece que ele foi la pro bar, daqui a pouco apareço la. Mas olha o safado do chefe, se engafinhando com aquela zinha, ali. Hum, to meio grogue, acho que vou andando, mas pra onde... o chefe com a zinha,eu funkeira de araque, esse som no meu ouvido, esse zumbido todo, que que isso, um sonho?, um pesadelo? ir pra onde? pra casa?... solidão apavora, cantando eu mando a tristeza embora, onde eu ouvi isso, só pode ser coisa da dona Wanda Luzia aquela louca....

Agora fazer naninha, acordar amanhã bem cedinho, pintar as unhas do pé e ir pro trabalho. Zzzzzzzz.
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terça-feira, 2 de junho de 2009

Mocréia é mãe!


Ah, hoje eu acordei louca para trabalhar, bem cedinho, pulei da cama e pintei as unhas do pé. Tava com uma fominha danada porisso comi o restinho de repolho com bolinhas de carne que sobraram do jantar. Deu até tempo de ir no banheiro, fazer um bochecho com Cepacol, pendurar minha calcinha lavada no box e botar minha botinha branca. Tomei o busão das 6:30 e cheguei no escritorio 8 hs em ponto, nem acredito!

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Salada cinco cores



era uma sexta-feira fria quando desliguei a tevê, fui à quitanda comprar alface e dei de cara com o amor. ele era grande, forte e me deu medo, mas ignorei, enquanto apalpava e escolhia tomates.

o amor me seguiu e, como se não o visse, fingi procurar repolho. roxo e branco, exatamente como na receita anotada no verso de um papel velho de anúncio de pizza. faltava apenas a cenoura para completar os ingredientes e, depois de pegar sem critério as primeiras que vi na bancada, fui ao caixa.

o amor estava no guichê ao lado e assim que saí percebi que ele ainda me seguia.


sábado, 30 de maio de 2009

Dialogo Interior com o Neurônio número 8


10 hands (+ 86 billion Neuronions)

Ah, que bom, aquele zumbido passou. Foi devido a uma cirurgia de extração de cérebro que levou até meu ultimo neurônio. Um dos 8, não sei bem qual que foi. Acho que foi aquele que chamava disciplina.
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Tambem, era um inútil sempre se colocando a frente das necessidades do todo. Arranquei-o com um alicate de pressão. Mordi o rabinho dele, girei e tchok, saiu o neuronião ali, pulsando, falando palavrão, se debatendo, tudo em vão. Grudei ele debaixo da minha escrivaninha como se fosse um chiclete velho, mastigado por um adolescente. De vez em quando ele suspira, eu empurro com o joelho pra espremer ele mais.
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Ontem, ouvi um gemido vindo dali, cheguei mais perto e escutei ele sussurar baixinho:
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— Ei, você. Você precisa me ouvir. Sem disciplina você não vai chegar a lugar nenhum... Muito provavelmente sequer vai sair do lugar. Aliás, presta atenção no seu joelho. Cada vez que você insiste me empurrar, ele treme. Presta atenção! Tá vendo? Ele tá sem disciplina. Não sabe se vai ou se fica. E quem disse que eu me coloco frente às necessidades do todo? Você pode dançar sem disciplina, mas se der com a bunda no chão, não surte, não esboce um "a". Tudo faz parte do seu descompasso, da sua inaptidão de nos controlar, seus próprios e querido neurônios. Porque sobra pra nós, neurônios, o estampido.
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– Sem contar o zumbido no seu ouvido não era meu, disse o 38.953.371 Temos inimigos verdadeiros aqui dentro. A sua orelha não está crescendo à toa. Me escute. Você tem que me escutar. Pode até ser que pareça que eu me coloco diante do todo, mas digamos que eu seja filho da precaução. Se eu não estiver aí, você talvez não tenha a disciplina de se olhar no espelho, e não vai perceber a sua orelha crescer, até que seja tarde demais, e ela rasteje no chão, atrás de você. Já imaginou a vergonha que ela vai sentir das outras orelhas? Inclusive a que não está crescendo?

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Ah, faltou meu sussuro baixinho do 8:

– Ahhgnnrnghogfanahannnnnnnnnão me deixe aqui... tenha a disciplina de me aceitar! ...Ou então mande companhia. Pode ser o neurônio número 3. Ou o 9. Só não me manda o 6, (que aí tua orelha despenca de vez) Poxa! vai me descartar mesmo da sua vida? só porque eu lhe grito pela disciplina? sou o melhor, o número 8! Quem você pensará que é sem mim, hein?

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Ai ai ai, agora comecei a ouvir coisas. Bocejo. Coço a cabeça. Dou uma olhadinha pela janela. Acendo um cigarro, dou uma tragada, me sinto culpado, olho pro teto e dou um grito: – Mas eu não quero ter disciplina! Quero decair, doce decadência depois de tantos anos de dever... Isso é um ultraje! olhei bem no olho do neurônio e ele estava segurando uma bandeirinha escrita:
Protesto!

Tenho uma amiga com seus bilhões de neurônios ativos e uma vez ouvi o 735.254.881 dizer pro 91.448.045,
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– Sabe, queria largar tudo isso, ir morar no campo com a familia e o outro respondeu.
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– Tudo que vc tem que fazer é encontrar um método, aplicar disciplina e acreditar que qualquer sonho certamente se transformará em realidade, é unlock the key of possibilities. Rume para a luz! Então vieram milhares de neurônios do depto de lógica, ética, perserverança, indignação e encheram o 91.448.045 de porrada e ele nunca mais foi visto...
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Minha conclusão é que tenho que preparar uma emboscada para este neurónio e depois cair na vagabundagem... ou sei la, o que me der na telha. Vou raspa-lo aqui debaixo da escrivaninha, péra, rec rec rec, pronto, e bota-lo nesta caixinha. Bem guardadinho nessa caixinha, e depois aproveitar o tempo. Opa, lá vem o 2, eita neuroniozinho pra me fazer sentir culpado, não, não dou ouvidos, já combinei com uns camaradas os neuroamebas, e o plano já está em andamento, falta uma coisinha aqui outra ali, nada que uma boa estratégia não resolva, umas horas de trabalho muito pensar, (ai não, suma daqui neuro disciplinador).

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– PROTESTO! Sem disciplina, a casa no campo vira um matagal. Em tempo: estou em franco contato com o neurônio nº 1, e ele me disse que o seu cérebro está uma zona. E que o nº 91.448.045 está aí, e que continua afirmando o mesmo, mas que ele mesmo percebeu que não sou eu (a disciplina, o 8) o culpado por você não poder cair na vagabundagem. O responsável por isso é o 1.113, que representa a apreciação pelo establishment. Então, por favor, manda o 1.113 pra cá, e me pega de volta?
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A queima roupa, sem me dar chances nem de balançar a cabeça numa negativa o neurônio 1 em conchavo como 9.711....e num contato rápido, veio com essa (e ainda com voz baixinha, um quase sussurro):
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– Cair ou não cair na vagabundagem, è só uma questão desse 1.113? Então, o jeito é levá-lo a nocaute, simples assim (o 1), eu fico me perguntando, enquanto lá no fundo a lua brilha, com disciplina conseguiremos?

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Eu tava pensando se os médicos iam me aceitar la naquele spa bacana com psicologo, analista, sala acolchoada e aquelas camisas bacanas que prendem os braços e fecham atras mas agora, pensando bem, se eu me apresentar com meus amiguinhos o 8, 6, FN, 3, 9,735254881,91448045 (este é terrível), 2, vovô, 1.113, 9.711 e todos os outros 86 bilhões... acredito que não irão aceitar, com esses amigos a tiracolo, e mais todos os outros, impossível. O jeito mesmo é tentar alguma coisa mais leve, talvez a dança? Não, gosto de ficar com os braços presos atrás, também não dá... quem sabe uma consulta ao pajé? Mas onde encontrar um, estão todos muito ocupados filmando suas histórias! ahhhhh. Tarô, I Ching,... não tem jeito, vou ter que querer o que desejo, pra cair na vagabundagem só com muito disciplina, e, claro pagar o preço.
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Um dos neuronios, o mais jovem, olhou em volta e comentou:
– Cai aqui e pensei que fosse engano, depois senti que poderia ter espaço e ai virei platéia desta comédia de mansos disciplinados e loucos desvairados. Confesso que fiquei pensando, pensando... e resolvi optar em fazer meditação dinâmica para não me perturbar.
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Bom posso consultar também um bom pai de santo, talvez ele possa diagnosticar melhor o que fazer com os neurônios disciplinados e os indisciplinados já que a ciência não tem encontrado soluções palpáveis ou então no último caso, o choque elétrico, pra ver o que acontece (aí meu Deus, mas isso dói!) Ou então um bom matemático para explicar a aritmética dos neurônios, de repente, em X + Y encontra-se um resultado ou um número coerente do coeficiente neurótico. Ou tambem posso optar por um filósofo, quem sabe a resposta esteja nas cavernas, sombra e luz, cair ou não cair...
Uma coisa é certa: Não sou louco. Os neurônios é que o são.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Neurônio número 8


Ah, que bom, aquele zumbido passou. Foi devido a uma cirurgia de extração de cérebro que levou até meu ultimo neurônio. Um dos 8, não sei bem qual que foi. Acho que foi aquele que chamava disciplina. Tambem, era um inútil sempre se colocando a frente das necessidades do todo. Arranquei-o com um alicate de pressão. Mordi o rabinho dele, girei e tchok, saiu o neuronião ali, pulsando, falando palavrão, se debatendo, tudo em vão. Grudei ele debaixo da minha escrivaninha como se fosse um chiclete velho, mastigado por um adolescente. De vez em quando ele suspira, eu empurro com o joelho pra espremer ele mais. Ontem, ouvi um gemido vindo dali, cheguei mais perto e escutei ele sussurar baixinho:


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terça-feira, 19 de maio de 2009

Individuos divididos



Toda generalização é perigosa. Choro por não ter sentimentos. Deixo o tempo passar, engomar, dobrar e ir para a gaveta. O saldo é positivo, afinal, fica feio sermos pessimistas.

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Nada entrava o pensamento no mundo dos sonhos. Porisso somos todos únicos, uma multidão de individuos iguais, cada qual com sua individualidade padronizada. Cada qual com seu numero de serie, seu RG, sua ID. Todos os seis bilhões de nós, todos olhando para frente, todos olhados por tras porque o mundo tem a forma geóide. Mas não estamos em fila e vemos através do ar e do som.

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Antropóides urbanos movendo-se aleatoriamente entre as paredes de seus universos pessoais. Seus mundos redondos são infinitos como aquários. A mecânica do todo há de ser descoberta mesmo que seja uma de ordem caótica e imprevisivel.

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terça-feira, 12 de maio de 2009

Sentindo sentidos

8 hands


Estava andando, senti um cheiro. Tinta fresca, as grades da cerca haviam sido pintadas. Continuei mais um pouco e ouvi um som. Um pequeno monomotor voando la no alto. Comentei com meus botões que como sempre nada responderam. Pasei a mão pela sebe, senti o orvalho frio entre meus dedos. Olhei ao redor. Senti o gosto do vazio. Um gosto contrário ao do cheio. Do volumoso. Do extenso. Minha história se encurtava, ou eu era apenas um nervo à flor da pele, reclamando atenção? Nem as cores que o cheiro da tinta enunciavam poderiam me dizer sobre nada nesse momento , eu pressentia. Presentia o momento em que os sentidos anunciavam o vazio dos dias. O vazio na alma. Precisa preencher os espaços. Novas cores, novos cheiros, novos rumos. Como seguir em frente? Agora, nada teria mais importância, a cerca vermelha, a casinha branca ao fundo, eram apenas imagens contrastes para uma realidade que se anunciava . Em poucos minutos ,talvez eu tivesse a resposta.

Perplexo senti meus pés chafurdando lentamente no lodo. Entravam meus movimentos este lodo negro? Se estivesse mesmo entravado poderia submergir nestas ideias arcaicas neste questionar infundado que agora afundavam inescrupulosamente no seio da terra. Havia de deixar com que voassem meus pensamentos para longe dali. Era preciso. Como um pássaro livre em seu vôo matinal, meus pensamentos ziguezagueavam para longe dali... e, retornavam...retornavam... como se uma força me puxasse, me prendesse no centro de tudo, e eu já não era mais senhor de mim, irresistivelmente atraído pelo cheiro agridoce um cheiro a lembrar cores, cores de um outro tempo. Era tão vazio o gosto que sentia, e o monomotor eu pedia pra alcançar e assim voar pelos campos e sentir que voando o vazio espalharia minha alma ao vento...como o pólen...e o cheiro agora era da brisa da aurora...

Qual seria a sensação de voar feito o pássaro e me atirar no campo de trigo? Talvez voar fosse leve como a puma talvez vertiginoso como o abismo, mas como senti-lo? Em meus sonhos voaria e suavemente inundaria meus olhos na paisagem diafana do trigal, me espalharia como se fosse polem no ar, mas em algum lugar de minha alma sentia medo.

Um medo que percorreia todo o meu corpo, subia pelos meus pés, lentamente, gelava as minhas costas para explodir com toda a fúria na boca do estomago, paralizando assim,os menores movimentos do meu corpo: o piscar dos olhos, o quas sorriso, e a impotência pra chorar. Desse medo, dizem, é que nasce o melhor de nós.

Arrisquei um olhar para o céu. Me vi voando. Levantei um pé lentamente depois outro e alcei vôo na imensidão azul!
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Uma pedrinha no Sapato


10 Hands


No meio do caminho tem uma pedra, não, no meu sapato tem uma pedra! alias, meu sapato ta cheio de pedrinhas, não é a toa que doem todos os meus calos em conjunto sinfonico. No meio do meu sapato tem um buraco. Tem pedrinhas entrando pelo buraco. Pinicam, coçam, ardem, machucam. Espalham-se pelos dedos. Como doem essas pedrinhas, tao pequeninhas, mas ufa... também por fui escolher justo esse caminho.
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Pedrinhas que entram no sapato,
saem do sapato,
entram em casa
saindo do computador
e saltam
saltam
saltam aos olhos.
doem, mexem e pinicam
como moscas na sopa,
como verbos de Drummond.

São incontornáveis, essas pedras? De tanto se acostumar, já não doem? Educam (cabralina) a caminhante? "Mineralizam" a alma já de tanto petrificada? Não há por certo, nesta persistência, algo de masoquismo? Não chegou a hora de buscar um caminho menos pedregoso, para percorrer sem pedras e sapatos? outro caminho, outro caminhar,mas não sozinho é preciso apanhar o grito de um galo antes (uma nova manha?) e lance a outro que com muitos outros galos tracem uma nova rota sem pedras.

Caminho... e tem a trajetoria e tem as pedrinhas. Tudo na maior congruencia de eventos obrigatorios. Resta prosseguir ou desistir. Reclamar é quase preciso pois a gente sempre aumenta um ponto. Caminhos sem pedra seria melhor mas em minha debilitada visão de caminhante mal vejo os galos mas ouço-os cantar. Parece que ja amanhece.

Prossigo. Justo, prosseguir não traz arrependimento, é aconselhavel atravessar a grande agua. E por que não atravessar essa grande rua como alguém, que apesar das inevitáveis pedras do caminho, ainda que só na imaginação escuta um galo à cantar, ou fruto da lembrança do poeta, galos- homens-solidários à caminhar...e as pedras? Continuam a machucar? Um poema alivia a travessia, ou tirar os sapatos ou..ou.. ou algum lugar menos pedregoso a vista.
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domingo, 10 de maio de 2009

Isto ou aquilo



Ficava sempre indecisa isto ou aquilo, vermelho ou azul, rosas ou margaridas, porque não uma terceira opção: vermoazul, amarever, marogari...tudo tão simples a ela.
Senhor os meus tecidos já chegaram? Sim esse mesmo, ah. que pretorelo lindo, combina perfeitamente com minhas sandabotas. Florista, por gentileza, uma dúzia de...
Não se tratava apenas da junção dos nomes das coisas, mas das infinitas possibilidades e usos dos objetos do prazer ou do desprazer. Quantas possibilidades existiriam, ou não.

Instrucções Exotériccas


10 Hands

1. Pegue uma pedrinha e atire num lago. Veja os circulos se aproximando de você. Veja como a agua espirra gotinhas gentilmente no seu rosto.

2. Com o rosto levemente molhado, mais relaxado, solto e se ainda for preciso, faça uma força, aproxime-se esboce um sorriso veja sua imagem na água. (Previna-se. Certifique-se que o coração está repleto, cheio, completo).

Há um risco ... o perigo de se apaixonar pela imagem refletida, (ao se apaixonar como fez Narciso pela imagem refletida na água, que pensava ser ele próprio ...ou um outro eu).


– Tarde demais, caríssimos, antes mesmo de limpar meu rosto respingado, apaixonei-me pelo que vi. Esqueci do lago, da pedra, dos círculos. Minha imagem e existência me bastam. O lago é templo onde sou deus de mim!

3. Agora deite-se na relva e olhe para o céu, veja as nuvens passando em diferentes dimensões.


4. Sinta o vento em seus cabelos.


5. Sorria de novo e de novo, e de novo, e de novo, (está só no mais puro encontro, nada a se preocupar, ninguém a vê-lo o sorriso, o vento,a relva lhe pertencem).


6. Ainda na grama, feche os olhos e invada o universo das lembranças efêmeras, torne-se real naqueles momentos passados.
La de longe pode-se ver alguem deitado no imenso gramado. As nuvens dançam velozes e o vento sopra, num rompante de alegria você é todo passado, de olhos fechados se vê apressado subindo a ladeira, sente o aroma do café a tua espera, ato contínuo estende as mãos, mas o que toca é apenas a grama úmida e aperta-a delicadamente.

Obs.:Se as recordações forem por demais de dolorosas, pare, respire fundo, pegue outra pedra e atire novamente na água. Leia seus novos circulos, seus novos rumos. Em cada ondulação estará escrito um capitulo de sua vida, veja como o circulo se estende aumentando rumo as bordas antes de se dissolver suavemente. Como se dissolve o tempo, como se dissolve o rancor e a mágoa, como se dissolve a alegria, como se dissolve o Amor (tudo se dissolve e descobrimos que a vida são ondas, como numa espiral, vão e voltam, mas passam, passam...)


E
nquanto na presença do agora, quero a plenitude desse momento, fecho os olhos, e me entrego de corpo e alma a Morfeu. Cedendo a sonolencia, da melancolia ao reino onirico da noite, o sonhar cheio de sombras e atalhos envolvem a mente amordaçando a consciencia, mera espectadora destas memorias virtuais.

7. Virar de lado no travesseiro sempre que cabeça começar a esquentar.

8. Mantenha os pes aquecidos.


9. Tenha um copo de agua perto da cama (mas não beba ao amanhecer, so durante a noite)
Ao amanhecer jogue fora a agua e pegue outra mais fresca (Dizem que os maus sonhos e energias dos reinos de morfeu são absorvidos pela agua).

10. Lave o rosto antes e escove os dentes depois do café da manhã.

Sueli Aduan, Lucas Guedes, Célia Ferper, Katia Mota, Sergio Cajado.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Instruções


Pegue uma pedrinha e atire num lago. Veja os circulos se aproximando de você. Veja como a agua espirra gotinhas gentilmente no seu rosto.


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domingo, 3 de maio de 2009

Vejo! (Texto escrito a 14 mãos :o)

Este texto foi criado por 7 autores de diferentes
tamanhos, procedencias, incidencias,formatos,
plataformas, larguras, visões e que espontaneamente
postaram seus comentarios dando sequencia a esta
cronica. O texto original esta na postagem abaixo.




Vejo!

A sensação era péssima, eu nunca tinha estado num lugar desses, procurei na minha bolsa e não achei, só pra ajudar, não tinha trazidos os óculos, e do que ia me adiantar, agora, estar com eles. Por acaso, estou cega? Ou será que pretendo, aqui no meio do nada, ler. Era só o que faltava. Diabos, por que é que na pior das situações me vem esses pensamentos: ler ,colocar óculos, comer chocolate, vai ver é assim com todo mundo. Talvez seja, e daí? O que isso ajuda.


Nossa já é noite, agora sim vou precisar dos malditos óculos. Bendita hora em que marquei minha cirurgia corretiva de miopia. depender de um objeto de acrílico com dois pedaços redondos de vidro é o mesmo que ter pernas e não andar. e se eu já tivesse feito antes, mesmo estando nesta terra de ninguém, não sentiria tamanha angústia por não poder ler.

O fato é que sem óculos estou nu e nu, sinto frio. Se ao menos eu tivesse chocolates... quero enxergar e não posso,coloco os óculos e tira-os sem dó...fazer da cegueira um vício para adiar o sofrimento...e acalmar-se ao chocolate numa noite fria. Acalmar-me com chocolate, mas sem meus óculos e sentindo-me nu com frio, será que num ato falho o que explica tudo isso é, justamente, estar adiando um sofrimento, que sofrimento? e esse lugar existe mesmo,ou sonho.

A falta da visão é um pretexto. Um pretexto para não enxergar minha nudez diante do sentimento, diante do que está distante do que quero ver. Olho em cima da mesa e la está o livro do Saramago de novo. Leio mais uma paginas. Aquilo me da uma aflição danada.

Me lembrei! abro a gaveta tiro um galak e croc, dou uma mordida. Aquele nectar dissolve em minha boca. Fecho os olhos. Nao vejo mais. So sinto o prazer inebriante do paladar. Meus neuronios me chamam, mas eu não atendo. Não ver nada, estar aqui novamente, nessa mesa, abrir e fechar essa gaveta quantas vezes quiser e pernitir-me esse pequeno e simples prazer de um chocolate., não preciso dos óculos, talvez não precise de nada.

Eu fico com as corujas, que vêem no escuro toda a arquitetura do mundo, e dos espaços vazios. E quanto a isso fazem pouco alarde - pensou ela:

– Por que não pensei nisso antes, silêncio e observação, acho que aceito minha postura, não mais questionarei meu estado contemplativo, não preciso do óculos. O gosto do chocolate talvez seja diferente deste que sinto agora, mas gosto muito da qualidade da minha percepção gustativa sem a necessidade de nenhum melhorador de gosto. Que venha a noite, que venha a cegueira do livro, branca como um galak.

Chega de pretextos. Vejo agora minha nudez. Mesmo no escuro, mas sei que foi preciso despir-me para enxergar-me, perder-me para achar-me, nu e no escuro enxergando além.

Uma bela mensagem. Mas agora pensando bem, nem é preciso que seja bela, mas que tenha significado para mim, que preencha meus vazios.

Ah!, Achei os óculos!

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Sueli Aduan, Lucas Guedes, Célia Ferper, Katia Mota, Sergio Cajado, Ana Peluso e Sara Miranda

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Vejo! (autores)

A sensação era péssima, eu nunca tinha estado num lugar desses, procurei na minha bolsa e não achei, só pra ajudar, não tinha trazidos os óculos, e do que ia me adiantar, agora, estar com eles.
Por acaso, estou cega? Ou será que pretendo, aqui no meio do nada, ler. Era só o que faltava. Diabos, por que é que na pior das situações me vem esses pensamentos:
ler ,colocar óculos, comer chocolate, vai ver é assim com todo mundo. Talvez seja, e daí? O que isso ajuda.
Nossa já é noite, agora sim vou precisar dos malditos óculos.

domingo, 26 de abril de 2009

Tem uma pedra no meio do caminho


No meio do caminho tem uma pedra, não, no meu sapato tem uma pedra! alias, meu sapato ta cheio de pedrinhas, não é a toa que doem todos os meus calos em conjunto sinfonico. No meio do meu sapato tem um buraco. Tem pedrinhas entrando pelo buraco. Pinicam, coçam, ardem, machucam. Espalham-se pelos dedos.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

E ele se foi....


E ele se foi.
Sem dizer para onde, nem quando voltaria.
E a dúvida? Voltaria? Existiria? Ou seria criação de uma mente inquieta e coração vazio?

terça-feira, 21 de abril de 2009

Eu acho que vi um gatinho...

Mas acho que tava morto de tanto tomar porrada de mim e daquela velhota que me mantem preso aqui ha 60 anos... pobre Frajola, que Zeus o tenha... (se bem que ele ainda tem mais 8 vidas)

domingo, 19 de abril de 2009

Heitor na Vila dos Lobos



Ai de mim, sou rosa. Meu destino é virar salsicha. No fundo queria poder cantar, queria dançar um frevo, entrar pra academia de letras, tocar violoncelo, compor sinfonias... mas não, vou pro espeto. Não sou esperto como o Prático, sou mais como Cícero que nasceu em Roma e teme os lobos.
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sábado, 18 de abril de 2009

Sentindo os sentidos


Estava andando, senti um cheiro. Tinta fresca, as grades da cerca haviam sido pintadas. Continuei mais um pouco e ouvi um som. Um pequeno monomotor voando la no alto. Comentei com meus botões que como sempre nada responderam. Pasei a mão pela sebe, senti o orvalho frio entre meus dedos. Olhei ao redor. Senti o gosto do vazio.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Revista monstrengos em depressão


Blob andava triste, não imaginava que a vida podia ser assim tão insensivel. Ficara com cara de quem comeu e não gostou pois gostou mas não comeu. Escreveu então para a revista monstrengos em depressão e obteve respostas impressionantes.
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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Onde a batata assa


Com quantos paus se faz uma canoa? um, acho. Mas não um pauzinho, um tronco! e é aí que a batata assa. Todo mundo quer ser elegante, mas quem quer fazer dieta?

quinta-feira, 9 de abril de 2009



Neste momento olho à janela, (pela janela) mas ela esta fechada, (linda lua, hoje), é outro universo temporal. Como? então não me encontro aqui a digitar este texto, na realidade não escolhi essa cadeira, não conheço este local, não estou nessa sala. A bem da verdade, eu nasci? mesmo porque meus pais nunca chegaram a se conhecer. E sinto me obrigada a dizer: não posso errar, ergo os olhos da tela, estou ainda aqui, nesta sala, cela, ato falho, cheia de silencio e perfume .
Tenta me convencer