Foi na Barra funda em meados de 1733 que Gerundio Passalaqua experimentou a primeira vez. Não se pode dizer que ele sentiu volúpia, mas um destes estados neutros que beiram o êxtase e o desespero. Foi por assim dizer um momento pródigo cheio de tensão e surpresa destes que ficam durante anos impregnando os canyons de nossa memória com a sutileza de um furacão.
E, que faço agora? Vivo somente dessa recordação, com os olhos sempre voltados para o chão, perdido feito um cão.
Hum! Só me faltava querer se poeta, e pelo andar da carruagem, não tenho o menor talento.
Quem sabe eu possa escrever alguma coisa, mas não em verso. Esse aperto não quer passar todos os dias atrás desse balcão vendendo, e pensando na mesma coisa.
Um dia atrás do outro, entre o zelo e desmantelo, sigo arrastando, como correntes, aquele desespero travestido de euforia.
Na corda bamba com o coração em compassos de samba.
E entre balcões, bêbados e suspiros, mais um dia se foi, tenho de arrancar de vez essa imagem, como as peras que apodrecem sob o prato, sinto-me definhar. O relógio não detem a morte das peras, não posso deter em mim esse pulsar,
Saio do balcão, lá fora o sol me aquece, e descubro que não adianta nada, o calor não afasta o frio da alma. É muita sorte estar tão quente neste inverno que a pouco era rigoroso. Fixo meu olhar nas carroças, distrações a parte, a memória pulsa.
Por que meu pai? Deus todo poderoso. Por que me atormenta e castiga?
Vou pedir o resto do dia de folga, embora esteja tão cedo meu patrão há de entender. Há sim. É que quando a gente chora o relógio parado, a morte do tempo, nem sabemos que dia é o hoje. Perdi mesmo a noção do tempo, também só faço chorar, nessa solidão sem fim, mas eu não me chamo Gerundio Passalaqua se hoje não me perder de tanto amar.
Amar, minha mulata de bronze, que saudades tenho de ti... Não a vejo há apenas dois dias, mais me sinto como se fossem décadas, meu coração verte lagrimas de desespero sabendo que nosso amor secreto não pode ser legitimado. Devo casar-me com Karmem, mais é a ti que amo.
Meu senhor! Viro-me para meu patrão, que recostado na parede da entrada do mercado pensativo. Diz:
_não fique ai a pensar, faça como eu, a cada passo que dou sinto meu coração bater, sinto a vida em todo seu esplendor, rodeado por cor e luz.
Todos os poros da minha sensação de pele macia apreciam esta brisa que me rodeia, me faz sonhar, me ajuda a continuar lutando, continuar a amar, confiar, e esquecer os dias negros.
Por um momento eu sinto a força da vida que cresce dentro de mim e com essa força eu sinto que posso continuar a seguir!
Bebendo desta fonte Inesgotável.
A fonte de onde tudo nasce, o desejo, que fica impresso no fundo das nossas vidas para sempre, que ficou em mim, Gerundio Passalaqua, em Karmem, em Marias, Antonios, Pedros, Vinicius, nas multidões, na Barra Funda, em Montmartre, em Cádiz, mundo afora.
O desejo de tudo comer.
CajadOmatic, Youkai, Kátia Mota, Grupo CeroVersoB , Meu Cantinho ,Sueli Aduan
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Gerundio Passalaqua e as sutilezas da Paixão
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Foi-se o martelo (tit &¨imagem prov. 78.453)

Foi na Barra funda em meados de 1733 que Gerundio Passalaqua experimentou a primeira vez. Não se pode dizer que ele sentiu volúpia mas um destes estados neutros que beiram o extase e o desespero. Foi por assim dizer um momento prodigo cheio de tensão e surpresa destes que ficam durante anos impregnando os canyons de nossa memória com a sutileza de um furacão.
No telhado tinha um homem...tinha um homem no telhado...no telhado...

Blasfemo contra todos os santos e digo que o
fim está próximo.
Digamos que eu suba no alto de um prédio e comece a gritar como um louco às 4 horas da manhã. Xingo o prefeito canto musicas de mau gosto e atiro longe meu sapato que cai num teto de zinco com o maior estardalhaço. Suponhamos que eu faça tudo isso sem o menor pudor, respeito ou vergonha na cara. Fico ainda pelado e começo a correr por cima das telhas. Jogo uma garrafa de wodka no meio da rua, acendo um baseado e danço todo desengonçado. Mijo lá de cima na capota dos carros parados e digo que Nietzsche estava certo e que Deus está morto. Blasfemo contra todos os santos e digo que o fim está próximo. Aí do nada surge uma figura e me diz:
Maninho você viu meu fígado, não estou encontrando meu fígado...
-que fígado Pedro! chapou de novo é...
-é culpa sua, não vê minhas vísceras espalhadas sobre meus pés...
olhando mais atentamente Clark percebe a ausência de órgãos no abdômen de seu irmão, ao chão misturado sobre sangue negro e fétido encontram-se intestinos, rins e uma gosma gordurenta e amarelada de cor de pus que recobre a carne destroçada...
-meu deus homem o que aconteceu com você? Despejou tanto desespero em sua voz que se assustou e olhou para os lados freneticamente...
-o que, não se lembra mais? Maninho você me deixou morrer. o pó, lembre-se, o pó maninho.
-seu velho punk desgraçado suma daqui, seu merda maldito, maldito, me culpa por tudo, sempre culpou, não foi minha culpa, não foi minha culpa, não foi... os gritos irromperam de sua garganta cortando o céu rubro da noite, mais foram cessados pelo vomito que escorreu entre seus dentes e banhou seu tronco nu, tombou para frente de joelhos, suas órbitas viraram e desfaleceu sobre a possa formada pelo seu próprio vomito...
A manhã rompia quando recobrou os sentidos, ou acordou, ou a ressaca, o cheio, o calor começou a incomodar. Não havia ninguém ali, nenhum sangue, nem víceras, nem nada, só. Estava completamente sozinho salvo pelo sol que começava a tingir o céu de magenta.
Que sonho! Que alucinação!
Desceu do telhado, envergonhado, descalço, sujo.
Dignidade era algo que Pedro não podia esperar para si naquele momento, mas não precisava de dignidade, sim, de um bom café, com torradas e geléia.
O dia havia restaurado toda sua consciência e Pedro não tinha alternativa, a não ser encarar sua fragilidade. Levantou-se e foi ao encontro daquela mulher, não sem antes passar em casa, dar um tapa... conseguir se por apresentável.
A decisão estava tomada, não iria fraquejar dessa vez. É isso mesmo.
Dessa vez eu pego aquela zinha, não vou dar tempo não, quando ela perceber já era cara, o 38 vai estar dentro da sua boca, vai pagar caro cada telha quebrada, cada garrafa de vodka que enfiei goela abaixo, não ficará impune.
Quero olhar fundo em seus olhos e, me permitir sentir toda a repulsa, toda raiva... daqueles olhos verdes, daqueles...olhos Verdes como o mar, verdes como os pinheirais...verdes.. verdes..Chega maldito, pensamento. Cadê meu revólver daqui...
E, assim após uma breve caminhada escada abaixo, pelado mais determinado irrompeu pela porta do apartamento 543, apartamento que não lhe pertencia, mais seu proprietário não se importaria que fosse reocupado, afinal estava meio morto, era o apartamento de seu irmão.
A primeira coisa que fez não foi tomar um banho, mais sim dar um tapa, a coca em cima da mesa também não lhe pertencia, mais quem reclamaria, no fundo a merda toda já estava feita, aqueles traficantes italianos não largariam do seu pé até que a divida estivesse paga com seu sangue, divida esta que também não lhe pertencia, mais o diabo já havia enfiado o tridente em seu rabo.
Rapidamente limpou-se, chapou o cabelo louro para traz com gel, vestiu um paletó cinza e de dentro do criado mudo retirou o revolver calibre 38 , este sim lhe pertencia.,pegou também as chaves do velho mustang do tio Vincent, que emprestará no dia anterior, e saiu pela porta a caminho da fábrica, onde encontraria aquela vaca que traiu seu irmão...
mais antes mais um tapa...um tapa...e o improvável aconteceu...uma lucidez surgiu dentro de si, já não era o mesmo e, com toda certeza não era efeito daquela droga.
Sentiu-se renascer a caminho da fábrica, talvez a paisagem... ou o som do velho mustang. Tio Vicent sabia das coisas d'alma.
Vivaldi e uma imensa alegria.
Então, desligou o motor, seu rancor já não extremava mais atitudes que poderiam lhe causar danos profundos na alma, muito além, de todo o pó da civilização. Ansiava por liberdade. Sabia que era inevitável o sentimento de perdão. Não suportava mais sua escravidão e diante daquela mulher, que tanto odiara, daquela vaca infame, seu olhar apiedou-se. Ali estava a grande chance, de reconciliar-se com sua amada, mas foi
nesse exato momento que ouviu :
-Eu sou aquela a quem tu clamaste todo esse tempo, e digo-lhe que fizeste tua lição corretamente, vejamos; perdeste toda confiança em ti, conseqüentemente não mais enxergas o outro. Renegaste todo e qualquer "invisível" transformando-se em uma figura deplorável. Profanaste o templo que está em tí e finalmente entregaste-me o que há de mais valioso no Ser, a tua Alma!!!!!
Quando a velha sem nome começou a aplaudir, a aplaudir pausadamente o espetáculo solitário que eu fazia. Aplaudia com a força do flagrante Segurei meu pau.
Um calor do inferno vinha do corpo. Uma alegria escancarada de ser imoral!
E, ali sozinho nu o calor foi cedendo, cedendo....lentamente, e agora já sentado, com uma vista privilegiada, olhei ao meu redor, escutei o silêncio da noite, olhei lá longe os pinheirais verdes, relembrei os olhos da minha amada, na mente as palavras de Nietzsche misturavam-se com a de um outro,o rabino Bonder, Nilton Bonder, e seu livro, A Alma Imoral, leitura em que percebi, que podia repensar minha vida, escolher um novo caminho.
Mesmo porque, com Deus morto, e com a minha vontade de potência, descubro que não sou imoral, apenas humano demasiado humano.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Provisorio 5438
Digamos que eu suba no alto de um prédio e comece a gritar como um louco as 4 horas da manhã. Xingo o prefeito canto musicas de mau gosto e atiro longe meu sapato que cai num teto de zinco com o maior estardalhaço. Suponhamos que eu faça tudo isso sem o menor pudor, respeito ou vergonha na cara. Fico ainda pelado e começo a correr por cima das telhas. Jogo uma garrafa de wodka no meio da rua, acendo um baseado e danço todo desengonçado. Mijo la de cima na capota dos carros parados e digo que Nietzsche estava certo e que Deus está morto. Blasfemo contra todos os santos e digo que o fim está próximo. Aí do nada surge uma figura e me diz:.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Subindo e descendo

mas é assim mesmo, quando não é pra
ser não há nada à fazer. Hum... Será?
Era esse seu pensamento, naquele finalzinho da tarde, na plataforma da estação vendo ao longe o trem que partia... havia se perdido. Pensou em voltar para casa em que estava hospedado, na periferia de londres, mas resolveu esperar o próximo trem, que chegaria em 15 minutos. Sentado naquele banco de ferro tão gelado quanto o vento, observou que um rapaz ao seu lado também estava aflito. resolveu puxar assunto e perguntou:
- One of those days, right?
- Sim, um dia e tanto... não se assuste sou brasileiro e percebi de imediato que vc também é.
- Como?
- Ah! adivinhe...
Sentados no banco por alguns minutos se instalou um silêncio, uma breve pausa, algo que levava o pensamento de duas pessoas ao longe. Os dois pareciam espelhos um do outro.Pensavam juntos o que levaria perder aquela partida, já haviam tantas vezes tentado. Até que um perguntou ao outro.
- Porque quer partir? Para voltar ou para ir embora? O outro num tom calmo, respondeu:
-Para chegar...chegar em algo que eu mesmo não sei explicar... e você?
-Eu, mais uma vez, tentei partir, mas todos os dias perco o trem e fico aqui sentado ao vento, esperando a minha hora. Não se pode mais adiar, é preciso uma decisão. Faço um trato, assim que o próximo trem chegar subirei lentamente, degrau por degrau, o vento gelado sob meu corpo ficará pra trás, levarei somente os momentos aqui vividos, algumas oportunidades perdidas e a certeza de estar sempre partindo...
Olharam-se profundamente no mesmo instante em que o trem abria suas portas. Subiram os degraus, entraram no trem e logo este partiria para longe dali. Cada um tinha em mente que tanto podiam voltar para suas antigas vidas ou começar uma nova à partir daquele momento. Era tentador, a oportunidade se apresentava mas algo impedia, um aperto no coração, lembranças indo e vindo,o medo dominando tudo, até que num gesto tresloucado o primeiro tirou os oculos olhou nos olhos do outro e perguntou:
- Você não é bicha, é?
- Claro que não, respondeu o outro meio rindo, porque, vc tem medo de bicha?
- Não é isso, não tenho nada contra, acho até que os gays são muitas vezes mais sensiveis que os heteros com seu machismo infame...
- Ah!, disse o outro amigavelmente, então vc é bicha!
- hãã, um pouco...
- Hahahaha, sem problema meu amigo, compartilho de sua opinião embora prefira as mulheres. Na verdade tenho quase que so amigas, e apenas alguns conhecidos, acho a maioria dos homens brutais e pouco refinados, sinto-me meio excluido do universo masculino.
- Estou notando uma certa bichice em vc....
- Hahahaha, isso é engraçado, sinto desaponta-lo mas minha libido está mesmo voltada para aqueles seres diafanos que me seduzem ao passar, aquela leveza que até as gordas tem e que nenhum homem jamais conseguiria forjar.
- Serio, eu tambem te entendo, ha alguns anos atras eu tambem me apaixonei por uma mulher... acho que ela era meio masculina, hehehe, mas mesmo assim ainda era uma alma feminina... acabamos porque começamos a virar amigas, hahahaha
- Hahahaha, pelo visto não foi traumatico...
- Não, foi uma experiencia muito romantica. Nem sei porque te conto isso, mas so me apaixonei duas vezes em minha vida.
- Hum, e a outra historia foi com um rapaz...
- Pois é, e essa machucou minha alma.
- Sinto muito, me entristece ver historias sem final feliz
- Ora, algumas historias nem acabam, apenas se interompem flutuando no limbo da esperança.
- E quais as suas expectativas agora?
- Promete que não vai rir?
- Quase.
- Bom, entrei num seminario para ser padre.
- Hahahahahaha, desculpe, não pude me conter, quer dizer que por não conseguir definir suas preferencias sexuais vc se envolveu no universo divino?
- Mais ou menos isso. Vou lhe contar algo que aconteceu comigo em Cardiff quando fui visitar minha tia galesa: Cheguei num dia tipicamente enovoado e cheio de garoa quando vi pela primeira vez esta mulher, minha tia. Você nem pode imaginar o que senti ao vê-la, tinha em minha mente, uma imagem construída dia após dia, pela minha mãe sobre tia Annie. E no exato instante em que me deparei com ela, uma questão de segundos, surgiu a dúvida: minha mãe tinha mentido aquela imagem parada na minha frente, ainda que o nevoeiro atrapalhasse um pouco, não correspondia em nada à figura da minha infância, das histórias que ouvia naquelas noites. Com botas pretas e um velho chapéu marrom, ela foi se virando, virando como num filme; sabe como? É, desses de faroeste, na hora até pensei que ela fosse sacar uma pistola, mas que nada cara, a velhota, deu uma cuspida de lado e, com um sotaque enrolado disse: oi frangote, que bom, faz tempo que não chega um homem por aqui e dizia isso balançando sutilmente o corpo com as mãos entre as coxas. Cara! tremi todo....as imagens cheias de sensualidade da tia Annie suas pernas longas, seus seios firmes, seu cheiro doce, tudo ia se dissolvendo. Eu só podia querer mesmo conversar com Deus, pedir uma explicação, daí pra entrar no seminário foi uma questão de segundos. Afinal um acontecimento desses deixa qualquer um meio bicha ...
- hum... curioso. Não conheço sua tia Annie mas posso imaginar o susto. Eu tiraria de letra, dava um tapão nas costas da velha e diria: ô perua, cê ta mais pra la que pra ca hey? Sei la, ia depender do meu humor, talvez virasse as costas e fosse embora sem dizer uma palavra, talvez desse uma comida nela, uma surra, gargalhasse, chorasse mas não ia virar viado por causa disso nem padre... que é a meu ver, quase a mesma coisa.
- Cê acha que ser padre é viadagem?
- deixe-me colocar desta maneira, ser padre é hoje em dia a maneira mais ridicula de fugir da confrontação com um problema real, vc se entrega a Deus, ele te perdoa e tudo fica resolvido. Acho que o que te faltava mesmo é conhecer uma mulher de verdade, uma paixão que te consumisse e que te levasse a comparar com suas experiencias anteriores, buscar uma visão clara e finalmente decidir se vc prefere mulher ou ser um padeiro distraído.
- Padeiro distraído?
- É, aqueles que deixam queimar a rosca...
- Wow, que grosseiro!
- Desculpe, vc tem razão, piada de mal gosto, mas irresistivel vc ha de convir.
- Hahahaha, é mesmo, mas eu tinha que reclamar, isso não se diz a estranhos.
- É , mas depois de ter contado sobre a tia Annie, não somos mais assim tão estranhos.
- Fine, e quem vc vai me apresentar pra eu ter esta paixão consumidora?
- Ah, that´s your problem, gente é como livro, os melhores vc não acha, eles te acham!
- Foi o que aconteceu!, eu achei a Biblia!
- A Biblia?!? Mas a Biblia é um livro que fala tão somente de perdão e amor
- Sim é preciso ler com esses olhos, senão, vira tudo pecado e putaria.
- Bom, o que importa é amar, ¨Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados amar?¨ hehehe, Drumond, esse era o cara...
- Ora pois! Perdoe-se, ame-se, perdoe sua velha tia e é claro: escolha, lembre-se do livre-arbítrio.
- Você tem razão, vou procurar uma outra resposta.
- Por favor, não me entenda mal, se vc acha que o seminario é o seu caminho, por favor...
- Não, você esta correto, acho que é apenas uma fuga da confrontação.
Neste meio tempo uma outra composição entra na estação e o trem vai parando no terminal. As portas se abrem e muita gente vai descendo dos vagões. Os dois olham para o movimento e notam descendo a sua frente duas garotas charmosissimas. Entreolham-se sorrindo mas este sorriso desapareceu quando atras das moças uma voz ligeiramente esganiçada exclama para eles:
- I just can´t believe in my eyes! Se não é meu sobrinho maricas e seu namoradinho boiola!
O indeciso olha para seu novo amigo e diz:
- Existem mais criaturas entre o trem e a rampa do que sonha nossa vã filosofia.
- Sem dúvida, disse o outro, sont tout choses de la vie, mas eh bien, c'est l'amour! e la se foram conversar com tia Annie.
.....................................................
Lucas, Celia, Jacke, Sueli e Sergio
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Uma questão de segundos
Era esse seu pensamento, naquele finalzinho da tarde, na plataforma da estação vendo ao longe o trem se afastar, o vento gelado em seu rosto, e uma leve sensação de que tudo
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Das incertezas da razão
Pensar na morte era pensar a vida, isso também fazia muito, muito tempo, uma época em que os profes... ah!, pensou...deixa pra lá. Gostava mesmo de deitar na rede, aquela brisa gostosa e, ali ficar observando à morte das formigas, de uma planta, um objeto quebrado, a transformação de tudo.
Foi quando ouviu um barulho vindo do corredor lembrou-se que não tinha trancado a porta, seu coração acelerou-se, um tremor percorreu todo seu corpo, os passos aproximavam-se e, pode ouvir nitidamente o “engatilhar” de um revólver.
A adrenalina tamborilou em suas têmporas. Ofegante tentou manter a calma. Manter a mente aberta para todos os ruídos. Apoiou-se lentamente sobre o braço para que o balançar da rede não produzisse um ínfimo ruído, mas não conseguiu. O ranger do gancho da rede surtiu o efeito de fuga. Sentiu a secura na boca, as mãos gelarem.
Devagar se aproximou da porta da cozinha, lentamente afastou a cortina de contas, o barulho das contas umas contra as outras o deixaria atento ou desencadearia algo fatal. Os olhos demoraram a se habituar à escuridão do cômodo. Arriscou:
_Quem está aí? Não obteve nenhuma resposta, mas insistiu:
_Quem, quem está ai?
e, pra sua surpresa ouviu um ruído seco e um grito agudo de dor.
Paralisou. As idéias...que idéias? Suava frio, e os cachorros latindo juntos. Ela ali, estática., mas era preciso fazer alguma coisa e, tomada por um impulso correu em direção ao grito.
Ali estendido no chão escuro do corredor estava seu roupão de seda envolvendo um vaso de porcelana quebrado de onde saiam camélias agonizantes.
As cortinas da sala flutuavam etericamente adentro do ambiente claro, o murmúrio do mar misturava-se com as gaivotas.
Aquela pequena menina tão parecida consigo olhava inconsolável para o vaso. Olhou para a mãe e levou as mãozinhas ao queixo. O ar era tão leve que a única coisa que poderia fazer era estender os braços e demonstrar sua cumplicidade com todos os atos de sua vida com sua filha.
Correndo pela sala ela se atira no colo da mãe e começa a chorar pedindo desculpas. Ela lhe beija os cabelos e diz:
_Tudo bem, tudo bem, porém pensou:
como nos enganamos quando assustados, tinha tão claro que o som era o do engatilhar de um revolver, mas não, só sua garotinha com suas traquinagens.
Diante disso só podia mesmo rir....,mas conteve o riso ao olhar pela janela e ver um vulto que corria pelo jardim.
Então pode não ter sido ela, tentou identificar o vulto, parecia um homem, mas o perdeu de vista. Correu os olhos pela sala, a menina já tinha saído. Nada de anormal a não ser pelos cacos espalhados.
Foi averiguar o restante da casa com o coração descompassado, vasculhou tudo cuidadosamente, cada canto da casa e, nada.. Impossível, ninguém desaparece assim, pensou.
Foi quando começou a desconfiar de sua sanidade. O vaso quebrado, o som do revolver, o roupão enrolado no corpo de sua filha, seria tudo delírio, alucinação? Claro que não, tudo era tão real, mas e se não fosse?
Tentou rememorar todos os fatos. A rede, o barulho, o medo..
Então, lembra-se que não tinha uma filha e que não mora numa casa com jardim.
Não agüentando a angustia do não saber, das incertezas da razão, corre em direção a janela de seu pequeno apartamento no décimo andar a apenas alguns passos de onde estava e pula no vazio em direção ao ar.
Vê então pela primeira vez toda sua vida num piscar de olhos. Nota o mundo passando veloz e grita de felicidade. Estava finalmente livre.
E desmaia neste processo antes de arrebentar-se no chão do pátio.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
apenas uns passos....
_Pensar na morte era pensar a vida, isso também fazia muito, muito tempo, uma época em que os profes... ah.pensou...deixa pra lá.
Gostava mesmo de deitar na rede, aquela brisa gostosa e, ali ficar observando a morte das formigas, de uma planta, um objeto quebrado, a transformação de tudo.
Foi quando ouviu um barulho vindo do corredor lembrou-se que não tinha trancado a porta, seu coração acelerou-se, um tremor percorreu todo seu corpo, os passos aproximavam-se e, pode ouvir nitidamente o “engatilhar” de um revolver.
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Projeto Padaria: "Um café pra dois"
- Quer algo da padaria? - Perguntou a mãe. - Queria fugir, prolongar o momento, caminhar e criar uma imagem para as palavras.
Traz uma Coca se não for incomodar ahnnn e fecha a porta pra mim, please, vai com Deus Mami... Voltou à imersão total de seu ser naquele mundo eletrônico de onde não se podia evadir ou abandonar sem que a curiosidade o buscasse onde quer que estivesse. O cuco na sala bateu 2 horas.
Apertou novamente o botão de start leu aquela frase estranha, "o himem esta testando a memória estendida".
Seu sistema era moderno, mas colocara aquela frase da qual nunca esquecera a primeira vez que ligou um computador. Olhou para o teto enquanto aquele exercito de ícones iam surgindo em seu desktop.
O skype ligou automaticamente. Correu com o mouse e pos o status em invisível. Não tava pra muito papo. Mesmo assim alguém começou a chamar adivinhando que estava on-line. Fingiu um pouco de morto ate que resolveu atender.
- esta se escondendo do mundo?
Droga, não é ela... o bom do mundo virtual é isso... encheu, DELETE, ou no mínimo... OFF LINE"
Não pensou duas vezes, OFF LINE. Continuou a olhar para o teto, mas queria tanto que ela estivesse on-line...
Qualquer um que entrasse fazia seu coração bater mais forte. Fuçou alguma coisa num site qualquer da internet e ao achar aquilo que tanto procurava deu mais um sorriso de lado.
- Ela precisa saber disso!!!
Correu a abrir seu e-mail .
Nada, mesmo assim enviou a notícia na esperança de que aquele artigo, subjetivo, com um quê de semiótica a trouxesse para mais perto. Sem certeza...
Essa era a exata dimensão daquilo, uma incógnita.
Então, resolvi aceitar o mistério da sua distância, simples assim.
É o que ela quer:
Pois bem, que seja.
Foi quando, sem nenhuma esperança, decidi olhar pela última vez o e-mail
A mensagem dizia:
- Seus pãezinhos estão sendo downloadados para o seu computador
Quem? quem a não ser ela para uma atitude dessa, corri o mouse como uma criança corre atrás de doce.
Enganei-me. Afinal, era ela quem sempre mandava paenzinhos....mas desta vez não era. Pensei em mandar algo do tipo, seria uma surpresa, mas logo descartei esta possibilidade. Vivi tão centrado nela, em seus e-mails que não chegavam, nos pãezinhos...nas...
Sempre ela, ela, ela, que nem percebi a boa surpresa,
Agora chega! Olho pro teto sorrio e,
clic o teto se abre descortinando o céu de enorme azul e centenas de milhares de paezinhos começam a cair envolvendo minha mesa cobrindo o computador tampando meu olhos e saindo pela janela numa cascata panificia inundando as ruas e as avenidas. Era o inicio do projeto padaria.
E também o seu fim.
Kátia Mota- Cajadomatic- Feex Constantin-Sueli Aduan
terça-feira, 21 de julho de 2009
Projeto padaria.

"Seu computador já pode ser desligado em segurança"
Respirou fundo. Bagunçou os revoltos cabelos castanhos, sorriu. Um sorriso involuntário. Um quase sorriso, por conta de um email. Engraçado como de alguma forma aquelas palavras, vindas de uma desconhecida (possívelmente) pudessem o colocar num estado letárgico de divagação.
- Quer algo da padaria? - Perguntou a mãe. - Queria fugir, prolongar o momento, caminhar e criar uma imagem para as palavras.
Apenas uma porta e todo meu sorriso

No ar flutuavam as ondas de uma radio AM com uma dessas musicas que a gente escuta alguém assobiando na rua e que nos parecem tão distante de nossa realidade, que nos sentimos despertos para um outro universo.
Um universo às vezes bizarro, impar, inesperado.
No dia seguinte foi que reparei:
que a cadeira,a camiseta branca o isqueiro,as moedas..o maço...tudo ali me pertencia,a constatação de possuir um tênis chulezudo foi aliviada pela lembrança da tarde em que foram esquecidos numa tempestade, a música,o assobio continuaram distantes.
Somente a paçoca amassada dentro da..,não me pertencia. Memória amarga, do dia em que esse amor não foi consumido. A paçoca jamais seria comida, estava muito velha, era um souvenir de tempos mais sedutores quando ainda em mim morava a esperança. Mas de fato tudo me pertencia, até a cadeira.
Havia muito tempo que não entrava ali, a poeira cobria tudo inclusive a saudade.
Lembrei-me derrepente da gaveta. Ali haviam ficado uma parte de mim, e mesmo com lágrimas nos olhos, ainda pude ver lá escondidinho, no fundo da gaveta, aquele maldito alicate vermelho, com pontas finas, com um corte preciso. Que falta ele me fez.
Parada e estática a olhar aquela cadeira e aqueles insignificantes objetos em meu passado percebi o quanto eram doces como àquela paçoca que deixei de lado naquele chuvoso dia a seu lado, mas não foi derrepente. Nada é.
Aos poucos é que o valor de cada objeto, cada detalhe do passado foi aparecendo e, junto com ele o cansaço das coisas ditas normais.
Cansaço esse daquela rotina, que durante tantos anos foi a mesma chata de sempre, não me deixando ver que cada detalhe dessa vida e de outras, por menores que eles possam ser, cada um tem seu valor. Cada um é especial.
Lembrei de todos os detalhes que passavam na minha cabeça naquela hora, todos de que pudesse me lembrar naquele instante, mas de todos esses detalhes, um se destacou: aquela sua blusinha xadrez, com enormes botões, que até hoje aterrorizam meus pensamentos.
Bem que vc poderia voltar e me dizer adeus como se deve, sem magoas, sem gerar essas pontadas doloridas aqui no centro do meu peito onde moram os fragmentos que restaram do meu coração. Mas allas, cest la vie, procurarei outro porto, novos horizontes mesmo sabendo que apesar de tudo, sempre carregarei um pedaço do que sonhamos juntos e nunca aconteceu. Tava mesmo na hora de partir e, transformar essa magoa virar gente grande, abrir o meu coração, para infinitas possibilidades.
Quem sabe, o inesperado faça uma surpresa.
E assim sentado em meio aquela confusão mobiliaria, misto de lembranças, poeira e passado escuto passos no corredor. A porta se abre à medida que meu olhar se ergue lentamente.
Ante minha expectativa, sou obrigado a sorrir.
Cajodamatic - Maferar- Feex Constantin- Sueliaduan
domingo, 12 de julho de 2009
Sem titulo porenquanto numero 238b

Em cima da cadeira tinha uma camiseta branca jogada no encosto. No assento havia duas moedinhas, um maço de hollywood menta quase vazio, um isqueiro Bic verde e uma paçoca bem amassada ainda dentro da embalagem onde se podia ler Amor. Embaixo da cadeira havia um par de tenis aparentando ser a coisa mais chulezuda do mundo onde enfiaram meias para talvez sufocar a ardencia destes vapores insolitos.
No ar flutuavam as ondas de uma radio AM com uma dessas musicas que a gente escuta alguem assobiando na rua e que nos parecem tão distantes de nossa realidade, que nos sentimos despertos para um outro universo. Um universo as vezes bizarro, impar, inesperado.
No dia seguinte foi que reparei:
.
A Caixa
Eu não podia imaginar que fosse possivel alguém me reconhecer com aquela roupa, aquela imensa caixa nas mãos que quase cobria meu rosto todo. Mas foi exatamente o que aconteceu. Ao escutar o chamado não olhei pra trás e nem podia mesmo, como explicar minha presença ali, a caixa e tudo mais... Mas explicar para que? Já tinha sido visto, já tinha sido reconhecido, o jeito era carregar aquela caixa com a naturalidade de quem segura um saco de pão.
.
Com um certo temor segui, mas a curiosidade falou mais alto queria saber quem havia gritado meu nome, virei rapidamente espantado. Hesitei por alguns segundos em atender a voz insistente. Sentia sua aproximação até que me alcançou de perto os ouvidos. No ombro esquerdo o peso daquela mão me deteve. Assustado como uma criança pega em flagrante roubando um doce me virei. Uma senhora de tez rosada e afável disse-me:
.
– Desculpa, senhor! Mas seus óculos caíram no chão. Susto passado (ato contínuo) peguei os óculos rapidamente, mas aquela imagem não me era estanha. Com voz nervosa, tentando controlar a respiração ofegante eu disse:
.
– Inexplicável. Interessante. E entre um risinho e outro contemplei o totalmente inexplicável, tanto quanto essa caixa que levo comigo. A senhora arregalou os olhos e disse:
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– O que leva aí, assim tão absorto a ponto de perder os óculos e não sentir o embaçamento típico da falta das lentes? assim a queima roupa a pergunta desorientou-me, fiquei totalmente sem ação, sem voz. Não estava em meus planos abrir-me, contar à alguem meu segredo, era preciso sentir-me seguro. Uma vez que sem oculos enxergo tao bem como uma topeira, disfarcei um pouco e pigarreei. Nao que isso fosse fazer alguma diferença pois pigarreear so alivia nossa consciencia mas nao remenda nossas ações absurdas. Resolvi responder tão espontaneamente quanto possivel.
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– Levo uma caixa, mas por favor não me pergunte o que contem. Meu oculos embaçou ainda mais, mal conseguia enxergar por entre as gotinhas coladas no vidro. Sentia-me num fusca em dia de chuva. Ela insistiu:
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– Sei que não é de minha conta mas essa caixa gigantesca é um tanto suspeita.
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– Olhe, disse eu, aqui nesta caixa tem um urso chamado Zé que gosta de velhinhas simpaticas ao sugo. Ele é um tanto feroz porisso mantenho-o na caixa. Vou deixa-la aqui por um momento enquanto vou ao toilete pois urge a necessidade fisiologica que me impele, sem freios nem piedade. Não abra a caixa, ja volto. Entrei no salão e fiquei espiando para ver se ela ousaria espiar dentro do caixote. Quem diria aquela senhora!!! como a gente se engana, (tão sisuda) mas quem, quem conseguiria resistir a tamanha curiosidade? E ali do salão eu presenciei a cena, que por muito tempo iria me fazer rir. Que cena!
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Ao abrir a caixa, como supuz que iria fazer, ela soltou a tampa, deu um passo para traz e fez o sinal da cruz. Comecei a ter meu ataque de riso, pois era muito hilariante ve-la sob este espanto todo, eu havia avisado pra não olhar dentro da caixa.
Centenas de bolboletas sairam voando de dentro da caixa e a rodearam como um manto colorido em movimento. Ela tentava fechar a caixa mas elas continuavam a sair voando até não ficar mais nenhuma dentro. A senhora ficou desesperada, olhava para um lado e para o outro para ver se estava sendo observada. Claro que tava todo mundo olhando pra ela, estava parecendo um enorme pirulito de borboletas coloridas.
Derrepente meu riso foi se fechando. Se fechando. Meu coração foi lentamente descompassando, até que parou. Sim parou por milésimos de segundos, para o inexplicável vivído. Das costas da velhinha simpatica surgiram imensas asas prateadas. Olhei-a nos olhos em metamorfose e sorri.
Em sua nova leveza ela olhou para o céu e voou para as nuvens brancas.
sábado, 11 de julho de 2009
Os amigos o chamavam de Gummer
O dia estava esplendido e da janela do ônibus podia ver nas ondas gordas, exatas, os tubos se formando perfeitos rolando centenas de metros até explodirem na areia alva e fina. Não pude resistir e apesar do paletó, gravata, a obvia farda de bancário dos pés à cabeça, desci do bus com o coração acelerado e, com imensa euforia, olhei para um lado, depois para o outro, com medo que alguém pudesse perceber estado tão alterado, afinal não é sempre que se tem uma atitude dessa, ainda mais...vestido daquela forma. Pensariam que era uma tentativa de suicídio, e foi exatamente o que ocorreu, numa fração de segundos uma multidão a minha volta. Apesar de constrangido gostei, afinal não é sempre...ainda mais..que uma equipe de reportagem da TV Globo se aproximou e o repórter me enfiou o microfone na cara. Perguntou sem qualquer preâmbulo, sequer sem me perguntar o nome:
– Foi o senhor que ligou informando que havia um hipopótamo surfando nesta praia?
– Sim, eu liguei, mas não foi exatamente pelo surf, que aprecio muito, mas pela falta de decoro desse animal, digo de sua companheira.
– Como assim? perguntou-me o repórter.
– Olhe o senhor mesmo, respondi. Não é uma escandalosa? Considero no mínimo uma indecência que uma girafa venha de topless a uma praia tão movimentada e principalmente neste horário da manhã, quando é freqüentada, sobretudo por babás, avós e jovens mamães que trazem as crianças para banharem-se ao sol.
Surpreendentemente, a equipe de reportagem da TV Globo já não tinha interesse por mim, nem pelo casal fenomenal que naquele instante trocava beijos lascivos. Acompanhada do séquito humano, a equipe vencia as ondas, primeiro correndo e, com água na cintura, nadando loucamente na direção de um cardume. E, eu não deixei por menos, segui junto, afinal não é sempre...ainda mais...quando se apresenta a oportunidade de ver peixes se afogando. Eu mesmo nunca sequer imaginara que havia peixes que não sabem nadar. Era um fato tão inusitado que ninguém notava que eu caminhava sobre o mar vestido a rigor. Todas as atenções se voltavam para o cardume, mais particularmente para um peixe que parecia ser o líder. Usava cartola, óculos escuros, relógio de algibeira e quando sorria cintilava um dente de ouro.
A uma pergunta do repórter, que eu não consegui ouvir porque o pobre coitado tinha nacos de sargaço entupindo-lhe a garganta, ele respondeu como se estivesse fazendo um discurso solene para a nação:
– Esta crise não é minha. É do cardume. Da praia eu podia ouvir a platéia dividida entre os que vaiavam e os que aplaudiam e uma voz feminina gritou:
– Como é o nome do peixe? As vaias foram diminuindo...diminuindo e, como num passe de mágica havia uma só voz em coro gritando, como era o nome do peixe. O peixe da frente do cardume que até então se preocupava exclusivamente em perseguir um plâncton suculento pôs a cabeça pra fora da água e disse:
– Meu nome é Gumercindo Ictius de Oliveira. Mas por que perguntam vcs estranhas criaturas secas com pelinhos no topo da cabeça e que respiram ar por orifícios no rosto?
– Porque perguntar é da nossa natureza, vai responde... vai... vai responde... ressp... onde... onde... res....sss ... E naquele dia esplêndido em que da janela avistei extasiado as gordas ondas, em que afrouxei o nó da gravata, dia o qual numa atitude deliciosamente impensada desci do ônibus. Naquele dia, minha pergunta ecoou mar afora, vi Gumercindo ir embora, fiquei feliz mesmo sem reposta, afinal não é sempre que se tem uma atitude dessas.
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terça-feira, 30 de junho de 2009
Tudo mais...e a caixa?
quarta-feira, 24 de junho de 2009
o nome do peixe

O dia estava esplendido e da janela do ônibus podia ver nas ondas gordas, exatas, os tubos se formando perfeitos rolando centenas de metros até explodirem na areia alva e fina. Não pude resistir e apesar do paletó, gravata, a obvia farda de bancário dos pés à cabeça, desci do buzu...
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Olhou por olhar

Dormiu mal a noite toda. Levantou-se rápido, tinha pressa, queria ser o primeiro a chegar à empresa.
Olhou sua imagem no espelho automaticamente. Olhou por olhar, sem se ver, como quem olha para o nada. Tal qual um gato que passa entre os móveis, só por passar.
Como de costume, abriu o armarinho e pegou o creme de barbear, numa fração de segundos já estava com o rosto pronto, todo cheio, de espuma.Maravilha gritou feliz, serei o primeiro a chegar e ninguém para atrapalhar meus planos.
Nesse exato momento ouviu a campainha...
terça-feira, 16 de junho de 2009
Surpresa!

Há coisas que ninguem pode explicar. Hoje de manhã abri a porta de casa e adivinha o que encontrei? Uma pequena chave dourada, uma pequena garrafa com uma etiqueta em que estava escrito "BEBA-ME" e um pequeno bolo em que estava escrito "COMA-ME". E um milhão de pessoas me passaram pela cabeça. Mas a caligrafia e o perfume que vinham da etiqueta eram inconfundíveis. Eu estava solitário, não tinha com quem conversar. Andava meio cançado e não estava pensando direito.
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Enfiei tudo na boca, a garrafinha, o bolinho e a chave, mastiguei bem e engoli. So não havia comido as etiquetas. Cheirei de novo aquele perfume e comi tambem as etiquetas. Alguns segundos depois minha perna crescia, meu braço diminuia assim como minha cabeça e meus pés num ritmo de vai e vem incontrolável. Até um milhão de pessoas em que pensava sairam correndo apavoradas. Olhei em volta e vi que eu não era mais o mesmo, as coisas haviam mudado muito desde a chegada daquilo que eu achava que seria a melhor coisa da minha vida......... Eu Gregor Samsa havia sofrido uma metamorfose!
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A rua estava deserta, ninguem havia me visto. Estava disforme e as coisas continuavam no fluxo de cresce e diminui. Corri para dentro de casa e fui me olhar no espelho. O horror! Tinha 5 olhos, tres orelhas, a cabeça tinha um monte de pelotas azuladas, o cabelo ficara espetado e continha diversas cores. Abri a boca e começou a sair musica, nao conseguia mais falar. O que era que tinha naquele bolo? Ficava com 3 metros de altura depois diminuia pra 60 centimetros, as vezes perdia o equilibrio e quase caia. Foi quando a campainha tocou. Abri e aquilo me disse:
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– Vim, vi e venci, rasgo do infinito além fogo dos deuses no brilho estelar. Boquiaberto observei o tipo a minha frente, vestido de Julio Cesar com um capacete de astronauta que impedia ver seu rosto.
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– Vc é um alienigena ? perguntei.
– Sim terraqueo!.... ahn, todos os terraqueos parecem com vc? perguntou o ser e eu mais que depressa respondi:
– Sim, somos todos bem parecidos. (bem que vovô dizia: quem tem pressa come cru). O que o alienígena estaria pensando de mim, com meus 60/250cms, totalmente desequilibrado, que somos todos uns nanicos gigantescos, bebados talvez?
– Vcs são muito feios terraqueos, disse o alienigena me medindo de cima abaixo, parece até que comeram o bolo de Horus e beberam do suco de Urano! So seriam mais feios s tivessem comido tambem a chave da caixa de Pandora...
– Como ela se parecia? perguntei eu.
– Pequena, dourada, tipica chave da caixa de Pandora...vc não... oh meus deuses, vc comeu a chave de Pandora! Mas que coisa terrível!
– mas estava escrito coma-me...
– mas não na chave, la não estava escrito nada seu terráqueo glutão! Agora só há um remédio. Precisamos encontrar a caixa de pandora na esperança de que a chave seja atraída pelo orifício em que se encaixa à perfeição, mas isso implica em correr o grande risco de que completa, ainda mais bela, será aberta, a esperança novamente.
– Nãoooooooooooo...! Mas pensando bem, pequeno ou grande qual a diferença? O que realmente me importa é que benefício essa chave me trará? Seria aquela chave mesmo a solução? Ou me atrairia mais problemas? Perdido nestas divagações ouvi o ser falar:
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– Queria muito que a lembrança em pacote de festa falasse de amor e esperança. Queria...OH! como queria que fosse festa de brigadeiro e infãncia. Só não queria e não queria mesmo que fosse um brinde comercial,algo impessoal. A fita vermelha era o tom que faltava ao dia, amanheci tão pantufa e água morna. Foi com dedos mansos que comecei a desvendar o pacote. Bem leve. Fui breve! A curiosidade é apressada...e no pacote...uma calcinha de renda bem fininha e perfumada que um dia despi apaixonada.
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E ao dizer isso o alienigena começou a chorar. Logo entendi que tratava-se de um alienigena com o coração partido. Nada podia fazer por ele... ou ela.
– Vc sabe como faço para extrair a chave pelo orificio? perguntei inocente.
– Muito interessante!
– O que é interessante? perguntei.
– O fato de vc ter comido a chave e querer tira-la agora pelo orificio...
– Não acho nada interessante, queria ver se fosse vc a expelir a chave pelo seu orificio.
– Nos de outro planeta temos orificios mais flexiveis e mais objetivos que os humanos. Este aqui por exemplo é o meu orificio de perceber a atmosfera, e este aqui serve para emitir um gas de comunicação (que vcs não entenderiam por lhes faltar emissor e receptor). Mas o que mais lhe falta no momento, é este aqui olha, disse o alienigena mostrando um buraco debaixo do braço - que permite nos livrar-mos de coisas que comemos antes dela cair no sistema digestivo.
– Muito interessante sua fisiologia sr.... er, como é seu nome?
– Rhoda, a seu dispor. E o seu nome?
– Gregor. Me chamo Gregor.
– Bom Gregor, porque vc quer extrair a chave por seu orificio? me parece que a chave em vc pode atrair o orificio a que ela se destina.
– Exatamente como a profecia n. 11 de Fred, o grande
– Sim jovem Gregor, exatamente como vaticinado, a chave o levara a caixa, assim como em meu sonho, tirando sua fita vermelha...
– Sei sei, e achando a calcinha , é eu lembro desta parte...
– Vc não tem idéia do que tem debaixo deste meu capacete.
– Naaa, o orificio debaixo do braço ja fez o serviço, prefiro não saber muito da sua anatomia.
– Olhe Gregor, vou ajuda-lo a encontrar a caixa de Pandora e a conseguir de volta sua forma original.
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Depois de navegar por diversos planetas tão distantes da Terra, eis que os dois chegam a um planeta todo escuro, cheio de monstros muito feios. Aqueles monstros eram assustadores, tinha o corpo todo rosa, cheio de plumas azul claro e todos tinham um rosto assustadoramente alegre.
– Onde estamos? - perguntei.
– Caro Gregor, estamos no Planeta Diaust, segundo meu comando super avançado, a caixa està aqui. - respondeu Rhoda.
– Uau! é daqui que vc vem Rhoda? estes bicharocos porai são muito mais feios que eu!
– estes são os microbios Gregor, não fale com eles, é melhor vc não se associar a seu estilo de vida.
– Vc é mesmo uma alienigena atrevida hein? acha que eu ia ficar mano dos microbios so pq eles sao exquisitos como eu? Ora, por favor!
– Não perca o objetivo Gregor, vc tem que se concentrar na caixa. E não me pergunte onde esta, eu não sou daqui. Vc sente a força da chave na sua barriga?
– Não! na barriga é só um reflexo, sinto mesmo é aqui olha, e me apontou os dedos dos pés. caminhar e sentir é o normal por aqui. porque pra vcs não é assim? Era, mas perdemos a chave e com ela essa sensação tão estranha, sabe a gente sente com outros òrgãos.
– Como assim? - Rhoda se interessou por aquilo.
– Bom... nós, humanos, ouvimos com isso aqui, apontei a orelha, falamos e nos alimentamos com isso aqu, apontei a boca, vemos com isso aqui, apontei os olhos, e sentimos as coisas com isso aqui, mostrei-lhe as mãos.
– Que estranho! disse Rhoda.
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Neste instante a chave começou a sair pelo meu orificio. A boca. Não pude evitar. E ao cair no chão a chave fez com que minhas proporções voltassem ao normal.
– Ah! agora to te entendendo melhor, disse Rhoda, posso ver seus sensores, até que não somos assim tão diferentes... a não ser pela gulodice, eu jamais comeria uma chave.
– Nem eu, respondi, pensei que era de chocolate ou algo assim.
– Bom, agora que vc esta se sentindo melhor podemos retornar a busca pela caixa de Pandora. Na verdade ela se encontra justamente aqui na... - Antes mesmo que Rhoda completasse a frase para dizer onde a caixa de pandora se encontrava, não contive o riso e comecei a gargalhar convulsivamente. Ela havia apontado para a minha barriga.
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Mas se a caixa estava exatamente onde a chave tambem se encontrava, porque eu não a havia sentido antes? Seria algo inexplicave? Porque nem eu, nem Rhoda sabíamos as respostas. Ela então sugeriu que procurássemos o seu mestre. Talvez ele pudesse responder a estas questões. E podendo esclarecer como a caixa foi parar lá, talvez ele poderia dizer como tirá-la, para que então pudessemos entender este mistério. Afinal de contas não se abre a caixa de Pandora todos os dias (alem do estomago ser um lugar muito peculiar para ela estar).
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Depois de muito caminhar chegamos a uma lagoa de onde saiam vapores psicodelicos com ruidos extraordinarios. Ali, tranquilamente recostado sobre uma pedra estava o maior sapo que ja vi em minha vida. Mas não era um sapo gosmento, ele tinha uma certa majestade tipica dos quelonios em idade madura. Rhoda apontou para ele e disse: – Eis o mestre, faça sua pergunta, se ele estiver de bom humor, vai responder. Mas cuidado, se ele estiver solitario ou de mau-humor ele te transforma numa sapa e ai as consequencias podem ser graves. Olhei para ele que se desencostou da pedra, me olhou, piscou um olho, depois voltou a se enconstar na pedra.
– Ahn, senhor sapo..? arrisquei
– Professor Sapo, tenha a bondade! me corrigiu o batráquio indicando uma pedra para que me sentasse.
– Desculpe-me. professor Sapo. Vossa Excelência tão elegante e não possui olhos. Por quê?
– De que te servem olhos, se vc não pode ver?
– Desculpe professor, mas esta frase o sr. tirou do filme Matrix
– Não meu jovem, la era a boca do Neo que não podia falar.
– Mas porque o sr. não tem olhos?
– Porque não preciso deles para ver os mosquitos do brejo.
– Mas... os mosquitos tambem amam...
– Azar deles, vão se amar dentro da minha pança... mas vc tem alguma pergunta relevante pra fazer?
– Não diria relevante! foi o que ouvimos pra nosso espanto. Um pequeno sapo com voz fininha, dando risadinhas vinha da lagoa e nas mãos, jogando de lá pra cá, uma caixinha. Um imenso silencio, tomou conta de todos nós. Duas caixas?
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– Minha pergunta talvez seja irrelevante falou o sapinho, mas como vcs podem ter certeza que esta aqui não é a verdadeira caixa de Pandora?
– Então a caixa não esta em minha barriga? perguntei
– Não, disse o professor sapo, a verdadeira caixa de Pandora é guardada por meu neto ali. Mas ele não tem a chave. Você tem. So vc pode decidir se abre a caixa ou não. Mas esteja avisado que se abrir terá de enfrentar as consequencias de seu ato.
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Peguei a chave e mostrei pro pequeno sapo, ele veio pulando com a caixa na mão, e pulando entregou-a mim. oh dúvida cruel! Abro ou não abro? Escolher, eis a questão! Não, não farei isso sozinho, de jeito nenhum, pensei com meus botões que pra variar nada responderam.
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E ali, sentados na pedra branca, pela primeira vez, decidimos em grupo que o melhor seria cantar uma canção. O professor começou com um profundo Sol. O sapinho fazia backing vocals. Rhoda começou um solo tipo The great gig in the sky do Pink Floyd enquanto eu fazia o ritmo batendo nas pernas. Foi ficando bonito, bonito, derrepente ouviu-se um clec! A caixa havia se aberto espontaneamente. E da caixa saíram nuvens coloridas... rindo felizes e cantando a nossa canção. Todos ficamos espantados.
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– Não se iludam, disse o professor sapo, elas são bonitas mas são perversas! - e logo se transformou num esquilo, um esquilo mestre.
– Nosso encanto acabou. Quando se abre a caixa de Pandora, nós voltamos a nossa forma normal, disse ele.
– Mas esta não é minha forma normal! - Exclamei desesperado vendo que havia me transformado tambem num esquilo gordo. O mestre esquilo então me disse:
– Esta é a consequencia para quem abre a Caixa de Pandora! .. mas veja pelo lado bom, pelo menos agora vc tem com quem conversar.
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Ana Guimarães, Katia Mota, Cristina Siqueira, Cássio Amaral, Fred, Célia Garcia Ferper, Feex Constantin, CajadOmatic, Sueli Aduan, Cleyton e Rouxinol de Bernardim
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Surpresa! Texto original
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Mocréia

Ah, hoje eu acordei louca para trabalhar, bem cedinho, pulei da cama e pintei as unhas do pé. Tava com uma fominha danada porisso comi o restinho de repolho com bolinhas de carne que sobraram do jantar. Deu até tempo de ir no banheiro, fazer um bochecho com Cepacol, pendurar minha calcinha lavada no box e botar minha botinha branca. Tomei o busão das 6:30 e cheguei no escritorio 8 hs em ponto, nem acredito! Ainda bem, que deu tempo prum rápido cepacol,não é a toa que dizem que Deus é pai, dei de cara no buzão com o Vanderley, uau!!! Aumentou ainda mais meu desejo de trabalhar, trabalhar, trabalhar...
Walderico meu primo é moto boy e me convidou pro baile funk. Ah, não vejo a hora. O Wanderley vai estar la, quero so ver a cara dele quando eu aparecer. Tenho que dar um jeito nas espinhas, vou encher a cara de Minancora e tomar cha de pepino que nem a do Nenê da peixaria ensinou. Vou arrepiar...aquele jeans justíssimo,com o coletinho xadrez,só vai dar eu, virgem mãe!!! Quase esqueço, ainda tenho que ver com a Walnida se ela faz uma chapinha.
O Wanderley falou que eu era uma uma Mocreia, virgi nem sei que que é isso, parece nome de peixe, falei que Mocreia era a mãe dele! Ele ficou muito nervoso, falou que sua mãe era santa e tava no céu, ah, eu quase chorei, mas la no baile funk as coisas vão mudar. Ainda bem que segurei a onda não chorei, depois de tanto trabalho com a Minancora, e se a mãe dele é santa,como ele disse, tem mais é que entender,mas num quero sabê vou descobri o que é essa tal de mocréia.
Procurei na internete e descobri que mocréia é jaburu. Aí, como eu nao sei o que é isso eu olhei o que era jaburu e apareceu um passaro bonito todo branquinho e com a cabeça preta.
Vou falar pra ele que pode me chamar de mocréia e que a mae dele deve ser uma tambem porque se santo tem asa e jaburu tambem as mocreia deve ter tambem. Ah, a Vanilda falou que vai fazer chapinha nos meus cabelo e que vai ficar igual a da Parisrirto. Vou arrasar no baile Funk, preciso ligar pro Walderico e combinar.
Ai minha santinha, quanta gente! Essa musica vibrando dentro da minha espinha, me chacoalhando. ai, que cheiro de suor, hum, não sei, acho que até que gosto, parece tão animal, tão masculino, ai, onde eu tô com a cabeça, pensando todas estas bobagens, vai ver que foi aquela pinga que o walderico me fez beber ou então aquel cigarro estragado que me fizeram fumar antes de chegar aqui.. Tô mooole, mas tô a fim de agitar. Acho que tô meio doidona, viu? uuuuhhhh, tô com vontade de gritar. Vontade de morder alguma coisa, quero dançar...
Ai olha ali, o Waldoberto, o Sandromiro, o Ze Cabeleira e o Pelopidas, ah aquele filho-da-puta do Pelopidas se eu puder eu encrenco esse cara. Mas este funkão ta muito bom, huuuuuh, ai, que vexame tô parecendo uma macaca de auditorio, ah, va, eu sou mesmo uma macaca, uhhhhhh, epa, aquele negão ali ta me olhando... hum um pedaço de negão ja diria minha prima shirleneide, perai, vou rebolar perto dele.
Xiii, nem me olha, deve ser bicha, bonito desse jeito, pera que eu vou dar o rebolado especial de pará estouro de boiada. Nada, eita, aquela ali não tira o olho de mim, ou é francha ou é policia, bom to fora pro almoço e pro jantar ah, o negão me notou, epa, gostou da sapatão, ah, que saco, olha la, ta rebolando com ele, uhhhhh, to doidona, quero gritar, tum dum dum, ah, esse som é muito maneiro. Será que tem um banheiro poraqui pra eu fazer um xixi? nossa foram mais de tres cerveja. To mijando nas calça. Ah, saco, vou ver la naquele buteco se tem banheiro. Uou, quanta gente, nussa tem fila pro Xixi, ai minha aiaiaiaiai vou acabar fazendo na calça mesmo, depois eu derrubo uma cerveja por cima... Ah, não, isso é muito nojento, vou la na fila.
Ei, este cara me passou a mão na bunda, engraçadinho, a proxima vez eu grito assim, bom, não vou gritar aqui na fila, mas posso ficar dançando, ajuda a a passar a vontade que nem no filme da cinderela, quem dança seus males espanta.. ou era encanta?
Ah, sei la, essa historias europeias de noviorque, maiami, toquio eu não nada disso não. Ih esse moleque cabeludo é fortinho hein? Uschh, quêisso? parece meu chefe ali? Era só o que faltava ver aquele filho-da-puta do Pelopidas, e agora meu chefe, não sei quem é o pior, bom pelo menos o Pelopidas não é desses de dizer que não gosta do que gosta, ele gosta, gosta da balada do funk, do agito, do meu agito, aquela encrenca é coisa do passado vou deixar pra lá... mas meu chefe quê quê faiz aqui, uê vivia dizendo la no serviço, a gente não pode se misturar não, cada macaco no seu galho, depois eu tenho um gosto refinado bláblabla... Filho da puta, bem que dona Wanda Luzia lá da escola, falava umas coisas, eu devia ter prestado mais atenção, mais de uma coisa eu me lembro bem, essa gente é falsa, mas não entendi muito bem, deixa pra lá...que o agito tá bom e eu quero e dançar até...
Eita, que que esse cara quer comigo?
– Fala ai princesa, essa parada aí é massa, ta ligado? Aí, o mano ali não gosta de coisa boa como vc não. Que que tu acha de ir ali no boteco toma umas breja com o galã aqui?
– Que história é essa que o mano não gosta de coisa boa meu! Que que tu sabe de coisa boa cara? Ce só rala meu, uma brejas sempre vai, mas tu que vai pagá cara, que o meu aqui num é pra home não, tá ligado? ...e depois é o seguinte; ir no boteco até vou, se for de carro. E tá tudo limpo lá, que não gosto de zumzumzum com os home, eu sou limpeza vc é que num sabe.
Minha nossa! que que me deu pra eu falar assim com o cara! jaja ele vai achar que eu sou funkeira... bom, agora ja foi, bom parece que ele foi la pro bar, daqui a pouco apareço la. Mas olha o safado do chefe, se engafinhando com aquela zinha, ali. Hum, to meio grogue, acho que vou andando, mas pra onde... o chefe com a zinha,eu funkeira de araque, esse som no meu ouvido, esse zumbido todo, que que isso, um sonho?, um pesadelo? ir pra onde? pra casa?... solidão apavora, cantando eu mando a tristeza embora, onde eu ouvi isso, só pode ser coisa da dona Wanda Luzia aquela louca....
Agora fazer naninha, acordar amanhã bem cedinho, pintar as unhas do pé e ir pro trabalho. Zzzzzzzz.
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terça-feira, 2 de junho de 2009
Mocréia é mãe!

Ah, hoje eu acordei louca para trabalhar, bem cedinho, pulei da cama e pintei as unhas do pé. Tava com uma fominha danada porisso comi o restinho de repolho com bolinhas de carne que sobraram do jantar. Deu até tempo de ir no banheiro, fazer um bochecho com Cepacol, pendurar minha calcinha lavada no box e botar minha botinha branca. Tomei o busão das 6:30 e cheguei no escritorio 8 hs em ponto, nem acredito!
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Salada cinco cores

sábado, 30 de maio de 2009
Dialogo Interior com o Neurônio número 8

Ah, que bom, aquele zumbido passou. Foi devido a uma cirurgia de extração de cérebro que levou até meu ultimo neurônio. Um dos 8, não sei bem qual que foi. Acho que foi aquele que chamava disciplina.
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Tambem, era um inútil sempre se colocando a frente das necessidades do todo. Arranquei-o com um alicate de pressão. Mordi o rabinho dele, girei e tchok, saiu o neuronião ali, pulsando, falando palavrão, se debatendo, tudo em vão. Grudei ele debaixo da minha escrivaninha como se fosse um chiclete velho, mastigado por um adolescente. De vez em quando ele suspira, eu empurro com o joelho pra espremer ele mais.
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Ontem, ouvi um gemido vindo dali, cheguei mais perto e escutei ele sussurar baixinho:
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— Ei, você. Você precisa me ouvir. Sem disciplina você não vai chegar a lugar nenhum... Muito provavelmente sequer vai sair do lugar. Aliás, presta atenção no seu joelho. Cada vez que você insiste me empurrar, ele treme. Presta atenção! Tá vendo? Ele tá sem disciplina. Não sabe se vai ou se fica. E quem disse que eu me coloco frente às necessidades do todo? Você pode dançar sem disciplina, mas se der com a bunda no chão, não surte, não esboce um "a". Tudo faz parte do seu descompasso, da sua inaptidão de nos controlar, seus próprios e querido neurônios. Porque sobra pra nós, neurônios, o estampido.
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– Sem contar o zumbido no seu ouvido não era meu, disse o 38.953.371 Temos inimigos verdadeiros aqui dentro. A sua orelha não está crescendo à toa. Me escute. Você tem que me escutar. Pode até ser que pareça que eu me coloco diante do todo, mas digamos que eu seja filho da precaução. Se eu não estiver aí, você talvez não tenha a disciplina de se olhar no espelho, e não vai perceber a sua orelha crescer, até que seja tarde demais, e ela rasteje no chão, atrás de você. Já imaginou a vergonha que ela vai sentir das outras orelhas? Inclusive a que não está crescendo?
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Ah, faltou meu sussuro baixinho do 8:
– Ahhgnnrnghogfanahannnnnnnnnão me deixe aqui... tenha a disciplina de me aceitar! ...Ou então mande companhia. Pode ser o neurônio número 3. Ou o 9. Só não me manda o 6, (que aí tua orelha despenca de vez) Poxa! vai me descartar mesmo da sua vida? só porque eu lhe grito pela disciplina? sou o melhor, o número 8! Quem você pensará que é sem mim, hein?
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Ai ai ai, agora comecei a ouvir coisas. Bocejo. Coço a cabeça. Dou uma olhadinha pela janela. Acendo um cigarro, dou uma tragada, me sinto culpado, olho pro teto e dou um grito: – Mas eu não quero ter disciplina! Quero decair, doce decadência depois de tantos anos de dever... Isso é um ultraje! olhei bem no olho do neurônio e ele estava segurando uma bandeirinha escrita:
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– Sabe, queria largar tudo isso, ir morar no campo com a familia e o outro respondeu.
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– Tudo que vc tem que fazer é encontrar um método, aplicar disciplina e acreditar que qualquer sonho certamente se transformará em realidade, é unlock the key of possibilities. Rume para a luz! Então vieram milhares de neurônios do depto de lógica, ética, perserverança, indignação e encheram o 91.448.045 de porrada e ele nunca mais foi visto...
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Minha conclusão é que tenho que preparar uma emboscada para este neurónio e depois cair na vagabundagem... ou sei la, o que me der na telha. Vou raspa-lo aqui debaixo da escrivaninha, péra, rec rec rec, pronto, e bota-lo nesta caixinha. Bem guardadinho nessa caixinha, e depois aproveitar o tempo. Opa, lá vem o 2, eita neuroniozinho pra me fazer sentir culpado, não, não dou ouvidos, já combinei com uns camaradas os neuroamebas, e o plano já está em andamento, falta uma coisinha aqui outra ali, nada que uma boa estratégia não resolva, umas horas de trabalho muito pensar, (ai não, suma daqui neuro disciplinador).
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– PROTESTO! Sem disciplina, a casa no campo vira um matagal. Em tempo: estou em franco contato com o neurônio nº 1, e ele me disse que o seu cérebro está uma zona. E que o nº 91.448.045 está aí, e que continua afirmando o mesmo, mas que ele mesmo percebeu que não sou eu (a disciplina, o 8) o culpado por você não poder cair na vagabundagem. O responsável por isso é o 1.113, que representa a apreciação pelo establishment. Então, por favor, manda o 1.113 pra cá, e me pega de volta?
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A queima roupa, sem me dar chances nem de balançar a cabeça numa negativa o neurônio 1 em conchavo como 9.711....e num contato rápido, veio com essa (e ainda com voz baixinha, um quase sussurro):
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– Cair ou não cair na vagabundagem, è só uma questão desse 1.113? Então, o jeito é levá-lo a nocaute, simples assim (o 1), eu fico me perguntando, enquanto lá no fundo a lua brilha, com disciplina conseguiremos?
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Eu tava pensando se os médicos iam me aceitar la naquele spa bacana com psicologo, analista, sala acolchoada e aquelas camisas bacanas que prendem os braços e fecham atras mas agora, pensando bem, se eu me apresentar com meus amiguinhos o 8, 6, FN, 3, 9,735254881,91448045 (este é terrível), 2, vovô, 1.113, 9.711 e todos os outros 86 bilhões... acredito que não irão aceitar, com esses amigos a tiracolo, e mais todos os outros, impossível. O jeito mesmo é tentar alguma coisa mais leve, talvez a dança? Não, gosto de ficar com os braços presos atrás, também não dá... quem sabe uma consulta ao pajé? Mas onde encontrar um, estão todos muito ocupados filmando suas histórias! ahhhhh. Tarô, I Ching,... não tem jeito, vou ter que querer o que desejo, pra cair na vagabundagem só com muito disciplina, e, claro pagar o preço.
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Um dos neuronios, o mais jovem, olhou em volta e comentou: – Cai aqui e pensei que fosse engano, depois senti que poderia ter espaço e ai virei platéia desta comédia de mansos disciplinados e loucos desvairados. Confesso que fiquei pensando, pensando... e resolvi optar em fazer meditação dinâmica para não me perturbar.
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Bom posso consultar também um bom pai de santo, talvez ele possa diagnosticar melhor o que fazer com os neurônios disciplinados e os indisciplinados já que a ciência não tem encontrado soluções palpáveis ou então no último caso, o choque elétrico, pra ver o que acontece (aí meu Deus, mas isso dói!) Ou então um bom matemático para explicar a aritmética dos neurônios, de repente, em X + Y encontra-se um resultado ou um número coerente do coeficiente neurótico. Ou tambem posso optar por um filósofo, quem sabe a resposta esteja nas cavernas, sombra e luz, cair ou não cair... Uma coisa é certa: Não sou louco. Os neurônios é que o são.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Neurônio número 8

Ah, que bom, aquele zumbido passou. Foi devido a uma cirurgia de extração de cérebro que levou até meu ultimo neurônio. Um dos 8, não sei bem qual que foi. Acho que foi aquele que chamava disciplina. Tambem, era um inútil sempre se colocando a frente das necessidades do todo. Arranquei-o com um alicate de pressão. Mordi o rabinho dele, girei e tchok, saiu o neuronião ali, pulsando, falando palavrão, se debatendo, tudo em vão. Grudei ele debaixo da minha escrivaninha como se fosse um chiclete velho, mastigado por um adolescente. De vez em quando ele suspira, eu empurro com o joelho pra espremer ele mais. Ontem, ouvi um gemido vindo dali, cheguei mais perto e escutei ele sussurar baixinho:
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terça-feira, 19 de maio de 2009
Individuos divididos

Toda generalização é perigosa. Choro por não ter sentimentos. Deixo o tempo passar, engomar, dobrar e ir para a gaveta. O saldo é positivo, afinal, fica feio sermos pessimistas.
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Nada entrava o pensamento no mundo dos sonhos. Porisso somos todos únicos, uma multidão de individuos iguais, cada qual com sua individualidade padronizada. Cada qual com seu numero de serie, seu RG, sua ID. Todos os seis bilhões de nós, todos olhando para frente, todos olhados por tras porque o mundo tem a forma geóide. Mas não estamos em fila e vemos através do ar e do som.
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Antropóides urbanos movendo-se aleatoriamente entre as paredes de seus universos pessoais. Seus mundos redondos são infinitos como aquários. A mecânica do todo há de ser descoberta mesmo que seja uma de ordem caótica e imprevisivel.
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Sentindo sentidos
Estava andando, senti um cheiro. Tinta fresca, as grades da cerca haviam sido pintadas. Continuei mais um pouco e ouvi um som. Um pequeno monomotor voando la no alto. Comentei com meus botões que como sempre nada responderam. Pasei a mão pela sebe, senti o orvalho frio entre meus dedos. Olhei ao redor. Senti o gosto do vazio. Um gosto contrário ao do cheio. Do volumoso. Do extenso. Minha história se encurtava, ou eu era apenas um nervo à flor da pele, reclamando atenção? Nem as cores que o cheiro da tinta enunciavam poderiam me dizer sobre nada nesse momento , eu pressentia. Presentia o momento em que os sentidos anunciavam o vazio dos dias. O vazio na alma. Precisa preencher os espaços. Novas cores, novos cheiros, novos rumos. Como seguir em frente? Agora, nada teria mais importância, a cerca vermelha, a casinha branca ao fundo, eram apenas imagens contrastes para uma realidade que se anunciava . Em poucos minutos ,talvez eu tivesse a resposta.
Perplexo senti meus pés chafurdando lentamente no lodo. Entravam meus movimentos este lodo negro? Se estivesse mesmo entravado poderia submergir nestas ideias arcaicas neste questionar infundado que agora afundavam inescrupulosamente no seio da terra. Havia de deixar com que voassem meus pensamentos para longe dali. Era preciso. Como um pássaro livre em seu vôo matinal, meus pensamentos ziguezagueavam para longe dali... e, retornavam...retornavam... como se uma força me puxasse, me prendesse no centro de tudo, e eu já não era mais senhor de mim, irresistivelmente atraído pelo cheiro agridoce um cheiro a lembrar cores, cores de um outro tempo. Era tão vazio o gosto que sentia, e o monomotor eu pedia pra alcançar e assim voar pelos campos e sentir que voando o vazio espalharia minha alma ao vento...como o pólen...e o cheiro agora era da brisa da aurora...
Qual seria a sensação de voar feito o pássaro e me atirar no campo de trigo? Talvez voar fosse leve como a puma talvez vertiginoso como o abismo, mas como senti-lo? Em meus sonhos voaria e suavemente inundaria meus olhos na paisagem diafana do trigal, me espalharia como se fosse polem no ar, mas em algum lugar de minha alma sentia medo.
Um medo que percorreia todo o meu corpo, subia pelos meus pés, lentamente, gelava as minhas costas para explodir com toda a fúria na boca do estomago, paralizando assim,os menores movimentos do meu corpo: o piscar dos olhos, o quas sorriso, e a impotência pra chorar. Desse medo, dizem, é que nasce o melhor de nós.
Arrisquei um olhar para o céu. Me vi voando. Levantei um pé lentamente depois outro e alcei vôo na imensidão azul!







