terça-feira, 30 de junho de 2009

Tudo mais...e a caixa?


Eu não podia imaginar que fosse possivel alguém me reconhecer com aquela roupa, aquela imensa caixa nas mãos que quase cobria meu rosto todo. Mas foi exatamente o que aconteceu.
Ao escutar o chamado não olhei pra trás e nem podia mesmo, como explicar minha presença ali, a caixa e tudo mais...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

o nome do peixe


O dia estava esplendido e da janela do ônibus podia ver nas ondas gordas, exatas, os tubos se formando perfeitos rolando centenas de metros até explodirem na areia alva e fina. Não pude resistir e apesar do paletó, gravata, a obvia farda de bancário dos pés à cabeça, desci do buzu...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Olhou por olhar


Dormiu mal a noite toda. Levantou-se rápido, tinha pressa, queria ser o primeiro a chegar à empresa.
Olhou sua imagem no espelho automaticamente. Olhou por olhar, sem se ver, como quem olha para o nada. Tal qual um gato que passa entre os móveis, só por passar.
Como de costume, abriu o armarinho e pegou o creme de barbear, numa fração de segundos já estava com o rosto pronto, todo cheio, de espuma.Maravilha gritou feliz, serei o primeiro a chegar e ninguém para atrapalhar meus planos.
Nesse exato momento ouviu a campainha...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Surpresa!


22 hands

Há coisas que ninguem pode explicar. Hoje de manhã abri a porta de casa e adivinha o que encontrei? Uma pequena chave dourada, uma pequena garrafa com uma etiqueta em que estava escrito "BEBA-ME" e um pequeno bolo em que estava escrito "COMA-ME". E um milhão de pessoas me passaram pela cabeça. Mas a caligrafia e o perfume que vinham da etiqueta eram inconfundíveis. Eu estava solitário, não tinha com quem conversar. Andava meio cançado e não estava pensando direito.
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Enfiei tudo na boca, a garrafinha, o bolinho e a chave, mastiguei bem e engoli. So não havia comido as etiquetas. Cheirei de novo aquele perfume e comi tambem as etiquetas. Alguns segundos depois minha perna crescia, meu braço diminuia assim como minha cabeça e meus pés num ritmo de vai e vem incontrolável. Até um milhão de pessoas em que pensava sairam correndo apavoradas. Olhei em volta e vi que eu não era mais o mesmo, as coisas haviam mudado muito desde a chegada daquilo que eu achava que seria a melhor coisa da minha vida......... Eu Gregor Samsa havia sofrido uma metamorfose!
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A rua estava deserta, ninguem havia me visto. Estava disforme e as coisas continuavam no fluxo de cresce e diminui. Corri para dentro de casa e fui me olhar no espelho.
O horror! Tinha 5 olhos, tres orelhas, a cabeça tinha um monte de pelotas azuladas, o cabelo ficara espetado e continha diversas cores. Abri a boca e começou a sair musica, nao conseguia mais falar. O que era que tinha naquele bolo? Ficava com 3 metros de altura depois diminuia pra 60 centimetros, as vezes perdia o equilibrio e quase caia. Foi quando a campainha tocou. Abri e aquilo me disse:
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– Vim, vi e venci, rasgo do infinito além fogo dos deuses no brilho estelar. Boquiaberto observei o tipo a minha frente, vestido de Julio Cesar com um capacete de astronauta que impedia ver seu rosto.
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– Vc é um alienigena ? perguntei.
– Sim terraqueo!.... ahn, todos os terraqueos parecem com vc? perguntou o ser e eu mais que depressa respondi:
– Sim, somos todos bem parecidos. (bem que vovô dizia: quem tem pressa come cru). O que o alienígena estaria pensando de mim, com meus 60/250cms, totalmente desequilibrado, que somos todos uns nanicos gigantescos, bebados talvez?
– Vcs são muito feios terraqueos, disse o alienigena me medindo de cima abaixo, parece até que comeram o bolo de Horus e beberam do suco de Urano! So seriam mais feios s tivessem comido tambem a chave da caixa de Pandora...
– Como ela se parecia? perguntei eu.
– Pequena, dourada, tipica chave da caixa de Pandora...vc não... oh meus deuses, vc comeu a chave de Pandora! Mas que coisa terrível!
– mas estava escrito coma-me...
– mas não na chave, la não estava escrito nada seu terráqueo glutão! Agora só há um remédio. Precisamos encontrar a caixa de pandora na esperança de que a chave seja atraída pelo orifício em que se encaixa à perfeição, mas isso implica em correr o grande risco de que completa, ainda mais bela, será aberta, a esperança novamente.

– Nãoooooooooooo...!
Mas pensando bem, pequeno ou grande qual a diferença? O que realmente me importa é que benefício essa chave me trará? Seria aquela chave mesmo a solução? Ou me atrairia mais problemas? Perdido nestas divagações ouvi o ser falar:
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– Queria muito que a lembrança em pacote de festa falasse de amor e esperança. Queria...OH! como queria que fosse festa de brigadeiro e infãncia. Só não queria e não queria mesmo que fosse um brinde comercial,algo impessoal. A fita vermelha era o tom que faltava ao dia, amanheci tão pantufa e água morna. Foi com dedos mansos que comecei a desvendar o pacote. Bem leve. Fui breve! A curiosidade é apressada...e no pacote...uma calcinha de renda bem fininha e perfumada que um dia despi apaixonada.
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E ao dizer isso o alienigena começou a chorar. Logo entendi que tratava-se de um alienigena com o coração partido. Nada podia fazer por ele... ou ela.
– Vc sabe como faço para extrair a chave pelo orificio? perguntei inocente.
– Muito interessante!
– O que é interessante? perguntei.
– O fato de vc ter comido a chave e querer tira-la agora pelo orificio...

– Não acho nada interessante, queria ver se fosse vc a expelir a chave pelo seu orificio.

– Nos de outro planeta temos orificios mais flexiveis e mais objetivos que os humanos. Este aqui por exemplo é o meu orificio de perceber a atmosfera, e este aqui serve para emitir um gas de comunicação (que vcs não entenderiam por lhes faltar emissor e receptor). Mas o que mais lhe falta no momento, é este aqui olha, disse o alienigena mostrando um buraco debaixo do braço - que permite nos livrar-mos de coisas que comemos antes dela cair no sistema digestivo.
– Muito interessante sua fisiologia sr.... er, como é seu nome?
– Rhoda, a seu dispor. E o seu nome?

– Gregor. Me chamo Gregor.
– Bom Gregor, porque vc quer extrair a chave por seu orificio? me parece que a chave em vc pode atrair o orificio a que ela se destina.
– Exatamente como a profecia n. 11 de Fred, o grande
– Sim jovem Gregor, exatamente como vaticinado, a chave o levara a caixa, assim como em meu sonho, tirando sua fita vermelha...

– Sei sei, e achando a calcinha , é eu lembro desta parte...
– Vc não tem idéia do que tem debaixo deste meu capacete.

– Naaa, o orificio debaixo do braço ja fez o serviço, prefiro não saber muito da sua anatomia.
– Olhe Gregor, vou ajuda-lo a encontrar a caixa de Pandora e a conseguir de volta sua forma original.
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Depois de navegar por diversos planetas tão distantes da Terra, eis que os dois chegam a um planeta todo escuro, cheio de monstros muito feios. Aqueles monstros eram assustadores, tinha o corpo todo rosa, cheio de plumas azul claro e todos tinham um rosto assustadoramente alegre.

– Onde estamos? - perguntei.

– Caro Gregor, estamos no Planeta Diaust, segundo meu comando super avançado, a caixa està aqui. - respondeu Rhoda.
– Uau! é daqui que vc vem Rhoda? estes bicharocos porai são muito mais feios que eu!
– estes são os microbios Gregor, não fale com eles, é melhor vc não se associar a seu estilo de vida.
– Vc é mesmo uma alienigena atrevida hein? acha que eu ia ficar mano dos microbios so pq eles sao exquisitos como eu? Ora, por favor!
– Não perca o objetivo Gregor, vc tem que se concentrar na caixa. E não me pergunte onde esta, eu não sou daqui. Vc sente a força da chave na sua barriga?
– Não! na barriga é só um reflexo, sinto mesmo é aqui olha, e me apontou os dedos dos pés. caminhar e sentir é o normal por aqui. porque pra vcs não é assim? Era, mas perdemos a chave e com ela essa sensação tão estranha, sabe a gente sente com outros òrgãos.

– Como assim? - Rhoda se interessou por aquilo.

– Bom... nós, humanos, ouvimos com isso aqui, apontei a orelha, falamos e nos alimentamos com isso aqu, apontei a boca, vemos com isso aqui, apontei os olhos, e sentimos as coisas com isso aqui, mostrei-lhe as mãos.

– Que estranho! disse Rhoda.
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Neste instante a chave começou a sair pelo meu orificio. A boca. Não pude evitar. E ao cair no chão a chave fez com que minhas proporções voltassem ao normal.

– Ah! agora to te entendendo melhor, disse Rhoda, posso ver seus sensores, até que não somos assim tão diferentes... a não ser pela gulodice, eu jamais comeria uma chave.

– Nem eu, respondi, pensei que era de chocolate ou algo assim.

– Bom, agora que vc esta se sentindo melhor podemos retornar a busca pela caixa de Pandora. Na verdade ela se encontra justamente aqui na... - Antes mesmo que Rhoda completasse a frase para dizer onde a caixa de pandora se encontrava, não contive o riso e comecei a gargalhar convulsivamente. Ela havia apontado para a minha barriga.
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Mas se a caixa estava exatamente onde a chave tambem se encontrava, porque eu não a havia sentido antes? Seria algo inexplicave?
Porque nem eu, nem Rhoda sabíamos as respostas. Ela então sugeriu que procurássemos o seu mestre. Talvez ele pudesse responder a estas questões. E podendo esclarecer como a caixa foi parar lá, talvez ele poderia dizer como tirá-la, para que então pudessemos entender este mistério. Afinal de contas não se abre a caixa de Pandora todos os dias (alem do estomago ser um lugar muito peculiar para ela estar).
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Depois de muito caminhar chegamos a uma lagoa de onde saiam vapores psicodelicos com ruidos extraordinarios. Ali, tranquilamente recostado sobre uma pedra estava o maior sapo que ja vi em minha vida. Mas não era um sapo gosmento, ele tinha uma certa majestade tipica dos quelonios em idade madura. Rhoda apontou para ele e disse:
– Eis o mestre, faça sua pergunta, se ele estiver de bom humor, vai responder. Mas cuidado, se ele estiver solitario ou de mau-humor ele te transforma numa sapa e ai as consequencias podem ser graves. Olhei para ele que se desencostou da pedra, me olhou, piscou um olho, depois voltou a se enconstar na pedra.

– Ahn, senhor sapo..? arrisquei
– Professor Sapo, tenha a bondade! me corrigiu o batráquio indicando uma pedra para que me sentasse.
– Desculpe-me. professor Sapo. Vossa Excelência tão elegante e não possui olhos. Por quê?

– De que te servem olhos, se vc não pode ver?
– Desculpe professor, mas esta frase o sr. tirou do filme Matrix
– Não meu jovem, la era a boca do Neo que não podia falar.
– Mas porque o sr. não tem olhos?
– Porque não preciso deles para ver os mosquitos do brejo.

– Mas... os mosquitos tambem amam...

– Azar deles, vão se amar dentro da minha pança... mas vc tem alguma pergunta relevante pra fazer?
– Não diria relevante! foi o que ouvimos pra nosso espanto. Um pequeno sapo com voz fininha, dando risadinhas vinha da lagoa e nas mãos, jogando de lá pra cá, uma caixinha.
Um imenso silencio, tomou conta de todos nós. Duas caixas?
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– Minha pergunta talvez seja irrelevante falou o sapinho, mas como vcs podem ter certeza que esta aqui não é a verdadeira caixa de Pandora?

– Então a caixa não esta em minha barriga? perguntei

– Não, disse o professor sapo, a verdadeira caixa de Pandora é guardada por meu neto ali. Mas ele não tem a chave. Você tem. So vc pode decidir se abre a caixa ou não. Mas esteja avisado que se abrir terá de enfrentar as consequencias de seu ato.
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Peguei a chave e mostrei pro pequeno sapo, ele veio pulando com a caixa na mão, e pulando entregou-a mim.
oh dúvida cruel! Abro ou não abro? Escolher, eis a questão! Não, não farei isso sozinho, de jeito nenhum, pensei com meus botões que pra variar nada responderam.
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E ali, sentados na pedra branca, pela primeira vez, decidimos em grupo que o melhor seria cantar uma canção. O professor começou com um profundo Sol. O sapinho fazia backing vocals. Rhoda começou um solo tipo The great gig in the sky do Pink Floyd enquanto eu fazia o ritmo batendo nas pernas. Foi ficando bonito, bonito, derrepente ouviu-se um clec! A caixa havia se aberto espontaneamente. E da caixa saíram nuvens coloridas... rindo felizes e cantando a nossa canção. Todos ficamos espantados.
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– Não se iludam,
disse o professor sapo, elas são bonitas mas são perversas! - e logo se transformou num esquilo, um esquilo mestre.
– Nosso encanto acabou. Quando se abre a caixa de Pandora, nós voltamos a nossa forma normal, disse ele.

– Mas esta não é minha forma normal! - Exclamei desesperado vendo que havia me transformado tambem num esquilo gordo. O mestre esquilo então me disse:

– Esta é a consequencia para quem abre a Caixa de Pandora! .. mas veja pelo lado bom, pelo menos agora vc tem com quem conversar.
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Ana Guimarães, Katia Mota, Cristina Siqueira, Cássio Amaral, Fred, Célia Garcia Ferper, Feex Constantin, CajadOmatic, Sueli Aduan, Cleyton e Rouxinol de Bernardim

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Surpresa! Texto original

Ha coisas que ninguem pode explicar. Hoje de manha abri a porta de casa e adivinha o que encontrei?

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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Mocréia


4 hands

Ah, hoje eu acordei louca para trabalhar, bem cedinho, pulei da cama e pintei as unhas do pé. Tava com uma fominha danada porisso comi o restinho de repolho com bolinhas de carne que sobraram do jantar. Deu até tempo de ir no banheiro, fazer um bochecho com Cepacol, pendurar minha calcinha lavada no box e botar minha botinha branca. Tomei o busão das 6:30 e cheguei no escritorio 8 hs em ponto, nem acredito! Ainda bem, que deu tempo prum rápido cepacol,não é a toa que dizem que Deus é pai, dei de cara no buzão com o Vanderley, uau!!! Aumentou ainda mais meu desejo de trabalhar, trabalhar, trabalhar...

Walderico meu primo é moto boy e me convidou pro baile funk. Ah, não vejo a hora. O Wanderley vai estar la, quero so ver a cara dele quando eu aparecer. Tenho que dar um jeito nas espinhas, vou encher a cara de Minancora e tomar cha de pepino que nem a do Nenê da peixaria ensinou. Vou arrepiar...aquele jeans justíssimo,com o coletinho xadrez,só vai dar eu, virgem mãe!!! Quase esqueço, ainda tenho que ver com a Walnida se ela faz uma chapinha.

O Wanderley falou que eu era uma uma Mocreia, virgi nem sei que que é isso, parece nome de peixe, falei que Mocreia era a mãe dele! Ele ficou muito nervoso, falou que sua mãe era santa e tava no céu, ah, eu quase chorei, mas la no baile funk as coisas vão mudar. Ainda bem que segurei a onda não chorei, depois de tanto trabalho com a Minancora, e se a mãe dele é santa,como ele disse, tem mais é que entender,mas num quero sabê vou descobri o que é essa tal de mocréia.

Procurei na internete e descobri que mocréia é jaburu. Aí, como eu nao sei o que é isso eu olhei o que era jaburu e apareceu um passaro bonito todo branquinho e com a cabeça preta.
Vou falar pra ele que pode me chamar de mocréia e que a mae dele deve ser uma tambem porque se santo tem asa e jaburu tambem as mocreia deve ter tambem. Ah, a Vanilda falou que vai fazer chapinha nos meus cabelo e que vai ficar igual a da Parisrirto. Vou arrasar no baile Funk, preciso ligar pro Walderico e combinar.

Ai minha santinha, quanta gente! Essa musica vibrando dentro da minha espinha, me chacoalhando. ai, que cheiro de suor, hum, não sei, acho que até que gosto, parece tão animal, tão masculino, ai, onde eu tô com a cabeça, pensando todas estas bobagens, vai ver que foi aquela pinga que o walderico me fez beber ou então aquel cigarro estragado que me fizeram fumar antes de chegar aqui.. Tô mooole, mas tô a fim de agitar. Acho que tô meio doidona, viu? uuuuhhhh, tô com vontade de gritar. Vontade de morder alguma coisa, quero dançar...

Ai olha ali, o Waldoberto, o Sandromiro, o Ze Cabeleira e o Pelopidas, ah aquele filho-da-puta do Pelopidas se eu puder eu encrenco esse cara. Mas este funkão ta muito bom, huuuuuh, ai, que vexame tô parecendo uma macaca de auditorio, ah, va, eu sou mesmo uma macaca, uhhhhhh, epa, aquele negão ali ta me olhando... hum um pedaço de negão ja diria minha prima shirleneide, perai, vou rebolar perto dele.

Xiii, nem me olha, deve ser bicha, bonito desse jeito, pera que eu vou dar o rebolado especial de pará estouro de boiada. Nada, eita, aquela ali não tira o olho de mim, ou é francha ou é policia, bom to fora pro almoço e pro jantar ah, o negão me notou, epa, gostou da sapatão, ah, que saco, olha la, ta rebolando com ele, uhhhhh, to doidona, quero gritar, tum dum dum, ah, esse som é muito maneiro. Será que tem um banheiro poraqui pra eu fazer um xixi? nossa foram mais de tres cerveja. To mijando nas calça. Ah, saco, vou ver la naquele buteco se tem banheiro. Uou, quanta gente, nussa tem fila pro Xixi, ai minha aiaiaiaiai vou acabar fazendo na calça mesmo, depois eu derrubo uma cerveja por cima... Ah, não, isso é muito nojento, vou la na fila.

Ei, este cara me passou a mão na bunda, engraçadinho, a proxima vez eu grito assim, bom, não vou gritar aqui na fila, mas posso ficar dançando, ajuda a a passar a vontade que nem no filme da cinderela, quem dança seus males espanta.. ou era encanta?

Ah, sei la, essa historias europeias de noviorque, maiami, toquio eu não nada disso não. Ih esse moleque cabeludo é fortinho hein? Uschh, quêisso? parece meu chefe ali? Era só o que faltava ver aquele filho-da-puta do Pelopidas, e agora meu chefe, não sei quem é o pior, bom pelo menos o Pelopidas não é desses de dizer que não gosta do que gosta, ele gosta, gosta da balada do funk, do agito, do meu agito, aquela encrenca é coisa do passado vou deixar pra lá... mas meu chefe quê quê faiz aqui, uê vivia dizendo la no serviço, a gente não pode se misturar não, cada macaco no seu galho, depois eu tenho um gosto refinado bláblabla... Filho da puta, bem que dona Wanda Luzia lá da escola, falava umas coisas, eu devia ter prestado mais atenção, mais de uma coisa eu me lembro bem, essa gente é falsa, mas não entendi muito bem, deixa pra lá...que o agito tá bom e eu quero e dançar até...

Eita, que que esse cara quer comigo?

– Fala ai princesa, essa parada aí é massa, ta ligado? Aí, o mano ali não gosta de coisa boa como vc não. Que que tu acha de ir ali no boteco toma umas breja com o galã aqui?

– Que história é essa que o mano não gosta de coisa boa meu! Que que tu sabe de coisa boa cara? Ce só rala meu, uma brejas sempre vai, mas tu que vai pagá cara, que o meu aqui num é pra home não, tá ligado? ...e depois é o seguinte; ir no boteco até vou, se for de carro. E tá tudo limpo lá, que não gosto de zumzumzum com os home, eu sou limpeza vc é que num sabe.

Minha nossa! que que me deu pra eu falar assim com o cara! jaja ele vai achar que eu sou funkeira... bom, agora ja foi, bom parece que ele foi la pro bar, daqui a pouco apareço la. Mas olha o safado do chefe, se engafinhando com aquela zinha, ali. Hum, to meio grogue, acho que vou andando, mas pra onde... o chefe com a zinha,eu funkeira de araque, esse som no meu ouvido, esse zumbido todo, que que isso, um sonho?, um pesadelo? ir pra onde? pra casa?... solidão apavora, cantando eu mando a tristeza embora, onde eu ouvi isso, só pode ser coisa da dona Wanda Luzia aquela louca....

Agora fazer naninha, acordar amanhã bem cedinho, pintar as unhas do pé e ir pro trabalho. Zzzzzzzz.
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terça-feira, 2 de junho de 2009

Mocréia é mãe!


Ah, hoje eu acordei louca para trabalhar, bem cedinho, pulei da cama e pintei as unhas do pé. Tava com uma fominha danada porisso comi o restinho de repolho com bolinhas de carne que sobraram do jantar. Deu até tempo de ir no banheiro, fazer um bochecho com Cepacol, pendurar minha calcinha lavada no box e botar minha botinha branca. Tomei o busão das 6:30 e cheguei no escritorio 8 hs em ponto, nem acredito!

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Salada cinco cores



era uma sexta-feira fria quando desliguei a tevê, fui à quitanda comprar alface e dei de cara com o amor. ele era grande, forte e me deu medo, mas ignorei, enquanto apalpava e escolhia tomates.

o amor me seguiu e, como se não o visse, fingi procurar repolho. roxo e branco, exatamente como na receita anotada no verso de um papel velho de anúncio de pizza. faltava apenas a cenoura para completar os ingredientes e, depois de pegar sem critério as primeiras que vi na bancada, fui ao caixa.

o amor estava no guichê ao lado e assim que saí percebi que ele ainda me seguia.


sábado, 30 de maio de 2009

Dialogo Interior com o Neurônio número 8


10 hands (+ 86 billion Neuronions)

Ah, que bom, aquele zumbido passou. Foi devido a uma cirurgia de extração de cérebro que levou até meu ultimo neurônio. Um dos 8, não sei bem qual que foi. Acho que foi aquele que chamava disciplina.
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Tambem, era um inútil sempre se colocando a frente das necessidades do todo. Arranquei-o com um alicate de pressão. Mordi o rabinho dele, girei e tchok, saiu o neuronião ali, pulsando, falando palavrão, se debatendo, tudo em vão. Grudei ele debaixo da minha escrivaninha como se fosse um chiclete velho, mastigado por um adolescente. De vez em quando ele suspira, eu empurro com o joelho pra espremer ele mais.
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Ontem, ouvi um gemido vindo dali, cheguei mais perto e escutei ele sussurar baixinho:
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— Ei, você. Você precisa me ouvir. Sem disciplina você não vai chegar a lugar nenhum... Muito provavelmente sequer vai sair do lugar. Aliás, presta atenção no seu joelho. Cada vez que você insiste me empurrar, ele treme. Presta atenção! Tá vendo? Ele tá sem disciplina. Não sabe se vai ou se fica. E quem disse que eu me coloco frente às necessidades do todo? Você pode dançar sem disciplina, mas se der com a bunda no chão, não surte, não esboce um "a". Tudo faz parte do seu descompasso, da sua inaptidão de nos controlar, seus próprios e querido neurônios. Porque sobra pra nós, neurônios, o estampido.
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– Sem contar o zumbido no seu ouvido não era meu, disse o 38.953.371 Temos inimigos verdadeiros aqui dentro. A sua orelha não está crescendo à toa. Me escute. Você tem que me escutar. Pode até ser que pareça que eu me coloco diante do todo, mas digamos que eu seja filho da precaução. Se eu não estiver aí, você talvez não tenha a disciplina de se olhar no espelho, e não vai perceber a sua orelha crescer, até que seja tarde demais, e ela rasteje no chão, atrás de você. Já imaginou a vergonha que ela vai sentir das outras orelhas? Inclusive a que não está crescendo?

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Ah, faltou meu sussuro baixinho do 8:

– Ahhgnnrnghogfanahannnnnnnnnão me deixe aqui... tenha a disciplina de me aceitar! ...Ou então mande companhia. Pode ser o neurônio número 3. Ou o 9. Só não me manda o 6, (que aí tua orelha despenca de vez) Poxa! vai me descartar mesmo da sua vida? só porque eu lhe grito pela disciplina? sou o melhor, o número 8! Quem você pensará que é sem mim, hein?

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Ai ai ai, agora comecei a ouvir coisas. Bocejo. Coço a cabeça. Dou uma olhadinha pela janela. Acendo um cigarro, dou uma tragada, me sinto culpado, olho pro teto e dou um grito: – Mas eu não quero ter disciplina! Quero decair, doce decadência depois de tantos anos de dever... Isso é um ultraje! olhei bem no olho do neurônio e ele estava segurando uma bandeirinha escrita:
Protesto!

Tenho uma amiga com seus bilhões de neurônios ativos e uma vez ouvi o 735.254.881 dizer pro 91.448.045,
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– Sabe, queria largar tudo isso, ir morar no campo com a familia e o outro respondeu.
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– Tudo que vc tem que fazer é encontrar um método, aplicar disciplina e acreditar que qualquer sonho certamente se transformará em realidade, é unlock the key of possibilities. Rume para a luz! Então vieram milhares de neurônios do depto de lógica, ética, perserverança, indignação e encheram o 91.448.045 de porrada e ele nunca mais foi visto...
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Minha conclusão é que tenho que preparar uma emboscada para este neurónio e depois cair na vagabundagem... ou sei la, o que me der na telha. Vou raspa-lo aqui debaixo da escrivaninha, péra, rec rec rec, pronto, e bota-lo nesta caixinha. Bem guardadinho nessa caixinha, e depois aproveitar o tempo. Opa, lá vem o 2, eita neuroniozinho pra me fazer sentir culpado, não, não dou ouvidos, já combinei com uns camaradas os neuroamebas, e o plano já está em andamento, falta uma coisinha aqui outra ali, nada que uma boa estratégia não resolva, umas horas de trabalho muito pensar, (ai não, suma daqui neuro disciplinador).

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– PROTESTO! Sem disciplina, a casa no campo vira um matagal. Em tempo: estou em franco contato com o neurônio nº 1, e ele me disse que o seu cérebro está uma zona. E que o nº 91.448.045 está aí, e que continua afirmando o mesmo, mas que ele mesmo percebeu que não sou eu (a disciplina, o 8) o culpado por você não poder cair na vagabundagem. O responsável por isso é o 1.113, que representa a apreciação pelo establishment. Então, por favor, manda o 1.113 pra cá, e me pega de volta?
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A queima roupa, sem me dar chances nem de balançar a cabeça numa negativa o neurônio 1 em conchavo como 9.711....e num contato rápido, veio com essa (e ainda com voz baixinha, um quase sussurro):
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– Cair ou não cair na vagabundagem, è só uma questão desse 1.113? Então, o jeito é levá-lo a nocaute, simples assim (o 1), eu fico me perguntando, enquanto lá no fundo a lua brilha, com disciplina conseguiremos?

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Eu tava pensando se os médicos iam me aceitar la naquele spa bacana com psicologo, analista, sala acolchoada e aquelas camisas bacanas que prendem os braços e fecham atras mas agora, pensando bem, se eu me apresentar com meus amiguinhos o 8, 6, FN, 3, 9,735254881,91448045 (este é terrível), 2, vovô, 1.113, 9.711 e todos os outros 86 bilhões... acredito que não irão aceitar, com esses amigos a tiracolo, e mais todos os outros, impossível. O jeito mesmo é tentar alguma coisa mais leve, talvez a dança? Não, gosto de ficar com os braços presos atrás, também não dá... quem sabe uma consulta ao pajé? Mas onde encontrar um, estão todos muito ocupados filmando suas histórias! ahhhhh. Tarô, I Ching,... não tem jeito, vou ter que querer o que desejo, pra cair na vagabundagem só com muito disciplina, e, claro pagar o preço.
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Um dos neuronios, o mais jovem, olhou em volta e comentou:
– Cai aqui e pensei que fosse engano, depois senti que poderia ter espaço e ai virei platéia desta comédia de mansos disciplinados e loucos desvairados. Confesso que fiquei pensando, pensando... e resolvi optar em fazer meditação dinâmica para não me perturbar.
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Bom posso consultar também um bom pai de santo, talvez ele possa diagnosticar melhor o que fazer com os neurônios disciplinados e os indisciplinados já que a ciência não tem encontrado soluções palpáveis ou então no último caso, o choque elétrico, pra ver o que acontece (aí meu Deus, mas isso dói!) Ou então um bom matemático para explicar a aritmética dos neurônios, de repente, em X + Y encontra-se um resultado ou um número coerente do coeficiente neurótico. Ou tambem posso optar por um filósofo, quem sabe a resposta esteja nas cavernas, sombra e luz, cair ou não cair...
Uma coisa é certa: Não sou louco. Os neurônios é que o são.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Neurônio número 8


Ah, que bom, aquele zumbido passou. Foi devido a uma cirurgia de extração de cérebro que levou até meu ultimo neurônio. Um dos 8, não sei bem qual que foi. Acho que foi aquele que chamava disciplina. Tambem, era um inútil sempre se colocando a frente das necessidades do todo. Arranquei-o com um alicate de pressão. Mordi o rabinho dele, girei e tchok, saiu o neuronião ali, pulsando, falando palavrão, se debatendo, tudo em vão. Grudei ele debaixo da minha escrivaninha como se fosse um chiclete velho, mastigado por um adolescente. De vez em quando ele suspira, eu empurro com o joelho pra espremer ele mais. Ontem, ouvi um gemido vindo dali, cheguei mais perto e escutei ele sussurar baixinho:
–

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terça-feira, 19 de maio de 2009

Individuos divididos



Toda generalização é perigosa. Choro por não ter sentimentos. Deixo o tempo passar, engomar, dobrar e ir para a gaveta. O saldo é positivo, afinal, fica feio sermos pessimistas.

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Nada entrava o pensamento no mundo dos sonhos. Porisso somos todos únicos, uma multidão de individuos iguais, cada qual com sua individualidade padronizada. Cada qual com seu numero de serie, seu RG, sua ID. Todos os seis bilhões de nós, todos olhando para frente, todos olhados por tras porque o mundo tem a forma geóide. Mas não estamos em fila e vemos através do ar e do som.

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Antropóides urbanos movendo-se aleatoriamente entre as paredes de seus universos pessoais. Seus mundos redondos são infinitos como aquários. A mecânica do todo há de ser descoberta mesmo que seja uma de ordem caótica e imprevisivel.

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terça-feira, 12 de maio de 2009

Sentindo sentidos

8 hands


Estava andando, senti um cheiro. Tinta fresca, as grades da cerca haviam sido pintadas. Continuei mais um pouco e ouvi um som. Um pequeno monomotor voando la no alto. Comentei com meus botões que como sempre nada responderam. Pasei a mão pela sebe, senti o orvalho frio entre meus dedos. Olhei ao redor. Senti o gosto do vazio. Um gosto contrário ao do cheio. Do volumoso. Do extenso. Minha história se encurtava, ou eu era apenas um nervo à flor da pele, reclamando atenção? Nem as cores que o cheiro da tinta enunciavam poderiam me dizer sobre nada nesse momento , eu pressentia. Presentia o momento em que os sentidos anunciavam o vazio dos dias. O vazio na alma. Precisa preencher os espaços. Novas cores, novos cheiros, novos rumos. Como seguir em frente? Agora, nada teria mais importância, a cerca vermelha, a casinha branca ao fundo, eram apenas imagens contrastes para uma realidade que se anunciava . Em poucos minutos ,talvez eu tivesse a resposta.

Perplexo senti meus pés chafurdando lentamente no lodo. Entravam meus movimentos este lodo negro? Se estivesse mesmo entravado poderia submergir nestas ideias arcaicas neste questionar infundado que agora afundavam inescrupulosamente no seio da terra. Havia de deixar com que voassem meus pensamentos para longe dali. Era preciso. Como um pássaro livre em seu vôo matinal, meus pensamentos ziguezagueavam para longe dali... e, retornavam...retornavam... como se uma força me puxasse, me prendesse no centro de tudo, e eu já não era mais senhor de mim, irresistivelmente atraído pelo cheiro agridoce um cheiro a lembrar cores, cores de um outro tempo. Era tão vazio o gosto que sentia, e o monomotor eu pedia pra alcançar e assim voar pelos campos e sentir que voando o vazio espalharia minha alma ao vento...como o pólen...e o cheiro agora era da brisa da aurora...

Qual seria a sensação de voar feito o pássaro e me atirar no campo de trigo? Talvez voar fosse leve como a puma talvez vertiginoso como o abismo, mas como senti-lo? Em meus sonhos voaria e suavemente inundaria meus olhos na paisagem diafana do trigal, me espalharia como se fosse polem no ar, mas em algum lugar de minha alma sentia medo.

Um medo que percorreia todo o meu corpo, subia pelos meus pés, lentamente, gelava as minhas costas para explodir com toda a fúria na boca do estomago, paralizando assim,os menores movimentos do meu corpo: o piscar dos olhos, o quas sorriso, e a impotência pra chorar. Desse medo, dizem, é que nasce o melhor de nós.

Arrisquei um olhar para o céu. Me vi voando. Levantei um pé lentamente depois outro e alcei vôo na imensidão azul!
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Uma pedrinha no Sapato


10 Hands


No meio do caminho tem uma pedra, não, no meu sapato tem uma pedra! alias, meu sapato ta cheio de pedrinhas, não é a toa que doem todos os meus calos em conjunto sinfonico. No meio do meu sapato tem um buraco. Tem pedrinhas entrando pelo buraco. Pinicam, coçam, ardem, machucam. Espalham-se pelos dedos. Como doem essas pedrinhas, tao pequeninhas, mas ufa... também por fui escolher justo esse caminho.
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Pedrinhas que entram no sapato,
saem do sapato,
entram em casa
saindo do computador
e saltam
saltam
saltam aos olhos.
doem, mexem e pinicam
como moscas na sopa,
como verbos de Drummond.

São incontornáveis, essas pedras? De tanto se acostumar, já não doem? Educam (cabralina) a caminhante? "Mineralizam" a alma já de tanto petrificada? Não há por certo, nesta persistência, algo de masoquismo? Não chegou a hora de buscar um caminho menos pedregoso, para percorrer sem pedras e sapatos? outro caminho, outro caminhar,mas não sozinho é preciso apanhar o grito de um galo antes (uma nova manha?) e lance a outro que com muitos outros galos tracem uma nova rota sem pedras.

Caminho... e tem a trajetoria e tem as pedrinhas. Tudo na maior congruencia de eventos obrigatorios. Resta prosseguir ou desistir. Reclamar é quase preciso pois a gente sempre aumenta um ponto. Caminhos sem pedra seria melhor mas em minha debilitada visão de caminhante mal vejo os galos mas ouço-os cantar. Parece que ja amanhece.

Prossigo. Justo, prosseguir não traz arrependimento, é aconselhavel atravessar a grande agua. E por que não atravessar essa grande rua como alguém, que apesar das inevitáveis pedras do caminho, ainda que só na imaginação escuta um galo à cantar, ou fruto da lembrança do poeta, galos- homens-solidários à caminhar...e as pedras? Continuam a machucar? Um poema alivia a travessia, ou tirar os sapatos ou..ou.. ou algum lugar menos pedregoso a vista.
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domingo, 10 de maio de 2009

Isto ou aquilo



Ficava sempre indecisa isto ou aquilo, vermelho ou azul, rosas ou margaridas, porque não uma terceira opção: vermoazul, amarever, marogari...tudo tão simples a ela.
Senhor os meus tecidos já chegaram? Sim esse mesmo, ah. que pretorelo lindo, combina perfeitamente com minhas sandabotas. Florista, por gentileza, uma dúzia de...
Não se tratava apenas da junção dos nomes das coisas, mas das infinitas possibilidades e usos dos objetos do prazer ou do desprazer. Quantas possibilidades existiriam, ou não.

Instrucções Exotériccas


10 Hands

1. Pegue uma pedrinha e atire num lago. Veja os circulos se aproximando de você. Veja como a agua espirra gotinhas gentilmente no seu rosto.

2. Com o rosto levemente molhado, mais relaxado, solto e se ainda for preciso, faça uma força, aproxime-se esboce um sorriso veja sua imagem na água. (Previna-se. Certifique-se que o coração está repleto, cheio, completo).

Há um risco ... o perigo de se apaixonar pela imagem refletida, (ao se apaixonar como fez Narciso pela imagem refletida na água, que pensava ser ele próprio ...ou um outro eu).


– Tarde demais, caríssimos, antes mesmo de limpar meu rosto respingado, apaixonei-me pelo que vi. Esqueci do lago, da pedra, dos círculos. Minha imagem e existência me bastam. O lago é templo onde sou deus de mim!

3. Agora deite-se na relva e olhe para o céu, veja as nuvens passando em diferentes dimensões.


4. Sinta o vento em seus cabelos.


5. Sorria de novo e de novo, e de novo, e de novo, (está só no mais puro encontro, nada a se preocupar, ninguém a vê-lo o sorriso, o vento,a relva lhe pertencem).


6. Ainda na grama, feche os olhos e invada o universo das lembranças efêmeras, torne-se real naqueles momentos passados.
La de longe pode-se ver alguem deitado no imenso gramado. As nuvens dançam velozes e o vento sopra, num rompante de alegria você é todo passado, de olhos fechados se vê apressado subindo a ladeira, sente o aroma do café a tua espera, ato contínuo estende as mãos, mas o que toca é apenas a grama úmida e aperta-a delicadamente.

Obs.:Se as recordações forem por demais de dolorosas, pare, respire fundo, pegue outra pedra e atire novamente na água. Leia seus novos circulos, seus novos rumos. Em cada ondulação estará escrito um capitulo de sua vida, veja como o circulo se estende aumentando rumo as bordas antes de se dissolver suavemente. Como se dissolve o tempo, como se dissolve o rancor e a mágoa, como se dissolve a alegria, como se dissolve o Amor (tudo se dissolve e descobrimos que a vida são ondas, como numa espiral, vão e voltam, mas passam, passam...)


E
nquanto na presença do agora, quero a plenitude desse momento, fecho os olhos, e me entrego de corpo e alma a Morfeu. Cedendo a sonolencia, da melancolia ao reino onirico da noite, o sonhar cheio de sombras e atalhos envolvem a mente amordaçando a consciencia, mera espectadora destas memorias virtuais.

7. Virar de lado no travesseiro sempre que cabeça começar a esquentar.

8. Mantenha os pes aquecidos.


9. Tenha um copo de agua perto da cama (mas não beba ao amanhecer, so durante a noite)
Ao amanhecer jogue fora a agua e pegue outra mais fresca (Dizem que os maus sonhos e energias dos reinos de morfeu são absorvidos pela agua).

10. Lave o rosto antes e escove os dentes depois do café da manhã.

Sueli Aduan, Lucas Guedes, Célia Ferper, Katia Mota, Sergio Cajado.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Instruções


Pegue uma pedrinha e atire num lago. Veja os circulos se aproximando de você. Veja como a agua espirra gotinhas gentilmente no seu rosto.


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domingo, 3 de maio de 2009

Vejo! (Texto escrito a 14 mãos :o)

Este texto foi criado por 7 autores de diferentes
tamanhos, procedencias, incidencias,formatos,
plataformas, larguras, visões e que espontaneamente
postaram seus comentarios dando sequencia a esta
cronica. O texto original esta na postagem abaixo.




Vejo!

A sensação era péssima, eu nunca tinha estado num lugar desses, procurei na minha bolsa e não achei, só pra ajudar, não tinha trazidos os óculos, e do que ia me adiantar, agora, estar com eles. Por acaso, estou cega? Ou será que pretendo, aqui no meio do nada, ler. Era só o que faltava. Diabos, por que é que na pior das situações me vem esses pensamentos: ler ,colocar óculos, comer chocolate, vai ver é assim com todo mundo. Talvez seja, e daí? O que isso ajuda.


Nossa já é noite, agora sim vou precisar dos malditos óculos. Bendita hora em que marquei minha cirurgia corretiva de miopia. depender de um objeto de acrílico com dois pedaços redondos de vidro é o mesmo que ter pernas e não andar. e se eu já tivesse feito antes, mesmo estando nesta terra de ninguém, não sentiria tamanha angústia por não poder ler.

O fato é que sem óculos estou nu e nu, sinto frio. Se ao menos eu tivesse chocolates... quero enxergar e não posso,coloco os óculos e tira-os sem dó...fazer da cegueira um vício para adiar o sofrimento...e acalmar-se ao chocolate numa noite fria. Acalmar-me com chocolate, mas sem meus óculos e sentindo-me nu com frio, será que num ato falho o que explica tudo isso é, justamente, estar adiando um sofrimento, que sofrimento? e esse lugar existe mesmo,ou sonho.

A falta da visão é um pretexto. Um pretexto para não enxergar minha nudez diante do sentimento, diante do que está distante do que quero ver. Olho em cima da mesa e la está o livro do Saramago de novo. Leio mais uma paginas. Aquilo me da uma aflição danada.

Me lembrei! abro a gaveta tiro um galak e croc, dou uma mordida. Aquele nectar dissolve em minha boca. Fecho os olhos. Nao vejo mais. So sinto o prazer inebriante do paladar. Meus neuronios me chamam, mas eu não atendo. Não ver nada, estar aqui novamente, nessa mesa, abrir e fechar essa gaveta quantas vezes quiser e pernitir-me esse pequeno e simples prazer de um chocolate., não preciso dos óculos, talvez não precise de nada.

Eu fico com as corujas, que vêem no escuro toda a arquitetura do mundo, e dos espaços vazios. E quanto a isso fazem pouco alarde - pensou ela:

– Por que não pensei nisso antes, silêncio e observação, acho que aceito minha postura, não mais questionarei meu estado contemplativo, não preciso do óculos. O gosto do chocolate talvez seja diferente deste que sinto agora, mas gosto muito da qualidade da minha percepção gustativa sem a necessidade de nenhum melhorador de gosto. Que venha a noite, que venha a cegueira do livro, branca como um galak.

Chega de pretextos. Vejo agora minha nudez. Mesmo no escuro, mas sei que foi preciso despir-me para enxergar-me, perder-me para achar-me, nu e no escuro enxergando além.

Uma bela mensagem. Mas agora pensando bem, nem é preciso que seja bela, mas que tenha significado para mim, que preencha meus vazios.

Ah!, Achei os óculos!

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Sueli Aduan, Lucas Guedes, Célia Ferper, Katia Mota, Sergio Cajado, Ana Peluso e Sara Miranda

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Vejo! (autores)

A sensação era péssima, eu nunca tinha estado num lugar desses, procurei na minha bolsa e não achei, só pra ajudar, não tinha trazidos os óculos, e do que ia me adiantar, agora, estar com eles.
Por acaso, estou cega? Ou será que pretendo, aqui no meio do nada, ler. Era só o que faltava. Diabos, por que é que na pior das situações me vem esses pensamentos:
ler ,colocar óculos, comer chocolate, vai ver é assim com todo mundo. Talvez seja, e daí? O que isso ajuda.
Nossa já é noite, agora sim vou precisar dos malditos óculos.

domingo, 26 de abril de 2009

Tem uma pedra no meio do caminho


No meio do caminho tem uma pedra, não, no meu sapato tem uma pedra! alias, meu sapato ta cheio de pedrinhas, não é a toa que doem todos os meus calos em conjunto sinfonico. No meio do meu sapato tem um buraco. Tem pedrinhas entrando pelo buraco. Pinicam, coçam, ardem, machucam. Espalham-se pelos dedos.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

E ele se foi....


E ele se foi.
Sem dizer para onde, nem quando voltaria.
E a dúvida? Voltaria? Existiria? Ou seria criação de uma mente inquieta e coração vazio?

terça-feira, 21 de abril de 2009

Eu acho que vi um gatinho...

Mas acho que tava morto de tanto tomar porrada de mim e daquela velhota que me mantem preso aqui ha 60 anos... pobre Frajola, que Zeus o tenha... (se bem que ele ainda tem mais 8 vidas)

domingo, 19 de abril de 2009

Heitor na Vila dos Lobos



Ai de mim, sou rosa. Meu destino é virar salsicha. No fundo queria poder cantar, queria dançar um frevo, entrar pra academia de letras, tocar violoncelo, compor sinfonias... mas não, vou pro espeto. Não sou esperto como o Prático, sou mais como Cícero que nasceu em Roma e teme os lobos.
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sábado, 18 de abril de 2009

Sentindo os sentidos


Estava andando, senti um cheiro. Tinta fresca, as grades da cerca haviam sido pintadas. Continuei mais um pouco e ouvi um som. Um pequeno monomotor voando la no alto. Comentei com meus botões que como sempre nada responderam. Pasei a mão pela sebe, senti o orvalho frio entre meus dedos. Olhei ao redor. Senti o gosto do vazio.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Revista monstrengos em depressão


Blob andava triste, não imaginava que a vida podia ser assim tão insensivel. Ficara com cara de quem comeu e não gostou pois gostou mas não comeu. Escreveu então para a revista monstrengos em depressão e obteve respostas impressionantes.
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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Onde a batata assa


Com quantos paus se faz uma canoa? um, acho. Mas não um pauzinho, um tronco! e é aí que a batata assa. Todo mundo quer ser elegante, mas quem quer fazer dieta?

quinta-feira, 9 de abril de 2009



Neste momento olho à janela, (pela janela) mas ela esta fechada, (linda lua, hoje), é outro universo temporal. Como? então não me encontro aqui a digitar este texto, na realidade não escolhi essa cadeira, não conheço este local, não estou nessa sala. A bem da verdade, eu nasci? mesmo porque meus pais nunca chegaram a se conhecer. E sinto me obrigada a dizer: não posso errar, ergo os olhos da tela, estou ainda aqui, nesta sala, cela, ato falho, cheia de silencio e perfume .
Tenta me convencer

quinta-feira, 26 de março de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

Sobre a Mesa



Aros de oculos, rugas, lenços de papel, terno escuro, cachimbo, cadeira de balanço, jornal. Poeira suavemente flutuante no ar sendo iluminada pela luz do sol, na penumbra. Silencio. Silencio gelado de igreja, silencio com som de madeira, silencio cortado pelo tiquetaquear vagaroso do cuco na sala de jantar. Cilios. Olhos.Sobrancelha. Enfeites de natal. Chocolate no ar. Sino da igreja. Longe. Galo cantando, longe, barulho de agua, longe, fumaça, nuvem, lua, sol.

Nunca poderia pensar. Não nasceu para pensar. Não nasceu. Foi construido.
Movimentava-se. Parava. Nunca morreria mas poderia ainda ser desativado.

Tralhas, porcarias, babiloques, percevejos, clips, filmes velhos, slides, selos, dados, cortador de unha, parafusos, bitucas, cds, comprimidos, pilhas, camisinhas, gameboy, estetoscopio, latinhas, livros, caixinhas, compasso, walkman, colher, mapas, batata frita, canivete, globo, notas fiscais, perfume, lanterna, controle remoto, despertador. A gaveta fecha fora fica um barbante.

Uma aranha andava por sua perna lentamente, olhou de novo e viu uma sombra, olhou mais de perto e viu que sua perna estava suja de carvão, examinou mais ainda e percebeu que aquela coisa escura em sua perna era um hematoma.

Ponta da cama, porta do carro, pia, banco da praça, vassoura, cortador de grama, balança, guidon da bicicleta, cotovelo, arvore caida, frande pedra no parque, cerca do vizinho, lata de lixo, martelo, briga.

As pessoas se parecem as vezes com edificios. Grandes, pequenos, ricos, humildes, solidos, frageis, grandiosos, fora de moda, modernos, desejaveis, insuportaveis, misteriosos, pateticos, imponentes, frios, elegantes, charmosos, desengonçados, magicos, curiosos, malditos, bonitos, feios, altos, baixos, imundos, limpos, isolados, alegres, iluminados.
Existem ainda pessoas confortaveis ou espaçosas, edificios nervosos ou tristes.

A medida queque ia envelhecendo, não deixava de manter aquele ar retrô e aquela aparencia nobre que só o tempo confere. Não poderia no entanto mais estar ali, naquele mesmo lugar, onde tudo era moderno. Sua presença anacrônica incitava inquietação.

Trabalhou 57 anos naquele predio, agora os dois iriam desaparecer. Ali seria construido um shopping center com muitos funcionarios novos e temporarios.

Foram quase 1900 anos depois de Cristo que descobrimos o conforto. A luz eletrica é o maior bem tecnologico da humanidade, a mais importante descoberta depois do fogo. A luz eletrica dá independencia divina e prepara a humanidade para uma incrivel jornada. Os primeiros passos cosmicos sob suas proprias pernas. A humanidade sai do primario e entra para o ginasio.

sábado, 7 de março de 2009

O esquecimento dos homens





Sou laranja como uma mixirica, macio como uma almofada, sou mulher, ex-masculino, encolhido em posição fetal, inerte em meu odor de esquecimento, tenho gosto de vinho bom daqueles que se cheira a rolha. Sou odiado, me atiram depois de usar-me, consumir-me como se fosse um objeto sem valor. E fico ali, esperando ser varrido para o nada.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Sobre o oceano e outras coisas



Do barco que afundara só restara um escaler, um pequeno bote de madeira com remos e provisões para alguns dias. Nada se via no horizonte exceto a imensidão do oceano.

Os dois ocupantes da pequena embarcação tinham origens diferentes porem dominavam uma lingua em comum o que permitiu que pudessem ponderar sobre a inusitada situação em que se encontravam.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009