quinta-feira, 29 de abril de 2010
Curto um circuito
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Uma questão de harmonia
─ Então, até que enfim você chegou Otávio! Vejo que já conheceu meu irmão Júlio, e não, não se preocupe com maiores explicações, a carta de Adamastor explicando sua situação chegou há dois dias atrás!
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Aceitei tranqüilamente
terça-feira, 13 de abril de 2010
Feito um rei.

sexta-feira, 9 de abril de 2010
Estado de fauna
Foi aí que ele viu
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Somos feitos assim

Paf!
Mamãe me deu um sopapo, bem que eu mereci. Claro que fiquei com raiva, um tapão na nuca nunca é bem vindo. Mas a culpa não foi bem minha. Nao quebrei o braço do João, juro, ele se quebrou sozinho, já disse que nao faço essas coisas poxa, porque não acredita em mim? Sei que as pessoas a meu redor sempre se machucam misteriosamente, menos na minha familia, talvez sejam imunes a mim, nao sei por que, afinal nao sou esse tipo de pessoa.
Lembrei-me do episódio poucos anos mais tarde no ônibus que me levava de Vila Mariana a Penha. Lento e monótono o ar viciado por tanta gente respirando ali, o silêncio de tédio me deixavam de saco cheio. Eu vinha sentado na janela com um estranho ao meu lado. Não bastando o calor e o abafamento o sujeito, meio grande, meio gordo, dormia e esparramava-se no banco contribuindo para meu desconforto.
Foi quando num gesto brusco, para melhor me acomodar, esbarrei em seu braço. O sujeito acordou. Olhamo-nos rapidamente, uma fração de segundos e foi o que bastou. Sorrindo me disse:
- Mas não é possível, não pode ser... Estou te reconhecendo! Você não é...? Você era vizinho da tia Alice, na rua Mandu..., não era? Meio aturdido com a pergunta, ainda entediado e sem nenhum entusiasmo, respondi:
- Sim, morava ao lado dela. Mas, não estou conseguindo me lembrar...
- Sou o Laércio, interrompeu-me. Filho da Jandira que morava na mesma vilinha de casas, lá na Mandú, lembra?
- Ah, agora estou me lembrando! Você e eu costumávamos brincar lá na rua, não é?
- Nossa! Faz muito tempo. Não voltei mais lá desde que mudamos.
- Mas, como vai a vida?
- A vida?! Ah! A vida.É meio complicado... Não é no momento do jeito que eu gostaria, mas dá pra ser feliz de vez em quando. Quando meu time ganha, quando entra um dinheiro a mais, disse brincando.
- Mas, olhei para ele com mais atenção, você está muito diferente... esta barba, os cabelos longos... como me reconheceu? Tenho a mesma cara que tinha quando criança?
- É teu olho. Ele olha do mesmo jeito de quando eramos guris descabelados apertando campainhas e correndo pela vila.
- Bom vc não da pra perder com esse cabelo vermelho que deixava as velhotas da rua em desespero, hahaha, fomos mesmo moleques imperdoáveis hein?
- Acho que fomos mesmo, mas a vida se vinga, tenho dois filhos que me deixam de cabelo em pé
- Não brinca, tenho dois moleques tambem, mas são bem tranquilos um pensa que é o papagaio do platão e o outro a vitrola do Juca Kifuri.
- Uau, um filósofo e um esportista...
- Nada, dois tagarelas, mas tranquilos, acho até que nós fomos bem piores, disse Laercio.
- Não sei com respeito a teus filhos. Mas quanto aos meus, com certeza, eu fui bem pior. Sumia para ir nadar no lago azul e só aparecia a noite.
- Lembro bem disso, disse Laercio, uma vez você tomou várias chineladas nas pernas. Tua mãe estava possessa.
- Coitada, respondi, é que de vez em quando morria algum garoto afogado por lá... dona Gloria tremia de medo.
De repente voltei à minha própria infância, ouvindo (sem querer, juro!) o encontro casual desses dois homens feitos, com suas reviravoltas de vida, alguns sonhos de criança concretizados, muitos outros não e ali, na minha frente, como num filme, revivi a promessa feita e o sonho que não se realizou, pelo menos não para mim.
Será que ele se realizará ou será deixado de lado aos poucos substituido por outro sonho? Com o passar dos anos não temos mais sonhos.
Só desejos.
Uma obra escrita por Sergio Cajado, Youkai, Sueli Aduan, Renato Ferreira, Tina & Nalucky
terça-feira, 6 de abril de 2010
Porque eu sou assim?
Mamãe me deu um sopapo, bem que eu mereci. Claro que fiquei com raiva, um tapão na nuca nunca é bem vindo. Mas a culpa não foi bem minha.
terça-feira, 30 de março de 2010
Jaime Córdoba: " Em busca do som e do silêncio”

escutamos no mínimo o som grave da nossa pulsação
sanguínea e o agudo do nosso sistema nervoso”.
Era um sujeito de poucas palavras, desses que vez ou outra aparecem por aqui e só nos cabe o silêncio um impecável atendimento. Não posso dizer que não ficava intrigada toda vez que o via descendo as Era um sujeito de poucas palavras, desses que vez ou outra aparecem por aqui e só nos cabe escadas. Arrastava um pouco a perna o que aumentava a áurea de mistério que envolvia sua vida, além da minha própria desconfiança. E, a bem da verdade, a desconfiança não era só minha, não. De hábitos estranhos saía de manhãzinha levando uma pequena maleta preta e só retornava a noite. Exatamente no momento em que nosso hóspede chegava eu sempre me encontrava sozinha na portaria.
domingo, 28 de março de 2010
Domo Arigato Gozaimasu
- Eu cuspo e você?
- Bom, eu falo....
- Mas fala bastante he?
- Sim, mas so quando necessario
- Domo Arigato Gozaimasu
- Que que é isso que vc falou?
- Eu te disse obrigado
- Porque?
- Porque você, sendo um trovador de poesias etéreas, dá um novo sentido as coisas que eu as vezes não percebo...
- E porque você cospe?
- Porque sou um Gourmet que tenho de saciar minhas papilas gustativas deveras insaciáveis, e as vezes me deparo com sabores que não são agradáveis...
- Este é o destino de seres sensiveis como nós, falar e cuspir as vezes se confundem no lapso do tempo infinito
- Sim, falar e cuspir são coisas que saem de dentro
- Ha talvez mais coisas que saem de dentro...
- Por exemplo?
- Hum... um filho... Pérolas, saem de dentro.
- Sim, um filho... a continuidade de nós e nossos genes, que vem atravessando gerações em busca da imortalidade...
- O grito também sai de nós, né? Mas ele vem da garganta ou da alma?
- O grito vem da garganta! Da alma vem o motivo de gritar...
- O porque gritar e não agir?
- Isso é pessoal, mais geralmente porque quando você age, dói mais do que apenas entrar em panico.
- Hehe isso é engraçado. Aprofunde esse argumento.
- Pelo meu conhecimento gritar é se expressar, não exatamente fugir, mas achar que é síndrome de panico é no mínimo original!
- Todo mundo que grita está de certa forma em panico!
- Será? Ou voce quer que assim seja porque voce nunca grita?
- Me diga uma única pessoa que resolveu agir gritando e se deu bem na vida?
- Ora, os samurais! Eles não gritavam antes de agir com o sabre? Ou aquele grito nada representava?
- Mesmo assim eles as vezes perdiam pros ninjas! Sabe como é, o silencio da ação gera alguma vantagem, os bons assassinos que os digam e que digam todos os que usam da sabedoria da palavra para suas ações, quer seja no grito, às vezes necessário, quer num sussurro que nos chega aos ouvidos e nos leva à loucura do fio da espada!
- Mas nisso tudo, o que vale mais, a ação do sabre ou a teoria da palavra?
- Tudo depende da situação, ambos são úteis, em momentos adequados.
- Então, quer o homem caminhe na paz de seus dias ou na luta de suas guerras sempre terá uma escolha a fazer. E de seu interior, na criação de sua palavra que nunca cala, que insiste em soltar-se das profundezas de seu âmago.
- Somos assim, seres que expõe o que tem dentro.
- Sim somos assim... só que preferia mais ser um honrado samurai que um ninja sorrateiro
- Do que vc esta falando?
- Você disse que as vezes os ninjas batem os samurais..
- Não, foi vc que disse isso.
- Foi?
- Foi
- Hum, de qualquer maneira nada pode fazerv um samurai com um canivete contra um ninja com um sabre.
- Mas porque?
- Porque o samurai vem carregado da sapiência dos antigos, onde mais valia a honra do que qualquer conceito que hoje vigore.
- Como assim?
- Sabe que tua força mora dentro das sabedorias das gerações em servidão e vigilancia constante, sua gloria em vida era morrer com honra. Então canivetes podem ser mais mortais do que qualquer sabre carregado pelo oponente, uma vez que cada golpe desferido por um samurai emana de sua afiada crença em seu destino, nada teme em face dos tormentos.
- Até parecem que não são humanos! Há entre eles alguns onde essa definição não se encaixa.
- Por exemplo?
- Itto Ogami por exemplo e existem outros alem dele.
- Mesmo? e entre os ninjas? Não existe alguem que se compare?
- Logicamente que existe, mas ninjas ao contrário dos samurais são sombras, não brasas, são poeira, não rocha, eles passam invisiveis e despercebidos. Sua vida é uma camuflagem permanente e seus nomes nada mais que facas em costas anonimas... com graça e medo movemo-nos sobre esse fio da lâmina.
- Seres engraçados que somos, nomeadores de coisas que saem de dentro que vivem fora e retornam de onde tudo parece mover-se.
- Mas porque agem desta maneira?
- Porque são sábios...
- Sábios como nós?
- Sábios como o tempo.
- Mas você então deve ser samurai!
- O que tenho nos bolsos são só três pedrinhas. Cada uma delas me lembra do que sou a cada dia.
- Mas você é samurai ou não?
- Se sou samurai ou não, isso não importa mas não sou digno de ser um sábio...
- E que te faz lembrar essas três pedrinhas?
- Lembram-me que posso ser duro, mas que também viro pó; que posso ser precioso ou não; que no meu caminho muitas delas podem existir e humildemente as supero, uma a uma. As tres que carrego possuem nomes, a primeira chamo de Ying, a segunda de Yang e a terceira de Devir. Mas os nomes não são importantes e sim seu significado.
- Eu tenho dois rolinhos de papel no bolso. Um eu chamo de Kien, a força do criativo ou outro eu nunca abri e não tem nome.
- Porque não tem nome?
- O primeiro contem o sentido de minha existencia e o segundo é meu futuro
- Quer dizer que vc nunca abrirá o segundo rolinho?
- Ele se abrirá sozinho
- E se vc o perder?
- Isso não importa. E mesmo que alguém o encontre, coloque em seu bolso nada disso ira alterar o que de antemão está escrito nas sílabas invisíveis do amanhã, ele é apenas simbólico, um lembrete de que no tear de nossas vidas, não há pontas soltas, todos os fios estão entremeados e revestidos de significados. O futuro será escrito com as penas da Fenix, o futuro será permeado pelo fogo da destruição e da reconstrução. Renovação constante que não cabe a um homem tentar controlar. Somente podemos viver. Viver e amar. Amar a chuva que caí e o fruto que nasce. O riso, o choro, a dor e a morte. Mas acima de tudo a liberdade de podermos dizer.
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quinta-feira, 25 de março de 2010
Nosso hóspede
quinta-feira, 18 de março de 2010
Kuchi ni suru
- Eu cuspo e você?
- Bom, eu falo....
- Mas fala bastante he?
- Sim, mas so quando necessario
- Domo Arigato Gozaimasu
- que que é isso que vc falou?
- eu te disse obrigado
- Porque?
quarta-feira, 17 de março de 2010
É só um café. Será?
quinta-feira, 11 de março de 2010
Só eu para pensar isso.Será?
terça-feira, 9 de março de 2010
cavaleiros da Linguagem
Rumavam, como todos rumam, a uma direção imprecisa onde os sinonomos e os antonimos viviam em desacordos harmoniosos, esperavam em desconforto nos aeroportos e gozavam férias forçadas quando as praias estavão lotadas. Mas preservavam a lingua a qualquer custo, minha lingua é minha patria, sem anglicismos ou galicismos latinizando inclusive de tempos em tempos expressõess a serem gravadas no tempo.domingo, 7 de março de 2010
Os cavaleiros da linguagem

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sexta-feira, 5 de março de 2010
Os potes dourados

escrito por... todos nós :o)
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domingo, 28 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Salve-se quem puder! II

Carissimos colaboradores do Tempus Fugit
O Blog passara por uma faxina, troca de encanamentos e pintura. Salvem os textos que lhes forem caros pois em momentos como esse sempre some alguma coisa. Mas tem um tempinho ainda portanto nesta hora crucial, estamos todos abertos a sugestões e confidencialidades a se tornarem publicas. Toda sugestão será abençoada pelo Dalai Lama e pelo Padim Padre Cicero alem da equipe passiva e ativa, que na verdade somos todos nós, amantes das letras que pululam tresloucadas pelos conduites de nossas mentes e vem se postar graciosamente neste Blog.
beijos a todos
PS. Vamos aproveitar este hiato pra sugerir novas experiencias., por exemplo, na proxima postagem sugiro a gente pode fazer um teste de escrever no maximo 5 palavras sem abrir paragrafo e ver o que acontece com o bloco (uh!?!?!?) quem topa? (depois na outra a gente volta ao de sempre... ou cria novos caminhos!)
Momento sublime
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Cadenciado passo
sábado, 23 de janeiro de 2010
Tempus Fugit
Saciada a sua ira e satisfeito o seu ódio Beatriz observava seus pés e a chuva mansa que caia. Os pingos na vidraça do quarto era o único som existente. A mudança de humor, a observância desses pés e os movimentos de seu corpo era tudo o que tinha. .
Figura delicada, boca perfeita e usando um elegante chapéu, Camille a esperou de braços abertos. A lua iluminava-lhe o semblante e ela sorria. Um sorriso de boneca ou da boca que se alarga e toma conta do rosto inteiro. Beatriz nunca descobriu, e a bem da verdade, chegou a pensar que não era nenhum nem outro. Era só e unicamente o brilho que Camille possuía e que tanto lhe incomodava. Tornaram-se inimigas no mesmo instante em que seus olhos se cruzaram. Foi a beleza desse olhar que levou Beatriz à destruir sua própria vida, por ciúmes.
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Já havia 15 anos desde o acontecido, foi na época do colégio. Ninguém entendeu o fato e nada ficou esclarecido nem mesmo a polícia local, tão eficiente, conseguiu desvendar tamanho mistério.Apenas algumas suposições, hipotéses.
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Foi quando encontraram um retrato, antigo, desbotado com a força que o tempo exerceu sobre ele. Era o retrato de dua meninas abraçadas. No chão havia uma boneca sem cabeça e podia se ver tambem a sombra do fotografo. Atras da foto estava escrito:
Tempus Fugit.
Tal menção não é algo que se lê todos os dias. Intrigado o Detetive Parkinson procurou saber sobre o significado para ver se achava algo mais sólido do que apenas o significado das palavras em sí. Foi quando a porta se abriu e um padre apareceu trazendo amarrado a uma cordinha uma ovelha.
Ele olhou para o relogio e disse:
- O tempo passa.
Parkinson começou a tremer. O padre lhe perguntou:
- Posso ajudar detetive? Franzindo a testa, com os olhos cheios de raiva e tremendo ainda mais, Parkinson respondeu:
- Não dessa vez, padre. A intimidade dos dois não passou despercebida aos outros políciais presentes. Quanto a ovelha, que já se acostumara ao som das palavras, à benção do seu vigário, assustada correu, mas não antes de derrubar o retrato deixando a mostra uma caixa de porcelana, que segundo Beatriz guardava o segredo do encanto de Camille. O encanto que lhe roubara a felicidade. Mas nessa epoca, 15 anos atras, nada disso era conhecido e por um capricho do destino, talvez nunca venha a ser.
Derrepente o detetive Parkinson tremendo agora compulsivamente, perdeu as forças nas pernas e caiu sentado no chão. O padre prontamente se ajoelhou para ajuda-lo. Sussurrou em seu ouvido umas poucas palavras que ambos conheciam. Parkinson agarrou-se ao terço que o padre trazia junto as mãos e naquele momento tudo veio-lhe à mente; o retrato, a caixinha de porcelena, Camille e Beatriz com sua doce voz cantando uma velha ladainha que dizia coisas de um mundo passado. Lembrou-se de sua infancia abstrata sem amor, sem amigos. Começou a chorar
Neste instante o padre atonito por tal cena arranca-lhe o terço das mãos e lhe dá uma tremenda bofetada. A ovelha começa a balir. Os olhos de Parkinson rodam em suas orbitas enquanto as lembranças revoam inusitadas em sua mente. Quinze anos desembrulham-se então e esparraman-se pela sala. Tudo foi se juntando durante os anos para explodir naquele momento. Ainda agarrado a batina do padre, o detetive confessa:
- Sim padre, fui eu, fui eu, eu que as matei, eu insuflei todo o ciumes, eu fui o causador da tragedia! Ha anos carrego esta culpa, nada pude fazer, mas no fundo sou culpado.
- Não diga asneiras Parkinson, vc era apenas uma criança na epoca. Componha-se, sei que você as amava mas essa triste fatalidade nada tem a ver com vc. Vc nem existia para elas, não pode se sentir culpado por arrancar a cabeça de uma boneca. Bom, eu te absolvo.
Parkinson abaixou-se lentamente e pegou a foto do chão. Olhou o verso do retrato e finalmente entendeu. Incrivelmente o padre estava certo. O tempo havia passado.
Tempus Fugit.
written by Sueli Aduan, Tina, Katia Mota, Sergio Cajado, Leo Metallica, Youkai
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Virá impávido...Virá que eu vi
Um índio preservado em pleno corpo físico Em todo sólido, todo gás e todo líquido. Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro. Em sombra, em luz, em som magnífico. Num ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico. Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio. E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer. Assim, de um modo explícito. E aquilo que nesse momento se revelará aos povos Surpreenderá a todos, não por ser exótico Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto. Quando terá sido o óbvio.
Caetano
Eu disse com a voz mais suave e delicada que consegui, mas mesmo assim não pude evitar os olhos de espanto dos que estavam a minha volta. Olhares de desconfiança de uns, de zombaria de outros, e de... Ah! Não importa. Eram muitos e muitos os que ali estavam reunidos. E a bem da verdade, eu não estava nem um pouco preocupada em poupá-los de nada, não. A voz suave foi só uma maneira que encontrei por conta da minha própria profissão e de conhecimentos específicos a ela pertencentes. Eu sabia, mais cedo ou mais tarde todos, sem exceção, perceberiam que não estamos falando a mesma língua.
Após dizer tudo que estava atravessado em minha garganta, feito um bolo enorme me sufocando, enfrentei os olhares que se entrecruzavam.Até que o impacto visto por esse ângulo de expectador era engraçado. Mas, não era mais eu ali, parado olhando o ser olhado de toda essa gente, embasbacada em sua babaquice moral, seus credos, mitos, tabus e toda essa porcariada que segura a gente num plano rastejante.
Olhei novamente para cima e depois disse novamente olhando no fundo de suas almas perdidas:
Poucas coisas me embrulhavam mais o estomago do que este jeitão arrogante de coletivo prepotente, esse aceitar valores impostos sem questionar méritos, coerências ou critérios, incorporar sua intolerância doutrinária, negar o desconhecido com a certeza dos justos e impor a rigidez da ignorância. Mas o fato não poderia mais ser ignorado. Alan a meu lado foi tirando seus óculos lentamente, uma estranha luminosidade que começava a emanar de seu corpo foi calando os comentários do publico um a um.
À medida que iam percebendo o aumento da luz iam também abrindo suas bocas quase babando, talvez para absorver com mais sentidos aquele fato incomum.
Depois de por os óculos no bolso começou a desabotoar sua camisa e em seu peito pode-se ver que Alan não pertencia a este mundo. Em seu tórax havia um espaço vazio onde deveriam estar o coração os pulmões e as costelas. Não era um furo, seria mais um buraco perfeitamente redondo, recoberto com bom tecido humano. Neste buraco haviam cordas parecidas com a de um instrumento musical fazendo lembrar a boca da caixa de um violão. As cinco cordas com diferentes colorações faziam parte de sua fisiologia. Quando começou a falar suas cores e sua luminosidade aumentaram. Ninguém ousava falar uma silaba sequer.
Alan disse então:
-Sei que nesse primeiro momento não podem compreender e o silêncio tomará conta de todos. Nenhuma palavra, nenhum som, gemido, nada. Mas em pouquíssimo tempo, uma alta freqüência de ressonância e pequenas oscilações no corpo físico permitirão somente o uso de palavras que representem uma idéia, que não seja apenas um código aleatório.
E, então, não mais na contramão do mundo, como num quadro poético tinta e verbo colorindo as ações dos homens. Todos nos percebíamos a existência um elo, pois tínhamos aquela mesma luminosidade interior, o mesmo bolo entalado na garganta, a mesma afinação. Vibrações dentro de um mesmo tom. Todavia, não sabíamos até aquele momento que tínhamos uma historia e um passado em comum.
Esquecido há muitos e muitos anos e com ele a percepção exata de quem realmente somos e do quanto podemos.
Alan estava ali, justamente, para nos mostrar como nos unir, como dar força ao nosso coletivo adormecido, aquilo que nos transforma em seres humanos, herdeiros da luz.
E foi ai que sentimos.
Somos apenas um, com múltiplas personalidades e infinitos quereres.
Kátia Mota, Cajadomatic, Sueli Aduan, Placco Araújo, Claudia
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Olhares
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Muito além das escadas.
Ao pisar as tábuas essas lamentavam sobre seu peso. Colocou a antiga chave na fechadura torcendo que ainda fosse a mesma combinação. Rodou lentamente, ouviu um leve estalido e pronto, a porta estava aberta.
Atraído pelo inesquecível aroma se dá conta de que não há uma só alma viva no apartamento. Tateia as paredes tentando encontrar o interruptor, pressiona-o e nada. Continua sozinho, num cômodo escuro e cheio de fantasmas.
Já sabia que esta era a voz de seu coração. Olhou pela janela e imaginou-se caindo, livre da angustia, das lágrimas diárias trazidas pelas doces lembranças, agora amargas. Debruçou-se no peitoril e não conseguia encontrar uma imagem que lembrasse o que apartamento um dia tinha sido, ou tido.
Se observou, assustado constatou que a imagem projetada não era invertida como nos espelhos tradicionais. Ao longe ouviu um chamado, algo que parecia soar apenas em sua mente.
- Decifra-me... ou devoro-te..
- O chamado da Esfinge - reflete...
Tocou o vidro e assustado percebeu que a superfície não era sólida. O tato denunciou algo parecido com uma gelatina, gelada e fria.
Forçou o movimento e sentiu o braço atravessar a superfície, surpreso, decidiu ir além, ergueu a perna direita e seguiu para dentro do espelho.
Acordou assustado. O bolorento corredor era iluminado por uma única lâmpada que tremulava feito chama de vela. Não tinha muitas lembranças daquele lugar e simplesmente não entendia o que o levara ali novamente, poderia simplesmente ter ignorado o chamado.
Ao pisar as tábuas essas lamentavam sobre seu peso. Colocou a antiga chave na fechadura torcendo que ainda fosse a mesma combinação. Rodou lentamente, ouviu um leve estalido e pronto, a porta estava aberta.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Uma chave para um recomeço.
Janelas fechadas observo o quarto. Silêncio e som de pássaros Sobre a mesa um xícara com chá descansa. O bem-estar do chá, o pensamento longe , o prazer da escrita.
Começo ansiosamente e com as pontas dos dedos teclo os primeiros acordes.
Depois das mil noites de treinamento constante a recompensa de Sir Loyale, Mago do terceiro circulo da ordem de Balsam Phy, está em suas mãos, literalmente em suas mãos.
Obrigado por vir me buscar Grande companheiro mestre dos contos! Como estás meu bom amigo Herman?
Ótimo Loyale e você, meu bom, companheiro como estas? Conquistou a esfera do fogo celeste?
Sim. Estou ótimo como vê! Trago em minhas mãos a esfera sagrada criada por minha magia em mil noites a fio. O fogo celeste, a chave para a porta da gruta de Gissa e agora poderemos terminar nosso sonho meu bom amigo. Temos a chave. Alegria das alegrias, meu amigo, de posse da chave só nos resta seguirmos rumo à Gissa. E lá, meu grande companheiro, sem mais demora atravessarmos corajosamente os portais, enfrentarmos o que nos aguarda há milênios e só agora nos chega a possibilidade de vivermos todos não só das enfadonhas obrigações estipuladas por nossos medíocres governantes, mas deleitarmos das ocupações livres, dos pequenos prazeres cotidianos, das belas criações, das tarefas ditas sem importância.
Já pensou, meu amigo, que de posse dessa sabedoria somos chamados a um novo viver. Precisamos sair desse lugar, desse mundo mágico em que vivemos e sem demora irmos para outra dimensão para junto dos que nem sonham com esse lugar e tudo o que nele há. Ser livre do seu corpo individual. Viver sem jamais sentir dúvida. Ser coletivo. Uma alma, uma divindade. Ser livre de si mesmo e estar acolhido em uma mente coletiva sem diferenças. Todos sendo Uno, sem matéria, sem corpo físico, apenas energia. Voltar ao estado ancestral original do fluxo. Lá poderemos nos dissolver. Todos seremos Uno. Sem dor, sem vontades. Que maravilhoso será não? É a cura final de nossa natureza que desde o inicio esteve corrompida pelas peculiaridades do vazio, este, que jamais será preenchido sozinho. Temos que ser uma unidade novamente. Chame os outros estamos partindo rumo à terra de Voguilishrat. Os nossos companheiros guerreiros que tanto esperaram por este momento, nosso grupo de aventureiros que vagou por tanto tempo sobre as terras e o pó desta civilização.
Calma companheiros! É preciso cautela para não correr o risco de um eterno recomeçar. E apesar de tanto tempo sonhando com esse momento sinto desapontá-los. Não partirei, mas sigam mesmo sem mim. Usufruam da magia de Voguilishrat e sejam todos Uno. Sem matéria, sem diferenças, dissolvam-se e vivam sem dores e sem vontades. Eu necessito das minhas dores, minhas diferenças. Com as janelas fechadas e o som dos pássaros ansiosamente escrever a última carta explicando que o retorno é eterno e vivemos no eterno retorno. Gissa vivia em mim, eu vivia nela como um pensamento que atravessa o céu da boca. Retornar aqui, vendo as imagens de um passado presente como uma Samsara nos inquirindo do nosso caminho é ter a certeza do ir e vir, o devir.
Loyale sorria em algum lugar.
Todos os outros companheiros de luta e aprendizado compareciam naquela carta para relatar, por meio das minhas palavras, do sucesso do persistir. E o sucesso, companheiros, traz consigo um infinito de possibilidades.
Como num passe de mágica, a cada conquista nos sentimos mais fortes, determinados, senhores de si, mas que sabemos nós das coisas do mundo? E o que nos reservam caminhos nunca antes navegados. Longe de mim o medo. Já disse e repito é preciso cautela.
Portanto, senhores, minha decisão está tomada. Somos fortes, mas somos poucos. Que as ordens sejam dadas e que se juntem a nos, nessa empreitada, toda a legião das montanhas e das planícies. Chegaremos a Gissa ao amanhecer e de lá só voltaremos com o sopro de vida que renovará as forças do mundo.
E cobriremos o solo, o ar, a água e o fogo como o espírito sagrado da natureza. Um véu que ajudará o equilíbrio das coisas. Seremos enfim heróis, sem nomes, sem rostos, sem identidades.
Loyale, bom amigo, se esforçaste tanto para criar a chave! Compreendo-o, companheiro, forneça calor humano para o mundo por nos. Estaremos contigo em presença constante e a cada sopro de vento que sentires ao rosto será o mesmo que um sussurrar de saudades ao teu ouvido.
Vamos partir agora. Esta última jornada enfim começou...
FIM












